D
Laços e Vertigens
A transição de prima protegida para mulher amada ainda causava pequenos curtos-circuitos na mente de Eduarda. Havia apenas duas semanas desde a noite em que Emanuel, incapaz de continuar reprimindo a atração voraz que sentia, a prensara contra a bancada da cozinha e despejara tudo: o desejo que tirava seu sono, a possessividade irracional e, acima de tudo, a promessa inegociável de que nada diminuiria o que sentia por Sara. Para surpresa dele — e para o alívio de um coração que já batia descompassado há muito tempo —, Duda não fugira. Tímida, chorosa e rendida ao carinho descomunal do homem que sempre fora seu alicerce, ela aceitara os beijos dele. E Sara, com a cumplicidade quase debochada que lhe era peculiar, apenas abrira espaço naquele universo particular, sem dramas ou histeria.
Naquela tarde de sábado, no entanto, a cobertura fervilhava com uma energia bem mais barulhenta.
Emanuel havia reunido alguns sócios e tatuadores veteranos de suas filiais no andar inferior da cobertura, onde a área gourmet se abria para uma varanda panorâmica. Risadas roucas, o tinir de garrafas de cerveja artesanal e o cheiro de carne nobre assando na grelha invadiam o ambiente.
No corredor privativo das suítes, contudo, o clima era outro.
— Filha da mãe... Emanuel! Olha aqui o que a sua herdeira fez!
A voz estridente de Sara cortou o ar como um chicote. Ela saiu do closet bufando, usando um macacão justo de lurex dourado que marcava as curvas abundantes e empinava o silicone de forma quase escandalosa. Em uma das mãos de unhas compridas esmaltadas em vermelho-sangue, ela segurava os restos despedaçados de uma corrente de ouro cravejada de pequenas esmeraldas.
Na outra mão, ela trazia Ágata suspensa pelo macacãozinho de algodão. A menina de um ano tinha um sorriso vitorioso no rosto e pedrinhas verdes brilhantes coladas na baba ao redor da boca.
Eduarda, que terminava de amarrar os cabelos castanhos escuros em um rabo de cavalo despretensioso na sala de estar, arregalou os grandes olhos amendoados.
— Meu Deus, Sara! Ela engoliu alguma coisa?
— Engoliu nada, cuspiu tudo na minha bolsa de couro italiana! — Sara revirou os olhos claros, largando a bebê sobre o tapete felpudo e cruzando os braços sob o decote farto. — Arrebentou o fecho de platina e espalhou pedra até dentro do meu sapato. Essa garota tem a força de um trator, igual ao pai.
Emanuel surgiu no topo da escada interna, atraído pelo barulho. Vestia uma bermuda preta e uma camiseta escura com as mangas cortadas, exibindo os braços densamente cobertos por tatuagens orientais detalhadas. Ele trazia um copo de uísque com gelo na mão e aquela expressão habitual de quem tentava manter o controle do planeta sob seus ombros largos.
— O que foi agora? — perguntou ele, a voz grave descendo um tom ao analisar a cena.
— Sua filha acabou com o colar que você me deu mês passado — Sara apontou para o estrago, jogando a corrente partida sobre a mesa de centro de vidro. — Dez mil reais em pedras soltas pelo carpete. Quero ver você consertar isso antes do evento da minha loja semana que vem.
Emanuel se aproximou, pegou a joia arrebentada, olhou para Ágata — que agora batia palminhas no chão, achando a bronca o espetáculo mais divertido do dia — e soltou um suspiro pesado, embora um meio sorriso involuntário tenha repuxado o canto de sua boca.
— Ela puxou da sua gaveta de novo, né? Eu já falei para você não deixar as caixas abertas no closet baixo, Sara.
— Ah, pronto! A culpa é minha agora? — Sara deu uma risada irônica e estalou a língua, sem um pingo de verdadeira irritação. Ela adorava o embate. — Eu que sou a vítima aqui, Emanuel. O mínimo que você vai fazer é mandar fazer outro colar, só que com a pedra duas vezes maior. E vai bancar a restauração da minha bolsa.
— Eu compro outro na segunda-feira — Emanuel respondeu com a facilidade de quem não se importava com cifras, estendendo a mão para puxar a loira pela cintura estreita. Ele a puxou contra si com firmeza, ignorando as crianças por um segundo, e deu-lhe um beijo sonoro no pescoço, sentindo o cheiro pesado de baunilha que ela usava. — Mas você vai trancar a porta do closet.
— Vou pensar no seu caso — murmurou ela contra os lábios dele, mordiscando de leve seu queixo com pura ousadia, antes de se afastar com uma rebolada lenta em direção ao espelho do corredor para retocar o gloss. — E você, Duda? Vai ficar aí parada com essa cara de santa ou vai me ajudar a catar as esmeraldas antes que a Maya ache que é bala de hortelã?
Eduarda soltou um risinho tímido, o rosto ganhando aquele rubor suave que Emanuel achava a coisa mais hipnotizante do mundo.
— Já estou indo — disse a menina com sua voz naturalmente doce e cadenciada, abaixando-se com a agilidade flexível de bailarina para recolher os fragmentos verdes espalhados pelo chão.
Emanuel não perdeu o movimento. Seus olhos escuros desceram pelas costas esguias de Duda, acompanhando o contorno suave do corpo dela sob o vestido de alcinhas finas, feito de um tecido floral bem claro e fresco. Ela não usava maquiagem pesada como Sara; sua beleza residia justamente naquela leveza quase intocada, no aroma sutil de sabonete infantil e alfazema que parecia envolvê-la em uma redoma de inocência.
Ao ver Emanuel parado feito uma estátua hipnotizada, Sara passou por ele a caminho da cozinha e deu-lhe uma cotovelada sutil nas costelas.
— Fecha a boca, tatuador, senão escorre baba no chão — sussurrou ela, com uma piscadela travessa. — Vai lá embaixo que os seus amigos já beberam metade da sua adega. Eu e a Duda descemos daqui a pouco com as meninas.
Emanuel pigarreou, recompondo a postura imponente, e deu um tapa rápido na coxa de Sara antes de se abaixar ao lado de Eduarda. Sua mão calejada repousou com possessividade sobre a cintura delicada da prima, os dedos apertando o tecido fino do vestido.
— Precisa de ajuda com a Maya? — perguntou ele em um sussurro rouco, bem próximo ao ouvido dela.
Duda estremeceu com o contato, sentindo o calor do corpo dele tão perto. Ela ergueu os olhos castanhos, dengosa, inclinando levemente a cabeça.
— Ela está estranha hoje, Manu. Acho que os dentinhos do fundo estão nascendo. Ficou dengosa a manhã inteira, só quer colo.
— Qualquer coisa você me chama — ele determinou, deixando um beijo rápido e ardente na têmpora dela antes de se levantar. — Não fica carregando peso demais. Suas pernas ainda estão doloridas do ensaio de ontem.
— Tá bom, papai coruja — zombou ela baixinho, mas o olhar que lançou para ele era puro derretimento.
Meia hora depois, a atmosfera na área externa da cobertura estava no ápice. Três dos melhores tatuadores da rede de Emanuel — caras altos, de barbas desenhadas, braços pretos de tinta e vozes altas — conversavam encostados na bancada de granito negro enquanto uma música ambiente ditava o ritmo descontraído.
Sara circulava com a imponência de uma rainha extravagante. Uma taça de champanhe em uma mão, a outra gesticulando com unhas afiadas enquanto contava piadas afiadas para Diego, o gerente-geral do estúdio matriz, que ria abertamente das tiradas da loira. Ágata estava sentada em um cercadinho acolchoado perto da sombra, entretida com blocos macios.
Eduarda, por outro lado, mantinha-se mais recolhida. Sentada em uma poltrona de vime reforçada, ela tentava acalmar Maya em seu colo. A garotinha, com as bochechas vermelhas de calor e os olhinhos marejados de puro sono e irritação, recusava qualquer tentativa de distração.
— Toma a aguinha, meu amor — murmurava Duda com paciência infinita, encostando o bico do copinho de transição nos lábios da menina. — Olha o passarinho lá fora, filha. Olha a Ágata brincando...
— Não! — Maya empurrou o copo com a mãozinha gordinha, fazendo algumas gotas espirrarem no chão de porcelanato. O bico dela tremia, à beira de uma crise de choro daquelas que ecoavam pelo prédio inteiro.
A menininha ainda mamava no peito. Eduarda já tentara iniciar o desmame algumas vezes, mas a ligação emocional entre as duas era forte demais, e sempre que Maya ficava febril ou indisposta pelos dentes nascendo, o seio da mãe era seu único refúgio absoluto no universo.
Emanuel, que conversava com Rodrigo — um dos tatuadores mais antigos da casa — a poucos metros de distância, mantinha um olho no amigo e outro fixado em Eduarda. O radar paternal e protetor dele nunca desligava. Ele viu a exaustão transparecer nos ombros delicados de Duda e o modo como ela ajeitava a postura para dar conforto à filha.
— ...então eu disse que a convenção de Milão não vale a pena se eles não cobrirem os custos do estande — dizia Rodrigo, gesticulando com uma garrafa de cerveja. — O que você acha, Manu?
Emanuel mal ouvia. Seu foco foi quebrado pelo gemido sôfrego de Maya.
— Mamá! — exigiu a menina, a voz fina e estridente chamando a atenção de quem estava por perto. — Qué mamá, Duda! Mamá agora!
— Shh, meu amor, espera um pouquinho — sussurrou Eduarda, o rosto queimando de vergonha ao perceber os olhares masculinos se voltando para o canto onde ela estava. — A gente já vai para o quarto, tá? Deixa a mamãe só...
Mas a paciência de uma criança de um ano com dor na gengiva é inexistente.
Tomada por um acesso repentino de fúria e desespero infantil, Maya enterrou as duas mãozinhas pequenas e pegajosas na gola elástica do vestido floral de Eduarda. Em um puxão violento, rápido e implacável para baixo, a menina simplesmente arrancou o decote da mãe até a altura do abdômen.
O tecido cedeu de uma vez só.
Como estava em casa, num dia quente, Eduarda não usava sutiã de sustentação rígido, apenas uma peça finíssima de renda sem bojo, própria para amamentação. Com a força do puxão, o sutiã escorregou junto.
A pele alva, macia e intocada dos seios médios de Eduarda foi exposta de forma abrupta, os bicos rosados e túmidos ficando a meros milímetros de ficarem completamente à mostra para qualquer um na varanda.
O ar congelou.
— Ai, meu Deus! — Eduarda soltou um ganido assustado, a voz morrendo na garganta enquanto o sangue subia em uma labareda violenta para o seu rosto. Ela tentou segurar o tecido com uma das mãos, mas Maya continuava esperneando, puxando a alça do vestido com força, tentando abocanhar o peito com desespero cego.
Rodrigo e Diego, que estavam de frente para a cena, arregalaram os olhos no susto do movimento repentino. O olhar de Rodrigo vacilou por um mísero segundo na direção da nudez parcial e deslumbrante da jovem bailarina.
Foi o suficiente.
Emanuel moveu-se com a velocidade predatória de um raio.
Em dois passos largos, sua figura alta e maciça se interpôs entre a visão dos amigos e o corpo de Eduarda. Ele largou o copo de cristal sobre uma mesinha com força suficiente para quase trincar o vidro, e sua mão pesada agarrou a barra de sua própria camiseta, arrancando-a pela cabeça em um único movimento fluído.
Sem dizer uma única palavra aos convidados, ele jogou a peça de algodão sobre os ombros de Eduarda, envolvendo-a por completo com o tecido que ainda carregava o calor e o cheiro forte de sua pele.
Com a outra mão, ele segurou os punhos pequenos de Maya com firmeza milimétrica — sem machucar a menina, mas impedindo qualquer outro puxão destrutivo.
— Rodrigo. Diego — a voz de Emanuel saiu num tom tão baixo, cavernoso e letal que os dois homens deram um passo involuntário para trás. Os olhos escuros do tatuador ardiam em puro fogo territorial, a mandíbula tão travada que os músculos faciais pareciam prestes a estourar. — Virem para lá. Agora.
Nenhum dos dois hesitou. Conheciam o temperamento vulcânico do chefe quando perdia as estribeiras. Ambos deram meia-volta instantaneamente, encarando o parapeito de vidro e a vista da cidade como se fosse a coisa mais fascinante da Terra.
— Manu... — soluçou Eduarda, as lágrimas de vergonha queimando nos cantos dos olhos. Ela se encolheu na poltrona, puxando a camiseta dele contra o peito arfante, escondendo o rosto corado contra o tecido preto. — Desculpa... ela puxou... eu não...
— Fica calma — ordenou Emanuel, mas o tom agora era desprovido de qualquer raiva direcionada a ela; era uma mistura crua de afeto desesperado e proteção possessiva.
Ele se ajoelhou na frente da poltrona, ficando na mesma altura dela, bloqueando qualquer ângulo de visão com as próprias costas largas e tatuadas. Emanuel levou a mão grande à nuca de Eduarda, puxando a cabeça dela de encontro ao seu peito nu.
— Não precisa pedir desculpa, meu amor. Respira — ele murmurou contra os cabelos castanhos dela, deixando um beijo quente no topo de sua cabeça. — Ninguém viu nada. Eu cheguei a tempo.
A vulnerabilidade de Eduarda era palpável. Ela tremia de leve, encolhendo-se contra ele com aquela mansidão manhosa de quem procurava o único porto seguro do mundo.
— A Maya... ela tava com fome... — justificou ela em um sussurro infantil, fungando baixinho.
— Eu sei, Duda. Eu sei.
Do outro lado, Sara soltou uma risada sonora, absolutamente desprovida de pudor ou escândalo. Ela caminhou com seus saltos agulha até eles, parando ao lado de Emanuel com a mão no quadril largo, olhando para a bagunça com diversão nos olhos brilhantes.
— Mas gente, que escândalo por causa de um peito! — zombou ela, arqueando uma sobrancelha bem delineada enquanto olhava de relance para as costas tensas dos amigos na outra ponta da varanda. — Meninos, vocês nunca viram um decote na vida? Virem a cara direito antes que o Emanuel mande cortar o pescoço de vocês.
Diego soltou uma tosse nervosa sem se virar.
— Não vi nada, Sara. Juro por Deus.
— Viu nada o quê, seu sonso? — Sara debochou com um estalo de língua. — Se tivesse visto também não ia arrancar pedaço. Mas o patrão de vocês aqui é um homem das cavernas, então finjam que estão olhando para os prédios.
Ela então se inclinou, pousando uma mão de unhas escarlates no ombro nu e tenso de Emanuel, apertando a carne com carinho provocador, antes de tocar o rosto lavado de vergonha de Eduarda.
— Levanta daí, menina boba — disse Sara com suavidade surpreendente, afastando uma mecha de cabelo dos olhos marejados de Duda. — A Maya tá berrando porque tá com dor na gengiva. Pega ela e sobe para o quarto do Manu. Dá esse mamá para a menina no ar-condicionado, longe desse monte de marmanjo fedendo a cerveja.
Eduarda ergueu o rosto, piscando devagar, desarmada pela praticidade sem rodeios da loira.
— Você não... não ficou brava, Sara?
Sara soltou um riso anasalado, passando a ponta da unha pelo queixo delicado de Duda com pura cumplicidade.
— Brava com o quê, Duda? Com a sua filha tendo fome? Ou com o fato de você ter um corpo lindo que faz o nosso macho quase infartar de ciúme? — ela deu uma piscadela descarada, sem filtro algum. — Deixa de ser boba. Se eu quisesse brigar por causa de peito exposto, eu não andava pelada pela casa metade do tempo. Sobe logo.
Emanuel soltou uma respiração pesada, a tensão acumulada nos ombros finalmente cedendo diante da intervenção de Sara. Ele olhou para a mulher loira com um brilho de pura gratidão e paixão nos olhos — amava aquela loucura despudorada dela, amava o jeito como ela simplesmente dominava o caos sem perder a pose.
— Vai com ela, Duda — disse Emanuel, ajudando a prima a se levantar com um cuidado meticuloso.
Ele ajeitou a própria camiseta comprida sobre o corpo frágil de Eduarda, garantindo que nada além das pernas torneadas pela dança ficasse visível. Em seguida, pegou Maya no colo por um instante, aninhando a menina que ainda choramingava contra o peito nu.
— Vem cá, minha princesinha nervosa — sussurrou ele, beijando as bochechas molhadas de lágrima da menina. — O papai já vai levar você para mamar, tá? Para de maltratar a sua mãe.
Maya abraçou o pescoço do homem, soltando pequenos suspiros de alívio ao sentir a presença firme dele.
Emanuel guiou Eduarda pelo braço, conduzindo-a para longe da varanda e subindo os degraus em direção à suíte master. Quando entraram no quarto silencioso, com as cortinas fechadas bloqueando o sol forte, a sensação de refúgio se completou.
Duda sentou-se na beirada da cama king size, puxando a camiseta para cima com timidez para acomodar a filha. Maya, encontrando finalmente o seio morno e farto de leite, abocanhou com avidez, fechando os olhinhos castanhos quase que instantaneamente, o corpinho miúdo relaxando em uma onda de suspiros tranquilos.
Emanuel sentou-se ao lado delas na cama. Ele passou o braço pesado pelos ombros de Eduarda, puxando-a contra o seu lado, sentindo a maciez e o calor do corpo dela. A jovem bailarina recostou a cabeça no peito nu do homem, suspirando de mansinho enquanto assistia à filha mamar.
— Você quase me matou de susto lá fora — murmurou ele, a voz rouca vibrando contra a pele dela. A mão dele desceu lentamente para acariciar a coxa exposta de Duda, traçando círculos lentos e possessivos. — Se aquele moleque tivesse olhado mais um segundo...
— Ele não olhou, Manu — disse ela manhosa, erguendo a mão livre para tocar a linha dura da mandíbula dele com as pontas dos dedos. — Você foi rápido demais. Você é sempre o meu herói, esqueceu?
Emanuel encarou os lábios doces dela, sentindo aquela atração irresistível e avassaladora puxá-lo para a frente.
— Não sou herói de ninguém, Duda. Eu só cuido do que é meu.
Ele inclinou o rosto e tomou a boca dela em um beijo profundo, lento e dominante. Eduarda gemeu baixinho contra os lábios dele, correspondendo com toda a doçura e entrega que guardara por anos dentro de si, enquanto a mãozinha pequena de Maya descansava, tranquila, entre os corpos entrelaçados dos dois.
Na porta entreaberta do quarto, Sara encostou-se no batente, segurando Ágata no colo com uma das mãos e uma nova taça de champanhe na outra. Ela observou a cena em silêncio por alguns instantes, os lábios vermelhos se curvando naquele sorriso irônico, confiante e sem amarras.
— Se vocês demorarem muito aí dentro — Sara avisou em tom alto e claro, quebrando a bolha de romance com sua vulgaridade característica —, eu vou cobrar pedágio na volta. E não vai ser barato, tatuador.
Emanuel quebrou o beijo, virando a cabeça para olhar para Sara com um brilho feroz e faminto nos olhos, enquanto Eduarda escondia o rosto corado no vão de seu pescoço, rindo tímida.
— Eu pago qualquer preço, Sara — respondeu ele, a voz firme e carregada de uma promessa silenciosa.
Ali, naquele quarto, cercado pela calmaria doce de uma e pelo fogo indomável da outra, Emanuel sabia que não precisava escolher. O mundo lá fora podia tentar julgar ou entender, mas naquela cobertura, ele tinha exatamente tudo o que precisava para viver.