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Delena para sempre

Promessas de Recomeço e o Eco do Passado

A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas pesadas do quarto de Damon, banhando o casal em um brilho suave e dourado. Elena despertou lentamente, sentindo o calor do corpo de Damon contra o seu. O peso do braço dele sobre sua cintura era o lembrete físico de que ela não estava mais presa em um sono mágico. Ela estava viva, era humana e, acima de tudo, estava com ele.

Ela se virou nos braços dele, observando as feições relaxadas de Damon enquanto ele dormia. Por um momento, a dor da perda de Stefan ameaçou nublar sua felicidade, mas ela sabia que Stefan teria querido exatamente isso: que eles vivessem.

— Você está me encarando — murmurou Damon, a voz rouca de sono, sem sequer abrir os olhos. Um sorriso convencido brincou em seus lábios.

Elena riu baixinho, acariciando o rosto dele.

— Só estou conferindo se você é real.

Damon abriu os olhos, aquele azul intenso focando nela com uma adoração que tirava o fôlego de Elena. Ele a puxou para mais perto, beijando sua testa.

— Sou real, Elena. E não vou a lugar nenhum.

Eles ficaram ali por um tempo, aproveitando a quietude, até que Elena se lembrou de algo que a intrigava desde que voltara a Mystic Falls.

— Damon... como você conseguiu? — perguntou ela, a voz suave. — A casa Gilbert... eu vi as luzes ontem à noite, de longe. Como você conseguiu reconstruí-la?

Damon suspirou, passando a mão pelos cabelos negros.

— Digamos que eu não tinha muita coisa para fazer enquanto você tirava a sua soneca de beleza forçada pelo Kai. Eu precisava de um projeto, algo que me mantivesse ocupado e que, no final, trouxesse você de volta para casa, de todas as formas possíveis.

Elena sentiu o coração apertar. A ideia de Damon dedicando seu tempo para reconstruir o lugar onde ela cresceu era o gesto mais romântico que ela poderia imaginar.

— Eu reconstruí a estrutura, Elena. Mas não escolhi os móveis. Achei que você gostaria de fazer isso. Quero que a casa tenha a sua alma, não apenas as minhas memórias de como ela era.

Elena sorriu, as lágrimas já começando a brilhar em seus olhos castanhos.

— Leve-me lá. Agora.

Damon não discutiu. Eles se vestiram rapidamente e dirigiram pelas ruas familiares de Mystic Falls. Quando o carro parou em frente ao terreno onde a casa Gilbert um dia ardera em chamas, Elena perdeu o fôlego. Diante dela, estava a réplica exata da casa de sua infância. Cada detalhe da varanda, as janelas, a inclinação do telhado... era perfeito.

— Damon, é idêntica — sussurrou ela, saindo do carro como se estivesse em transe. — Como você conseguiu ser tão preciso?

Damon caminhou até ela, parando ao seu lado com as mãos nos bolsos, um brilho de orgulho nos olhos.

— Bem, ser um vampiro tem suas vantagens, mesmo quando você está planejando se tornar humano. Eu contratei os melhores trabalhadores e, bem... entrei na cabeça de cada um deles. Eu projetei minhas memórias da casa, cada centímetro que eu lembrava de quando vinha te ver ou de quando brigava com o Stefan na sua sala. Hipnotizei todos para que seguissem o plano à risca. Sem erros, sem desculpas.

Elena virou-se para ele, jogando os braços ao redor de seu pescoço. Ela o beijou com uma intensidade que falava de gratidão, amor e uma profunda admiração pelo homem que ele se tornara.

— Você é incrível — disse ela entre os beijos.

— Eu sei, eu sei — respondeu ele com seu sarcasmo habitual, mas o modo como ele a segurava revelava sua vulnerabilidade.

Elena caminhou até a varanda e sentou-se nos degraus. De repente, uma enxurrada de lembranças a atingiu. Ela viu a si mesma correndo pelo gramado com Jeremy; viu Jenna saindo pela porta com sua bolsa de estudos; sentiu o cheiro do café de seu pai e ouviu a risada de sua mãe. Lembrou-se de John, de suas conversas com Bonnie e Caroline naquele mesmo lugar, e de quando conheceu Stefan e Damon. As lágrimas caíram, mas desta vez não eram apenas de dor. Eram lágrimas de cura.

— Obrigada por me devolver isso, Damon.

Ele sentou-se ao lado dela, envolvendo-a em seus braços.

— É apenas o começo, Elena.

Depois de passarem a manhã na casa, planejando cores de paredes e tecidos para sofás, eles voltaram para a Mansão Salvatore. O clima era de antecipação. Com o período de férias da faculdade se aproximando, Damon tinha planos ambiciosos.

— Nós vamos viajar — anunciou ele enquanto entravam na biblioteca. — Uma espécie de lua de mel antecipada. Antes de você se enfurnar nos livros de medicina e eu virar um dono de bar respeitável.

Elena riu, sentando-se na mesa de carvalho.

— Um dono de bar respeitável? Você comprou o bar perto da faculdade, não foi?

— E a casa — confirmou Damon, servindo-se de um pouco de bourbon, embora agora bebesse menos. — Você disse que queria uma vida estável em cinco anos. Já se passaram quatro. Eu pretendo cumprir o prazo. Nova York é barulhenta demais, então escolhi aquele lugar mais ao norte, como conversamos. É perfeito para você estudar e para eu... bem, ser eu.

Elena sentiu uma onda de felicidade. Damon estava realmente construindo o futuro que eles haviam sonhado.

— Eu quero ver o mundo com você, Damon.

— E você vai. Eu tenho cento e sessenta e dois anos de experiência em viagens. Conheço os melhores lugares, os vinhos mais caros e as vistas mais bonitas. Mas nenhuma vista chega perto da sua.

Eles passaram a tarde arrumando as malas, trocando beijos rápidos entre uma peça de roupa e outra. A urgência de estarem juntos ainda era palpável, uma chama que não diminuía.

Ao cair da noite, o calor do verão da Virgínia pediu um banho refrescante. Damon começou a encher a banheira de hidromassagem no andar de cima, adicionando sais e óleos que perfumaram o ambiente. Elena entrou no banheiro, deixando suas roupas caírem pelo caminho.

A luz das velas dançava nas paredes enquanto ela entrava na água, onde Damon já a esperava. Ela se acomodou entre as pernas dele, sentindo as mãos grandes e firmes dele começarem a massagear seus ombros.

— Você está tensa — comentou ele, beijando a curva de seu pescoço.

— É apenas muita coisa acontecendo. Muita felicidade de uma vez. Às vezes tenho medo de acordar e ser outro sonho.

Damon a virou para que ela ficasse de frente para ele. A água morna envolvia seus corpos, e o contato da pele era elétrico.

— Não é um sonho, Elena. Eu sou seu, e você é minha.

Ele a beijou, um beijo que começou lento e profundo, mas que rapidamente se transformou em algo mais urgente. Elena amava fazer amor com Damon na banheira; havia algo na fluidez da água que parecia imitar a conexão entre eles. Ela era a gasolina para o fogo dele, e a combustão era inevitável.

Damon percorreu o corpo dela com a boca, deixando rastros de calor por onde passava. Cada toque era carregado de uma paixão que parecia nova e, ao mesmo tempo, eterna. Quando ele a penetrou, Elena soltou um suspiro longo, enterrando o rosto no ombro dele. Sentir Damon dentro dela era como encontrar o norte, era a certeza de que ela estava exatamente onde deveria estar.

Para Damon, a sensação era igualmente avassaladora. Sentir o aperto de Elena, o calor de seu corpo e a batida acelerada de seu coração o fazia sentir-se mais vivo do que qualquer década como vampiro jamais fizera. Ele a segurava com uma possessividade terna, querendo gravar cada detalhe daquele momento em sua alma.

— Eu nunca vou te deixar — sussurrou ele contra os lábios dela, o ritmo de seus movimentos tornando-se mais intenso.

— Nunca — prometeu ela, enlaçando o pescoço dele com força.

O ápice chegou para ambos como uma explosão de sentidos, deixando-os ofegantes e abraçados enquanto a água da banheira se acalmava. Eles permaneceram assim por muito tempo, apenas sentindo o suor misturar-se à água, o cheiro um do outro tornando-se o seu oxigênio.

Eventualmente, eles terminaram o banho, trocando carícias suaves e risos baixos. Elena vestiu uma das camisas de botão de Damon, que ficava grande e confortável nela, enquanto ele desceu para preparar um jantar simples.

Sentados à mesa da cozinha, comendo e conversando sobre os países que visitariam — Paris, Roma, talvez uma parada em Tóquio —, eles pareciam um casal comum, e essa era a maior vitória de todas.

— Amanhã começa a nossa aventura — disse Damon, segurando a mão dela sobre a mesa.

— Mal posso esperar.

Depois do jantar, eles subiram para o quarto. O cansaço da emoção do dia finalmente os atingiu. Damon deitou-se e Elena se aninhou em seu peito, ouvindo a batida constante do coração dele.

— Damon? — chamou ela baixinho, já quase pegando no sono.

— Sim, Elena?

— Obrigada por me esperar.

Damon sorriu na escuridão, beijando o topo da cabeça dela e apertando o abraço.

— Eu esperaria mil anos, se fosse preciso.

E ali, abracadinhos na segurança da mansão que vira tanto sangue e dor, eles finalmente encontraram o silêncio da paz. Amanhã o mundo os esperava, mas naquela noite, o universo deles se resumia apenas ao calor um do outro. Eles adormeceram com a promessa silenciosa de que, independentemente do que o futuro trouxesse, eles o enfrentariam lado a lado, como fogo e gasolina, consumindo a vida com toda a intensidade que o amor deles exigia.