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D7

O Trono de Carne e o Êxtase do Rei

As portas de carvalho negro e prata dos aposentos reais de Hades fecharam-se com um estrondo surdo, ecoando pelo corredor silencioso de Helheim como o veredito de um juiz. Lá dentro, a atmosfera mudou instantaneamente. O ar, antes fresco e carregado com o aroma de incenso sândalo, tornou-se denso, eletrizado pela tensão entre o deus e o imperador.

Hades não colocou Qin no chão com delicadeza. Ele o prensou contra a madeira da porta, o peso de seu corpo divino servindo como uma âncora para a insolência do humano. Qin, longe de se sentir intimidado, soltou um gemido baixo que era metade desafio e metade deleite. Suas unhas de metal, os *zhizhu*, arranharam a seda negra das vestes de Hades, buscando o calor da pele por baixo.

— Você fala demais para alguém que está prestes a ser subjugado, Qin — sussurrou Hades, sua voz vibrando como um trovão distante.

Qin inclinou a cabeça para trás, expondo a linha elegante de seu pescoço, onde a marca da sinestesia toque-espelho ainda pulsava levemente.

— Subjugado? — Qin riu, o som abafado pelo beijo faminto que Hades cravou em sua clavícula. — Um rei não é subjugado, Hades. Ele apenas permite que outro soberano compartilhe de sua glória. Mas admita... você está possesso por causa daqueles registros.

Hades parou por um segundo, seus olhos brilhando com uma intensidade que faria qualquer alma comum em Helheim implorar por misericórdia. Ele não era um deus dado a acessos de fúria, mas a ideia de Qin — seu Qin — cercado por seis outros, entregando-se com a mesma vivacidade que agora dedicava a ele, despertava algo primitivo em sua essência.

— Eu sou o governante do submundo — disse Hades, sua mão subindo para apertar a garganta de Qin com uma força controlada, o suficiente para fazer o imperador arquejar. — Tudo o que entra aqui me pertence. O seu passado é apenas uma sombra, mas o seu presente... o seu presente eu vou marcar de tal forma que nem a reencarnação poderá apagar.

Sem mais palavras, Hades o lançou sobre a imensa cama de dossel. A estrutura, esculpida em madeira das árvores mais antigas do Tártaro e reforçada com ferro estelar, rangeu sob o impacto. Qin rolou sobre os lençóis de seda, seus cabelos negros espalhando-se como um leque. Ele não teve tempo de se recompor; Hades já estava sobre ele, despindo-se com uma urgência que contrastava com sua habitual sofisticação.

O encontro foi uma colisão de mundos. Não havia a polidez dos banquetes ou a etiqueta dos tronos. Era a força bruta de um deus que amava demais e a resiliência de um homem que se recusava a ser menos que um deus. Hades possuía Qin com uma ferocidade que buscava apagar cada memória de qualquer general ou poeta chinês. Cada estocada era um decreto, cada gemido de Qin era uma oferenda.

O prazer era tão avassalador que Qin sentia seus sentidos falharem. A sinestesia, que normalmente o fazia sentir a dor alheia, agora agia como um amplificador cruel e maravilhoso. Ele sentia a força de Hades em dobro; sentia o próprio êxtase e o desejo possessivo do marido queimando em seus nervos. O mundo começou a girar, as cores de Helheim fundindo-se em um borrão de roxo e ouro.

— Hades... — Qin tentou articular, mas sua voz morreu quando o deus o virou de costas, puxando-o pelos quadris com uma força que quase deslocou seus ossos.

— Olhe para mim, Qin — ordenou Hades, sua respiração quente contra a nuca do imperador. — Esqueça os registros. Esqueça a China. Aqui, há apenas o seu Rei.

Qin não aguentou. O excesso de estímulos, a intensidade do ato e a exaustão de uma alma que já havia lutado contra deuses no Ragnarok finalmente cobraram seu preço. Seus olhos reviraram e ele desmaiou, o corpo ficando pesado e inerte nos braços de Hades, o ápice do prazer levando-o à inconsciência.

Hades parou por um momento, observando o rosto sereno de Qin. O silêncio voltou ao quarto por alguns segundos, quebrado apenas pela respiração pesada do deus. Mas Hades não havia terminado. Sua promessa de ser "memorável" não era uma metáfora.

Ele se afastou apenas o suficiente para pegar uma jarra de água gelada na mesa de cabeceira e despejou um pouco sobre o rosto de Qin. O humano despertou com um sobressalto, tossindo e piscando, a confusão nublando seus olhos claros por um instante antes de focar na figura dominante acima dele.

— Onde... — Qin começou, a voz rouca.

— Eu não dei permissão para você dormir, Imperador — disse Hades, sua expressão era uma máscara de nobreza implacável.

Hades o puxou para cima, forçando-o a se ajoelhar na cama. Qin estava tonto, o corpo tremendo, mas o fogo em seus olhos ainda não havia se apagado. Ele olhou para cima, um sorriso desafiador e trêmulo surgindo em seus lábios.

— Você é... um monstro, Hades.

— Eu sou o seu marido — retrucou o deus.

Hades inclinou-se para frente, segurando o rosto de Qin com uma mão, enquanto a outra se posicionava firmemente na nuca do imperador. Ele acumulou saliva e, em um gesto de domínio absoluto que beirava o sacrilégio, cuspiu diretamente na boca entreaberta de Qin.

O imperador arregalou os olhos, o choque percorrendo sua espinha.

— Engula — ordenou Hades, o tom de voz não aceitando contestações. — Cada gota.

Qin sentiu o gosto do deus, algo que sabia a poder e eternidade. Por um segundo, seu orgulho real vacilou, mas então ele engoliu, a garganta movendo-se enquanto ele aceitava a marca de Hades em sua forma mais crua. Ele limpou o canto da boca com o polegar, os olhos brilhando com uma luxúria renovada e perigosa.

— É só isso que o Rei do Submundo tem? — provocou Qin, embora suas pernas estivessem bambas.

Hades não respondeu com palavras. Ele agarrou Qin pela cintura e o trouxe de volta para baixo de si com uma violência renovada. O ritmo que se seguiu foi devastador. Hades não estava mais apenas fazendo amor; ele estava reivindicando território. Cada investida era como o golpe de um martelo em uma bigorna, profundo e ressonante.

Qin gritava, as mãos agarrando-se desesperadamente às colunas de madeira do dossel. Ele sentia como se estivesse sendo partido ao meio, mas a dor e o prazer estavam tão entrelaçados que ele implorava por mais.

— Mais forte! — Qin rugiu, sua voz carregada com a autoridade de quem unificou nações. — Mostre-me o poder de Helheim!

Hades rosnou, perdendo a última rédea de seu autocontrole sofisticado. Ele elevou a potência de seus movimentos, usando a força divina que normalmente reservava para subjugar titãs. O som da carne batendo contra a carne era suplantado pelo som da madeira começando a ceder.

— Você queria um escândalo para os registros, Qin? — Hades perguntou, sua voz falhando pela primeira vez devido ao esforço. — Pois eu vou lhe dar uma lenda!

Com um último impulso violento, carregado de toda a energia acumulada desde o fim do Ragnarok, o impacto foi demais para a mobília real. Um estalo ensurdecedor ecoou pelo quarto quando a estrutura principal da cama de ferro e carvalho partiu-se ao meio. O dossel desabou, as cortinas de veludo caindo sobre eles como um manto fúnebre, enquanto o estrado colapsava contra o chão de mármore, criando uma cratera leve na pedra.

No meio dos escombros de madeira lascada e seda rasgada, o silêncio finalmente reinou.

Hades estava deitado sobre Qin, ambos cobertos de suor e ofegantes. O Imperador da China tinha um sorriso vitorioso no rosto, apesar de mal conseguir mover um dedo. Ele olhou para o teto destruído e depois para o marido, que parecia levemente surpreso com a própria força.

— Bem... — Qin tossiu, sua voz pouco mais que um sussurro. — Eu acho que isso supera o tigre de bengala.

Hades soltou uma risada curta, encostando a testa no ombro de Qin. A raiva possessiva havia sumido, substituída por uma satisfação profunda e uma exaustão que ele raramente sentia.

— Você quebrou a cama, Hades — continuou Qin, recuperando um pouco de sua arrogância característica. — Onde o Grande Eu vai dormir agora?

— No chão, nos escombros ou no meu trono — respondeu Hades, dando um beijo suave na têmpora do humano. — Mas suspeito que você não conseguirá andar até lá de qualquer maneira.

Qin tentou se mexer e soltou um gemido de dor que rapidamente se transformou em um risinho satisfeito.

— É... você tem razão. Você venceu esta rodada, Rei dos Mortos. Mas não pense que isso acaba aqui. Amanhã, eu quero que Hermes traga os registros sobre as minhas festas no Palácio de Epang... dizem que eu uma vez dancei sobre uma mesa de jade por três dias seguidos.

Hades suspirou, fechando os olhos e abraçando Qin com força em meio aos restos da cama destruída.

— Eu vou mandar queimar esses documentos, Qin. Pelo bem da minha sanidade e da integridade física de Helheim.

— Tarde demais, meu amor — murmurou Qin, fechando os olhos e entregando-se ao sono, finalmente em paz. — A história já foi escrita. E o que acabamos de fazer... bem, eu duvido que qualquer escriba tenha tinta suficiente para descrever.

Hades sorriu no escuro. Ele sabia que Qin tinha razão. No fim das contas, não importava quantos haviam passado pela vida do imperador antes. Naquela noite, sob os escombros de sua própria soberania, Hades havia provado que, para Qin Shi Huang, o único trono que realmente importava era aquele que eles construíam juntos, entre gemidos, suor e o caos de um amor que desafiava a própria morte.