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D7

O Trono de Papel e a Marca da Soberania

O silêncio nos corredores de Helheim era enganoso. No escritório privado de Hades, a atmosfera não era de paz, mas de uma irritação latente que fazia as chamas das tochas azuis oscilarem violentamente. Hades estava sentado atrás de sua imensa mesa de mogno negro, cercado por pilhas de relatórios de almas, mas seus olhos não conseguiam se concentrar nos nomes. Sua mente estava fixa nos novos documentos que Hermes, com aquela eficiência irritante e um sorriso de soslaio, havia entregue naquela manhã.

Eram mais registros da juventude de Qin Shi Huang. Mais relatos de excessos, de banquetes que duravam semanas e, o que mais irritava o Deus dos Mortos, descrições detalhadas de como o jovem imperador era "disputado como a joia mais rara do Oriente" por homens e mulheres de todas as castas. Hades, o homem de família, o estrategista calmo, sentia um fogo frio queimar em seu peito. Era um ciúme nobre, mas implacável.

A porta se abriu sem aviso. Qin Shi Huang entrou como se fosse o dono do lugar — e, tecnicamente, ele se considerava o dono de qualquer lugar onde estivesse. Ele usava suas vestes imperiais leves, o tecido deslizando sobre seu corpo com uma elegância que sempre testava a paciência de Hades.

— Hades! — exclamou Qin, abrindo os braços e exibindo as unhas de metal que brilhavam sob a luz espectral. — Você está trancado aqui há horas. O Grande Eu exige sua atenção. Onde está o vinho que Hermes prometeu?

Hades levantou o olhar lentamente. A aura de poder que ele emanava era tão densa que Qin parou a poucos passos da mesa.

— Você quer atenção, Qin? — A voz de Hades era um sussurro perigoso. — Eu estava lendo sobre a sua "atenção". Parece que, aos vinte e dois anos, você não era tão seletivo. Dizem aqui que você transformou o Templo Ancestral em um... como eles chamam? Um "jardim de prazeres carnais" para celebrar a colheita.

Qin soltou uma risadinha, embora tenha sentido um calafrio de antecipação. Ele caminhou até a mesa e sentou-se na borda, bem em cima de uma pilha de documentos importantes.

— Ah, isso? — Qin inclinou-se para frente, o rosto a centímetros do de Hades. — Foi uma celebração necessária para o moral das tropas. Eu já lhe disse, um rei deve ser generoso. Você está com raiva por causa de papéis velhos, meu querido marido?

— Eu estou farto da sua insolência — disse Hades, levantando-se tão abruptamente que a cadeira pesada voou para trás.

Antes que Qin pudesse reagir com uma de suas frases de efeito, Hades agarrou-o pela cintura e o girou, jogando-o de costas sobre a mesa de trabalho. O som de papéis voando e tinteiros tremendo preencheu a sala. Qin soltou um arquejo de surpresa, mas seus olhos brilharam com o desafio que ele tanto amava.

— Hades... — Qin começou, mas o deus não permitiu que ele terminasse.

Hades rasgou a túnica de seda de Qin com uma força que não deixava espaço para delicadezas. O contraste era brutal: a pele clara e marcada de Qin contra a madeira escura da mesa, cercada pelos registros burocráticos de Helheim. Hades não estava sendo o marido gentil agora; ele era o Rei do Submundo reivindicando o que era seu por direito de conquista.

— Se você gosta tanto de registros e de ser o centro das atenções — rosnou Hades, enquanto desabotoava as próprias vestes com urgência —, vamos dar a este escritório algo real para registrar.

O ato foi imediato e avassalador. Hades possuía Qin ali mesmo, no meio da papelada, ignorando a importância dos documentos que agora estavam sendo amassados sob o corpo do imperador. Qin gritava, sua voz ecoando pelas paredes de pedra, as mãos agarrando-se à borda da mesa com tanta força que suas unhas de metal deixavam sulcos profundos na madeira.

Era explícito, cru e desprovido de qualquer etiqueta real. Hades não parava, cada estocada era uma resposta a cada linha que ele lera nos arquivos de Hermes. Ele queria que Qin sentisse apenas ele, que cada fibra do corpo do humano reconhecesse que nenhum general ou poeta do passado poderia se comparar ao Deus dos Mortos.

— Diga meu nome — ordenou Hades, sua voz rouca de desejo e possessividade.

— Ha... Hades! — Qin gritou, a cabeça jogada para trás, os olhos revirando enquanto o prazer e a intensidade da dominação o atingiam como um golpe físico. — Mais... não pare!

A mesa rangia sob o peso e o ritmo frenético. Papéis manchados de tinta e suor voavam pelo chão. Qin sentia-se como se estivesse sendo consumido por um vulcão. A sinestesia toque-espelho fazia com que ele sentisse a própria fúria de Hades dentro de si, amplificando o êxtase até o ponto da agonia. Quando o ápice chegou, foi como uma explosão que deixou ambos trêmulos e sem fôlego entre os escombros da burocracia divina.

Hades afastou-se lentamente, observando Qin desmilinguido sobre a mesa, o peito subindo e descendo em espasmos. O deus recuperou a compostura com uma rapidez assustadora, ajeitando suas vestes enquanto olhava para o imperador com uma calma vitoriosa.

— Agora — disse Hades —, saia da minha mesa. Tenho trabalho a fazer.

Qin piscou, ainda atordoado. Ele tentou se apoiar nos cotovelos, mas seus músculos pareciam feitos de gelatina. Com um esforço hercúleo de sua vontade real, ele deslizou para fora da mesa. Assim que seus pés tocaram o chão de mármore frio, suas pernas cederam.

Qin caiu de joelhos com um baque surdo, soltando um curto grito de dor e surpresa. Ele tentou se levantar, mas o tremor em suas coxas era incontrolável. Ele era o Primeiro Imperador, o homem que desafiou deuses, mas ali, no chão do escritório de Hades, ele era apenas um homem quebrado pelo prazer.

Hades caminhou até ele, parando diante do imperador caído. Ele não o ajudou a levantar. Em vez disso, ele se inclinou, pegando Qin pelo queixo e forçando-o a olhar para cima.

— Parece que o grande imperador não consegue nem ficar de pé — provocou Hades, um sorriso cruel e belo brincando em seus lábios.

— Eu... eu só preciso de um momento — ofegou Qin, tentando manter a dignidade enquanto sua visão ainda dançava.

Hades não deu esse momento. Ele viu a vulnerabilidade de Qin e, em vez de piedade, sentiu uma nova onda de desejo. Ele puxou Qin pelos cabelos de forma firme, obrigando-o a se posicionar de quatro no chão frio.

— Hades, espere... — Qin tentou protestar, mas o deus já estava atrás dele novamente.

— Eu decido quando terminamos, Qin — sussurrou Hades em seu ouvido.

A segunda rodada foi ainda mais punitiva que a primeira. No chão de mármore, sem o conforto da mesa ou da cama, Qin foi levado ao seu limite absoluto. Ele soluçava de prazer e dor, o corpo tremendo violentamente a cada movimento de Hades. O submundo parecia vibrar com a intensidade do encontro. Quando Hades finalmente terminou, ele deixou Qin caído no chão, uma massa trêmula de pele suada e exaustão.

O deus observou-o por um longo tempo. A raiva havia passado, substituída por um afeto profundo e possessivo. Ele se inclinou e, desta vez, pegou Qin nos braços com uma delicadeza surpreendente.

— Chega por hoje — murmurou Hades.

Ele carregou Qin até a sala de banho adjacente. A água já estava morna, preparada por servos que sabiam melhor do que interromper o rei. Hades lavou Qin pessoalmente, limpando o suor, a tinta e os vestígios de seu encontro. Qin mal conseguia manter os olhos abertos, sua cabeça pendendo no ombro de Hades enquanto a água removia a tensão, mas não a dor profunda em seus músculos e articulações.

— Você é... um bruto — murmurou Qin, a voz quase inaudível.

— E você é meu — respondeu Hades, secando-o com uma toalha de linho fino.

Hades levou-o de volta para os aposentos reais. Ele abriu seu imenso guarda-roupa e tirou uma de suas próprias camisas formais — uma peça de seda negra e fios de prata, gigantesca para o porte de Qin. Ele vestiu o imperador com a camisa, que batia no meio das coxas dele, deixando-o com um aspecto quase vulnerável, se não fosse pelo brilho eterno de orgulho em seus olhos.

Hades o deitou na cama — uma nova, trazida às pressas após o incidente anterior — e o cobriu com um edredom de penas de fênix. Qin soltou um gemido quando suas costas tocaram o colchão macio.

— Dói — admitiu Qin, fechando os olhos com força.

— Eu sei — disse Hades, sentando-se na beira da cama e passando a mão pelos cabelos negros de Qin. — É para você se lembrar de quem é o seu verdadeiro soberano. Aqueles papéis sobre o seu passado... eles não significam nada. Eles são cinzas. Isso — ele gesticulou para o corpo de Qin sob sua camisa — é real.

Qin soltou um suspiro longo e dolorido, acomodando-se nos travesseiros. Ele sentia cada centímetro de seu corpo pulsar, uma dor latente que o impedia de se mover, mas que também o fazia se sentir estranhamente vivo.

— Hades... — chamou Qin, sem abrir os olhos.

— Sim?

— Se você quebrar essa cama também... eu vou fazer você dormir no estábulo com os cavalos de Ares.

Hades soltou uma risada baixa e melodiosa, inclinando-se para beijar a testa de seu imperador.

— Durma, Qin. Amanhã você poderá tentar ser o rei novamente. Mas esta noite, você é apenas meu.

Qin não respondeu; ele já havia mergulhado em um sono profundo e pesado. Hades permaneceu ali por um tempo, vigiando o homem que havia conquistado a China e, de alguma forma, o coração de pedra do Rei do Submundo. Ele sabia que, quando Qin acordasse, ele voltaria a ser arrogante, desafiador e insuportável. Mas, por enquanto, ele estava ali, marcado, exausto e vestindo as cores de Hades. E para o Deus dos Mortos, esse era o único registro histórico que realmente importava.