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D

Sombras e Desvelos

O relógio de ouro maciço no pulso de Emanuel marcava quase três da tarde quando ele finalmente fechou o notebook sobre a bancada da suíte master. O som abafado do chuveiro cessou no banheiro privativo e, instantes depois, Sara surgiu envolta em uma nuvem de vapor perfumado, usando apenas um robe de cetim dourado que mal conseguia conter a curva exuberante de seus seios fartos. Os cabelos platinados estavam presos no alto em um coque deliberadamente desgrenhado, e a maquiagem nos olhos amendoados já estava impecável.

Emanuel não perdeu tempo. Com passos silenciosos e firmes, ele cruzou o quarto espaçoso e envolveu a cintura violão da mulher por trás, enterrando o rosto na curva quente de seu pescoço.

— Já disse que você fica perigosa demais nessa cor? — murmurou ele, a voz rouca vibrando contra a pele macia dela enquanto suas mãos desciam pelas laterais do quadril roliço, apertando a carne com posse.

Sara jogou a cabeça para trás, apoiando-se no peitoral largo dele com uma risada baixa e provocante.

— Se eu não ficasse perigosa, você não gastaria uma fortuna comigo toda semana, tatuador — ela se virou dentro do abraço, os lábios carnudos pintados de um tom nude reluzente se arqueando com ousadia. — Falando nisso, a encomenda daquelas bolsas italianas que eu queria para a vitrine da loja já passou pela alfândega?

Emanuel soltou um riso curto, deslizando os dedos pelas costas expostas dela, traçando as linhas suaves da coluna até o início da curva dos glúteos.

— Já liberaram tudo hoje de manhã. E eu mandei entregar aquele colar de esmeraldas que você ficou namorando na joalheria ontem. Já deve estar na sua mesa quando você chegar na loja.

Os olhos de Sara brilharam com pura satisfação. Ela não era hipócrita, nunca fora; adorava o luxo, amava ser mimada e sabia perfeitamente o poder que exercia sobre o homem que a sustentava e a desejava com voracidade. Ela passou as unhas longas e bem feitas pela nuca raspada dele, puxando-o para um beijo profundo, molhado e sem pudores, sentindo o calor característico que sempre incendiava quando os dois estavam a sós.

— Você é perfeito, sabia? — sussurrou ela, mordiscando de leve o lábio inferior de Emanuel antes de se afastar com um requinte malicioso. — Agora me solta, que a gerente já me mandou três mensagens surtando com o estoque e eu preciso ir. Ágata está capotada no berço e a Maya estava brincando com os blocos na sala.

— Eu cuido delas — garantiu Emanuel, dando um tapa estalado nas nádegas fartas dela enquanto ela caminhava até o closet, recebendo em troca apenas uma piscadela cúmplice. — Vai lá faturar, mulher.

Quando a porta principal da cobertura bateu suavemente, anunciando a saída de Sara, o silêncio da casa voltou a pesar. Eduarda tinha saído cedo para a faculdade de História da Arte. Ela tivera um seminário importante de manhã e emendara com um ensaio do grupo de dança, deixando Maya sob os cuidados zelosos do "papai".

Emanuel caminhou até a sala de estar, onde um tapete felpudo enorme servia de arena para os brinquedos coloridos. Maya, com seu vestidinho de algodão azul-bebê e duas marias-chiquinhas tortas prendendo os cabelinhos castanhos, tentava equilibrar uma girafa de plástico sobre uma pilha instável de cubos de madeira.

O peito de Emanuel se aqueceu instantaneamente. Havia algo na fragilidade daquela menina que desarmava qualquer dureza que o mundo dos negócios colocava sobre seus ombros. Maya tinha os mesmos olhos expressivos e brilhantes de Eduarda, a mesma doçura implícita em cada traço fino.

— E aí, princesa? — Emanuel sentou-se no tapete, cruzando as pernas tatuadas e puxando a garotinha para o seu colo com um cuidado cirúrgico. — Conseguiu construir a torre?

Maya soltou um gritinho alegre e jogou o corpinho miúdo contra o peito dele, agarrando a gola de sua camisa preta com as mãozinhas gordinhas.

— Papai! — balbuciou ela, esfregando o nariz úmido na bochecha áspera pela barba por fazer. — A torre caiu.

— Caiu porque você colocou a girafa de cabeça para baixo, espoleta — ele riu baixo, ajeitando uma das presilhas no cabelo da menina. — Sua mãe já deve estar quase chegando. Você quer esperar ela para almoçar ou quer uma frutinha agora?

Maya piscou os olhinhos castanhos, pensativa, chupando a pontinha do dedo com a inocência típica de quem mal completara um ano e meio. Então, com a espontaneidade caótica que as crianças costumam ter ao tentar verbalizar fragmentos de memória, ela apontou para a porta com a mãozinha livre.

— Mamãe Duda vem? — perguntou a menina, a voz fina e melodiosa.

— Vem, daqui a pouco ela chega do colégio de gente grande — Emanuel respondeu com paciência, afagando as costas miúdas.

— Tio vem junto? — Maya soltou, tombando a cabeça de lado.

Emanuel congelou por um milésimo de segundo. Seus olhos se estreitaram quase imperceptivelmente.

— Tio? Que tio, Maya?

A menininha riu, achando que era uma brincadeira, e começou a bater palminhas desajeitadas contra o peito dele.

— O tio bunito! — ela disparou com a pronúncia enrolada, os olhinhos brilhando em pura animação infantil. — Tio bunito... deu beijo na mamãe. Deu estalo! Assim, ó!

Maya levou a própria mãozinha à boca e fez um barulhinho de beijo, rindo como se contasse o maior segredo do universo.

Naquele exato instante, o ar na sala de estar pareceu rarefeito.

O cérebro racional de Emanuel simplesmente desligou, engolido por uma onda vulcânica de adrenalina pura e possessividade doentia. O maxilar dele se contraiu com tanta força que os dentes rangeram. A imagem mental de outro homem tocando Eduarda — a sua Duda, a criatura doce, frágil e intocável que ele guardava a sete chaves sob sua proteção invisível — fez o sangue ferver nas veias com uma fúria cega.

*Um homem bonito. Beijou a mãe dela.*

Emanuel sentiu as mãos tremerem ligeiramente, mas se forçou a manter a voz mansa para não assustar a criança em seus braços.

— Onde... onde ele beijou a mamãe, Maya? — a voz dele saiu mais baixa do que o normal, densa, perigosa.

Maya, alheia à tempestade que acabara de invocar, tocou a própria bochecha gordinha com o indicador, mas logo em seguida bateu as duas mãos na boca, rindo com o som que fazia.

— Beijinho, papai! Ploft! Mamãe ficou vermeiinha!

Emanuel fechou os olhos por três segundos intermináveis, respirando pelo nariz enquanto tentava conter a vontade visceral de rastrear cada indivíduo do sexo masculino que frequentava aquele maldito campus universitário e quebrar cada osso de seus corpos. Ele bancava a faculdade dela. Ele garantia que ela tivesse o melhor carro com motorista particular à disposição, que não passasse aperto com mensalidade, que Maya tivesse fraldas importadas, convênio de ponta e uma vida de princesa. Ele cuidava de cada detalhe da vida daquela garota.

E ela estava permitindo que homens a cortejassem pelos corredores? Que tocassem nela?

O clique metálico da maçaneta da porta de entrada ecoou pelo hall privativo.

Emanuel levantou-se lentamente, ainda com Maya aninhada com segurança em seu braço esquerdo, sua postura rígida como aço forjado.

Eduarda entrou tirando os sapatilhas de ballet que usava no dia a dia, equilibrando-se em um pé só com a graça habitual. Carregava uma bolsa de lona cheia de cadernos pesados e um casaco de tricô pendurado no braço. Ela parecia cansada; havia pequenas olheiras sob os olhos grandes, mas o rosto se iluminou no exato momento em que ela ergueu o olhar e viu a filha e o primo na sala.

— Oi, meus amores... — murmurou ela, com a voz naturalmente suave e manhosa, deixando a bolsa sobre o aparador e vindo em direção a eles com passos leves e descalços. — O ensaio hoje quase me matou. Meu professor cismou que a gente precisa melhorar o alinhamento e...

Ela parou no meio da frase.

Eduarda conhecia Emanuel desde a infância. Ela sabia ler cada mínimo tique nervoso daquele homem. Notou a rigidez milimétrica dos ombros largos dele, a palidez lívida em torno dos lábios cerrados e aquele olhar escuro e penetrante que parecia capaz de queimar quem estivesse na mira.

— Manu? — ela franziu a testa delicada, aproximando-se com cautela, a insegurança transparecendo de imediato em sua postura submissa. — Aconteceu alguma coisa? A Ágata tá bem? Minha mãe ligou?

— A Ágata está dormindo — a voz de Emanuel cortou o ar como lâmina fria, desprovida de qualquer calor. — E a sua mãe não ligou.

Eduarda estendeu os braços para pegar a filha, buscando o conforto habitual da maternidade, mas Emanuel deu meio passo para trás, impedindo o movimento com uma frieza calculada. O gesto machucou. Eduarda recuou as mãos, arregalando os olhos expressivos, o lábio inferior começando a tremer de leve.

— Por que você tá assim? — perguntou ela, quase num sussurro assustado. — O que foi que eu fiz?

— Quem é ele, Eduarda?

A pergunta veio carregada de um veneno tão cru que a menina deu um passo em falso para trás.

— Ele quem, Emanuel? Do que você tá falando?

— Não se faz de idiota comigo! — ele explodiu, dando um passo à frente, fazendo sua altura e imponência física dominarem o espaço, embora seu tom tenha se mantido contido o suficiente para não fazer Maya chorar. — Quem é o sujeito que estava com você e a minha filha hoje? Quem foi o infeliz que encostou a boca em você na frente de uma criança de um ano?!

Eduarda piscou, completamente desorientada, a mente tentando processar a avalanche de palavras agressivas.

— Encostou a boca em mim...? O quê?! Você enlouqueceu?!

— A Maya acabou de me contar! — Emanuel gesticulou com a mão livre, o olhar chamejando em puro ciúme doentio, a faceta controladora e possessiva vindo à tona sem qualquer filtro. — "O tio bonito que deu um beijo na mamãe". Foi isso que ela disse! Você leva a minha filha para a faculdade para ela assistir você aos beijos com algum moleque qualquer no meio do pátio?! É isso que você faz com o tempo que eu pago para você estudar?!

As palavras dele foram duras, injustas, e atingiram o coração sensível de Eduarda com a força de um tapa.

Os olhos castanhos dela se encheram de lágrimas imediatamente. O queixo fino tremeu, e uma expressão de profunda mágoa e vulnerabilidade tomou conta de suas feições doces. Eduarda detestava brigas. Quando acuada, seu primeiro reflexo nunca era o contra-ataque; era o encolhimento, a dor evidente de se sentir rejeitada ou mal interpretada pela pessoa em quem ela mais confiava no mundo.

— Como você... como você tem coragem de falar assim comigo? — as lágrimas transbordaram, descendo quentes pelas bochechas alvas. A voz dela saiu falhada, quebrada pelo choro iminente. — Você acha mesmo que eu faria isso? Que eu sou esse tipo de pessoa, Manu?

Ao ver as lágrimas dela, algo se partiu dentro do peito de Emanuel. A raiva continuava lá, uma brasa incandescente, mas a visão da fragilidade de Eduarda desmontou parte de sua armadura. Ele odiava vê-la chorar; odiava ainda mais saber que ele era a causa daquele choro.

Maya, percebendo o estado da mãe, esticou os bracinhos pequenos na direção dela.

— Mamãe... não xola...

Emanuel não aguentou. Com um suspiro pesado e trêmulo, ele transferiu a menina com cuidado para os braços de Eduarda. No mesmo instante, a jovem bailarina abraçou o corpinho da filha com força, enterrando o rosto nos cabelinhos dela enquanto deixava os soluços silenciosos escaparem.

— Duda... — a voz dele perdeu um pouco da aspereza, mas a rigidez continuava presente na mandíbula travada. — Eu só quero saber a verdade.

Eduarda ergueu os olhos marejados, fungando baixinho, com aquele ar dengoso e ferido que fazia Emanuel querer se ajoelhar aos pés dela e pedir perdão, ao mesmo tempo em que desejava trancá-la naquela cobertura para que nenhum outro homem sequer olhasse em sua direção.

— O Lucas... — ela começou, a voz trêmula, soluçando entre as palavras. — O Lucas faz dupla comigo no seminário de Barroco Brasileiro. A mãe dele é amiga da minha mãe desde a adolescência!

— E o que esse desgraçado estava fazendo beijando você? — Emanuel rebateu, as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo.

— Ele não me beijou! — ela quase gritou, embora o som tenha saído abafado pela voz chorosa. — A gente estava terminando de revisar os slides na lanchonete da faculdade. Ele viu que a Maya estava com sono e me ajudou a carregar os livros até a saída onde o motorista estava esperando. Quando ele se despediu, ele me deu um beijo na bochecha! Um beijo na bochecha, Emanuel! Como qualquer pessoa educada faz para se despedir!

Emanuel paralisou. Os olhos escuros fitaram o rosto lavado de lágrimas da prima, assimilando a informação.

*Um beijo na bochecha.*

— A Maya falou que ele era bonito — insistiu ele, a voz soando muito mais patética e defensiva do que pretendia, a irracionalidade do ciúme ainda lutando para se justificar.

— A Maya acha todo mundo que dá tchau para ela bonito! — Eduarda rebateu, fungando com força, limpando uma lágrima com as costas da mão livre enquanto ainda segurava a filha no quadril. — Ela tem um ano, Manu! Ela nem sabe o que significa essa palavra direito, ela só repetiu o que a tia Luísa falou semana passada na televisão! E você... você veio para cima de mim desse jeito... gritando comigo... me chamando de irresponsável...

O biquinho que se formou nos lábios rosados de Eduarda foi a ruína final de Emanuel. Ela parecia uma menina indefesa, tão pura, tão machucada pela acusação injusta, com os seios médios subindo e descendo no ritmo acelerado de sua respiração entrecortada.

Emanuel deu um passo à frente, a mão subindo hesitantemente para tocar o braço dela.

— Duda... me desculpa.

Eduarda não se afastou. Essa era a fraqueza dela; ela não conseguia manter distância dele por muito tempo. Em vez de recuar, ela deu mais um passo trêmulo para a frente e encostou a cabeça no peito dele, chorando baixinho contra o tecido de algodão escuro de sua camisa, buscando exatamente o abrigo do mesmo homem que havia acabado de atacá-la.

Emanuel fechou os braços em torno das duas. Envolveu Eduarda e Maya em um abraço protetor e avassalador, sentindo o calor do corpo pequeno e macio da mulher pressionado contra si. A respiração dele se perdeu no perfume de alfazema que emanava dos cabelos dela.

— Eu sou um idiota — murmurou ele, a voz rouca e carregada de uma culpa genuína, enquanto deslizava a mão grande pelas costas esguias de Eduarda, sentindo cada vértebra delicada sob a pele. — Eu perdi a cabeça. Fiquei cego de pensar que... que alguém pudesse estar desrespeitando você. Ou tirando proveito da sua inocência.

— Você é muito chato quando quer — ela resmungou manhosa contra o peito dele, a voz abafada, sem soltar a camisa dele. O abraço dela se apertou, buscando consolo. — Você não confia em mim, Manu? Acha mesmo que eu ia ficar de gracinha com homem por aí? Eu mal tenho tempo de dormir entre as aulas, o ballet e a Maya...

— Eu confio em você — ele disse com firmeza, inclinando o rosto e beijando o topo da cabeça dela com uma ternura quase reverente. — Eu só não confio nos outros. Você é linda demais, Duda. É ingênua. Não vê a maldade nas pessoas. Qualquer imbecil olha para você e quer se aproximar.

Eduarda ergueu o rosto, com as bochechas ainda coradas pelo choro recente e os cílios molhados grudados uns aos outros, conferindo-lhe uma expressão dolorosamente doce.

— Mas ninguém quer nada comigo — disse ela, com aquela modéstia desarmante que sempre fazia o coração de Emanuel dar um solavanco. — Eu sou só a Duda. Mãe solteira, cheia de olheiras e que vive com dor nas pernas por causa da dança.

*Você não tem a menor ideia do que você é*, pensou Emanuel, com o olhar descendo involuntariamente para os lábios carnudos e úmidos dela, antes de voltar rapidamente para os olhos castanhos.

— Você não é mãe solteira — corrigiu ele em um tom baixo, possessivo, mas infinitamente carinhoso. Sua mão desceu das costas dela e acariciou a bochecha de Maya, que agora chupava o dedo, tranquila entre o abraço dos dois. — A Maya tem pai. Ela tem a mim. E você tem a mim para tudo o que precisar. Nunca mais diga que está sozinha.

Eduarda abriu um sorriso tímido, aquele sorriso que começava no canto da boca e fazia seus olhos brilharem com uma devoção quase infantil. Ela inclinou a bochecha contra a palma calejada dele, aceitando o carinho como um gatinho manhoso aceita abrigo na tempestade.

— Eu sei, Manu — sussurrou ela, com a voz cheia de um afeto puro que ela acreditava piamente ser apenas amor de família. — O que seria de mim sem você?

Emanuel engoliu em seco, sentindo a proximidade do corpo dela incendiar cada terminação nervosa sob sua pele tatuada. O peso do segredo, a certeza de que ele a desejava com a mesma força voraz com que amava Sara, era uma cruz pesada, mas que ele carregaria com prazer até o fim dos tempos.

— Não precisa pensar nisso — Emanuel respondeu, puxando-a um pouco mais para si, enquanto Maya soltava um bocejo gostoso no meio dos dois. — Porque eu não vou a lugar nenhum. E se aquele tal de Lucas tentar te beijar na bochecha de novo, avisa para ele que o pai da Maya tem a mão muito pesada.

Eduarda soltou uma risadinha gostosa, dando um tapinha fraco no peito dele, completamente rendida ao dengo e ao perdão.

— Para de ser ridículo, Manu. Agora me ajuda a colocar essa preguiçosa na cama que eu preciso tomar um banho e descansar as pernas.

Emanuel sorriu pela primeira vez naquela tarde, assentindo enquanto pegava a filha nos braços novamente. Ao ver Eduarda caminhar em direção ao corredor, com aquele balanço suave e hipnotizante dos quadris que só as bailarinas possuíam, ele respirou fundo.

A tempestade havia passado por enquanto. Mas o fogo dentro dele continuava queimando, alimentado pela doçura intocada de uma e pela paixão indomável da outra. E ele faria de tudo para ter as duas ao seu lado, custasse o que custasse.

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