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Desde cedo

Labirintos de Obsessão e o Gosto do Perigo

A luz da manhã infiltrava-se pelas frestas da persiana, cortando o quarto com lâminas de claridade que denunciavam a bagunça da noite anterior. Roupas espalhadas, o cheiro metálico de sexo e o perfume amadeirado de Damon impregnado nos lençóis. Amaia acordou com o peso de um braço possessivo circulando sua cintura, a mão grande dele espalmada contra seu ventre como se, mesmo dormindo, ele precisasse garantir que ela não escaparia.

Ela tentou se mexer, mas o aperto dele apenas se intensificou. Damon soltou um grunhido baixo, o rosto enterrado na curvatura do pescoço dela.

— Nem pense nisso — a voz dele saiu como um trovão rouco, carregada de sono e autoridade.

— Damon, eu tenho aula de Economia em quarenta minutos — resmungou Amaia, embora não estivesse fazendo um esforço real para sair dali. — E você tem treino.

— O treino pode esperar. E você não vai a lugar nenhum com essas marcas no pescoço sem que eu decida como você vai escondê-las — ele disse, finalmente abrindo os olhos e encarando-a com aquela intensidade que a fazia sentir-se minúscula e, ao mesmo tempo, a única mulher no mundo.

Amaia virou-se no abraço, ficando de frente para ele. A luz realçava as tatuagens no peito dele e a pequena cicatriz na sobrancelha que lhe dava um ar ainda mais perigoso. Ela passou a ponta dos dedos pelo lábio inferior dele, que estava levemente inchado por causa das mordidas dela.

— Você adora marcar território, não é? — provocou ela, um sorriso de lado brincando em seus lábios. — É assim que você lida com a insegurança de saber que eu posso ter quem eu quiser?

Damon segurou o pulso dela com uma rapidez predatória, puxando a mão dela para longe de seu rosto e prendendo-a contra o colchão. Ele se inclinou sobre ela, os 1,90m de puro músculo fazendo sombra sobre seu corpo pequeno.

— Insegurança? — Ele soltou uma risada sombria, os olhos escuros fixos nos dela. — Não confunda posse com insegurança, Amaia. Eu sei exatamente o que eu tenho. E eu sei que, depois de ontem à noite, nenhum outro homem nesta faculdade chegaria perto de você sem sentir o cheiro do que eu fiz com você.

— Você fala como se eu fosse um objeto — ela rebateu, arqueando as costas para sentir o calor dele. — Mas lembre-se, Damon: eu deixo você pensar que manda. É um jogo, e eu sou muito melhor nisso do que você imagina.

Damon desceu o olhar para os seios dela, cobertos apenas parcialmente pelo lençol, e sentiu o familiar aperto de desejo no baixo ventre. Ele não se cansava dela. Era uma fome que parecia aumentar a cada provocação, a cada olhar de desafio que ela lançava.

— Se é um jogo, então vamos aumentar as apostas — ele sussurrou, a mão livre descendo pela lateral do corpo dela, parando na curva do quadril onde seus dedos deixaram marcas ontem. — Hoje à noite tem a festa de recepção dos veteranos. Eu quero você lá. Mas com uma condição.

— Eu não aceito condições, Damon. Você deveria saber disso — disse ela, embora seus olhos brilhassem com a curiosidade.

— Você vai usar o vestido que eu deixei na sua bolsa. Sem calcinha. E vai passar a noite inteira sabendo que, a qualquer momento, eu posso te levar para um canto escuro e terminar o que começamos aqui.

Amaia sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. A audácia dele era irritante, mas a ideia de caminhar por uma festa lotada sob o olhar vigilante dele, sabendo do segredo por baixo do vestido, era uma tentação à qual ela não conseguia resistir.

— E o que eu ganho em troca por seguir suas regrinhas de ditador? — perguntou ela, puxando-o pelo pescoço para que seus lábios quase se tocassem.

— Você ganha a minha exclusividade — ele rosnou, o rosto a milímetros do dela. — Nenhuma outra garota vai chegar perto de mim. Eu serei seu guarda-costas, seu dono e seu pior pesadelo, tudo ao mesmo tempo.

— Feito — sussurrou ela, selando o acordo com um beijo que começou lento e logo se tornou uma batalha de línguas e dentes.

A faculdade durante o dia era um cenário completamente diferente. Nos corredores de mármore e nas salas de aula lotadas, Damon e Amaia mantinham uma distância calculada, mas a tensão entre eles era quase palpável. Quando se cruzavam no pátio, Damon estava sempre cercado por seus amigos atletas e pelas garotas que tentavam desesperadamente sua atenção. Ele não sorria, mantendo a expressão de frieza e arrogância que era sua marca registrada.

Amaia, por sua vez, caminhava com a confiança de quem sabia que tinha o rei do campus na palma da mão. Ela usava uma gola alta para esconder as marcas de Damon, mas o brilho em seus olhos era impossível de ocultar.

Durante a aula de Direito Penal, ela sentiu o celular vibrar no bolso da calça.

*“Pare de morder o lábio enquanto lê. Isso está me deixando louco e eu estou três fileiras atrás de você.”*

Ela não se virou. Apenas deu um sorriso imperceptível e digitou a resposta.

*“Vem me calar, então. Ou será que você só é mandão quando estamos sozinhos?”*

Um minuto depois, ela sentiu uma mão pesada em seu ombro. O professor continuava falando sobre teorias de punição, mas o mundo de Amaia se resumiu ao toque de Damon. Ele se inclinou, fingindo pegar uma caneta que "caiu" perto da cadeira dela.

— Você está brincando com fogo na hora errada, Amaia — ele sussurrou no ouvido dela, a voz tão baixa que era apenas um vibração. — Se eu te levar daqui agora, ninguém vai nos impedir.

— Tente — ela desafiou, sem desviar os olhos do quadro negro.

Damon apertou o ombro dela com força suficiente para ser um aviso e voltou para o seu lugar, o sangue fervendo. Ele odiava o quanto ela o controlava com apenas algumas palavras.

A noite chegou com a promessa de caos. O vestido que Damon havia escolhido era de seda verde-esmeralda, com as costas totalmente abertas e uma fenda que subia perigosamente pela coxa esquerda. Quando Amaia se olhou no espelho, sentiu-se como uma arma letal. Ela seguiu a instrução dele: a pele sob a seda estava nua, sensível a cada movimento do tecido.

Ao chegar à festa, o som era ensurdecedor e as luzes neon cortavam a fumaça. Ela não precisou procurar por ele. Damon estava encostado em uma pilastra, vestindo uma camisa preta com os primeiros botões abertos, observando a entrada como um predador à espera da presa. Quando seus olhos encontraram os dela, o mundo pareceu parar.

Ele caminhou em direção a ela, ignorando os cumprimentos de seus colegas de time. O olhar dele percorreu o corpo de Amaia, parando na fenda do vestido e subindo para encontrar o sorriso provocador dela.

— Você é uma visão do inferno, sabia? — ele disse, a voz rouca por cima da música.

— Você disse que eu deveria vir como sua. Achei que o verde combinava com a sua inveja de qualquer cara que ouse olhar para mim — provocou ela, aproximando-se o suficiente para que ele sentisse o perfume dela.

Damon colocou a mão na base das costas nuas de Amaia, o contato da pele quente contra a dele fazendo-o travar o maxilar. Ele a puxou para perto, colando seus quadris.

— Você seguiu a minha condição? — ele perguntou, a mão descendo perigosamente para o início da curva dos glúteos.

Amaia inclinou-se para o ouvido dele, passando a língua levemente pelo lóbulo da orelha antes de sussurrar:

— Por que você não descobre por si mesmo? Mas não aqui. Todo mundo está olhando, Damon. E eu sei o quanto você odeia compartilhar.

O ciúme dele explodiu quando um veterano do time de futebol se aproximou, visivelmente embriagado, colocando a mão no braço de Amaia.

— Ei, gatinha... não te vi por aqui antes. Quer dançar?

Antes que Amaia pudesse responder, Damon já estava entre eles. Com seus 1,90m, ele parecia uma parede intransponível de fúria silenciosa. Ele não gritou; apenas segurou o pulso do cara e o apertou até que o outro ficasse pálido.

— Tire a mão dela — Damon disse, a voz baixa e letal. — Agora.

— Calma, cara... eu não sabia que ela estava com você — gaguejou o veterano, afastando-se rapidamente.

Damon virou-se para Amaia, os olhos brilhando com uma possessividade sombria.

— Eu avisei.

— Você é tão primitivo — ela riu, embora estivesse adorando a cena. — Adora marcar território, não é, lobo mau?

— Chega de jogos — Damon rosnou. Ele a pegou pelo pulso e começou a arrastá-la para fora da pista de dança, em direção aos jardins escuros da mansão da fraternidade.

— Ei! Onde estamos indo? — perguntou ela, embora seus pés seguissem o ritmo dele sem protesto.

— Para algum lugar onde eu possa te lembrar a quem você pertence sem que nenhum idiota interrompa.

Ele a levou para trás de uma sebe alta, onde a música era apenas um eco abafado. Damon a prensou contra o tronco de uma árvore antiga, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça. A luz da lua filtrava-se pelas folhas, criando sombras no rosto dele que o faziam parecer um demônio sedutor.

— Você gosta de me levar ao limite, não gosta? — Ele pressionou o corpo contra o dela, sentindo a ausência de barreiras entre a seda e a pele dela. — Gosta de ver o quanto eu posso suportar antes de quebrar.

— Eu gosto de ver você perder a pose de intocável, Damon — ela ofegou, as pernas se abrindo instintivamente para recebê-lo. — Gosto de saber que, por trás dessa arrogância, existe um homem que morre por um toque meu.

Damon soltou os pulsos dela e desceu as mãos para a fenda do vestido, subindo o tecido até que seus dedos encontrassem a intimidade úmida e quente de Amaia. Ele soltou um rosnado de satisfação ao confirmar que ela estava realmente nua por baixo da seda.

— Você é uma tentação perigosa — ele sussurrou, começando um movimento rítmico com os dedos que fez as pernas de Amaia fraquejarem. — Mas hoje, você vai aprender que toda provocação tem um preço.

— Então me cobra — desafiou ela, puxando o cabelo dele para trás e expondo o pescoço dele. — Eu quero ver do que você é capaz quando não está tentando ser o "bom moço" da faculdade.

Damon riu, um som seco e sem humor.

— Eu nunca fui o bom moço, Amaia. E você está prestes a descobrir o porquê.

Ele a virou de costas para ele, pressionando o rosto dela contra a casca áspera da árvore. Amaia soltou um gemido de surpresa que foi rapidamente abafado pela boca de Damon em sua nuca. Ele levantou o vestido dela completamente, expondo sua nudez ao ar frio da noite.

— Alguém pode nos ver... — ela sussurrou, uma mistura de medo e excitação pura correndo em suas veias.

— Deixe que vejam — rosnou Damon, abrindo o cinto e livrando-se da calça. — Deixe que saibam exatamente de quem você é.

Ele entrou nela de uma vez, uma estocada bruta que a fez gritar contra a árvore. Damon a segurava pelos quadris com uma força que deixaria marcas, movendo-se com uma urgência animal. O contraste entre a seda fina do vestido e a brutalidade do ato era inebriante.

— Damon... mais... — ela implorava, as unhas cravando-se na madeira da árvore enquanto ele a possuía com uma possessividade que beirava a loucura.

— Diga — ele ordenou, a voz vibrando nas costas dela. — Diga de quem você é.

— Eu sou sua... — ela ofegou, o prazer subindo como uma maré incontrolável. — Só sua.

Damon acelerou o ritmo, cada estocada sendo um lembrete de seu domínio. O som da respiração ofegante de ambos e o estalo da pele se chocando eram os únicos ruídos naquele canto isolado. O mundo lá fora, com suas regras e convenções sociais, não existia mais. Havia apenas a escuridão, o desejo e a conexão tóxica que os unia.

Quando o ápice chegou, foi violento e devastador. Amaia sentiu seu corpo contrair-se em ondas de êxtase, enquanto Damon soltava um rugido baixo, enterrando-se nela com toda a sua força. Ele a segurou ali por um longo tempo, ambos ofegantes, os corpos suados apesar do frio da noite.

Damon retirou-se lentamente e ajudou-a a arrumar o vestido, seus movimentos agora estranhamente gentis, embora seus olhos ainda brilhassem com o fogo da posse.

— Agora — ele disse, virando-a para encará-lo e limpando uma lágrima de prazer do rosto dela —, nós vamos voltar para aquela festa. E você vai ficar ao meu lado o tempo todo. Entendido?

Amaia sorriu, recuperando sua máscara de provocação, embora suas pernas ainda tremessem.

— Sim, meu capitão. Mas não pense que isso significa que eu vou parar de te provocar.

Damon deu um beijo castigador nos lábios dela antes de puxá-la de volta para a luz.

— Eu conto com isso. Afinal, a punição é a minha parte favorita.

Eles caminharam de volta para a mansão, de mãos dadas, um casal que exalava perigo e uma paixão sombria que ninguém ousaria desafiar. A faculdade era o palco deles, e eles estavam apenas começando a incendiar tudo ao redor.