Desejo proibido
Fogo Antes do Inverno
O sol da manhã já desenhava faixas douradas sobre os lençóis de linho, iluminando o contraste gritante entre a pele leitosa de Go Younjung e o tom quente, dourado pelo sol dos trópicos, de Vitória. O silêncio que se seguiu ao desabafo era pesado, carregado com a contagem regressiva cruel de um relógio invisível. O voo de Younjung para Seul partia no fim da tarde; o de Vitória para o Rio de Janeiro decolava poucas horas depois.
Doze fusos horários. Oceanos inteiros. Duas realidades inconciliáveis.
Younjung sentia o peito arder. Ela olhou para a garota deitada diante de si — para aqueles lábios cheios, os olhos escuros brilhando de desejo e ternura, a clavícula marcada por beijos da madrugada anterior. Uma onda repentina de revolta, misturada a um desespero quase febril, tomou conta de seus pensamentos. A vida inteira ela havia sido a filha obediente, a atriz disciplinada, o produto impecável de uma sociedade que exigia castidade e discrição. Mas ali, naquele quarto no coração de Paris, a máscara havia caído para sempre.
Se ela estava condenada a voltar para uma jaula de aparências, então que voltasse em cinzas.
— Eu não quero falar sobre Seul — sussurrou Younjung, a voz embargada ganhando uma aspereza inédita, rouca de desejo acumulado.
Vitória piscou, surpresa com a mudança no tom da mulher.
— Younjung...
— Cale a boca — interrompeu a atriz coreana, num impulso impulsivo e corajoso.
Antes que Vitória pudesse processar o choque, Younjung avançou sobre ela. Com uma audácia que ela jamais imaginara possuir, montou nos quadris da brasileira, jogando os cabelos pretos para trás. Seus joelhos prenderam a cintura de Vitória na cama, e as mãos de Younjung desceram com firmeza sobre os ombros nus da mais jovem, cravando as unhas curtas na pele macia.
— Nós vamos embora hoje — disse Younjung em um inglês entrecortado pela respiração acelerada, os olhos fixos nos lábios de Vitória. — Nós nunca mais vamos nos ver. Não minta para mim dizendo que isso é fácil, e não me trate como se eu fosse de vidro.
Vitória engoliu em seco, o ar sumindo de seus pulmões. A visão daquela mulher etérea e refinada dominando-a com tanta fúria e luxúria fazia seu sangue ferver instantaneamente.
— O que você quer, então? — murmurou a garota, a voz saindo grave, os dedos subindo lentamente pelas coxas lisas de Younjung, sentindo o calor ardente que emanava dali.
— Eu quero que você me foda — disparou Younjung, sem hesitar, despindo-se do pudor com a mesma urgência com que arrancara as roupas na noite passada. — Quero você inteira. Sem delicadeza. Sem pensar no amanhã. Quero esquecer meu nome na sua boca até não sobrar nada.
Um sorriso faminto, quase selvagem, curvou os lábios de Vitória.
— Porra, você não tem ideia de como fica linda mandando em mim desse jeito — sussurrou a brasileira em português, a língua materna saindo crua e lasciva.
Num movimento rápido e atlético, Vitória inverteu as posições. Ela agarrou os quadris de Younjung, girando o corpo sobre a cama com força descomunal, prensando a atriz contra os travesseiros macios. Younjung soltou um arquejo quando o peso firme e quente de Vitória cobriu seu corpo esguio.
O primeiro beijo dessa nova investida foi violento, desprovido de qualquer hesitação. Línguas se encontraram em uma dança molhada, urgente e faminta. Vitória sugou o lábio inferior de Younjung com força, mordiscando-o até a mulher gemer alto, as mãos da coreana agarrando os cachos escuros de Vitória para puxá-la ainda mais para perto. Não havia espaço para delicadezas diplomáticas; havia dentes, saliva quente e um atrito constante de peles suadas.
Vitória desceu a boca pelo queixo de Younjung, trilhando uma linha incandescente até o pescoço pálido. Beijou e chupou a pele sensível logo abaixo da mandíbula com força suficiente para deixar uma marca roxa, um sinal invisível para as câmeras de Seul, mas que queimaria a alma de Younjung por meses.
— Você é uma delícia, Younjung... Minha mulher gostosa pra caralho — Vitória murmurava contra a pele suada da outra, alternando entre o português e o inglês, as palavras sujas pingando como combustível em uma fogueira.
Younjung fechou os olhos, arqueando as costas enquanto as mãos calejadas e firmes de Vitória desciam para seus seios. Os polegares da brasileira esfregaram com pressão deliciosa os mamilos já rígidos, beliscando-os de leve. Um gemido agudo e descarado escapou da garganta de Younjung.
— Ah, porra... Vitória, por favor... — implorou Younjung, usando termos que nunca tivera coragem de proferir nem em pensamentos na Coreia.
— Por favor o quê, amor? — provocou a garota, a voz cheia de deboche e volúpia, lambendo o colo suado de Younjung antes de abocanhar um mamilo, sugando-o com avidez. — Pede para mim. Me diz o que você quer que essa boca faça em você.
— Me chupa... — Younjung gemeu, jogando a cabeça para trás, sentindo o quarto girar de puro tesão. — Me come até eu não aguentar mais andar.
Vitória não precisou ouvir duas vezes. Desceu o corpo pela cama, os lábios quentes deslizando pela barriga lisa de Younjung, parando brevemente para depositar um beijo na pele macia antes de abrir com firmeza as pernas da atriz.
O ar da manhã bateu na intimidade exposta de Younjung, que já brilhava, ensopada pelo desejo primitivo daquela despedida. Vitória apoiou as coxas torneadas de Younjung sobre os próprios ombros, abrindo-a completamente, expondo a flor úmida e rosada à sua visão e ao seu fôlego quente.
— Olha pra isso... — sussurrou Vitória, passando o indicador na fenda molhada, espalhando a lubrificação natural. — Toda molhadinha pra mim. Gostosa demais.
Quando a língua de Vitória tocou o clitóris intumescido pela primeira vez, Younjung soltou um grito rouco, cravando as unhas nos lençóis de linho. O ritmo de Vitória era impiedoso. Ela usava a língua larga e experiente em movimentos circulares e firmes, sugando a carne sensível enquanto mantinha uma pressão constante.
Younjung se contorcia na cama, as pernas tremendo nos ombros da brasileira. O prazer era tão denso, tão profundo, que parecia arrancar o oxigênio de seus pulmões.
— <i>Michigetda...</i> — murmurou Younjung em coreano, enlouquecida pelo calor, antes de alternar para o inglês suplicante. — Mais rápido, Vitória... não para, porra, não para!
Vitória atendeu prontamente. Deslizou dois dedos compridos para dentro do canal apertado de Younjung, arrancando dela um arquejo estrangulado. A coreana estava tão quente e ensopada que a carne cedeu com um estalo úmido e excitante. Enquanto sua boca continuava martelando o clitóris com beijos rápidos e sucções vorazes, os dedos de Vitória curvavam-se lá dentro, encontrando o ponto exato que fazia Younjung choramingar sem controle.
O ritmo tornou-se frenético. O som do quarto resumia-se ao estalo molhado das investidas dos dedos de Vitória, à respiração pesada de ambas e aos gemidos desavergonhados de Younjung, que ecoavam livres entre as paredes caras do hotel.
— Eu vou... eu vou gozar... — avisou Younjung em pânico delicioso, os quadris erguendo-se da cama sozinhos, buscando mais atrito, colidindo contra o rosto da garota.
— Goza, Younjung. Goza na minha boca, minha linda. É tudo meu — Vitória exigiu com autoridade rouca contra a intimidade da atriz.
O orgasmo atingiu Younjung com a força de um maremoto. As paredes internas de seu corpo contraíram-se violentamente em torno dos dedos de Vitória, que continuou a bombear sem piedade através das ondas de espasmos. Younjung gritou alto, arqueando o corpo num arco perfeito, as lágrimas de pura sobrecarga sensorial escorrendo pelos cantos dos olhos enquanto sua mente se dissolvia em puro êxtase.
Mas a garota brasileira não havia terminado.
Ainda com a boca e o queixo brilhando com os fluidos de Younjung, Vitória subiu o corpo trêmulo da mulher, limpando os lábios com as costas da mão antes de beijá-la na boca, dividindo com Younjung o próprio gosto doce e salgado de seu orgasmo. Younjung gemeu contra os lábios dela, embriagada pelo sabor de si mesma misturado à paixão feroz de Vitória.
— Agora vira — ordenou Vitória com a voz baixa e ofegante, batendo de leve na coxa de Younjung. — Fica de quatro para mim.
Younjung, totalmente entregue à dinâmica e ao torpor do prazer, não hesitou. Moveu-se na cama, apoiando os joelhos e os cotovelos nos lençóis revoltos, empinando os quadris redondos e pálidos em direção a Vitória. Era uma posição que ela jamais sonhara assumir com ninguém, despida de qualquer elegância ensaiada, puramente animal.
Vitória ajoelhou-se atrás dela. Admirou por um segundo a curva perfeita das costas de Younjung, a cintura delicada que terminava na bunda farta e arrebitada, a umidade que ainda escorria entre as pernas entreabertas.
— Caralho, você é a mulher mais perfeita do mundo — Vitória praguejou baixinho, a mão descendo para dar um tapa sonoro e ardente na nádega direita de Younjung.
O estalo ecoou pelo quarto, e a pele alva corou instantaneamente sob o impacto. Younjung soltou um suspiro entrecortado, um arrepio elétrico descendo por sua espinha dorsal. A dor aguda misturada ao tesão acumulado fez sua buceta pulsar ainda mais.
— Me fode logo, por favor... — pediu Younjung, a testa colada no travesseiro, os quadris balançando sutilmente para trás, implorando por contato.
Vitória segurou os dois lados dos quadris de Younjung com firmeza brutal. Com a outra mão, lubrificou os dedos no calor abundante da mulher e deslizou três dedos de uma vez para dentro dela, esticando-a com uma lentidão deliciosa e crua.
Younjung gritou contra o travesseiro, a sensação de estar completamente preenchida arrancando lágrimas de alívio de seus olhos.
— Assim? — perguntou Vitória, começando a foder a mulher por trás, movendo a mão em impulsos fortes e ritmados. — Fala para mim, sua vadia linda, você gosta assim?
— Sim! Mais forte, Vitória, bate em mim, me fode mais fundo! — Younjung gritava sem pudor, os termos sujos fluindo com uma naturalidade assustadora, como se tivessem estado trancados dentro de sua garganta durante todos os seus trinta anos de vida.
A brasileira aumentou o ritmo até se tornar implacável. Com a mão livre, puxou os cabelos pretos de Younjung para trás, expondo seu pescoço suado e forçando a atriz a arquear as costas ainda mais. A outra mão continuava a estocá-la com fúria controlada, entrando e saindo com um atrito úmido e constante que fazia os lençóis tremerem sob os joelhos de ambas.
— Você nunca vai me esquecer, Younjung — Vitória sussurrava possessiva, a respiração queimando a orelha da coreana enquanto a estapeava ritmicamente, ora nos quadris, ora na intimidade, mantendo-a no limiar da loucura. — Quando você estiver lá naquele palco em Seul, sorrindo para aquelas câmeras e vestindo as roupas perfeitas... você vai lembrar da minha mão dentro de você. Vai lembrar do meu cheiro.
— Eu nunca... ahhh!... eu nunca vou esquecer! — Younjung soluçava entre gemidos altos e ritmados, empurrando o quadril contra a mão de Vitória a cada estocada, completamente rendida ao frenesi. — Eu sou sua... aqui dentro eu sou só sua!
A fricção era intensa demais, o prazer beirando o insuportável. Vitória desceu a mão que segurava os cabelos de Younjung e encontrou o clitóris intumescido pela frente, esfregando-o com o polegar com força enquanto continuava a penetrá-la por trás.
A combinação foi avassaladora. Younjung sentiu o segundo clímax explodir com uma violência que a deixou sem voz. Seu corpo inteiro travou, os músculos das coxas convulsionando enquanto o canal apertava desesperadamente a mão de Vitória em espasmos incontroláveis. Ela desabou de bruços na cama, os pulmões buscando oxigênio em arfadas descompassadas, enquanto Vitória continuava a massageá-la com firmeza até a última gota de tesão ser extraída daquela carne vibrante.
Exausta, Vitória soltou um gemido pesado e caiu para a frente, deitando o peito suado contra as costas de Younjung, envolvendo-a em um abraço protetor. O suor colava seus corpos como uma segunda pele, e os corações batiam descompassados em um ritmo idêntico.
Nenhum som foi emitido pelos minutos seguintes, a não ser a respiração pesada diminuindo lentamente.
Vitória beijou a curva da espinha dorsal de Younjung, sentindo a pele arrepiar sob seus lábios mornos. Devagar, deslizou para o lado, puxando a atriz mais velha para o seu peito. Younjung se aninhou sem resistência, a perna ainda trêmula jogada sobre a cintura de Vitória, o rosto enterrado na curvatura de sua clavícula.
O sol já entrava com força total na suíte, dissipando qualquer ilusão de que a noite ainda lhes pertencia. As malas abertas no canto do quarto eram o lembrete fúnebre do mundo real. Em poucas horas, Younjung pegaria um carro para o aeroporto Charles de Gaulle, cercada por assessores, managers e a rotina sufocante de sua agência de entretenimento. Voltaria a ser a boneca perfeita da Coreia do Sul, intocada e imaculada.
Vitória afagou os cabelos compridos e desgrenhados de Younjung, sentindo uma lágrima quente pingar sobre seu peito nu.
— Ei... — sussurrou a brasileira, erguendo o queixo da mulher para fitar aqueles olhos amendoados e doces, agora vermelhos pelo choro e pelo cansaço do sexo. — Não chora.
— Eu não queria ter que ir embora — murmurou Younjung, a voz pequena, desprovida de qualquer audácia agora, restando apenas a fragilidade dolorosa de sua realidade. — Eu não queria que isso acabasse aqui.
Vitória sorriu, um sorriso triste, mas cheio de uma maturidade e de um afeto que desafiavam seus vinte anos.
— Isso não vai acabar aqui, Younjung. O mundo pode nos separar hoje, mas o que aconteceu nesta cama não pertence a Paris, nem a Seul, nem ao Brasil. Pertence a nós duas.
Vitória puxou o rosto de Younjung para perto e selou seus lábios em um beijo calmo, lento, com gosto de despedida e eternidade.
— E se um dia você criar coragem para queimar o resto do mundo... — completou Vitória contra os lábios macios da atriz —, você sabe exatamente onde me encontrar.
Younjung fechou os olhos, respirando fundo o perfume que ficaria para sempre tatuado em sua memória. Ela sabia que as regras de seu país não mudariam, que o medo a acompanharia no voo de volta e que a solidão a esperava em seu apartamento minimalista em Seul. Mas, enquanto sentia os batimentos firmes de Vitória contra sua bochecha, Go Younjung sabia que, sob a máscara da perfeição que voltaria a vestir, haveria para sempre o fogo indomável de uma mulher que finalmente aprendera o significado de estar viva.