Voltar ao resumo

D

Fogo sob a Pele e Segredos de Criança

O silêncio da tarde na mansão era um luxo raro, especialmente com as babás levando Ágata para um passeio no jardim e Sara tendo saído para resolver pendências urgentes em sua loja de roupas. Emanuel, no entanto, não estava no estúdio. Ele estava em casa, observando Eduarda na biblioteca improvisada. Ela estava concentrada, sentada no chão com Maya, cercada por livros de História da Arte, tentando organizar seus estudos enquanto a pequena folheava um livro de gravuras coloridas.

Emanuel encostou-se no batente da porta, os braços cruzados, observando a curva do pescoço de Eduarda e a forma como o vestido de algodão leve marcava sua silhueta esguia. O desejo por ela era uma constante, uma fome que ele saciava com moderação, mas que nunca desaparecia. Ele amava Sara com uma intensidade carnal e administrativa, mas Eduarda... Eduarda era sua paz, sua ternura, a mulher que ele sentia necessidade de possuir e proteger em igual medida.

— Você estuda demais, Duda — disse ele, a voz rouca quebrando o silêncio.

Eduarda deu um pequeno sobressalto, olhando para cima com aqueles olhos grandes e expressivos. Um sorriso tímido surgiu em seus lábios.

— A prova é amanhã, Emanuel. E a Maya resolveu que quer "ajudar" hoje.

Emanuel caminhou até elas. Ele se abaixou, pegou Maya no colo e deu um beijo na testa da menina, que riu e puxou sua barba rala.

— Vá brincar com seus blocos ali no canto, pequena. Papai precisa falar com a mamãe.

Maya, sempre obediente com Emanuel, engatinhou para o tapete macio do outro lado da sala. Emanuel voltou sua atenção para Eduarda. Ele estendeu a mão, ajudando-a a se levantar. Assim que ela ficou de pé, ele a puxou para perto, colando seus corpos.

— Emanuel... — ela sussurrou, a respiração acelerada. — A Maya está aqui...

— Ela está distraída — ele murmurou, descendo as mãos pelas costas dela até alcançar a curva das nádegas.

Em um movimento possessivo e firme, Emanuel deu um tapa estalado na bunda de Eduarda, fazendo-a soltar um suspiro arquejado. O som ecoou na sala ampla. Ele não esperou por uma reação; seus lábios encontraram o pescoço dela, trilhando um caminho de beijos quentes até o decote do vestido.

Com a habilidade de quem conhecia cada milímetro daquele corpo, ele afastou o tecido leve. O seio de Eduarda, médio e incrivelmente macio, saltou para fora. Emanuel o tomou na boca, sugando o mamilo rosado com uma voracidade que fez as pernas de Eduarda fraquejarem. Ela enterrou os dedos nos cabelos dele, soltando um gemido baixo, entregue ao prazer que só ele sabia proporcionar.

O que eles não perceberam foi que Maya, curiosa com o silêncio repentino e os sons abafados, virou a cabeça. De relance, com a visão periférica de uma criança atenta, ela viu o papai "mordendo" o peito da mamãe e a mão dele apertando o corpo dela. Para Maya, aquilo parecia uma brincadeira estranha, mas gravou a cena em sua mente fértil.

— Emanuel, agora não... — Eduarda pediu, embora seu corpo implorasse pelo contrário. — Alguém pode chegar.

— Então vamos para o quarto — ele sentenciou, a voz carregada de uma autoridade inquestionável.

Ele a guiou escada acima, deixando Maya sob a supervisão rápida de uma das babás que entrava pela porta lateral. No quarto, o mundo exterior deixou de existir. Emanuel a possuiu com a urgência de quem precisava reafirmar que ela era dele, tanto quanto Sara era. Eduarda entregou-se com a doçura e a paixão que guardava apenas para ele, sentindo-se completa sob o peso e o calor do homem que escolhera ser seu mundo.

***

Mais tarde naquele dia, o clima era de reunião familiar. A mãe de Emanuel, Dona Regina, e a mãe de Eduarda, Dona Lúcia, haviam organizado um jantar na casa dos pais de Emanuel. O pai de Emanuel, Seu Ricardo, estava na sala lendo o jornal, enquanto o pai de Eduarda seguia em viagem de negócios.

Sara chegou radiante, usando um vestido justo verde-esmeralda e saltos altíssimos, carregando Ágata no colo. Emanuel e Eduarda chegaram logo depois, com Maya. Eduarda ainda tinha as bochechas levemente coradas, um brilho nos olhos que não passou despercebido pelas mães experientes.

— Que bom que chegaram! — exclamou Dona Regina, abraçando o filho. — As meninas estão enormes. Venham, sentem-se.

O jantar transcorreu entre risadas e conversas sobre os estúdios de Emanuel e a faculdade de Eduarda. Sara, como sempre, dominava parte da conversa com seu humor ácido e histórias sobre a loja. Tudo parecia perfeito, até que Maya, sentada em seu cadeirão entre as duas avós, resolveu compartilhar suas descobertas do dia.

A menina apontou para Eduarda e depois para Emanuel, que estava sentado ao lado de Sara.

— Papá... — Maya começou, chamando a atenção de todos.

— Diga, meu anjo — respondeu Emanuel, sorrindo para a filha.

— Papá deu tapa na mamãe — Maya disse com clareza, batendo a mãozinha na própria perna para imitar o gesto. — Na bunda!

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. O garfo de Dona Lúcia parou no meio do caminho. Seu Ricardo baixou o jornal, arqueando as sobrancelhas. Eduarda sentiu o rosto queimar em um tom de vermelho que faria inveja a um tomate.

— Maya, querida... coma seu purê — Eduarda tentou intervir, a voz trêmula.

Mas Maya não tinha terminado. Ela tinha uma plateia agora.

— E depois... — a menina continuou, fazendo um gesto de sucção com a boca — ...papá chupou o peitinho da mamãe. Assim!

Dona Regina arregalou os olhos, olhando de Emanuel para Eduarda. Sara, em vez de ficar brava ou constrangida, soltou uma gargalhada alta e sonora, jogando a cabeça para trás.

— Santo Deus, Emanuel! — Sara exclamou entre risos. — Nem na biblioteca você se controla? A menina viu tudo!

— Emanuel! — Dona Regina repreendeu, embora houvesse um traço de riso contido em sua voz. — Tenham mais cuidado! As crianças são esponjas!

Eduarda queria que o chão se abrisse. Ela abaixou a cabeça, escondendo o rosto com as mãos.

— Eu sinto muito, mãe... Dona Regina... — ela murmurou.

— Ora, não se desculpe, Duda — disse Seu Ricardo, voltando ao jornal com um sorriso de canto. — O Emanuel sempre foi um trator. Pelo menos sabemos que o fogo entre vocês continua aceso.

Emanuel, mantendo sua postura prática e reservada, embora com as orelhas levemente vermelhas, apenas limpou a boca com o guardanapo.

— Maya é observadora demais para o próprio bem — ele disse, olhando para a filha com um misto de orgulho e advertência. — Mas sim, eu amo a mãe dela. E não pretendo parar de demonstrar isso.

— Só tente não fazer isso na frente da plateia da próxima vez, filho — Dona Lúcia comentou, piscando para a filha, tentando aliviar o constrangimento de Eduarda.

O jantar continuou, agora com um clima de descontração e algumas piadas de duplo sentido de Sara, que parecia se divertir imensamente com a timidez de Eduarda. Emanuel, por baixo da mesa, encontrou a mão de Eduarda e a apertou com firmeza, um lembrete silencioso de que, apesar do flagra da pequena Maya e do escrutínio da família, ele estava exatamente onde queria estar: entre as mulheres que amava, construindo uma história que, por mais fora dos padrões que fosse, era inteiramente deles.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.