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Doce Caos e Batimentos Acelerados

O salão de festas estava decorado em tons de dourado e rosa pastel, um reflexo perfeito do gosto extravagante de Sara, mas com toques de delicadeza que Emanuel insistira em incluir para equilibrar o ambiente. Ágata, completando seu primeiro ano de vida, parecia uma pequena boneca em seu vestido de tule bufante, no colo de um Emanuel que, apesar do terno impecável e do império que comandava, parecia completamente rendido aos encantos da filha.

Sara circulava entre os convidados com a confiança de uma rainha. O vestido justo, cravejado de cristais, marcava suas curvas que haviam retornado rapidamente à forma após a gravidez, graças a uma genética privilegiada e à sua disciplina inabalável. Ela segurava uma taça de champanhe em uma mão e, com a outra, gesticulava enquanto ria de alguma piada de um dos amigos do grupo de faculdade.

— Emanuel, querido, pare de vigiar a porta como se fosse um segurança de boate — Sara disse, aproximando-se dele e depositando um beijo estalado em sua bochecha, deixando a marca do batom vermelho. — Ela vai chegar. Eduarda é lenta, você sabe disso. O tempo dela é o tempo das nuvens.

Emanuel ajustou Ágata no braço, o cenho franzido.

— Já passou da hora, Sara. O sol está se pondo e a Maya não pode ficar pegando esse sereno da noite. Eduarda é teimosa. Eu já disse mil vezes que é mais prático elas se mudarem de vez. Aquela casa dos pais dela é longe demais e eu não tenho controle de nada lá.

Sara revirou os olhos, mas com carinho. Ela conhecia bem o lado controlador do homem que amava.

— Você quer ter as duas debaixo da sua asa vinte e quatro horas por dia, eu sei. E eu também quero a Duda aqui, mas dê tempo ao tempo. Ela é manhosa, precisa sentir que a decisão foi dela. Agora, mude essa cara de poucos amigos, é o aniversário da nossa filha.

Poucos minutos depois, a figura suave de Eduarda apareceu na entrada do salão. Ela carregava Maya, que estava vestida com um vestidinho de algodão branco com pequenas flores bordadas. Eduarda parecia um pouco sobrecarregada, o cabelo castanho escapando do coque e as bochechas coradas pelo esforço de carregar a menina e a bolsa de fraldas.

Emanuel não esperou. Ele atravessou o salão em passos largos, ignorando os cumprimentos de outros amigos.

— Você está atrasada — disse ele, embora sua voz não fosse dura, mas sim carregada de uma preocupação possessiva. Ele pegou a bolsa das mãos de Eduarda e, em seguida, passou o braço livre pela cintura dela, puxando-a para um beijo rápido na testa.

— O trânsito estava horrível, Manu — Eduarda respondeu com sua voz doce, recostando a cabeça no ombro dele por um segundo, buscando o conforto que só o cheiro dele proporcionava. — E a Maya resolveu que não queria colocar o sapato.

— Oi, minha outra princesa — Emanuel murmurou, olhando para Maya. A menina, que tinha os olhos expressivos da mãe e uma curiosidade silenciosa, deu um sorriso tímido para ele.

Emanuel sentiu aquele aperto familiar no peito. Maya era o seu ponto fraco, não apenas por ser filha da mulher que ele amava, mas pela fragilidade que carregava no peito. A cardiopatia congênita descoberta logo após o nascimento era a sombra que pairava sobre a felicidade deles, o motivo de Emanuel passar noites em claro revisando relatórios médicos e financiando as melhores clínicas.

— Vamos entrar — Emanuel ordenou, guiando Eduarda para a mesa principal. — Sara estava quase mandando uma equipe de busca atrás de vocês.

O reencontro das duas mulheres foi, como sempre, cheio de uma afeição que confundia quem olhava de fora. Sara abraçou Eduarda com entusiasmo, ignorando o fato de que seu vestido de grife poderia amassar.

— Duda! Finalmente! Olhe para essa menina, ela está cada dia mais parecida com você, um anjinho silencioso — Sara exclamou, pegando Maya no colo por um momento. — Diferente da Ágata, que já está tentando mandar em todos os garçons.

— Ela está bem, Sara? — Eduarda perguntou, olhando para Ágata, que agora engatinhava rapidamente em direção a um arranjo de balões.

— Está ótima. Agora, vá comer alguma coisa. Você parece que não dorme há três dias. Emanuel, cuide da sua mulher.

Emanuel levou Eduarda até uma área mais reservada. Ele a serviu com cuidado, garantindo que ela tivesse tudo o que precisava.

— Eu não sou sua mulher, Manu... legalmente — Eduarda sussurrou, a insegurança brilhando nos olhos.

— Você é minha em todos os sentidos que importam, Eduarda — ele respondeu, a voz grave e definitiva. — E essa situação de você morar longe vai acabar. Eu já comprei a casa ao lado da mansão, ou você vem morar no andar de cima da cobertura. Eu não vou mais aceitar ficar a trinta minutos de distância se a Maya tiver uma crise.

Eduarda baixou o olhar. Ela amava Emanuel, amava a proteção dele, mas tinha medo de se perder naquela estrutura tão poderosa que ele e Sara formavam.

— Vamos conversar sobre isso depois, por favor? Hoje é o dia da Ágata.

A festa continuou animada. O grupo de amigos, todos na casa dos vinte e poucos anos, bebia e dançava. Em um determinado momento, Emanuel foi chamado para resolver um problema com o buffet, e Sara se envolveu em uma conversa animada com um fornecedor de tecidos para sua loja. Eduarda, sentada em um sofá, conversava com sua mãe ao telefone, garantindo que tudo estava bem.

Nesse minuto de distração coletiva, Maya, que já caminhava com passos vacilantes mas decididos, viu seu objetivo.

A mesa de doces era um espetáculo à parte. Havia uma cascata de chocolate e centenas de brigadeiros gourmet, beijinhos e doces finos. Maya, movida por uma curiosidade gulosa que raramente demonstrava, aproximou-se da borda da mesa. Com as mãozinhas rápidas, ela alcançou um brigadeiro. Depois outro. E mais um.

Ela se sentou embaixo da toalha de mesa longa, escondida do mundo, e começou a enfiar os doces na boca com uma pressa quase desesperada. O açúcar era uma explosão de energia que ela não estava acostumada a ter.

Alguns minutos se passaram até que Eduarda desligou o telefone e olhou para o lado.

— Maya? — chamou ela, a voz subindo um tom. — Manu, cadê a Maya?

Emanuel, que voltava do fundo do salão, parou imediatamente. O instinto de proteção disparou como um alarme.

— Ela estava com você, Eduarda!

— Eu só atendi o telefone por um segundo! — Eduarda se levantou, o pânico começando a nublar seus olhos.

Sara, percebendo a agitação, aproximou-se rapidamente.

— Calma, gente. Ela não saiu do salão. Os seguranças não deixariam.

Eles começaram a procurar entre as pernas dos convidados, atrás das cortinas e debaixo das mesas. Foi Emanuel quem levantou a toalha da mesa de doces e encontrou a pequena cena de crime.

Maya estava com o rosto, as mãos e o vestido branco completamente manchados de chocolate. Ela olhou para Emanuel com os olhos arregalados, um resto de brigadeiro ainda na mão.

— Maya! — Eduarda exclamou, ajoelhando-se ao lado dela. — Meu Deus, você não pode comer isso tudo, meu amor!

Emanuel, no entanto, não estava achando graça. Ele viu a quantidade de forminhas vazias ao redor da menina. O açúcar em excesso era um perigo para o coração dela, que não podia lidar com grandes picos de adrenalina ou agitação metabólica.

— Tire ela daí, agora! — Emanuel ordenou, a voz saindo mais ríspida do que pretendia.

Eduarda pegou a filha, mas assim que Maya foi suspensa, a menina começou a chorar. Não era um choro comum. Era um choro ofegante.

— Manu... a respiração dela — Eduarda disse, o rosto perdendo toda a cor.

O coração de Maya começou a bater de forma irregular. A combinação da agitação da festa, o esforço da "fuga" e a carga absurda de açúcar estava cobrando o preço. A pele da menina começou a ganhar um tom levemente azulado ao redor dos lábios.

— Sara, pegue a bolsa de emergência no carro! Agora! — Emanuel gritou, pegando Maya do colo de Eduarda.

Sara não questionou, não fez piada. Ela saiu correndo, os saltos batendo no mármore, demonstrando uma agilidade que ninguém esperaria de alguém com sua aparência vulgar e desleixada.

Emanuel sentou-se no chão, ignorando o terno caro, e colocou Maya em seu colo.

— Respira, pequena. Respira com o papai — ele murmurava, tentando manter a voz calma enquanto o próprio coração martelava contra as costelas. — Eduarda, olhe para mim. Não desmaie. Eu preciso de você aqui.

Eduarda estava em choque, as mãos trêmulas cobrindo a boca.

— É minha culpa... eu não deveria ter tirado os olhos dela...

— Não é hora para isso! — Emanuel rugiu, embora seus olhos estivessem fixos no peito pequeno de Maya que subia e descia com dificuldade.

Sara voltou em tempo recorde com o kit de oxigênio portátil e os medicamentos que Emanuel sempre deixava preparados. Com mãos firmes, apesar do estresse, Emanuel administrou a medicação necessária enquanto Sara segurava a máscara de oxigênio no rosto da menina.

Os convidados observavam à distância, o silêncio caindo sobre a festa que antes era pura alegria.

Após alguns minutos que pareceram horas, a respiração de Maya começou a se estabilizar. O tom azulado desapareceu, dando lugar a uma palidez cansada. Ela fechou os olhos, exausta, e se aninhou no peito de Emanuel.

Emanuel encostou a cabeça na parede atrás dele, fechando os olhos por um momento. O suor frio escorria por sua nuca.

— Ela está melhor — Sara disse, a voz incomumente suave. Ela colocou a mão no ombro de Emanuel e a outra no de Eduarda, unindo os três ali, no chão, embaixo da mesa de doces. — O susto passou.

Eduarda desabou em lágrimas, soluçando baixinho enquanto acariciava os pés de Maya.

— Eu não posso perder ela, Manu. Eu não posso.

Emanuel abriu os olhos. A racionalidade e o controle haviam voltado, mas agora com uma determinação feroz.

— Você não vai perder ela. Mas isso acaba hoje, Eduarda.

— O quê? — ela perguntou, soluçando.

— Essa distância. Essa falta de controle sobre a segurança de vocês — Emanuel olhou para Sara, que assentiu silenciosamente, concordando com o que viria a seguir. — Amanhã, eu vou mandar a mudança para a sua casa. Você e a Maya vão morar comigo e com a Sara. Não é um pedido, Eduarda. É a única forma de eu garantir que meu coração não vai parar junto com o dela da próxima vez.

Eduarda olhou para Sara, buscando algum sinal de ciúme ou resistência. Mas a loira apenas sorriu, limpando uma lágrima que borrava seu rímel caro.

— Ele tem razão, Duda. A casa é grande demais para nós três. Ágata precisa da irmã dela por perto, e eu... bem, eu preciso de alguém para me ajudar a segurar as rédeas desse homem antes que ele enlouqueça de vez.

Eduarda olhou para Maya, dormindo tranquilamente nos braços de Emanuel, e depois para o homem que, apesar de controlador e rígido, era o seu porto seguro.

— Tudo bem — ela sussurrou. — Nós vamos.

Emanuel relaxou os ombros. A tensão acumulada ainda estava lá, mas o equilíbrio que ele tanto buscava finalmente parecia completo. Ele tinha as duas mulheres, as duas filhas e, agora, teria todas sob o mesmo teto.

— Ótimo — Emanuel disse, levantando-se com Maya no colo e estendendo a mão para ajudar Eduarda a se levantar. — Agora, Sara, chame alguém para limpar esse chocolate. E, pelo amor de Deus, tirem esses brigadeiros do alcance de qualquer criança com menos de um metro de altura.

Sara riu, recuperando sua postura provocadora.

— Sim, senhor, capitão. Mas saiba que eu também comi uns dez. Se meu coração começar a bater rápido, você vai ter que me dar respiração boca a boca na frente de todo mundo.

Emanuel soltou um riso curto, o primeiro da noite.

— Você não tem jeito, Sara.

— E é por isso que você me ama — ela piscou, entrelaçando seu braço no de Eduarda. — Vamos, Duda. Vamos levar essas meninas para casa. A festa acabou, mas a nossa vida nova começa agora.

Enquanto saíam do salão, deixando para trás o luxo e os destroços de uma festa interrompida, Emanuel sentia que, pela primeira vez, o desenho de sua vida não estava apenas traçado na pele, mas finalmente gravado na realidade. O caos continuaria existindo — com a saúde de Maya, a personalidade vulcânica de Sara e a timidez de Eduarda —, mas seria um caos que ele protegeria com cada fibra de seu ser.

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