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D10

O Trono da Entrega Absoluta

O sol artificial de Helheim brilhava com uma intensidade opressora através das janelas do grande salão de audiências. Para Qin Shi Huang, o Imperador do Início, aquele dia parecia arrastar-se como uma eternidade de burocracias divinas e reclamações de almas que não entendiam seu lugar na hierarquia pós-morte. Seus ombros estavam tensos, sua mente fervilhava com a sinestesia toque-espelho captando o desconforto de cada servo que passava por ele, e a coroa parecia pesar o dobro do normal.

Ele entrou nos aposentos privados com um estrondo, as portas de obsidiana batendo contra as paredes. Hades já estava lá, sentado em uma poltrona de couro, revisando pergaminhos com a calma soberana que o caracterizava. O deus ergueu o olhar, notando imediatamente a aura caótica que emanava de seu marido.

— O dia foi difícil, Ying Zheng? — perguntou Hades, sua voz suave tentando aplacar a tempestade que via nos olhos do imperador.

Qin não respondeu de imediato. Ele caminhou até Hades, desfazendo-se de sua túnica real pelo caminho, deixando-a cair no chão como se fosse lixo. Ele parou diante do deus, os olhos brilhando com uma mistura de exaustão e uma luxúria desesperada.

— Eu não quero conversar, Hades — disse Qin, sua voz trêmula de estresse. — Eu não quero ser o Imperador agora. Eu não quero sentir a dor de ninguém além da minha. Eu quero que você me apague.

Hades deixou os pergaminhos de lado, concentrando toda a sua atenção no homem à sua frente. Ele conhecia aquele olhar; era o pedido de um rei que precisava ser subjugado para encontrar a paz.

— O que você deseja de mim, exatamente? — Hades levantou-se, sua presença imponente preenchendo o espaço entre eles.

Qin deu um passo à frente, colando seu peito ao de Hades, agarrando a camisa do deus com força.

— Foda-me — sussurrou Qin, as palavras saindo como um comando e uma súplica. — Foda-me até que eu não lembre o meu próprio nome. Até que o mundo lá fora deixe de existir. Não pare, não importa o quanto eu chore ou implore. Eu quero desaparecer em você.

Hades sentiu o peso da responsabilidade que Qin estava lhe entregando. Era um pedido de rendição total. O Rei do Submundo envolveu a nuca de Qin com uma mão firme, forçando-o a olhar para cima.

— Você sabe o que está pedindo, meu imperador? — a voz de Hades era um trovão contido. — Se eu começar, não haverá diplomacia. Eu vou reivindicar cada parte de você até que não sobre nada além de ruínas.

— É exatamente o que eu preciso — respondeu Qin, desafiando-o com um sorriso trêmulo.

Sem mais palavras, Hades o pegou pelo pescoço com uma mão, não para sufocar, mas para demonstrar domínio, e o empurrou em direção à imensa cama de dossel. Qin caiu de costas, o impacto expulsando o ar de seus pulmões, mas ele já estava puxando Hades para cima de si, suas pernas se enroscando na cintura do deus.

Hades não foi gentil. Ele não buscou o prazer mútuo e lento de outras noites. Ele atendeu ao pedido de Qin com a precisão de um deus que governa o abismo. Ele despiu o imperador com brutalidade, ouvindo o som do tecido se rasgando, e logo Qin estava nu sob ele, exposto e ofegante.

— Se é o esquecimento que você busca — murmurou Hades, abrindo as pernas de Qin com força excessiva —, eu vou lhe dar o próprio vazio.

O contato inicial foi um choque. Hades entrou em Qin sem aviso, uma estocada profunda que fez o imperador arquear as costas e soltar um grito que ecoou pelas paredes de pedra. A dor inicial foi rapidamente engolida por uma onda de prazer avassaladora, intensificada pela sinestesia de Qin. Ele sentia a força de Hades como se fosse uma marreta golpeando sua alma, quebrando as paredes de seu estresse e de suas preocupações.

— Isso... — ofegou Qin, as unhas cravando-se nos ombros largos de Hades. — Mais... não pare...

Hades obedeceu. O ritmo que ele estabeleceu era frenético e impiedoso. Cada estocada era projetada para atingir o ponto mais sensível de Qin, forçando o imperador a se perder em um labirinto de sensações puras. Qin começou a tremer, seus olhos revirando enquanto a realidade começava a se fragmentar.

O quarto tornou-se um borrão de sombras e luz prateada. Qin não sentia mais o peso da coroa; ele sentia apenas o peso de Hades. Ele não ouvia mais os gritos das almas; ele ouvia apenas o som de sua própria respiração errática e o impacto rítmico de seus corpos.

— Olhe para mim, Ying Zheng — ordenou Hades, sua voz soando como se viesse de quilômetros de distância.

Qin tentou focar, mas suas pupilas estavam dilatadas, perdidas no êxtase. Ele começou a chorar, lágrimas de puro excesso sensorial escorrendo por suas têmporas. Sua boca estava aberta, tentando buscar oxigênio, e um fio de saliva começou a escorrer pelo canto de seus lábios, mas ele não se importava. A dignidade real havia sido deixada na porta.

Hades intensificou o movimento, suas mãos grandes prendendo os quadris de Qin com tanta força que certamente deixariam marcas roxas. Ele estava usando Qin como um receptáculo para sua própria intensidade divina, despejando nele toda a paixão e a possessividade que guardava.

— Você ainda lembra de quem você é? — perguntou Hades, sua voz vibrando dentro do corpo de Qin.

— Eu... eu sou... — Qin tentou responder, mas sua mente falhou. Ele não conseguia formular um pensamento. — Eu sou seu... apenas seu...

A resposta pareceu satisfazer o deus, que rosnou e o levou ainda mais fundo. O prazer tornou-se uma agonia doce, um incêndio que consumia tudo. Qin começou a delirar, balbuciando palavras desconexas em chinês antigo, seus dedos se abrindo e fechando contra os lençóis de seda, agora empapados de suor.

As horas pareciam se fundir. Hades não mostrava sinais de cansaço. Ele mudou Qin de posição, colocando-o de quatro, e continuou o cerco. Qin estava completamente entregue, sua cabeça pendida para baixo, o cabelo preto desgrenhado caindo sobre o rosto, escondendo suas feições contorcidas. Ele estava aberto para Hades, em todos os sentidos possíveis.

Quando o ápice finalmente chegou, foi como uma explosão estelar. Qin deu um grito mudo, seu corpo esticando-se ao máximo antes de desabar sobre o colchão. Hades liberou-se dentro dele, uma descarga quente e profunda que pareceu selar o destino do imperador.

O silêncio que se seguiu foi denso. Hades retirou-se lentamente, observando a obra de sua fúria amorosa. Qin estava imóvel, deitado de bruços, as pernas entreabertas de forma desajeitada. O fluido branco e espesso escorria lentamente de seu corpo, sujando suas coxas e os lençóis.

Hades sentou-se na beira da cama, recuperando o fôlego, e observou o marido. Qin estava em um estado de choque catatônico de prazer. Seus olhos estavam entreabertos, mas não focavam em nada. O cabelo estava uma bagunça completa de nós e suor. O fio de saliva que começara antes agora era uma pequena poça no travesseiro, e sua respiração era apenas um sussurro trêmulo.

Ele parecia quebrado, mas, pela primeira vez em semanas, a expressão de Qin estava livre de qualquer tensão. O estresse havia sido expurgado através do excesso.

Hades estendeu a mão e acariciou as costas de Qin, sentindo a pele quente e úmida.

— Ying Zheng? — chamou ele, suavemente.

Qin levou longos segundos para reagir. Ele moveu a cabeça lentamente, seus olhos encontrando os de Hades após o que pareceu um esforço hercúleo. Ele tentou falar, mas apenas um som gutural e confuso saiu de sua garganta. Ele parecia não saber onde estava, ou quem era, exatamente como havia pedido.

— Você está de volta? — perguntou Hades, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios enquanto ele limpava a saliva do canto da boca de Qin com o polegar.

Qin piscou devagar, a consciência retornando em ondas lentas e pesadas. Ele olhou para o próprio corpo, para o estado em que se encontrava — aberto, sujo e completamente desfeito —, e então olhou para Hades.

— Eu... — Qin começou, sua voz falhando. Ele limpou a garganta e tentou novamente, embora o sorriso que surgiu em seu rosto fosse fraco e tonto. — Eu não faço ideia... do que aconteceu nos últimos dez mil anos.

Hades soltou uma risada baixa e o puxou para seus braços, ignorando a sujeira e o suor. Ele acomodou o corpo exausto de Qin contra o seu, sentindo o imperador se derreter em seu abraço como se seus ossos tivessem virado água.

— Você pediu para esquecer — disse Hades, beijando o topo da cabeça desgrenhada de Qin. — Eu apenas garanti que você não tivesse outra escolha.

Qin soltou um suspiro longo, fechando os olhos. O estresse da audiência, o peso da coroa, as dores do mundo... tudo havia desaparecido, substituído pela sensação avassaladora de ser possuído por um deus.

— Obrigado... meu rei — murmurou Qin, já se entregando ao sono profundo que o reclamava.

Hades permaneceu acordado por um tempo, vigiando o sono do homem que governava seu coração. Ele sabia que, quando Qin acordasse, o Imperador do Início estaria de volta, com sua arrogância charmosa e sua postura inabalável. Mas, por agora, naquele quarto mergulhado em sombras e no cheiro de sua união, Qin era apenas dele — desfeito, amado e finalmente em paz.

O Rei do Submundo puxou o cobertor sobre ambos, selando aquele momento de entrega absoluta. Helheim podia ser um lugar de punição para muitos, mas para eles, era o único lugar no universo onde a verdadeira liberdade podia ser encontrada na submissão total ao amor de um igual.