Dance with Me.
Sinfonia de Pele e Sombras
A chuva lá fora havia decidido se transformar em um rugido constante, lavando as janelas do quarto de Rio com uma violência que isolava o mundo exterior. Dentro, o ar estava carregado, denso com o cheiro de sândalo, suor e a eletricidade residual de um desejo que não se contentava com apenas um ato. A festa lá embaixo era agora um fantasma distante; os convidados haviam partido ou caído em sonos ébrios pelos sofás, mas ali, no santuário de madeira escura e veludo, o tempo havia parado.
Michael estava sentado sobre os calcanhares no centro da cama, o peito subindo e descendo com uma força que denunciava que sua energia estava longe de esgotar. Ele observava Rio, que estava deitado de costas, o cabelo cacheado espalhado pelos travesseiros como uma mancha de tinta escura. Rio parecia um aristocrata caído, a elegância habitual substituída por uma languidez crua, a pele pálida brilhando sob a luz âmbar.
— Você achou que eu tinha terminado? — perguntou Michael. Sua voz não era mais o sussurro gentil que o mundo conhecia; havia uma autoridade nova nela, uma nota grave que ressoava como um contrabaixo em uma sala vazia.
Rio abriu os olhos devagar, um sorriso predatório e exausto surgindo em seus lábios. Ele estendeu a mão, tocando o joelho de Michael.
— Eu esperava que não — Rio respondeu, a voz rouca, arrastada pelo prazer e pelo vinho. — O jazz nunca termina no primeiro improviso, Michael. Ele pede repetição. Ele pede profundidade.
Michael moveu-se com uma rapidez que pegou Rio de surpresa. Em um segundo, ele estava sobre o músico novamente, mas desta vez não havia a hesitação da primeira vez. Michael agarrou os pulsos de Rio e os prendeu acima da cabeça dele contra a cabeceira de madeira. A força não era para machucar, mas para marcar território.
— Então vamos ver o quão profundo você consegue ir — sussurrou Michael, antes de descer o rosto para o abdômen de Rio.
O que se seguiu foi uma exploração agressiva e devota. Michael usava a língua como se estivesse compondo uma melodia complexa na pele de Rio, descendo centímetro por centímetro. Rio arqueou as costas, um gemido longo escapando de sua garganta quando sentiu a boca de Michael envolver sua intimidade. O contraste entre a suavidade da voz de Michael e a urgência de sua boca era quase insuportável. Rio fechou os olhos, sentindo-se como um instrumento sendo tocado por um mestre que sabia exatamente quais notas apertar para extrair o grito mais puro.
Rio sentia cada movimento rítmico, a pressão das mãos de Michael em suas coxas, a maneira como o cantor o explorava com uma curiosidade voraz. Era uma entrega absoluta. Alexander Rio Valentino, o homem que sempre controlava a narrativa, agora era apenas o som que Michael decidia criar.
— Michael... — Rio arfou, as unhas arranhando a madeira da cabeceira. — Deus, Michael...
De repente, um grito abafado veio do corredor, seguido por batidas rítmicas na parede adjacente.
— PELO AMOR DE TUDO O QUE É ANALÓGICO! — A voz de Niko atravessou a porta, carregada de irritação e sono. — FAÇAM MENOS BARULHO! Eu estou tentando dormir no quarto de hóspedes e parece que tem uma gravação de percussão experimental acontecendo aí dentro! Se eu ouvir mais um gemido em dó sustenido, eu entro aí com um balde de gelo!
Michael parou por um segundo, o rosto ainda próximo à pele de Rio, e os dois congelaram. O silêncio durou três batidas de coração antes que ambos explodissem em risadas abafadas contra os lençóis. A tensão erótica não quebrou, mas ganhou uma camada de cumplicidade proibida.
— Ele nunca desliga, não é? — sussurrou Michael, olhando para Rio com os olhos brilhando de diversão maligna.
— Nunca — Rio respondeu, puxando Michael para cima pelo colarinho da camisa que ainda restava. — Mas se ele quer silêncio, vamos dar a ele algo que o deixe sem palavras.
Rio inverteu as posições com um movimento ágil, sentando-se no colo de Michael. Ele pegou a mão do cantor e a levou à boca, mordiscando a ponta dos dedos antes de olhar profundamente nos olhos escuros de Michael.
— Eu quero sentir tudo de novo — disse Rio. — Sem pressa. Sem plateia. Só o som da sua respiração.
Michael envolveu a cintura de Rio, puxando-o para mais perto até que não houvesse ar entre eles. O segundo round foi mais intenso, mais visceral. Não havia mais a timidez da descoberta; havia a agressividade de quem já conhece o caminho e quer conquistar cada palmo de terra. Rio se entregava à passividade com uma volúpia aristocrática, deixando que Michael o guiasse, o virasse, o possuísse com uma energia que parecia vir de uma fonte inesgotável.
Os movimentos eram rítmicos, sincronizados com a chuva que ainda castigava o telhado. Rio sentia o suor de Michael pingar em suas costas, o calor da pele do outro queimando a sua. Cada estocada era uma nota alta, cada beijo no pescoço era um acorde menor. Eles estavam criando algo que nenhuma Polaroid poderia capturar de verdade: a fusão de duas solidões que finalmente haviam encontrado um porto seguro.
— Você é meu — Michael sussurrou no ouvido de Rio, a voz carregada de uma possessividade que Rio nunca imaginou que o "Anjo do Pop" possuísse.
— Sempre fui — Rio respondeu, a voz falhando enquanto o ápice o atingia como uma onda gigante. — Desde a primeira nota, Michael. Sempre fui seu.
Quando o silêncio finalmente retornou ao quarto, ele era pesado e doce. Eles estavam entrelaçados, os corpos exaustos e brilhantes de suor. Rio sentia o coração de Michael batendo contra suas costas, um metrônomo perfeito.
— Niko vai nos matar amanhã — comentou Michael, a voz sonolenta.
— Deixe que ele tente — Rio respondeu, tateando a mesa de cabeceira até encontrar seu caderno. Com a mão trêmula, ele escreveu apenas uma linha antes de deixar a caneta cair:
"O silêncio do Michael é a música mais barulhenta que já ouvi."
Ele guardou uma bala de laranja na boca de Michael, um selo de doçura para uma noite de intensidades, e deixou que o sono, finalmente, os levasse para longe do mundo, da fama e de qualquer coisa que não fosse o calor um do outro.