Desabrochando
Ecos no Depósito e o Gosto do Pecado
O ar no pequeno depósito de materiais de limpeza parecia ter se tornado sólido, eletrizado pela tensão que finalmente se rompera. Mizi não estava apenas beijando Sua; ela estava reivindicando cada centímetro de silêncio que a garota de gelo tentara manter. O beijo era faminto, uma mistura de urgência e um desejo que vinha sendo cozinhado em banho-maria desde o primeiro encontro no refeitório.
Mizi pressionou o joelho com ainda mais força entre as pernas de Sua, sentindo a resistência da saia plissada e a umidade que começava a denunciar a entrega da outra. Sua soltou um suspiro agudo, as mãos apertando o colarinho do uniforme de Mizi como se sua vida dependesse daquele apoio. Ela se separou por um segundo, os lábios inchados e o olhar completamente perdido, a máscara de frieza estilhaçada no chão de cimento.
— Mizi... você... a gente vai mesmo fazer isso aqui? — Sua sussurrou, a voz trêmula, os olhos buscando os de Mizi em meio à penumbra.
Mizi deu um sorriso predatório, mas estranhamente doce, enquanto seus dedos traçavam o contorno do maxilar de Sua.
— Eu não aguento mais esperar, boneca. O barulho aqui dentro tá alto demais.
Sem dar tempo para mais hesitações, Mizi atacou o pescoço de Sua. Seus lábios e dentes encontraram a pele macia, deixando marcas que seriam impossíveis de esconder. Sua arqueou o corpo, a cabeça tombando para trás, batendo levemente na prateleira de metal.
As mãos de Mizi, ágeis e impacientes, desceram para os botões da blusa branca de Sua. Um a um, eles foram cedendo, revelando a pele pálida que parecia brilhar na luz fraca. Mizi afastou o tecido e o sutiã rendado, mergulhando o rosto entre os seios de Sua, distribuindo beijos úmidos e mordidas leves que faziam a garota de cabelos escuros tremer da cabeça aos pés.
— Mizi, espera... — Sua tentou dizer, a voz falhando miseravelmente quando sentiu a mão de Mizi deslizar por baixo de sua saia. — Vai devagar... é a minha primeira vez...
Mas Mizi estava em outro plano. O desejo a guiava de forma implacável.
— Eu vou cuidar de você — prometeu Mizi contra a pele dela.
No segundo seguinte, Mizi contornou o elástico da calcinha de Sua e mergulhou dois dedos de uma vez. Sua soltou um grito sufocado, o corpo travando com a invasão súbita e intensa. Foi rápido, foi forte, e por um momento Sua sentiu como se estivesse sendo rasgada ao meio, mas a dor foi rapidamente atropelada por uma onda de prazer tão violenta que ela perdeu o fôlego.
— Deixa sair, Sua — Mizi incentivou, movendo os dedos com uma destreza rítmica, logo adicionando um terceiro, preenchendo-a completamente. — Eu quero ouvir você. Esquece o silêncio.
Sua não teve escolha. Ela se agarrou aos ombros de Mizi, as unhas cravando na pele da garota rosa. Ela começou a gemer, suspiros altos e descompassados que ecoavam pelas paredes estreitas do depósito. Cada estocada dos dedos de Mizi parecia eletrizar seus nervos, e o joelho de Mizi, ainda pressionando sua vulva por cima do tecido, criava um atrito que a levava à beira do abismo.
— Mizi... ah, Mizi! — Sua gemia no ouvido da outra, o hálito quente e o som de seu nome sendo pronunciado com tanto desespero fazendo Mizi intensificar os movimentos.
Mizi adorava cada som. Adorava a forma como a "irmã de gelo" estava derretendo em seus braços, transformando-se em puro fogo. O ápice veio rápido e devastador. Sua sentiu as pernas fraquejarem e o corpo ser tomado por espasmos involuntários enquanto gozava, o prazer explodindo em cores atrás de suas pálpebras fechadas.
Antes que Sua pudesse sequer processar a descida da adrenalina, ela sentiu Mizi se ajoelhar à sua frente.
— O que você... — Sua começou, mas a frase morreu quando sentiu a língua de Mizi entrar em contato direto com sua intimidade.
Sua levou a mão à boca instantaneamente, abafando um grito que certamente atravessaria as paredes do bloco de artes. A sensação era avassaladora. Mizi a limpava com uma dedicação quase religiosa, lambendo e sugando com uma intensidade que fazia Sua querer gritar o nome dela para o mundo todo ouvir.
— M-mizi... — O nome saiu abafado entre seus dedos, carregado de uma satisfação tão profunda que Mizi sorriu contra a pele úmida de Sua.
Mizi levantou-se alguns minutos depois, limpando o canto da boca com as costas da mão, os olhos brilhando com uma satisfação triunfante. Ela ajudou Sua a se recompor, fechando os botões de sua blusa com uma delicadeza que contrastava com a fúria de instantes atrás. Sua ainda estava trêmula, as bochechas tingidas de um vermelho vivo que não sairia tão cedo.
— Você está bem? — Mizi perguntou, arrumando uma mecha do cabelo de Sua.
— Eu... eu acho que minhas pernas esqueceram como funcionam — Sua respondeu, soltando uma risada nervosa, a primeira risada verdadeiramente leve que Mizi já ouvira dela.
— Vem, vamos voltar antes que o Luka chame a polícia ou o Ivan comece a derrubar as portas.
Elas saíram do depósito tentando manter a compostura. Mizi caminhava com seu jeito despojado de sempre, embora o brilho em seus olhos fosse impossível de esconder. Sua caminhava um pouco mais devagar, ajeitando a gola da blusa freneticamente para esconder o que sabia que estava lá.
Quando chegaram ao pátio onde o grupo estava reunido, o clima de ressaca ainda pairava, mas a tensão mudou assim que elas se aproximaram.
— Finalmente! — exclamou Hyuna, que agora comia um pacote de salgadinhos. — Onde vocês se meteram?
— A gente se perdeu no caminho da enfermaria — mentiu Mizi, sentando-se ao lado de Till, que ainda usava óculos escuros.
Ivan, que estava encostado em uma pilastra mastigando um chiclete, não disse nada a princípio. Seus olhos percorreram Mizi e depois pararam em Sua. Ele estreitou os olhos, observando a irmã. Sua tentou desviar o olhar, mas o movimento de sua mão para ajeitar a gola foi o que a entregou.
Ivan deu um passo à frente, os olhos fixos em uma mancha arroxeada que aparecia logo abaixo da mandíbula de Sua.
— Sua... o que é isso no seu pescoço? — Ivan perguntou, a voz baixa e perigosa.
Sua congelou. Mizi engoliu em seco, mas não perdeu a pose.
— Deve ter sido um mosquito, Ivan. Um mosquito bem grande — Mizi brincou, já se preparando para correr.
Ivan olhou para Mizi. O entendimento brilhou em seus olhos e, por um segundo, a frieza habitual foi substituída por uma indignação fraternal explosiva.
— MIZI! EU VOU TE MATAR! — Ivan gritou, saltando por cima de um banco.
— SOCORRO! O GELO TÁ QUEBRANDO! — Mizi gritou, já em disparada pelo pátio, rindo alto enquanto Ivan corria atrás dela com uma agilidade surpreendente.
O grupo caiu na gargalhada. Till quase caiu da cadeira de tanto rir, o que piorou sua dor de cabeça, e Hyuna começou a filmar a perseguição com o celular.
— VAI, IVAN! PEGA ELA! — incentivava Hyuna.
Sua sentou-se à mesa, escondendo o rosto nas mãos, mas por trás dos dedos, ela sorria. O silêncio que ela tanto protegera fora substituído por algo muito melhor: o barulho de uma vida que ela finalmente estava começando a viver.
Luka sentou-se ao lado dela, oferecendo um suco.
— Você parece... diferente, Sua — comentou o nerd, com um brilho de compreensão por trás das lentes dos óculos.
— Eu estou — Sua respondeu, olhando para Mizi, que agora fazia zig-zag entre os alunos no pátio, fugindo de um Ivan furioso. — Eu finalmente aprendi a gostar de morango.
No final das contas, Mizi acabou sendo encurralada perto do ginásio, mas Ivan não a matou. Ele apenas a encarou por um longo tempo antes de suspirar e dizer que, se ela magoasse a irmã dele, ele apagaria a existência digital dela da face da terra. Mizi apenas riu e o abraçou, o que o deixou ainda mais irritado, mas ele não a afastou.
A tarde na escola Anakt terminou com o grupo reunido, o caos da festa de Hyuna finalmente dando lugar a uma nova dinâmica. Mizi e Sua trocavam olhares cúmplices por cima das mesas, e o gelo, que antes parecia eterno, agora era apenas uma lembrança derretida sob o calor de um amor que acabara de começar, barulhento e imperfeito, exatamente como deveria ser.