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O Sal da Pele e o Brilho do Olhar

O sol de Angra dos Reis não pedia licença; ele dominava a paisagem, refletindo-se nas águas cristalinas com uma intensidade que chegava a arder. No deque da lancha luxuosa de Emanuel, o clima era de uma celebração silenciosa. Os bebês já estavam com oito meses, e aquela era a primeira grande viagem em família. Amélie e Benício, agora com bochechas gorduchas e olhares curiosos, exploravam o mundo ao redor sob a vigilância constante de babás e o olhar possessivo do pai.

Emanuel estava encostado na amurada, usando apenas uma bermuda de linho clara e óculos escuros que escondiam seus olhos, mas não a tensão que sempre parecia habitar seus ombros largos. Ele observava Valentina, que já ensaiava os primeiros passos firmes no colo de Sara. Valentina era a imagem viva da mãe: loira, expressiva e com um ar de quem já mandava em tudo ao seu redor.

— Veja só, Manu — disse Sara, ajeitando o biquíni fio-dental dourado que brilhava sob o sol. — Ela tem o seu temperamento. Não quer ficar sentada nem por um segundo.

— Ela é uma força da natureza, Sara — Emanuel respondeu, com um sorriso de canto, antes de desviar o olhar para a porta da cabine. — Onde está a Eduarda? Ela está demorando demais com as crianças.

— Deixe a menina, Emanuel — Sara riu, servindo-se de uma taça de champanhe gelado. — Ela deve estar nervosa. Você sabe como a Duda é tímida. E, honestamente, depois que eu escolhi o biquíni dela, não me surpreende que ela esteja demorando.

Emanuel arqueou uma sobrancelha, o interesse despertado.

— O que você aprontou, Sara?

— Eu só dei um empurrãozinho na autoestima dela — disse ela, dando de ombros com um brilho malicioso nos olhos. — Ela tem um corpo de bailarina impecável, mas insiste em se esconder atrás de vestidos de camponesa. Eu decidi que hoje o mar de Angra veria a mulher que você tanto protege.

Nesse momento, a porta da cabine se abriu. Eduarda saiu hesitante, carregando Amélie no colo. O silêncio caiu sobre o deque, interrompido apenas pelo som das ondas batendo no casco.

Emanuel sentiu a garganta secar. Eduarda usava um biquíni de cortininha em um tom de azul-sereno que realçava sua pele de porcelana e o castanho profundo de seus cabelos, que estavam presos em um coque alto e despojado. O problema — ou a solução, dependendo do ponto de vista — era o tamanho da peça. Era minúsculo. O tecido mal cobria os seios médios e macios, que pareciam ainda mais fartos após a amamentação, e a calcinha de laços finos acentuava o quadril esguio e as pernas longas e torneadas de bailarina.

Ela parecia uma ninfa, frágil e incrivelmente provocante em sua inocência. Ao perceber o olhar fixo de Emanuel, ela corou instantaneamente, tentando usar o corpo da pequena Amélie como um escudo improvisado.

— Sara... eu não sei se consigo usar isso — sussurrou Eduarda, aproximando-se com passos curtos. — É... é muito pequeno. Eu sinto que estou nua.

Emanuel caminhou até ela com a calma de um predador que acaba de encontrar sua presa favorita. Ele parou diante dela, ignorando a presença das babás ou de qualquer outra pessoa. Sua mão tatuada subiu para a cintura dela, sentindo a pele quente e macia.

— Você está perfeita — disse ele, a voz rouca e carregada de uma possessividade que fez Eduarda estremecer. — Mas a Sara tem razão. É muito pequeno. Pequeno demais para que outros homens fiquem olhando.

— Ora, Manu, não seja estraga-prazeres — Sara interveio, aproximando-se e analisando a prima com satisfação. — Ela está divina. Olhe para essas curvas. O ballet fez milagres por você, Duda. Você parece uma boneca de luxo.

— Eu me sinto... exposta — Eduarda murmurou, buscando o olhar de Emanuel em busca de proteção, mesmo sabendo que era ele quem mais a "despia" com os olhos.

— Você está sob a minha proteção, pequena — Emanuel sentenciou, pegando Amélie do colo dela e entregando-a à babá que se aproximava. — Ninguém vai olhar para você de um jeito que eu não permita. Mas eu... eu vou olhar o dia todo.

Ele se inclinou e sussurrou no ouvido dela, fazendo-a fechar os olhos.

— Se você der um passo para fora desta lancha e algum desses marinheiros ousar levantar os olhos para você, eu juro que voltamos para a mansão agora mesmo e eu te tranco no quarto por uma semana.

— Emanuel! — ela exclamou, entre o susto e o desejo. — Você não faria isso.

— Tente — ele desafiou, com um brilho perigoso no olhar.

A tarde seguiu em um misto de descontração e tensão erótica. Eles desceram em uma praia deserta de areia branca e águas mornas. Benício e Amélie se divertiam na beira da água, protegidos por pequenas tendas e pelos cuidados atentos. Emanuel não saía do lado de Eduarda. Cada vez que ela se abaixava para brincar com os bebês, o biquíni minúsculo ameaçava revelar mais do que a decência permitia, e a mão de Emanuel estava sempre lá, ajustando o tecido ou simplesmente marcando território sobre a pele dela.

Sara, por outro lado, parecia se divertir com a situação. Ela nadava, bebia e provocava Emanuel, testando os limites de sua paciência.

— Admita, Manu — disse Sara, sentando-se na areia ao lado deles enquanto secava o cabelo loiro. — Ter nós duas aqui, desse jeito, é o seu maior troféu.

Emanuel olhou para as duas. Sara, a força solar, exuberante e sem filtros. Eduarda, a lua suave, tímida e doce. Ele sentou-se entre elas, puxando Eduarda para o seu colo, apesar da leve resistência dela por estarem em um local aberto.

— Eu não vejo vocês como troféus — Emanuel disse, a voz séria. — Eu vejo vocês como a minha vida. Eu demorei para entender que não precisava escolher. O que é meu, eu mantenho. E eu nunca vou deixar nenhuma de vocês ir embora.

Eduarda encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o cheiro de sal e do perfume amadeirado que ele usava.

— Às vezes eu ainda tenho medo, Emanuel — ela confessou em um sussurro, enquanto observava Benício tentar engatinhar em direção a uma concha. — Medo de que isso tudo seja um sonho e que, de repente, eu acorde e você ainda esteja furioso comigo por causa da gravidez.

Emanuel apertou o abraço, beijando o topo da cabeça dela.

— Eu nunca vou esquecer o que você fez, Eduarda. A cicatriz daquela mentira ainda está aqui. Mas a punição... a punição é ter você presa a mim para sempre. Você acha que eu sou violento ou rígido demais, mas é apenas porque eu não sei como te amar sem te possuir por inteiro.

— Ela sabe disso, Manu — Sara disse, com um tom de voz incomumente suave. — Ela gosta desse seu jeito bruto. No fundo, a Duda precisa de alguém que segure a mão dela com força, senão ela flutua para longe.

Eduarda olhou para a prima e sorriu, um sorriso tímido, mas cheio de cumplicidade.

— Eu só quero que nossos filhos cresçam felizes — disse Eduarda. — Olhe para eles... Amélie é tão calma. E Benício... ele vai ser igualzinho a você, Emanuel.

— Deus nos ajude — brincou Sara, levantando-se e limpando a areia do corpo. — Mais um homem controlador nesta família e eu vou ter que abrir outra loja só para ter onde me esconder.

O sol começou a se pôr, pintando o céu de tons alaranjados e violetas. De volta à lancha, o clima mudou. Com os bebês devidamente alimentados e dormindo nas cabines sob a supervisão das babás, o deque tornou-se o cenário de uma intimidade mais profunda.

Emanuel estava sentado em uma das poltronas de couro, com um copo de uísque na mão. Ele observava Eduarda, que tentava colocar uma saída de praia de renda transparente, que pouco escondia o biquíni azul.

— Tire isso — ordenou ele.

— Emanuel, as babás estão lá embaixo... — ela começou.

— Elas não vão subir. Eu já dei as ordens — ele disse, com aquela autoridade inquestionável que a fazia obedecer quase por instinto. — Venha aqui.

Eduarda caminhou até ele, sentindo o balanço suave do barco. Ele a puxou para o seu colo, ficando de frente para ela. Seus olhos percorreram cada detalhe do corpo dela, parando no busto que subia e descia com a respiração acelerada.

— Você me desafiou escondendo meus filhos por cinco meses — ele relembrou, a voz baixa e vibrante. — E hoje, você me desafiou saindo desse jeito na frente de outros homens, mesmo que tenham sido apenas os meus funcionários.

— Foi a Sara que escolheu... — ela tentou se defender, mas ele selou seus lábios com um beijo possessivo, que exigia entrega.

— Não culpe a Sara por um desejo que eu sei que você também sente — disse ele, afastando-se apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. — Você gosta de ver como eu fico louco por você. Você gosta de saber que eu mataria qualquer um que ousasse te tocar.

— Eu amo você, Emanuel — ela sussurrou, as mãos subindo para os ombros dele, sentindo os músculos tensos sob a pele. — Do meu jeito manhoso e bobo, eu sou completamente sua.

— Você é — ele concordou, as mãos descendo para os laços do biquíni dela. — E eu vou te lembrar disso todas as noites, até que você não consiga mais pensar em nenhum outro lugar no mundo que não seja nos meus braços.

Sara apareceu na porta da cabine, observando a cena com um sorriso enviesado. Ela não sentia ciúmes; ela sentia o poder de ter orquestrado aquela harmonia distorcida. Ela caminhou até eles e serviu-se de um pouco do uísque de Emanuel, bebendo diretamente do copo dele.

— O Benício acordou e quer o pai — disse ela, quebrando o transe. — Ele tem pulmões fortes, Manu. Se você não for lá agora, ele vai acordar a Amélie e a Valentina.

Emanuel soltou um suspiro de frustração, mas havia um brilho de orgulho em seus olhos. Ele deu um último beijo no pescoço de Eduarda antes de se levantar.

— Eu vou ver meu filho — disse ele, olhando para as duas mulheres. — Mas não pensem que a noite acabou. Eduarda, se eu voltar e você estiver usando mais do que esse biquíni, eu mesmo vou rasgar a roupa.

Ele saiu, deixando as duas primas sozinhas no deque sob o luar. Eduarda abraçou os próprios ombros, sentindo a brisa fresca da noite.

— Ele é difícil, não é? — perguntou Eduarda.

— Ele é um vulcão, como eu te disse — Sara respondeu, sentando-se ao lado dela e olhando para o mar escuro. — Mas ele é o nosso vulcão. Você se saiu bem hoje, Duda. Ele ficou obcecado por você o dia inteiro.

— Eu só queria que ele parasse de ficar com raiva do que aconteceu no passado — Eduarda lamentou.

— Ele nunca vai parar — disse Sara, com a sabedoria de quem conhecia Emanuel melhor do que ninguém. — A raiva é o que mantém o interesse dele vivo. Ele precisa desse conflito para sentir que está no controle. Apenas aceite o papel de sua "pequena bailarina" e ele te dará o mundo.

Eduarda assentiu, sentindo o peso daquela realidade. Ela olhou para a aliança em sua mão, uma joia que Emanuel a obrigara a usar como símbolo de seu compromisso com aquela família tripla. Ela não era apenas a mãe de Amélie e Benício; ela era a peça que faltava no quebra-cabeça de Emanuel e Sara.

A noite em Angra seguiu silenciosa, com o som das ondas e o brilho das estrelas. Eduarda sabia que, dentro de alguns minutos, Emanuel voltaria. Ele voltaria com sua fúria controlada, seu amor possessivo e sua necessidade de marcar cada centímetro de sua pele. E ela, como sempre, estaria pronta para se perder nele, aceitando que sua liberdade era, na verdade, pertencer inteiramente ao homem que a amava com a mesma intensidade com que a dominava.

No berçário, Amélie e Benício dormiam profundamente, alheios às tempestades e calmarias dos adultos. Eles eram o fruto de um amor proibido, de um segredo guardado e de uma união que desafiava todas as regras. Mas, ali, cercados pelo luxo e pela proteção de Emanuel, eles eram simplesmente o futuro de um império construído sobre o desejo e a posse.

Eduarda levantou-se e caminhou até a borda da lancha, deixando que o biquíni azul brilhasse uma última vez sob a luz da lua antes de Emanuel retornar para reclamar o que era seu por direito. Ela sorriu para o escuro do oceano, finalmente entendendo que a felicidade não precisava ser simples para ser real. Contanto que Emanuel estivesse lá para segurá-la quando ela caísse, ela estava disposta a dançar aquela coreografia complexa para o resto de sua vida.