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Dance with Me.

Frequências de Cetim e o Som do Silêncio

A porta finalmente se fechou, silenciando o eco da risada estridente de Niko e o burburinho que ainda subia do andar de baixo. O clique da fechadura soou como o ponto final em uma frase longa e caótica. No quarto, restou apenas o som da chuva — agora uma cortina densa de água que transformava as janelas em espelhos negros e distorcidos — e a respiração pesada dos dois.

Rio estava sentado na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos cobrindo o rosto. O frescor do ar que entrava pela fresta da varanda trazia o cheiro de terra molhada e asfalto frio, um contraste gritante com o calor que ainda emanava de seu corpo. Ele sentiu o colchão afundar levemente ao seu lado.

— Ele se foi — disse Michael, sua voz soando como um sussurro de seda na penumbra. — Acho que a Zelda finalmente ganhou o cabo de guerra pelo bolo.

Rio soltou uma risada abafada por entre os dedos e finalmente olhou para o lado. Michael estava sentado com as pernas cruzadas, a jaqueta de seda vermelha agora jogada sobre uma poltrona de veludo. Sob a luz âmbar, a pele de Michael parecia ter uma luminescência própria. Havia uma calma nova nele, uma determinação silenciosa que Rio raramente via fora dos palcos.

— Eu deveria estar horrorizado — murmurou Rio, passando a mão pelo cabelo bagunçado e sentindo o latejar suave da bebida em suas têmporas. — O engenheiro de som mais fofoqueiro da Califórnia tem uma Polaroid minha em uma posição... comprometedora. Minha reputação de aristocrata do jazz está em ruínas, Michael.

Michael estendeu a mão e tocou o ombro nu de Rio. Seus dedos eram longos e firmes, e o toque enviou uma onda de eletricidade que fez os pelos dos braços de Rio se arrepiarem.

— Sua reputação é feita de mistério, Rio — Michael disse, aproximando-se até que seus rostos estivessem a poucos centímetros. — E mistérios sobrevivem a tudo. Até ao Niko. Além disso... eu não quero mais falar sobre ele. Ou sobre música. Ou sobre o mundo.

Rio observou os olhos de Michael. Naquela proximidade, ele podia ver as nuances de âmbar e café nas íris dele, a intensidade de um homem que passara a vida sendo observado, mas que agora, pela primeira vez, estava realmente vendo alguém. Alexander Rio Valentino, o homem que sempre tinha uma resposta inteligente, o mestre das palavras e das nuances, sentiu-se subitamente desarmado. Ele sempre fora o condutor, o mestre de cerimônias de seus próprios desejos. Mas ali, sob o olhar de Michael, ele sentiu uma vontade avassaladora de simplesmente... ceder.

— O que você quer, Michael? — perguntou Rio, sua voz baixando para uma oitava quase inaudível, carregada de uma vulnerabilidade que ele raramente permitia que escapasse.

Michael não respondeu com palavras. Ele deslizou a mão do ombro de Rio para a sua nuca, os dedos se perdendo nos cachos escuros e úmidos. Com uma pressão suave, mas inegável, ele empurrou Rio para trás, forçando-o a deitar-se contra os travesseiros de veludo. Michael moveu-se com a agilidade de um dançarino, ficando por cima dele, as mãos apoiadas de cada lado da cabeça de Rio.

— Eu quero que você pare de pensar — sussurrou Michael. — Eu quero ser o ritmo que você segue. Só por esta noite.

Rio sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Havia uma força em Michael que a maioria das pessoas nunca chegava a conhecer — uma vontade de ferro que ele usava para moldar sua arte, e que agora estava direcionada inteiramente para o homem abaixo dele. Rio relaxou os músculos, deixando a cabeça pender para trás, expondo a linha da garganta.

— Então tome o controle — murmurou Rio, fechando os olhos. — A partitura é sua.

Michael inclinou-se e começou a beijar o pescoço de Rio. Não eram beijos tímidos. Eram toques possessivos, marcando a pele com uma urgência que fazia Rio arfar. A língua de Michael traçou o contorno da orelha de Rio, enviando choques de prazer que pareciam sincronizados com os trovões distantes lá fora.

As mãos de Michael desceram pelo peito de Rio, sentindo a batida acelerada do coração do músico. Ele parou nas costelas, as pontas dos dedos traçando as linhas do corpo de Rio como se estivesse memorizando uma nova coreografia. Quando as mãos de Michael encontraram o cós da calça de Rio, ele não hesitou. Com movimentos precisos, ele terminou de abrir o zíper e deslizou o tecido para baixo, expondo Rio completamente à luz suave do quarto.

Rio soltou um suspiro trêmulo, suas mãos subindo para os braços de Michael, agarrando o tecido da camisa dele. Ele se sentia exposto, não apenas fisicamente, mas de uma forma que ia muito além da pele. Era a entrega de um homem que sempre precisou estar no comando para se sentir seguro, mas que agora encontrava segurança justamente em perder esse comando para a pessoa certa.

Michael afastou-se por um momento, apenas o suficiente para tirar a própria camisa. O corpo dele era esguio e definido, a pele impecável brilhando sob a luz. Ele voltou para Rio, o calor de sua pele contra a de Rio criando uma fricção que era puro êxtase.

— Você é tão lindo, Rio — Michael murmurou, os olhos fixos nos dele enquanto suas mãos começavam a explorar as coxas de Rio. — Eu sinto que estou tocando algo que não deveria pertencer à terra.

— E eu sinto que estou finalmente voltando para casa — Rio respondeu, sua voz embargada.

Michael começou a descer pelo corpo de Rio, seus beijos tornando-se mais ousados, mais profundos. Ele explorou o abdômen de Rio, a curva dos quadris, cada centímetro de pele com uma curiosidade devota. Rio arqueava o corpo, os dedos enterrados nos lençóis de cetim, a cabeça balançando de um lado para o outro. O som da chuva lá fora parecia aumentar de volume, uma percussão natural que preenchia os espaços entre os gemidos de Rio.

— Michael... por favor — Rio pediu, sua voz carregada de uma necessidade que ele não conseguia mais esconder.

Michael levantou o olhar, um sorriso pequeno e predatório brincando em seus lábios. Ele subiu novamente, posicionando-se entre as pernas de Rio. Ele pegou uma das mãos de Rio e a levou aos lábios, beijando a palma onde as linhas da vida e do coração se cruzavam.

— Relaxe para mim — Michael comandou suavemente. — Deixe-me entrar.

O momento da união foi como um acorde perfeito que resolve uma tensão de séculos. Rio soltou um grito abafado contra o ombro de Michael, as unhas cravando-se nas costas do cantor. A sensação de preenchimento era avassaladora, uma conexão física que transcendia o desejo e tornava-se algo espiritual. Michael moveu-se com uma paciência deliberada, cada empuxo rítmico e profundo, focado inteiramente na reação de Rio.

Rio estava perdido. O mundo havia se reduzido àquele quarto, àquele homem e àquela sensação. Ele se sentia como uma nota de jazz sustentada, vibrando sob a pressão das mãos de Michael. Ele abriu os olhos e encontrou os de Michael fixos nos seus. Naquele olhar, não havia o ídolo, não havia a lenda. Havia apenas um homem amando outro, com toda a intensidade e a dor que a verdadeira arte exige.

— Olhe para mim, Rio — Michael sussurrou, o suor brilhando em sua testa. — Sou eu. Sou só eu.

— Eu estou vendo — Rio conseguiu dizer, as lágrimas de prazer e emoção começando a escorrer pelos cantos de seus olhos. — Eu nunca vi nada tão real.

O ritmo acelerou. A chuva lá fora transformou-se em um dilúvio, mas dentro do quarto, o calor era quase insuportável. Rio sentia cada movimento de Michael como uma nota de uma melodia que ele nunca quis que terminasse. Ele se entregou completamente, deixando que Michael o guiasse através do clímax, uma explosão de cores e sons que parecia iluminar a escuridão de Los Angeles.

Quando finalmente aconteceu, foi como se o universo tivesse parado de girar por um milésimo de segundo. Rio desabou contra o colchão, o peito subindo e descendo em espasmos, enquanto Michael se deitava sobre ele, escondendo o rosto em seu pescoço, a respiração de ambos criando uma harmonia ofegante no silêncio que se seguiu.

Minutos se passaram. A chuva diminuiu para uma garoa suave, o som relaxante de gotas batendo nas folhas das árvores do jardim de Rio. O cheiro de sexo e suor misturava-se ao perfume de sândalo que Rio sempre usava. Michael moveu-se devagar, saindo de cima de Rio e deitando-se ao seu lado, puxando o edredom de seda sobre os dois.

Rio ainda estava processando a intensidade do que ocorrera. Ele sentia-se leve, como se tivesse sido purificado pelo fogo. Ele virou a cabeça para olhar para Michael. O cantor estava com os olhos fechados, uma expressão de paz absoluta em seu rosto que Rio raramente via nas fotos de revista.

— Você está bem? — perguntou Rio, sua voz voltando ao tom aveludado, mas agora carregada de uma ternura infinita.

Michael abriu os olhos e sorriu. Foi o sorriso mais verdadeiro que Rio já vira.

— Eu me sinto... completo — Michael respondeu, estendendo a mão para acariciar o rosto de Rio. — Como se eu tivesse acabado de escrever a música mais importante da minha vida. Mas ela não precisa de gravação. Ela está salva aqui dentro.

Rio pegou a mão de Michael e a beijou. Ele esticou o braço até a mesa de cabeceira e, por puro hábito, tateou até encontrar seu caderno de couro e uma caneta.

— O que você vai escrever agora? — Michael perguntou, observando-o com curiosidade.

Rio olhou para a página em branco por um momento. Ele pensou na Polaroid no bolso de Niko, na chuva, no sabor de Michael e na forma como o silêncio agora parecia a melodia mais bonita do mundo.

— Nada sobre música — disse Rio, escrevendo apenas algumas palavras no canto da folha.

"Às vezes, o maior palco do mundo é o silêncio de um quarto onde duas almas finalmente se encontram sem máscaras."

Ele fechou o caderno e o deixou de lado. Michael aproximou-se, aninhando a cabeça no peito de Rio. Rio passou o braço ao redor dele, sentindo o calor reconfortante do corpo de Michael.

— Rio? — Michael chamou baixinho, já quase pegando no sono.

— Sim, Michael?

— Você ainda tem uma daquelas balas de laranja?

Rio riu, um som suave e feliz que ecoou pelo quarto escuro.

— Eu sempre tenho, Michael. Mas agora... agora eu acho que nós dois já temos doçura suficiente por uma noite.

Michael soltou um suspiro satisfeito e fechou os olhos. Rio ficou acordado por mais algum tempo, ouvindo a respiração rítmica de Michael e o som da chuva que finalmente parava. Ele sabia que o amanhã traria o caos, as gravadoras, o lançamento de "Thriller" e a pressão esmagadora da fama. Mas ali, naquele amanhecer de vidro e cetim, Alexander Rio Valentino não era um aristocrata do jazz e Michael Jackson não era o Rei do Pop. Eles eram apenas dois homens que tinham encontrado, na vulnerabilidade um do outro, a única verdade que realmente importava.

E no fim das contas, Rio pensou enquanto o sono finalmente o vencia, o Niko podia ficar com a Polaroid. Algumas imagens eram poderosas demais para serem reveladas em papel; elas só podiam ser vividas, nota por nota, toque por toque, no eterno agora de uma madrugada sem fim.