Desde cedo
Marcas de Propriedade e Labirintos de Prazer
O suor secava na pele de Amaia, deixando uma sensação de frescor contrastante com o calor que ainda emanava do corpo de Damon sobre o dela. O quarto da fraternidade, antes um campo de batalha de testosterona e desejo, agora parecia uma bolha isolada do resto do mundo. Lá embaixo, a batida da música eletrônica ainda podia ser sentida como um pulso distante, mas ali, o único ritmo que importava era a respiração pesada de Damon contra seu pescoço.
Ele não se moveu imediatamente. Damon gostava de sentir o peso de sua vitória, o modo como o corpo de Amaia se moldava perfeitamente ao dele, apesar da diferença de trinta centímetros de altura. Ele era uma muralha de músculos, e ela, uma pequena força da natureza que o desarmava com um simples erguer de sobrancelhas.
— Você está pesando, brutamontes — sussurrou Amaia, embora suas mãos ainda estivessem perdidas nos cabelos curtos da nuca dele, acariciando os fios com uma ternura que ela jamais admitiria em voz alta.
Damon soltou um riso anasalado, um som sombrio e vibrante que ecoou no peito dela. Ele se apoiou nos cotovelos, olhando para baixo. A luz que vinha da fresta da cortina iluminava apenas metade do rosto dele, destacando o maxilar esculpido e os olhos que, mesmo após o ápice, mantinham uma intensidade predatória.
— Se eu sair, você vai sentir falta — afirmou ele, a voz rouca e carregada de uma confiança irritante. — Além disso, eu gosto de onde estou.
— Sua arrogância é quase tão grande quanto você, Damon — rebateu ela, recuperando o fôlego e a língua afiada. — Mas não pense que um round em um quarto de hóspedes sujo muda as regras do jogo. Eu ainda não sou sua propriedade.
Os olhos de Damon se estreitaram. Ele deslizou uma das mãos para o pescoço dela, não para apertar, mas para sentir o pulso acelerado de Amaia sob seus dedos. Ele adorava como o corpo dela o traía; ela podia dizer o que quisesse, mas o coração dela batia por ele, frenético e selvagem.
— Você pode repetir isso para si mesma quantas vezes quiser, Amaia — ele disse, aproximando o rosto até que seus narizes se tocassem. — Mas nós dois sabemos que, desde o primeiro dia naquela aula de Introdução ao Direito, você marcou seu território em mim tanto quanto eu marquei em você. Aquela loira lá embaixo? Ela não significa nada. Aqueles caras babando no seu decote? Eles são apenas ruído de fundo.
Amaia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O dark romance que viviam não era feito de flores e promessas gentis; era feito de posse, obsessão e uma necessidade quase doentia de dominar um ao outro. Ela adorava o perigo que ele representava. Damon não era o tipo de namorado que a levaria para tomar sorvete; ele era o tipo que a prenderia contra a parede de um beco escuro só para lembrá-la de quem ela pertencia.
— Você é possessivo demais — ela provocou, deslizando as mãos pelas costas tatuadas dele, sentindo as cicatrizes e os músculos tensos. — Isso é doença, sabia?
— Se for, você é o meu único sintoma — Damon respondeu, antes de morder o ombro dela com força suficiente para deixar uma nova marca.
Amaia soltou um arquejo, metade dor, metade prazer puro. Ela o empurrou levemente, e ele finalmente rolou para o lado, permitindo que ela se sentasse na beira da cama. A saia de couro estava jogada em um canto, e sua blusa parecia um trapo inútil no chão. Ela se sentia exposta, mas sob o olhar faminto de Damon, a exposição era um combustível.
— Onde você pensa que vai? — perguntou ele, a voz voltando ao tom mandão enquanto ele se sentava, encostando as costas na cabeceira de madeira.
— Preciso de um copo d'água. E preciso ver se minhas amigas ainda estão vivas — disse ela, procurando por sua calcinha de renda entre os lençóis bagunçados.
Damon foi mais rápido. Ele pescou a peça de tecido preto e a segurou entre os dedos, balançando-a como um troféu.
— Elas podem esperar. Você não vai a lugar nenhum vestida assim.
— Damon, devolva — ordenou ela, estendendo a mão.
— Venha buscar.
Amaia soltou um suspiro de frustração, mas seus olhos brilhavam. Ela se ajoelhou na cama, engatinhando em direção a ele com uma graciosidade felina. Damon observava cada movimento, o modo como seus seios balançavam levemente e como a curva de seus quadris era o convite mais pecaminoso que ele já havia recebido. Quando ela alcançou a mão dele, Damon a puxou bruscamente pela cintura, fazendo-a cair sobre o colo dele.
— Você gosta de brincar com o perigo, não gosta? — ele sussurrou contra os lábios dela. — Gosta de me ver no limite, querendo te rasgar ao meio.
— Eu gosto de ver você perder o controle, Damon. Gosto de saber que sou a única que consegue transformar o "grande alfa da faculdade" em alguém que implora por um toque.
Damon soltou uma risada sombria, as mãos descendo para as coxas dela, apertando a carne macia com firmeza.
— Eu nunca imploro, Amaia. Eu exijo. E agora, eu exijo que você esqueça que existe uma festa lá embaixo.
— E se eu não quiser? — Ela inclinou a cabeça, o cabelo escuro caindo sobre os ombros pálidos. — E se eu quiser descer, pegar uma bebida e dançar com aquele veterano do time de rúgbi que estava me olhando no bar?
O clima no quarto mudou instantaneamente. A temperatura pareceu cair enquanto a aura de Damon se tornava puramente predatória. Ele a segurou pelo queixo, forçando-a a olhar diretamente para a escuridão de suas pupilas.
— Se você chegar a dois metros daquele imbecil — ele disse, a voz baixa e perigosa —, eu vou tirar você daquela pista na frente de todo mundo e garantir que você não consiga andar por uma semana. Você quer testar a minha paciência, Amaia? Porque eu estou morrendo de vontade de te dar um motivo real para gritar meu nome.
Amaia sentiu um calor úmido entre as pernas. A ameaça dele, em vez de assustá-la, a excitava de uma forma que ela mal conseguia processar. Ela era teimosa, mas sabia exatamente quando tinha ganhado a batalha. Ela o tinha na palma da mão, consumido pelo ciúme e pelo desejo.
— Você é tão previsível quando está com ciúmes — ela zombou, embora tenha passado os braços pelo pescoço dele, colando seus corpos novamente. — Mas eu admito... seu lado possessivo é a coisa mais excitante em você.
Damon não respondeu com palavras. Ele a beijou com uma violência faminta, as mãos explorando cada curva de seu corpo como se estivesse mapeando um território conquistado. Ele a deitou de costas novamente, posicionando-se entre suas pernas com uma urgência renovada.
— Você é minha — ele rosnou entre os beijos. — Diga.
— Eu sou sua, Damon — ela confessou, a voz falhando enquanto sentia a rigidez dele pressionando sua intimidade. — Mas você é meu. Inteiro. Sem loiras, sem vadias, sem distrações.
— Eu sou seu desde o primeiro momento em que você me olhou como se eu fosse nada — ele admitiu, a voz carregada de uma vulnerabilidade rara que ele só mostrava entre quatro paredes. — Você me destruiu, Amaia. E agora eu vou retribuir o favor.
O segundo round foi ainda mais intenso que o primeiro. Não havia mais o jogo de sedução inicial, apenas uma necessidade bruta e faminta de pertencerem um ao outro. Damon a possuía com estocadas profundas e rítmicas, cada movimento acompanhado por um gemido de Amaia que ecoava pelo quarto. Ela cravava as unhas nas costas dele, deixando trilhas vermelhas que eram marcas de sua própria posse.
— Mais... Damon... por favor — ela implorava, a cabeça jogada para trás, o prazer subindo em ondas cegantes.
Ele a virou de costas, segurando seus quadris com força, os dedos deixando marcas arroxeadas na pele clara. Damon se movia como um animal, focado apenas no som que ela fazia e na sensação de estar dentro dela. O contraste entre a delicadeza de Amaia e a força bruta de Damon criava uma sinfonia de luxúria que parecia não ter fim.
Quando o ápice finalmente os atingiu, foi como uma explosão. Amaia gritou o nome dele, o corpo tremendo em espasmos incontroláveis, enquanto Damon se desfazia dentro dela com um rugido abafado contra o travesseiro. Eles desabaram juntos, um emaranhado de membros e suor, os corações batendo em um uníssono frenético.
Algum tempo depois, o silêncio retornou. Damon estava deitado de lado, observando Amaia enquanto ela tentava recuperar a compostura. Ele esticou a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela.
— Você vai descer agora? — perguntou ele, o tom de voz quase casual, mas com um brilho de desafio nos olhos.
Amaia olhou para ele, um sorriso malicioso surgindo em seus lábios inchados. Ela olhou para o próprio corpo, cheio de marcas que Damon havia deixado como um aviso para qualquer outro homem.
— Acho que não estou em condições de dançar — ela admitiu, sentindo o latejar prazeroso entre as pernas. — Além disso, você acabou com a minha maquiagem e meu cabelo está um desastre.
— Bom — disse Damon, puxando o lençol para cobri-los. — Porque eu não planejo deixar você sair deste quarto até o sol nascer.
— Você é um ditador, sabia?
— E você é a única rebelde que eu faço questão de manter em cativeiro — ele respondeu, fechando os olhos e puxando-a para mais perto, o nariz enterrado em seus cabelos.
Amaia sorriu, sentindo-se estranhamente segura nos braços daquele homem perigoso. Ela sabia que o relacionamento deles era tóxico, intenso e beirava a loucura, mas no mundo cinzento da faculdade, Damon era a única coisa que a fazia se sentir verdadeiramente viva. A guerra de poder continuaria na manhã seguinte, nos corredores e nas salas de aula, mas por enquanto, no escuro daquele quarto, havia apenas a paz selvagem de duas almas que se pertenciam da forma mais obscura possível.
— Damon? — ela chamou baixinho, quase pegando no sono.
— Hum?
— Se você olhar para aquela loira amanhã na aula... eu vou fazer questão de sentar no colo do capitão do time de rúgbi bem na sua frente.
Damon soltou um suspiro pesado, mas Amaia sentiu o sorriso dele contra sua pele.
— Dorme, Amaia. Antes que eu decida que você ainda tem energia demais para falar.
Ela riu baixinho e fechou os olhos, sabendo que tinha a última palavra. Pelo menos por aquela noite.