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Veneno em Taças de Cristal

A propriedade vitoriana de Tim Burton nos arredores de Londres parecia uma extensão natural do próprio set de filmagens. Cercada por sebes escuras e iluminada por lanternas de ferro batido que projetavam sombras trêmulas contra os tijolos antigos, a mansão transbordava uma excentricidade cuidadosamente calculada. Do lado de dentro, a fumaça de cigarros caros misturava-se ao aroma adocicado de absinto e ao perfume penetrante de lírios brancos espalhados em vasos de prata. O som abafado de um jazz antigo tocado ao gramofone competia com o burburinho aristocrático da nata artística reunida naquela noite de folga das gravações de *Sleepy Hollow*.

Christina Ricci desceu os degraus de veludo da entrada segurando com firmeza o braço de Johnny. Ela vestia um vestido simples de seda escura que contrastava com sua pele alva, os cabelos castanho-claros caindo em ondas suaves sobre os ombros delgados. Aos dezenove anos, sua presença era magnética e silenciosa, mas, por baixo da postura polida de quem crescera sob os holofotes, um nó apertado de inquietação revirava-lhe o estômago. Todos os olhares da sala voltaram-se discretamente para eles no instante em que cruzaram a soleira.

Johnny, impecável em um terno de corte vintage ligeiramente desajustado, óculos de lentes azuis e anéis pesados tilintando nos dedos, não fazia a menor questão de esconder o que sentia. Ele mantinha a mão espalmada sobre a curva da cintura de Christina, uma posse elegante, firme e inegociável. Para qualquer um que observasse, ficava evidente: ele não a acompanhava apenas como uma colega de elenco, mas como sua mulher. Ele inclinava-se a cada instante para sussurrar gracejos ao pé do ouvido dela, fazendo com que Christina reprimisse sorrisos tímidos diante dos olhares curiosos de diretores, figurinistas e estrelas internacionais.

— Fique calma, passarinho — murmurou Johnny, roçando os lábios na têmpora dela com uma intimidade crua que desafiava qualquer convenção social. — Este lugar está cheio de abutres, mas nenhum deles tem coragem de dar um voo rasante enquanto você estiver comigo.

— Não tenho medo deles, Johnny — respondeu ela em voz baixa, erguendo aqueles olhos imensos e expressivos para encará-lo. — Só odeio a sensação de ser um espetáculo antes mesmo de o filme estrear.

Johnny soltou uma risada rouca, aquele humor peculiar brilhando nos olhos escuros.

— Deixe que olhem. O único crime que cometemos foi sermos mais interessantes do que eles. Vou buscar uma taça de vinho para você e cumprimentar o Tim. Não saia de perto da lareira, o ar desta casa parece o interior de uma cripta.

Christina assentiu, permitindo que os dedos dele deslizassem lentamente pelos seus antes de Johnny se afastar em direção a um grupo liderado pelo próprio Burton, que gesticulava animadamente com seus cabelos em desalinho característico.

Sozinha junto ao calor da lareira de pedra, Christina respirou fundo, tentando acalmar o pulsar acelerado em suas têmporas. A atmosfera parecia pesada. Os sussurros corriam velozes pelos cantos do salão; ela sabia que a notícia da gravidez de Winona Ryder e o rompimento recente eram o assunto proibido e mais cobiçado de toda a indústria. Para muitos ali, Christina era vista como a intrusa, a garota jovem demais que havia capturado a atenção do galã mais indomável da década no pior momento possível.

— É fascinante como ele faz parecer que o mundo inteiro gira em torno de vocês, não é?

A voz suave, pontuada por um tom excessivamente ensaiado de empatia, fez Christina virar-se devagar.

Jennifer Aniston estava parada a dois passos de distância. A atriz brilhava no auge de sua popularidade televisiva, bronzeada, com os cabelos milimetricamente repicados e um sorriso que tentava disfarçar a acidez do olhar. Ela segurava uma taça de champanhe entre os dedos impecáveis, inclinando a cabeça com um ar de falso maternalismo que imediatamente fez os sentidos de Christina entrarem em alerta.

— Olá, Jennifer — cumprimentou Christina, mantendo a voz firme e a postura impecável, recusando-se a encolher diante da mulher mais velha.

— Você está adorável, querida. Tão jovem, tão... cheia de frescor — disse Jennifer, dando um gole lento em sua bebida antes de dar um passo à frente, diminuindo a distância de forma quase conspiratória. — Mas eu tenho observado você a noite toda. E, sinceramente, meu coração aperta um pouco ao ver uma menina tão talentosa se colocar no meio dessa tempestade.

Christina sentiu o sangue esfriar nas veias, mas não vacilou o olhar.

— Não sabia que minha vida pessoal era motivo de tanta preocupação para você.

Jennifer soltou uma risadinha nasalada, balançando a cabeça como se estivesse lidando com uma criança ingênua.

— Não precisa ficar na defensiva. Considere isso um conselho de mulher para mulher, vindo de alguém que conhece muito bem essa cidade podre em que vivemos — Jennifer inclinou-se um pouco mais, o tom de voz caindo para um sussurro venenoso. — Tenha muito cuidado com homens como o Johnny, Christina. Homens como ele não são de uma mulher só. Hoje ele a coloca num pedestal, a chama de musa, a trata como se você fosse a única coisa que importa na face da Terra. Mas amanhã? Ele volta para o caos de onde veio. Não se iluda achando que vai conseguir domesticar um espírito quebrado, querida. Especialmente agora, com a Winona esperando um filho dele. Quando a poeira baixar, você será apenas a garota que serviu de distração enquanto as coisas desmoronavam.

As palavras atingiram Christina com a precisão de lâminas afiadas. Por um segundo, a vulnerabilidade de seus dezenove anos ameaçou transbordar; seus olhos marejaram levemente diante da crueldade velada, e ela sentiu a garganta secar. A insegurança que ela lutava para enterrar dentro do trailer de Johnny parecia, de repente, exposta à luz fria daquela sala.

— Você terminou, Jennifer?

A voz de Johnny surgiu das sombras com uma frieza cortante, grave e gélida, cortando o ar entre as duas como uma guilhotina.

Ele havia retornado sem fazer ruído. Parado logo atrás de Christina, trazia duas taças nas mãos, mas seu olhar estava cravado em Jennifer Aniston com uma intensidade tão sombria que a loira recuou meio passo, o sorriso congelando em seus lábios. Johnny entregou a taça de vinho a Christina sem desviar a atenção da intrusa e posicionou-se ligeiramente à frente da jovem, em uma barreira física e inexpugnável.

— Johnny... nós estávamos apenas conversando sobre o filme — tentou disfarçar Jennifer, recompondo a postura com um riso nervoso.

— Você estava cuspindo veneno disfarçado de simpatia — rebateu Johnny, com a voz baixa e perigosa, desprovida de qualquer traço daquele charme brincalhão que costumava exibir. Ele deu um passo lento em direção a ela, os olhos semicerrados. — É curioso você querer dar lições de moral sobre fidelidade e devoção para a minha mulher. Especialmente vindo de alguém cuja casa é feita de vidro tão fino que mal suporta o próprio peso.

A expressão de Jennifer empalideceu sob a maquiagem impecável.

— Do que você está falando?

— Estou falando que você deveria se preocupar menos com quem eu coloco na minha vida e cuidar melhor do seu próprio marido — disparou Johnny, com um desprezo cirúrgico. — Porque, enquanto você perde o seu tempo tentando envenenar a cabeça de uma garota que tem dez vezes mais talento e caráter do que você, o Brad está muito ocupado se divertindo nos bastidores com a Angelina. Todo mundo já sabe, Jennifer. A indústria inteira comenta aos sussurros, mas ninguém tem a coragem de dizer na sua cara. Então faça a si mesma um favor: saia de perto da Christina antes que eu decida contar mais detalhes sobre o que o seu casamento perfeito realmente é.

Um silêncio sepulcral pareceu engolir aquele canto do salão. Os olhos de Jennifer arregalaram-se em puro choque e humilhação. Ela abriu a boca para responder, mas nenhum som saiu. O choque de ver o rumor mais aterrorizante de sua vida pessoal jogado contra si com tanta crueldade pública a paralisou. Sem conseguir sustentar o olhar impiedoso de Johnny, ela deu meia-volta abruptamente e afastou-se a passos largos, quase derrubando o champanhe na própria roupa.

Johnny virou-se imediatamente para Christina, sua expressão transformando-se num piscar de olhos. O homem ameaçador e cruel desapareceu, dando lugar a uma ternura desesperada ao ver o brilho marejado nos grandes olhos dela.

— Ela machucou você? — perguntou ele, a voz rouca, pousando a mão quente no rosto pálido de Christina.

— Eu quero ir embora, Johnny — sussurrou ela, com a voz embargada, os lábios trêmulos lutando para manter a compostura. — Por favor. Vamos embora agora.

— Nós vamos — garantiu ele, depositando a própria taça intacta sobre uma mesa próxima sem a menor cerimônia.

Johnny não se despediu de ninguém. Passou o braço protetoramente pelos ombros de Christina, puxando-a contra o seu peito, e a conduziu com passos firmes para fora da mansão, ignorando os olhares curiosos que os acompanhavam até as portas pesadas de carvalho.

A viagem de volta ao hotel de luxo onde estavam hospedados em Londres transcorreu sob um silêncio opressivo dentro do carro escuro. A chuva fina começava a bater contra os vidros, distorcendo as luzes amareladas da cidade antiga. Johnny manteve a mão de Christina firmemente entrelaçada à sua durante todo o trajeto, beijando-lhe os nós dos dedos periodicamente, como se temesse que ela pudesse evaporar no ar úmido da noite.

Assim que a porta da ampla suíte de Johnny se fechou, trancando o mundo exterior do lado de fora, a tensão que Christina tentava conter finalmente desabou.

Ela largou a bolsa sobre a poltrona e caminhou até a janela que dava vista para o rio Tâmisa, cruzando os braços com força contra o próprio corpo. As primeiras lágrimas quentes rolaram silenciosas por suas bochechas.

— Ela tinha razão em uma coisa, não tinha? — disse Christina, com a voz entrecortada por um soluço abafado, sem se virar para encará-lo.

Johnny, que acabava de tirar a gravata e desabotoar o colarinho, congelou no centro da sala. O rosto dele contorceu-se em uma dor visceral.

— Não ouse dar ouvidos àquela víbora, Christina — disse ele, dando passos lentos em direção a ela.

— Não é só ela, Johnny! — explodiu Christina, virando-se com o rosto banhado em lágrimas, a respiração curta. — É o mundo inteiro! São as pessoas no set, são os olhares nos jantares, são as ligações no meio da noite... A Winona está grávida de você. Ela carrega o seu filho! E eu tenho dezenove anos, Johnny. Eu não sei jogar esses jogos sujos de Hollywood. Eu não sei ser fria, não sei fingir que essas coisas não me despedaçam por dentro. As palavras dela doeram porque... porque no fundo, eu tenho um medo terrível de que tudo isso seja verdade. De que eu seja apenas uma fase bonita e passageira enquanto a sua vida real continua desabando.

— Olhe para mim — exigiu Johnny, diminuindo a distância entre eles em um movimento rápido e segurando os ombros dela com uma firmeza desesperada. — Olhe nos meus olhos, Christina.

Ela tentou desviar o olhar, consumida pela dor e pela humilhação da noite, mas as mãos dele subiram para o seu rosto, forçando-a gentilmente a encará-lo. Os olhos escuros de Johnny estavam em chamas, brilhando com uma sinceridade quase febril.

— Você não é uma fase. Você não é uma fuga — disse ele, a voz falhando ligeiramente pela emoção crua. — O que eu sinto por você é a única coisa limpa, a única coisa real e sagrada que me restou em meio a todo esse lixo. Eu não sou um homem perfeito, passarinho. Eu carrego cicatrizes, erros e fantasmas que não posso apagar. Mas quando eu digo que você é a minha mulher, não é um jogo de palavras para a imprensa. Eu sou seu. Inteiramente seu.

Antes que Christina pudesse responder, o telefone antigo sobre a mesa de cabeceira começou a tocar estridentemente, cortando o ar carregado do quarto como um trovão.

Christina sobressaltou-se, recuando um passo e cobrindo a boca enquanto tentava conter o choro.

Johnny cerrou a mandíbula, os olhos faiscando de fúria pela interrupção. Ele caminhou a passos pesados até o aparelho e arrancou o fone do gancho com violência.

— Quem quer que seja, vá para o inferno — rosnou ele contra o bocal.

— Que porra foi aquela que você fez hoje, Depp? — a voz do outro lado explodiu imediatamente, rouca, carregada de fúria e sem qualquer introdução cortês.

Era Brad Pitt. O som abafado de sua respiração pesada indicava que ele estava fora de si.

— Brad — respondeu Johnny com desdém glacial, ajeitando a postura e encarando a parede com desprezo evidente. — Vejo que a sua esposa já correu para chorar as mágoas nos seus ouvidos.

— Você enlouqueceu, seu desgraçado? — gritou Brad, a voz ecoando tão alto pelo fone que Christina conseguiu ouvir cada palavra a metros de distância. — Você inventa uma mentira nojenta daquelas no meio de uma festa, na frente de meio mundo, só para humilhar a Jen? Que merda você tem na cabeça? O seu próprio teto está caindo aos pedaços com a Winona grávida e você acha que tem o direito de abrir a boca para falar do meu casamento?

Johnny soltou uma risada sombria, um som sem qualquer alegria que fez os pelos dos braços de Christina se arreopiarem.

— Mentira, Brad? — retrucou Johnny, com uma lentidão sádica, abaixando a voz para um tom quase sussurrado, mas carregado de veneno. — Não banque o santo ofendido comigo. Nós dois sabemos muito bem o que você anda fazendo fora do seu roteiro. Mas quer saber o que realmente aconteceu? A sua mulherzinha veio até a minha garota para tentar humilhá-la. Ela veio até a Christina, se achando no direito de destilar veneno sobre a minha vida e sobre a mulher que eu amo.

— A Jen só tentou avisar aquela garota sobre o perigo que você é! — rebateu Brad, a voz oscilando entre a raiva e a defensiva. — Ela é uma menina, Johnny! Você tem trinta e seis anos e está arrastando uma garota de dezenove para a sua lama! Você está agindo como um doente!

— Lave essa sua boca imunda antes de falar o nome da Christina! — explodiu Johnny, elevando o tom pela primeira vez, a veia em seu pescoço saltando visivelmente sob a pele. — Se a sua esposa der mais um passo na direção dela, se alguém da sua laia sequer respirar perto da Christina de novo com essa atitude patética, eu juro por Deus que o seu segredinho com a Jolie vai parar na capa de todos os tabloides deste maldito planeta até o final da semana. E você sabe muito bem que eu tenho como fazer isso.

— Você não faria isso — rosnou Brad, embora uma ponta evidente de hesitação agora contaminasse sua fúria. — Você não é assim, Depp.

— Tente a sorte, Brad — ameaçou Johnny, com uma calma aterrorizante. — Mexa com a mulher errada e você vai descobrir exatamente o que eu sou capaz de fazer quando não tenho mais nada a perder. Nunca mais me ligue.

Johnny bateu o telefone no gancho com tanta força que o som metálico reverberou pelas paredes da suíte.

Ele permaneceu ali por vários segundos, com as duas mãos espalmadas sobre a mesa de madeira maciça, os ombros largos subindo e descendo ao ritmo de sua respiração acelerada. O silêncio que se seguiu no quarto era denso, quase sufocante.

Christina permanecia encostada perto da janela, o corpo miúdo tremendo sob o tecido escuro do vestido. As lágrimas continuavam a escorrer por seu rosto pálido, deixando rastros brilhantes sob a penumbra da suíte. Ver aqueles titãs da indústria trocando ameaças viscerais, expondo traições e ódios profundos, fazia com que ela se sentisse arrastada para um abismo de podridão que sua juventude jamais imaginara presenciar.

Lentamente, Johnny se virou. Toda a raiva selvagem que emanava dele parecia ter se dissipado, substituída por um cansaço infinito e por uma preocupação avassaladora ao vê-la chorar daquela maneira.

Ele caminhou até ela em passos silenciosos. Sem dizer uma palavra, Johnny ajoelhou-se no chão diante de Christina, quebrando qualquer barreira de orgulho ou de vaidade. Ele abraçou a cintura dela com força, apoiando o rosto contra a barriga de Christina, sentindo o tremor constante que abalava o corpo da garota.

— Me perdoe — murmurou ele, a voz abafada pelo tecido de seda, embargada por uma dor genuína. — Eu odeio que você tenha que ouvir isso. Eu odeio esse mundo podre e as coisas horríveis que ele me faz dizer. Mas ninguém... ninguém vai machucar você enquanto eu estiver respirando, Christina. Nem a Jen, nem o Brad, nem as sombras do meu passado.

Christina soltou um soluço dolorido, e suas mãos pequenas, frias pelo choque da noite, finalmente encontraram os cabelos escuros e compridos de Johnny. Seus dedos enterraram-se nos fios dele com um misto de desespero e rendição.

— Johnny... eu sinto tanto medo — confessou ela em um sussurro frágil, as lágrimas caindo livremente sobre os ombros do terno dele. — É tudo tão violento. Vocês vivem arrancando pedaços uns dos outros. Eu não quero perder você para essa loucura. Eu não quero ser destruída por ela.

Johnny ergueu a cabeça lentamente, os olhos castanhos transbordando uma devoção absoluta, quase dolorosa de testemunhar. Ele alcançou as mãos dela, puxando-as contra o próprio peito para que ela sentisse o bater frenético e desordenado de seu coração sob a camisa aberta.

— Você não vai me perder — prometeu ele, a voz firme como uma rocha, apesar das lágrimas que começavam a queimar em seus próprios olhos. — Eu posso queimar todos os meus navios, Christina. Posso romper com todos os amigos hipócritas que tenho nesta cidade maldita. Eu vou criar o meu filho com dignidade e cumprir com cada gota da minha obrigação de pai, mas a minha vida... o homem que eu sou longe dessas câmeras e dessa loucura, pertence apenas a você.

Ele se levantou devagar, puxando-a gentilmente pela cintura até que ela ficasse na ponta dos pés. Com os polegares, Johnny limpou delicadamente os rastros de lágrimas nas maçãs do rosto dela, inclinando-se para beijar suas pálpebras, sua testa e, finalmente, seus lábios trêmulos em um beijo salgado, profundo e repleto de uma urgência silenciosa.

Christina fechou os olhos, respirando o cheiro familiar de tabaco, sândalo e chuva que definia Johnny, permitindo que o calor dele expulsasse o frio que a conversa de Jennifer havia plantado em sua alma.

— Prometa que não vai me esconder nada — pediu ela em um fio de voz, encarando-o com aquela profundidade madura e comovente que só ela possuía. — Não me proteja como se eu fosse uma criança. Se formos enfrentar esse inferno juntos, enfrente-o ao meu lado.

Johnny sorriu, um meio sorriso terno e melancólico, e encostou sua testa na dela, os dois respirando no mesmo compasso.

— Ao seu lado — respondeu ele solenemente. — Sempre. Você é a minha mulher, passarinho. E nem todo o veneno deste mundo vai mudar isso.

Do lado de fora, a chuva londrina desabava pesada contra os vidros da janela, lavando as ruas escuras da cidade. Mas dentro daquele quarto, entre sombras antigas e juras sussurradas na penumbra, Christina finalmente encontrou a certeza de que, não importava o tamanho da tormenta que se formava no horizonte, nenhum vendaval seria capaz de arrancá-la dos braços dele.

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