Descendentes
O Domador de Labirintos
A porta do dormitório de Luis fechou-se com um clique surdo, selando o mundo exterior e todo o drama das últimas horas do lado de fora. O silêncio que se seguiu não era pesado, mas carregado de uma eletricidade estática que fazia os pelos dos braços de Max se arrepiarem. O Chapeleiro, ainda vibrando com a adrenalina da vitória sobre Red e o confronto com as Madrigal, jogou sua cartola sobre a escrivaninha com um movimento fluido, começando a desabotoar o colete aveludado.
— Sabe, Amore — Max começou, sua voz recuperando o tom sarcástico e rápido que era sua marca registrada —, eu realmente deveria cobrar por serviços de consultoria de crise. O que eu fiz hoje foi uma obra de arte. A cara da Red quando o holograma apareceu... foi divina. Eu quase senti pena. Quase.
Max virou-se, esperando encontrar o sorriso bobo e agradecido de Luis, aquele olhar de "Golden Retriever" que sempre o recebia. Mas Luis não estava sorrindo. Ele estava encostado na porta, os braços cruzados sobre o peito maciço, observando Max com uma intensidade que o menor raramente via. Não havia hesitação naquela postura, nem a timidez desajeitada que Luis exibia nos corredores da Auradon Prep.
— Max — disse Luis. Sua voz estava um oitava mais grave, um som que vibrou diretamente no plexo solar de Max.
— Sim, meu grandão? — Max tentou manter o tom leve, mas sentiu um frio na barriga.
Luis deu um passo à frente. O espaço entre eles, que geralmente Max controlava com suas caminhadas inquietas, foi encurtado em um segundo. O Madrigal não parou até que seus peitos quase se tocassem. Ele era uma parede de músculos e calor, e Max, pela primeira vez no dia, sentiu sua mente analítica falhar.
— Você falou demais hoje — Luis murmurou, baixando o rosto para que seus lábios ficassem a centímetros da orelha de Max. — Você protegeu meu nome, enfrentou minha mãe e manipulou a situação como o gênio que você é.
Max soltou uma risadinha nervosa, sentindo o hálito quente de Luis contra sua pele.
— Alguém tinha que fazer o trabalho sujo, não é? Você estava ocupado demais tendo um colapso nervoso por causa de um puxão de orelha.
Luis segurou o queixo de Max com os dedos grandes, forçando-o a olhar para cima. Os olhos escuros de Luis estavam fixos nos dele, sem a doçura habitual, mas com uma determinação faminta.
— Eu estava — admitiu Luis —. Mas agora o colapso passou. E eu não quero mais ouvir sobre a Red, nem sobre a minha mãe, nem sobre o quão inteligente você acha que é.
Max arqueou uma sobrancelha, o desafio brilhando em seus olhos claros.
— Ah, é? E o que o senhor "Gentileza em Pessoa" quer fazer a respeito? Vai me pedir educadamente para calar a boca?
Luis não respondeu com palavras. Em um movimento rápido e fluido que desmentia seu tamanho, ele segurou a cintura de Max e o ergueu, sentando-o na beira da mesa de carvalho. O impacto suave fez os frascos de tinta e as penas de Max chocalharem. Luis se posicionou entre as pernas do namorado, as mãos agora espalmadas na mesa, prendendo Max em um círculo de aço.
— Eu não vou pedir — disse Luis, a voz agora um sussurro rouco. — Você passou o dia inteiro no controle, Max. Planejando, gravando, defendendo. Mas aqui dentro, você não precisa ser o Chapeleiro.
Max sentiu a garganta secar. Ele adorava a força de Luis, a forma como o namorado o fazia se sentir pequeno e protegido, mas havia momentos, como este, em que Luis deixava a natureza gentil de lado e assumia o controle absoluto. E Max, o mestre dos labirintos mentais, descobria que não queria encontrar a saída.
— Você está tentando me intimidar, Madrigal? — Max sussurrou, as mãos subindo para os ombros largos de Luis, sentindo a tensão nos músculos sob a camisa de treino. — Porque eu sou terrivelmente difícil de assustar.
— Eu não quero te assustar, Max — Luis inclinou-se, roçando o nariz no dele —. Eu quero que você pare de pensar. Só por um momento.
Luis selou seus lábios nos de Max em um beijo que não tinha nada de gentil. Era possessivo, profundo e carregado da gratidão e do desejo que ele vinha acumulando durante toda a tarde. Max soltou um gemido baixo, os dedos cravando-se nos ombros de Luis enquanto ele se entregava ao ritmo. As mãos de Luis deixaram a mesa e subiram pelas coxas de Max, puxando-o para mais perto, até que não houvesse um milímetro de ar entre eles.
Max sentia-se flutuar. Ele, que vivia em um mundo de engrenagens e chás, era agora apenas um conjunto de sensações disparadas pelo toque de Luis. O Madrigal interrompeu o beijo para trilhar um caminho de beijos úmidos pelo pescoço de Max, parando exatamente onde a pulsação do Chapeleiro estava mais acelerada.
— Você é tão barulhento aqui dentro — murmurou Luis contra a pele de Max, a mão subindo para a nuca do menor, os dedos se perdendo nos fios bagunçados. — Mas eu sei como te fazer silenciar.
— Tente — desafiou Max, a respiração curta.
Luis soltou um sorriso de canto, um brilho perigoso nos olhos. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar Max de cima a baixo.
— Você gosta de ser o dono da situação, não gosta? De saber o que vai acontecer antes de todo mundo. Mas agora, Max, você não faz ideia do que eu vou fazer com você.
Luis o pegou no colo com uma facilidade desconcertante, como se Max não pesasse mais do que uma pluma, e o carregou em direção à cama. Ele o deitou nos lençóis e, antes que Max pudesse dizer qualquer frase sarcástica, Luis estava sobre ele, prendendo seus pulsos acima da cabeça com apenas uma mão.
Max olhou para cima, os olhos arregalados, o peito subindo e descendo rapidamente. A visão de Luis, o gigante gentil, dominando-o daquela forma era a coisa mais inebriante que ele já havia experimentado.
— Luis... — o nome saiu como um suspiro.
— Shh — Luis interrompeu, inclinando-se para morder levemente o lóbulo da orelha de Max. — Sem planos agora. Sem estratégias. Apenas eu e você.
As horas seguintes foram um borrão de calor e entrega. Luis, geralmente tão cuidadoso para não usar sua força excessiva, permitiu-se ser firme. Ele prendeu Max entre seus braços, usou seu peso para ancorar o namorado na realidade e explorou cada centímetro do corpo do Chapeleiro com uma paciência predatória. Max, por sua vez, descobriu que o silêncio que Luis prometera era a melhor música que já ouvira. Sua mente, sempre tão cheia de cálculos e preocupações com princesas e ilhas, finalmente ficou em branco.
Quando a noite caiu sobre Auradon e a lua começou a espiar pelas janelas, eles estavam deitados, entrelaçados sob os lençóis bagunçados. O suor esfriava em suas peles e a respiração de Luis estava voltando ao normal, um som rítmico contra o topo da cabeça de Max.
Max estava aninhado no peito de Luis, sua mão traçando padrões aleatórios nos músculos abdominais do namorado. Ele se sentia exausto, mas de uma forma maravilhosa.
— O Golden Retriever voltou? — Max perguntou em voz baixa, um resquício de seu deboche habitual retornando.
Luis soltou uma risada baixa, o peito vibrando sob a bochecha de Max. Ele apertou o braço ao redor da cintura do Chapeleiro, puxando-o para um beijo preguiçoso na têmpora.
— Ele nunca foi embora, Max. Ele só... tirou uma folga. Você precisava de um tempo fora da sua própria cabeça.
— Eu precisava — admitiu Max, fechando os olhos e aproveitando o calor. — Mas não conte a ninguém que você consegue me calar desse jeito. Eu tenho uma reputação de "impossível de controlar" a manter.
— Seu segredo está seguro comigo — Luis murmurou, a voz voltando a ficar doce e gentil. — Mas não se esqueça, Max. Eu sou um Madrigal. Eu aguento o peso do mundo se for preciso. Aguentar você é a parte fácil.
Max sorriu contra a pele de Luis.
— Você é um convencido.
— E você é meu — rebateu Luis.
— Sim — concordou Max, o sono finalmente começando a puxá-lo. — Eu sou. E ai de quem tentar dizer o contrário.
Luis beijou o topo da cabeça de Max mais uma vez, sentindo o corpo do namorado relaxar completamente em seus braços. Ele sabia que, na manhã seguinte, Max voltaria a ser o gênio sarcástico e possessivo, pronto para enfrentar qualquer desafio que Auradon Prep lançasse contra eles. Mas ali, naquele momento, Max era apenas o garoto que ele amava, o único que conhecia a força real escondida sob a gentileza do gigante.
O quarto estava mergulhado na penumbra, o único som era o da respiração compassada de ambos. Max Hatter finalmente tinha encontrado algo que não precisava analisar, calcular ou proteger com armadilhas mentais. Ele tinha Luis. E Luis era mais do que suficiente.
— Boa noite, Chapeleiro — sussurrou Luis.
— Boa noite, Amore — respondeu Max, quase em um suspiro, antes de mergulhar em um sono sem sonhos, protegido pelo maior e mais doce tesouro que a Ilha ou Auradon jamais poderiam oferecer.