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Labaredas no Gelo

A escuridão do Círculo Ártico não se parecia em nada com as noites enevoadas da Inglaterra ou o crepúsculo dourado de Los Angeles. Na Lapônia finlandesa, o inverno era uma entidade implacável, onde o sol mal se erguia acima do horizonte por duas ou três horas antes de mergulhar a imensidão de pinheiros e lagos congelados em uma penumbra azulada e espectral. O vento uivava contra as toras pesadas do chalé rústico e isolado que a produção alugara para Johnny no topo de uma colina, transformando o refúgio em uma ilha de madeira cercada por um mar de neve intocada.

No interior aquecido pelas lareiras de pedra bruta, a rotina estabelecera-se com um rigor silencioso. No piso térreo, a babá inglesa contratada para a viagem cuidava de Eleanor em um quarto acolchoado de mantas de lã, onde a bebê dormia alheia à tempestade que rugia do lado de fora. Mas, no andar superior, o ar entre Johnny e Christina continuava impregnado de uma eletricidade pesada, esticada como a corda de um violino prestes a se romper.

A trégua forçada durara as primeiras duas semanas de ensaios, mas a primeira festa de confraternização do elenco na taverna de madeira do vilarejo próximo — um galpão aquecido por caldeiras de ferro, onde o elenco e os técnicos se reuniam para afogar o frio em vodca destilada e cerveja preta — fora o estopim inevitável.

Christina estava encostada na bancada de carvalho polido, segurando uma xícara de chá com especiarias. Ela vestia uma malha de gola alta de lã crua que emoldurava seu pescoço delicado e uma saia longa de veludo escuro. Apesar do ambiente barulhento e enfumaçado, sua postura era régia, impecável; os olhos grandes e castanhos observavam cada centímetro daquele salão com a atenção aguçada de um falcão.

A poucos metros de distância, junto à mesa de bilhar, Johnny conversava com o diretor dinamarquês. Ele usava um casaco de couro pesado forrado de lã de carneiro, uma boina cinza enterrada sobre os cabelos escuros e óculos escuros de aro fino apoiados no colarinho da camisa. Seus anéis tilintavam na borda de um copo de vodca pura, e ele gesticulava com aquela energia nervosa e excêntrica que lhe era peculiar.

Foi quando Ellen Barkin se aproximou.

Aos quarenta e cinco anos, a atriz nova-iorquina exibia uma sensualidade felina e descarada que o tempo não ousara diminuir. Usando um suéter de cashmere preto com decote amplo que contrastava com a alvura de sua pele madura, os cabelos loiros curtos despenteados com precisão artística, Ellen movia-se com a segurança de quem sabia exatamente o poder que exercia sobre os homens ao seu redor.

Ela parou ao lado de Johnny, colando o ombro no braço dele sem qualquer cerimônia. Inclinou-se, apoiando uma das mãos longas e bem cuidadas diretamente sobre o peito dele — exatamente sobre o mesmo lugar onde a aliança dele descansava oculta sob o casaco — e soprou a fumaça de seu cigarro rente à mandíbula de Johnny, sussurrando algo em seu ouvido que o fez soltar uma risada rouca e reflexa.

Christina sentiu as unhas cravarem-se na cerâmica quente da xícara. O sangue ferveu sob sua pele alva, mas ela não desviou o olhar.

Ellen virou o rosto na direção de Christina, como se sentisse o peso daquele escrutínio silencioso. Um sorriso lento, pontuado por um escárnio indolente, desenhou-se em seus lábios pintados de carmim. Com a taça de gim em uma das mãos, a veterana afastou-se de Johnny e caminhou com passos indolentes até o balcão, parando a meio metro de Christina.

— É impressionante a sua resistência, garota — disse Ellen, a voz rouca, arrastada e embargada de sarcasmo nova-iorquino. — A maioria das meninas da sua idade estaria em festas em Malibu ou fazendo testes para comédias românticas idiotas. Mas você... você veio até o fim do mundo para vigiar o homem que você jura que tem nas mãos.

Christina pousou a xícara sobre a bancada sem produzir um único ruído, mantendo o queixo erguido e os olhos firmes, sem vacilar.

— Eu não preciso vigiar o meu marido, Ellen — respondeu Christina, a voz suave, límpida e cortante como gelo fino. — Vim para onde é o meu lugar.

Ellen soltou uma risadinha anasalada, dando um gole em sua bebida antes de inclinar-se um pouco mais, exalando um perfume pesado de patchouli e tabaco.

— "Marido" — repetiu ela, saboreando a palavra com deboche. — Uma aliança de ouro num dedo anelar não muda a natureza de uma fera, queridinha. Johnny é movido pelo caos, pela transgressão, pela fumaça. Eu conheço a boca dele, conheço a pele dele e sei o que ele procura quando as luzes se apagam. Você pode ser o anjinho que limpa a sujeira dele e troca as fraldas do bebê da Winona, mas, no minuto em que a câmera começar a rodar naquelas cenas íntimas que vamos gravar na cabana... o passado vai cobrar a conta. E você não vai poder fazer nada além de assistir.

Antes que Christina pudesse disparar a resposta venenosa que queimava em sua língua, uma sombra masculina alta e encorpada interpôs-se entre as duas, cortando a conversa pela raiz.

— Boa noite, senhoras — disse uma voz grave, melodiosa e com um sotaque escandinavo macio.

Era Henrik Vanger, o co-protagonista do longa-metragem. Um sueco de trinta e dois anos, com ombros largos, cabelos loiros cortados rente e olhos azuis penetrantes que faziam sucesso nas produções dramáticas do norte europeu. Henrik jogou um olhar indiferente para Ellen, que revirou os olhos com impaciência e afastou-se de volta para a roda do diretor.

Henrik, no entanto, virou-se inteiramente para Christina.

— Eu estive observando você durante toda a noite, Christina — disse ele, apoiando um cotovelo largo no balcão e inclinando o tronco com uma elegância confiante, os olhos azuis faiscando de admiração indisfarçada. — Você parece uma escultura gótica esquecida no meio desses bárbaros. Eu sou um grande admirador do seu trabalho em *Buffalo '66*. A sua intensidade é rara. Desperdiçada, talvez, na penumbra daquele canto.

Christina pestanejou, apanhada de surpresa pelo tom intimista e aberto do ator.

— Obrigada, Henrik — respondeu ela com polidez formal, recuando meio passo para restabelecer a distância. — Mas eu não me sinto desperdiçada aqui.

— Deveria se sentir — insistiu ele, abaixando a voz em um tom confidencial e aveludado, dando um passo adiante que encurtou o espaço pessoal entre ambos. Henrik ergueu a mão e, num gesto audacioso e deliberado, tocou de leve na curva do ombro coberto de lã de Christina, os dedos deslizando perigosamente perto da pele nua de seu pescoço. — Um homem com a idade do Depp, arrastando uma mulher tão jovem e brilhante para este freezer esquecido por Deus... é um crime estético. Se você se cansar das sombras e da loucura dele, saiba que há outros que sabem apreciar a sua beleza com muito mais leveza.

A atmosfera ao redor congelou instantaneamente.

Antes que Christina pudesse empurrar a mão de Henrik para longe, um impacto violento abalou a bancada de madeira. Uma mão coberta de anéis pesados cravou-se no pulso do sueco como uma garra de aço, torcendo o braço dele para trás com força brutal.

— Tire as mãos da minha mulher — a voz de Johnny não foi um grito; foi um rosnado gutural, abafado, gélido e carregado de uma violência homicida que silenciou a conversa em um raio de cinco metros.

Johnny havia surgido das sombras como um predador. Os olhos castanhos estavam negros de fúria, as pupilas dilatadas sob a penumbra da taverna, a mandíbula travada com tanta força que os dentes rangiam audivelmente. Ele apertou os ossos do pulso de Henrik até que o sueco fizesse uma careta de dor genuína.

— Johnny, calma... — tentou Henrik, erguendo a outra mão em sinal de rendição, embora o choque estivesse estampado em seu rosto lívido. — Nós estávamos apenas conversando...

— Se você sequer respirar a meio palmo dela de novo — sibilou Johnny, puxando o homem mais alto para perto de seu rosto, com uma calma sádica que fez os pelos dos braços de Christina se eriçarem —, eu quebro cada dedo dessa sua mão maldita e jogo você naquele lago de gelo antes do amanhecer. Você entendeu, seu pedaço de lixo?

O diretor dinamarquês aproximou-se rapidamente, balbuciando pedidos de paz em sua língua natal, enquanto membros da equipe técnica tentavam intervir. Johnny soltou o braço de Henrik com desprezo absoluto, como se estivesse se livrando de uma carcaça podre.

Sem olhar para Ellen, sem prestar atenção aos murmúrios chocados que tomaram conta da taverna, Johnny agarrou o pulso de Christina com firmeza e a puxou em direção à porta de saída.

— Johnny, me solta! — protestou ela em vão, enquanto o vento gélido da noite batia contra seus rostos assim que cruzaram o umbral para a tempestade de neve. — Você está me machucando!

Ele não respondeu. Empurrou a porta do jipe com tração nas quatro rodas, praticamente ergueu Christina para dentro do veículo e bateu a porta com tamanha violência que o metal estremeceu. O trajeto até o chalé foi percorrido em velocidade insana sobre a pista coberta de gelo, os pneus cantando nas curvas fechadas entre as montanhas. Johnny mantinha as duas mãos cravadas no volante com os nós dos dedos brancos pela tensão, respirando pesadamente pelo nariz, o peito subindo e descendo em espasmos de pura fúria.

Assim que entraram no chalé isolado, no andar superior reservado à suíte principal, o silêncio finalmente explodiu.

Johnny trancou a pesada porta de madeira e arrancou o casaco de couro, atirando-o contra a poltrona com violência.

— Que porra foi aquela, Christina?! — rugiu ele, virando-se para ela com os olhos faiscando em chamas, despido de qualquer civilidade. — Você estava gostando, não estava? Estava adorando o fedelho sueco passando a mão no seu ombro e sussurrando merdas no seu ouvido no meio de todo mundo!

Christina estacou no meio do quarto, desfazendo-se do casaco de frio com as mãos trêmulas de raiva. Os olhos imensos dela, longe de se acovardarem diante do tom agressivo do marido, faiscaram com uma cólera correspondente.

— Como você ousa?! — gritou ela, a voz fina e cortante quebrando a paz da cabana. — Você enlouqueceu de vez, Johnny Depp?! Eu não dei liberdade nenhuma para aquele idiota! Mas e você? Hein?! E você com a sua putinha da Ellen Barkin colada no seu peito, esfregando a bunda no seu quadril e jogando fumaça na sua cara na frente da equipe inteira?!

Johnny deu três passos largos, invadindo o espaço de Christina, a respiração quente e entrecortada caindo sobre o rosto pálido dela.

— A Ellen é uma colega de elenco, porra! Ela é uma velha amiga provocando o estresse do início das filmagens!

— Não me venha com essa hipocrisia barata! — explodiu Christina, empurrando o peito de Johnny com as duas mãos, fazendo-o recuar meio passo pela força do choque. — Ela é uma mulher que dormiu com você! Ela é uma mulher que veio até a mim para dizer com todas as letras que vai foder com você na cabana assim que as câmeras ligarem! E você não fez nada! Você ficou lá, rindo das piadinhas dela, curtindo a sensação de ter a sua ex-amante acariciando o seu corpo na frente da sua esposa!

— Eu não fiz porra nenhuma com a Ellen! — berrou Johnny, a veia em seu pescoço saltando com força descomunal. Ele agarrou os pulsos dela no ar, impedindo outro golpe, prendendo-os contra o peito dele para que ela sentisse o bater descompassado e ensandecido de seu coração. — Eu não dou a mínima para a Ellen! Eu não dou a mínima para o passado! Mas eu vi aquele desgraçado tocar em você! Eu vi a mão daquele desgraçado na sua pele!

— E você acha que eu pertenço a quem?! — gritou Christina, as lágrimas de humilhação e fúria finalmente transbordando por seus olhos expressivos, o queixo tremendo enquanto ela tentava lutar contra a força de ferro das mãos dele. — Eu larguei a minha vida em Los Angeles para vir congelar com você nesta sepultura de gelo! Eu estou criando a filha que você teve com a Winona! Eu me deito na sua cama todas as noites, eu te dei o meu nome, o meu corpo, a minha alma inteira! E você ainda duvida de mim?! Você ainda me trata como se eu fosse uma garotinha vadia pronta para te trair com o primeiro que sorri para mim?!

— Não fala essa palavra! — rugiu ele, os dentes cerrados, as feições contorcidas em uma dor possessiva e enlouquecedora. — Nunca mais repita essa palavra!

— Eu odeio você! — soluçou ela, batendo a testa contra o ombro dele, o pranto desabando em um desespero cru. — Eu odeio o jeito que esse mundo podre te faz agir! Odeio as mulheres que passaram pela sua vida antes de mim! Odeio que você me faça sentir tão pequena!

— Você não é pequena — sussurrou Johnny, a voz quebrando abruptamente da cólera para uma rouquidão visceral e desesperada. — Você é tudo o que eu tenho, porra. Você é a dona da minha vida.

Antes que ela pudesse respirar ou lançar outra acusação, a boca de Johnny colidiu contra a dela com uma fúria faminta, violenta e devastadora.

Não houve hesitação, não houve a habitual doçura melancólica de seus beijos românticos. O beijo era um confronto físico, um choque de dentes e lábios que exigia submissão e rendição absoluta. Christina soltou um gemido abafado contra a garganta dele, tentando empurrá-lo nos primeiros dois segundos, mas a indignação desvaneceu na velocidade de um incêndio consumindo folhas secas. Suas mãos pequenas, antes erguidas para golpeá-lo, agarraram os cabelos escuros de Johnny com a mesma violência, puxando os fios com força enquanto sua boca se abria para receber a língua invasiva e ardente do marido.

Johnny soltou os pulsos dela apenas para passar os braços fortes pela cintura miúda de Christina, erguendo-a do chão como se ela não pesasse nada e arremessando-a de costas sobre o colchão largo coberto de grossas peles de raposa e lençóis de linho escuro.

A madeira da cama estalou com o peso do corpo dela. Christina mal teve tempo de puxar o ar antes de Johnny se projetar sobre ela como uma fera faminta. Seus olhos castanhos brilhavam com uma ferocidade escura, quase primitiva, desprovida de qualquer civilidade.

— Você é minha — rosnou ele contra os lábios inchados dela, as mãos ágeis e desesperadas puxando a gola da malha de lã crua de Christina, rasgando o tecido com um estalo seco que expôs a alvura imaculada dos seios pequenos e firmes da jovem. — Ninguém toca em você. Nenhum homem encosta as mãos na minha mulher e sai vivo para contar a história.

— Então me prove, Johnny — desafiou Christina, com a respiração entrecortada em arquejos quentes, as unhas cravando-se nos ombros musculosos dele através da camisa de algodão, os olhos imensos banhados em lágrimas e desejo selvagem. — Mostre a quem eu pertenço!

Aquelas palavras quebraram o último resquício de contenção que o homem de trinta e seis anos ainda tentava sustentar.

Johnny desabotoou as próprias calças em movimentos rápidos e brutais, livrando-se das roupas que o limitavam com uma impaciência febril. Ele puxou a saia de veludo de Christina para cima dos quadris finos, rasgando a renda delicada de sua calcinha sem a menor cerimônia, jogando os fiapos de tecido contra o assoalho de carvalho.

Ele abriu as pernas delgadas dela com as mãos pesadas, acomodando-se entre as coxas macias e brancas de Christina. Sem preliminares suaves, sem os cuidados lentos de outrora, Johnny enterrou-se nela em um impulso único, profundo, implacável e possessivo, preenchendo-a por inteiro até a raiz de sua alma.

Christina arqueou as costas, cravando as unhas na madeira da cabeceira da cama enquanto um grito agudo e rouco escapava de sua garganta, ecoando pelas vigas escuras do quarto. A invasão foi crua, avassaladora e preenchida por um calor que queimava muito mais do que a lareira acesa a poucos passos dali.

— Johnny... — gemeu ela, as lágrimas quentes escorrendo pelas têmporas, a dor inicial fundindo-se instantaneamente a uma onda de prazer visceral que fez seus quadris se contraírem ao redor dele em espasmos involuntários.

Johnny começou a se mover com estocadas duras, rápidas e impiedosas. O som de seus corpos colidindo sobre as peles rústicas misturava-se aos seus suspiros roucos e aos gemidos descompassados que escapavam dos lábios de Christina a cada investida profunda. As veias do pescoço de Johnny pulsavam, suor brilhando sobre suas costas musculosas e tatuadas enquanto ele a tomava com uma autoridade selvagem, marcando aquele território sagrado, expulsando qualquer fantasma de Ellen Barkin, de Henrik Vanger ou de Winona Ryder para o esquecimento.

Ele inclinou-se sobre ela, apoiando o peso nos antebraços e cravando a boca no pescoço pálido de Christina, chupando e mordendo a carne macia perto da clavícula, deixando marcas arroxeadas e evidentes na pele que o sueco ousara tentar acariciar.

— Minha — grunhiu ele entre dentes, a respiração queimando na carne dela, o ritmo de seus quadris tornando-se frenético, feroz, quase insuportável de tão profundo. — Diga, Christina! Diga de quem você é!

— Sua... — soluçou ela, erguendo as pernas ao redor dos quadris dele, prendendo-o contra si, entregando-se com total e absoluta loucura àquela fúria compartilhada. — Sempre sua, Johnny... seu monstro... fode comigo... não para!

A súplica foi o combustível final para a combustão de ambos. Johnny segurou as coxas de Christina com força descomunal, erguendo os quadris dela ligeiramente enquanto afundava nela com uma violência ritmada e desesperada. As paredes do quarto pareciam girar em torno daquela cama; o frio lá fora e as intrigas mesquinhas de Hollywood evaporaram em cinzas.

Christina atingiu o clímax primeiro, com um grito dilacerado e estrangulado que morreu abafado na curva do pescoço de Johnny, suas pernas tremendo incontrolavelmente enquanto espasmos quentes e intensos ordenhavam o corpo dele. Johnny rugiu contra os cabelos castanho-claros da esposa, cego pela sobrecarga de sensações, cravando os dentes no ombro dela enquanto descarregava tudo o que tinha em seu interior com estocadas finais e profundas, seu corpo rígido estremecendo em uma rendição absoluta.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo crepitar das brasas na lareira e pelas respirações ofegantes, pesadas e exaustas que ecoavam pelo quarto.

Johnny desabou sobre o peito de Christina, o peso relaxado de seu corpo largo afundando as peles de animais. Ele mantinha o rosto enterrado na curva do pescoço dela, sentindo as batidas desordenadas do coração da esposa contra as suas costelas. Seus braços envolveram a cintura miúda de Christina, recusando-se a deixá-la escapar mesmo na exaustão pós-orgásmica.

Christina permaneceu imóvel, com os olhos fitando o teto de vigas escuras. Lentamente, seus dedos pequenos ergueram-se e encontraram os fios escuros e úmidos de suor na nuca de Johnny, acariciando-os com uma ternura infinita que contrastava de maneira brutal com a violência que haviam acabado de compartilhar.

Johnny ergueu a cabeça devagar. Seus olhos castanhos haviam perdido toda a tempestade de cólera; restava apenas uma devoção culpada, vulnerável e crua, fitando o peito arfante e as marcas arroxeadas que ele deixara na pele da mulher que amava.

Ele ergueu a mão esquerda de Christina, entrelaçando seus dedos aos dela, onde as duas alianças de ouro se tocaram em um tilintar metálico silencioso.

— Me perdoe, passarinho — murmurou ele, a voz tão rouca que mal passava de um fio doloroso. Ele beijou suavemente os nós dos dedos dela, depois a ponta do nariz e, por fim, os lábios inchados e machucados de Christina. — Eu perco a cabeça... eu sinto que o mundo inteiro quer tirar você de mim.

Christina suspirou, puxando o rosto dele contra o seu, fechando os olhos enquanto sentia o calor reconfortante do homem que escolhera para a vida.

— Ninguém pode me tirar de você, Johnny — sussurrou ela, com aquela maturidade de aço inabalável que sempre a definira. — Nem o Henrik, nem a Ellen, nem ninguém. Mas você precisa confiar em nós. O nosso fogo queima mais alto do que qualquer tempestade.

Johnny sorriu, um meio sorriso cansado e desarmado, puxando as grossas cobertas de lã sobre os dois corpos nus e entrelaçados para mantê-los a salvo do inverno ártico.

Do lado de fora, a neve continuava a cair pesada sobre as florestas da Lapônia, cobrindo as pegadas do passado sob metros de gelo eterno. Mas dentro daquele refúgio de madeira, marcados pelo ferro, pelo sangue e pelo desejo, nada mais existia além da certeza definitiva de sua posse mútua.

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