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Delena para sempre

Entre o Azul do Mar e o Brilho do Diamante

O sol da manhã sobre a costa amalfitana tinha um tom de dourado que Elena nunca tinha visto em nenhum livro de artes ou fotografia. O ar cheirava a sal, limões frescos e à colônia amadeirada de Damon, que parecia se misturar perfeitamente à brisa do Mediterrâneo. Eles estavam em uma villa privativa, um refúgio que Damon havia garantido que fosse o mais isolado e luxuoso possível.

Elena estava encostada no parapeito da varanda, vestindo apenas um robe de seda branca, observando as ondas quebrarem suavemente contra as rochas abaixo. Ela sentiu mãos familiares envolverem sua cintura, e o calor do peito de Damon pressionou suas costas, afastando qualquer resquício de frio matinal.

— A vista é bonita, não é? — perguntou Damon, a voz ainda rouca, depositando um beijo úmido atrás da orelha dela.

— É indescritível, Damon — respondeu ela, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás, encontrando o ombro dele. — Às vezes eu esqueço que o mundo é tão grande.

— Eu te disse — ele murmurou, apertando-a um pouco mais. — Cento e sessenta e dois anos viajando me ensinaram onde ficam os melhores esconderijos. Mas, honestamente? Eu trocaria toda essa vista por você sentada na varanda daquela casa em Mystic Falls.

Elena virou-se nos braços dele, passando as mãos pelos cabelos negros e bagunçados de Damon. Os olhos azuis dele brilhavam com uma clareza que ela só via quando eles estavam sozinhos, longe dos dramas sobrenaturais que haviam definido suas vidas por tanto tempo.

— Nós vamos voltar para lá logo — disse ela, sorrindo. — Mas primeiro, eu quero aproveitar cada segundo dessa nossa "quase" lua de mel.

Damon sorriu, aquele sorriso torto que costumava irritá-la e que agora era o seu porto seguro.

— "Quase" é uma palavra que eu pretendo riscar do nosso vocabulário muito em breve, Elena Gilbert.

Eles tomaram o café da manhã na varanda, trocando risadas e planos para o dia. Damon queria levá-la para um passeio de barco, explorar grutas escondidas e jantar em um restaurante que só era acessível pelo mar. Elena, por outro lado, parecia feliz apenas em observá-lo, fascinada pela forma como ele parecia ter se adaptado tão bem à humanidade, embora ainda mantivesse aquele fogo selvagem no olhar.

Mais tarde, enquanto o barco cortava as águas cristalinas, Elena sentiu uma liberdade que nunca experimentara. Ela se levantou, deixando o vento bagunçar seus cabelos castanhos, sentindo o sol queimar suavemente sua pele clara. Damon estava no leme, parecendo um capitão que tinha acabado de encontrar o seu tesouro mais precioso.

— Você está muito silencioso — notou Elena, aproximando-se dele.

— Só estou pensando — disse ele, voltando o olhar para ela. — Em como a vida é engraçada. Eu passei décadas sendo o vilão, o irmão problemático, o monstro debaixo da cama. E agora, aqui estou eu, preocupado se o protetor solar é fator cinquenta e se o vinho está na temperatura certa.

Elena riu e o abraçou de lado, descansando a cabeça no braço forte dele.

— Você nunca foi apenas o vilão, Damon. Você só precisava de alguém que visse o que estava escondido. E Stefan viu primeiro. Ele sabia que você chegaria aqui.

O nome de Stefan trouxe um breve momento de melancolia, um suspiro compartilhado entre os dois. Mas não era uma tristeza que os afundava; era um tributo silencioso ao homem que tornara aquele momento possível.

— Ele sabia — concordou Damon, a voz suave. — E é por isso que eu não posso desperdiçar nem um segundo.

Quando o sol começou a se pôr, tingindo o céu de tons de rosa, laranja e violeta, Damon ancorou o barco em uma pequena baía isolada. O jantar estava servido no convés, sob a luz de lanternas pequenas que ele havia preparado cuidadosamente. O silêncio era interrompido apenas pelo som da água batendo no casco do barco.

Elena estava radiante em um vestido azul marinho que acentuava suas curvas, o corpo definido refletindo a saúde e a vitalidade de sua nova vida. Damon, vestindo uma camisa de linho branca entreaberta, parecia mais jovem, mais leve.

— Elena — começou Damon, depois que terminaram de jantar. Ele se levantou e caminhou até a borda do barco, olhando para o horizonte por um momento antes de se voltar para ela.

— O que foi, Damon? Você está agindo de um jeito estranho desde o café — disse ela, levantando-se também, o coração começando a acelerar.

Damon deu um passo à frente, pegando as mãos dela nas suas. A pele branca dele parecia quase brilhar sob a luz da lua que começava a surgir.

— Sabe, eu passei muito tempo esperando por você. Quatro anos de um sono que parecia uma eternidade. E antes disso, passei séculos procurando por algo que me fizesse sentir vivo. Eu achei que era a Katherine, depois achei que era a vingança contra o meu pai... mas era você. Sempre foi você.

Elena sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Ela tentou falar, mas ele colocou um dedo sobre os lábios dela, pedindo silêncio.

— Eu comprei aquela casa perto da faculdade porque quero que você realize todos os seus sonhos. Quero que você seja a médica mais brilhante que o mundo já viu. Quero estar lá quando você chegar exausta de um plantão e ter o jantar pronto. Quero brigar com você sobre quem vai levar o lixo para fora e quem vai escolher o filme na sexta à noite.

Damon ajoelhou-se em um movimento fluido, tirando uma pequena caixa de veludo negro do bolso. Quando a abriu, um diamante solitário capturou a luz das estrelas, brilhando com uma intensidade quase mágica.

— Elena Gilbert, você é a minha vida. Você é o meu fogo, a minha gasolina, a minha redenção. Você aceita se casar comigo e me aturar pelos próximos sessenta ou setenta anos, até que a gente fique bem velhinho e ranzinza?

Elena levou a mão à boca, soltando um soluço de alegria. As lágrimas agora corriam livremente pelo seu rosto moreno.

— Sim! — exclamou ela, a voz embargada. — Mil vezes sim, Damon!

Ele deslizou o anel no dedo dela e se levantou, envolvendo-a em um abraço que a tirou do chão. Eles se beijaram com uma paixão renovada, um beijo que selava não apenas um compromisso, mas o início oficial da vida que Stefan havia morrido para lhes dar.

— Eu te amo tanto que chega a doer — sussurrou Damon contra o pescoço dela, sentindo o cheiro de sua pele, uma mistura de sol e lavanda.

— E eu te amo mais do que as palavras podem dizer — respondeu ela, apertando-o contra si.

Eles voltaram para a villa sob a luz do luar, a adrenalina do noivado correndo por suas veias. O desejo, que sempre fora uma constante entre eles, ardia com uma força renovada. Assim que entraram no quarto, Damon não perdeu tempo. Ele a prensou contra a porta fechada, suas mãos explorando cada curva do corpo dela através do tecido fino do vestido.

— Minha noiva — murmurou ele, a palavra soando como uma promessa sagrada.

— Sua — confirmou Elena, puxando a camisa dele com urgência.

Eles se moveram para a cama grande, onde os lençóis de seda pareciam convidar ao toque. Damon a despiu com uma reverência quase religiosa, admirando cada centímetro de sua pele clara sob a luz suave do abajur. Elena retribuiu, beijando o peito dele, sentindo os músculos definidos sob seus lábios, o calor que emanava dele como uma fornalha.

Quando seus corpos finalmente se uniram, foi como se o mundo lá fora deixasse de existir. Não havia passado, não havia Kai, não havia dores antigas. Havia apenas o ritmo urgente de Damon, a forma como ele a preenchia e a fazia sentir-se a mulher mais desejada do universo. Elena o envolvia com suas pernas, puxando-o para mais perto, querendo fundir sua alma à dele.

— Damon... — ela gemeu o nome dele, as unhas cravando-se levemente nas costas dele enquanto o prazer a atingia em ondas avassaladoras.

Ele a olhou nos olhos, aquele azul intenso encontrando o castanho profundo, e naquele momento de vulnerabilidade absoluta, ambos souberam que nunca mais estariam sozinhos. O suor brilhava em seus corpos, o som de suas respirações pesadas era a única música na sala.

Depois, exaustos e satisfeitos, eles ficaram deitados, as pernas entrelaçadas sob os lençóis. Elena repousava a cabeça no peito de Damon, observando como o diamante em seu dedo brilhava mesmo na penumbra.

— Você já pensou em como vai ser? — perguntou ela baixinho, traçando círculos no peito dele.

— Como o quê vai ser? — Damon perguntou, acariciando os cabelos dela.

— A nossa vida. A faculdade, o bar, a casa nova... os filhos.

Damon ficou em silêncio por um momento, a ideia de ter filhos, de criar uma nova geração de Salvatores que não conhecessem o peso do sangue, era algo que ele ainda estava processando.

— Vai ser perfeita — disse ele com convicção. — Vai ter caos, porque somos nós, e provavelmente vamos discutir sobre a cor das cortinas ou sobre eu dar bourbon escondido para os nossos filhos quando eles tiverem idade... ou talvez um pouco antes.

Elena deu um tapa leve no braço dele, rindo.

— Damon!

— O quê? Eu sou um Salvatore, Elena. A tradição é importante.

Eles riram juntos, um som leve que preencheu o quarto.

— Mas falando sério — continuou ele —, vai ser a vida que a gente escolheu. Sem feitiços, sem originais, sem caçadores. Apenas Damon e Elena. E isso é mais do que eu jamais ousei esperar.

— Nós prometemos — disse Elena, levantando o rosto para olhá-lo. — Nunca mais nos separar.

— Nunca mais — jurou ele, beijando-a suavemente nos lábios.

Eles adormeceram assim, abracadinhos, enquanto o mar Mediterrâneo continuava sua dança eterna lá fora. A lua de mel estava apenas começando, e o resto de suas vidas humanas estava logo ali, no horizonte, esperando para ser vivido com a mesma intensidade de um fogo que nunca se apaga. Damon Salvatore tinha encontrado sua paz, e Elena Gilbert tinha encontrado seu lar. E em algum lugar, talvez em uma clareira ensolarada além do véu, um irmão mais novo sorria, sabendo que seu sacrifício tinha valido cada segundo de eternidade.