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Desejo proibido

Pixels e Sal

O contraste entre as doze horas de diferença de fuso horário era uma tortura silenciosa que Go Younjung aprendera a medir em batimentos cardíacos.

Em Seul, a madrugada já cobria a cidade com uma névoa espessa e fria. As luzes cintilantes dos arranha-céus de Gangnam entravam fracamente através das persianas de vidro duplo de seu apartamento no trigésimo andar, desenhando linhas geométricas no piso de madeira escura. Younjung acabara de voltar de um dia extenuante de gravações para seu novo dorama. Passara quatorze horas sob os refletores impiedosos, sorrindo docemente para o par romântico masculino imposto pelo estúdio, curvando-se com elegância impecável diante dos diretores e executivos da emissora.

Para a imprensa coreana, ela era o ideal inalcançável: recatada, graciosa, pura como o primeiro orvalho do inverno.

No entanto, assim que a porta blindada com leitor biométrico se trancou atrás de si, a máscara caiu com um ruído surdo. Younjung jogou a bolsa Chanel sobre o aparador de mármore, chutou os sapatos de salto alto e arrancou o casaco estruturado. Debaixo do roupão curto de seda preta que vestira logo após um banho quente, seu corpo ardia em uma febre que nenhuma água morna fora capaz de aplacar.

Três semanas haviam se passado desde Paris. Vinte e um dias em que cada segundo parecia contaminado pela lembrança do perfume, do toque e da voracidade de Vitória.

Com as mãos trêmulas, a atriz de trinta anos pegou o tablet na mesa de centro, trancou a porta do quarto e sentou-se no centro da cama king-size, puxando os joelhos contra o peito. Abriu o aplicativo criptografado que instalaram secretamente na França. O ícone de status de Vitória brilhava em verde.

No Rio de Janeiro, deviam ser cerca de três horas da tarde.

O coração de Younjung deu um solavanco violento na caixa torácica quando apertou o botão de chamada de vídeo. A chamada tocou duas vezes antes da tela se iluminar.

— Oi, minha linda — a voz de Vitória surgiu densa, banhada naquele sotaque carioca rouco e irresistível, antes mesmo que a imagem terminasse de carregar.

Quando o vídeo estabilizou, o ar escapou completamente dos pulmões de Younjung.

Vitória estava em seu quarto, em algum lugar em frente à praia de Ipanema. As cortinas finas deixavam passar a luz dourada e implacável do sol tropical, iluminando cada detalhe da garota de vinte anos. Vitória usava apenas um biquíni vermelho minúsculo, com as marcas brancas do sol desenhadas com precisão em sua pele bronzeada. Os cabelos escuros e cacheados estavam presos de qualquer jeito no topo da cabeça, e fios úmidos colavam em sua testa. Ela estava deitada de lado na cama, apoiando o queixo na palma da mão, encarando a câmera com aqueles olhos amendoados e famintos que desarmavam qualquer resquício da dignidade ensaiada de Younjung.

— Você está acabando comigo — murmurou Younjung em inglês, a voz fraca e rouca. As maçãs do rosto empalidecido da coreana tingiram-se de vermelho instantaneamente. — Eu acabei de chegar do set. Passei o dia inteiro pensando em você. Eu quase errei minhas falas porque... porque eu só conseguia lembrar do seu gosto.

Vitória deu um meio sorriso provocador, ajeitando o celular na cabeceira da cama para que Younjung pudesse vê-la por inteiro.

— É mesmo, minha atriz favorita? — Vitória provocou em português, misturando logo em seguida o inglês com uma naturalidade indecente. — E o que você pensou enquanto estava diante daquelas câmeras todas, sorrindo para aquele galã engomado?

— Eu pensei no que você fez comigo naquela manhã em Paris — confessou Younjung, mordendo o lábio inferior com tanta força que quase tirou sangue. O pudor que tanto a sufocava na sociedade coreana evaporava sempre que encarava Vitória através daquela tela de vidro. — Eu pensei em como você me segurou por trás. Na sua mão entrando em mim. Em como a sua boca era quente.

Vitória respirou fundo, os seios subindo e descendo com força sob o tecido fino do biquíni. Os olhos castanhos escureceram em puro tesão.

— Você fala isso e nem imagina o quanto me deixa louca desse lado do mundo, Younjung — disse Vitória, a voz baixando uma oitava, tornando-se áspera. — Eu passo o dia inteiro olhando as fotos que saem de você na internet. Você toda arrumadinha, parecendo uma deusa intocável, e eu aqui, querendo rasgar aqueles vestidos de alta-costura e abrir suas pernas com a minha língua até você gritar o meu nome tão alto que o prédio inteiro consiga ouvir.

Younjung soltou um gemido sôfrego, abrindo o roupão de seda de forma impulsiva. A seda deslizou pelos seus ombros, expondo a pele excessivamente alva, os seios médios e perfeitos com os mamilos já rígidos e escurecidos pela excitação.

— Então me mostra — pediu Younjung, as pupilas dilatadas de puro desespero carnal. — Vitória, por favor... tira isso. Deixa eu ver você. Eu preciso ver a sua buceta agora.

A crueza do pedido vindo de uma mulher tão elegante e reservada bateu no estômago de Vitória como uma dose concentrada de adrenalina. Sem desviar os olhos da tela por uma fração de segundo, a brasileira deslizou a mão direita pelo abdômen definido até a lateral do biquíni. Desatou o nó fino de um lado com um puxão firme, depois o outro.

Com uma lentidão calculada e sádica, Vitória empurrou a calcinha vermelha para baixo, afastando as pernas abertas sobre os lençóis brancos.

A visão preencheu a tela de alta definição do tablet de Younjung: a virilha bronzeada, a marca nítida do biquíni contrastando com a pele mais clara ao redor, e a fenda úmida, carnuda e perfeitamente desenhada, brilhando com um viço natural sob o calor do Rio de Janeiro. Vitória estava completamente depilada, os pequenos lábios entreabertos revelando uma mucosa rosada, inchada e ensopada de lubrificação natural que reluzia à luz da tarde.

Younjung levou a mão à boca, arfando alto. O calor concentrou-se violentamente entre suas próprias coxas, fazendo sua calcinha de renda preta ficar instantaneamente encharcada.

— Meu Deus... — sussurrou a atriz coreana em um transe febril, colando os olhos na tela. — Você é tão linda, Vitória... Olha para isso. Olha como você está molhada para mim.

— Olha bem de perto — ordenou Vitória, a respiração entrecortada. Com dois dedos compridos e bronzeados, a garota abriu os próprios lábios vaginais, expondo o botão do clitóris intumescido, que pulsava visivelmente a cada batimento cardíaco. — Olha o que você faz comigo a milhares de quilômetros de distância. Você não tem ideia de como eu estou pingando, Younjung. O que você faria se estivesse aqui agora?

— Eu me ajoelharia na sua frente — respondeu Younjung sem hesitar, a respiração escapando em arquejos desesperados enquanto sua mão direita descia para o próprio corpo, mergulhando por baixo do tecido de sua calcinha. — Eu ia enfiar a minha cara aí no meio. Ia lamber cada gota desse seu mel. Vitória, eu quero tanto chupar essa sua buceta gostosa... eu quero sugar o seu clitóris com força, até você puxar o meu cabelo e não me deixar respirar.

— Fala mais... — gemeu a brasileira, os dedos começando a massagear o clitóris em círculos lentos e firmes, arrancando um som molhado e excitante que o microfone do aparelho captava com nitidez obscena. — Fala o que a sua boquinha de boneca faria comigo.

— Eu ia lamber de baixo para cima, bem devagar — detalhou Younjung, esfregando o próprio clitóris em sincronia com os movimentos de Vitória, sentindo os dedos deslizarem em sua própria umidade abundante. — Ia abrir você todinha com a língua. Beber você até não sobrar nada. Ia morder os seus lábios bem de leve, bem macios... e depois ia enfiar a língua o mais fundo que conseguisse dentro do seu canal. Toda vez que eu vejo a sua buceta nessa tela eu enlouqueço, Vitória. Eu fico doente de vontade de te lamber por horas.

Vitória jogou a cabeça para trás no colchão carioca, um gemido rouco e gutural escapando de seus lábios carnudos. Seus dedos aceleraram o ritmo na carne quente e brilhante, abrindo-a e penetrando-a com o indicador e o médio de uma vez. O estalo úmido e ritmado ecoava pelo quarto silencioso em Seul.

— Porra, Younjung... você me desmonta inteira — Vitória gemeu, olhando de soslaio para a tela, onde via a atriz mais cobiçada da Coreia despida, contorcendo-se com as pernas abertas. — Tira a calcinha. Tira agora, meu amor. Deixa eu ver a minha mulher se tocar.

Younjung obedeceu imediatamente. Levantou os quadris na cama, puxando a renda preta pelas pernas trêmulas e jogando-a no chão do quarto. Ela abriu bem as coxas brancas e sedosas para a lente da câmera, expondo sua intimidade desprotegida, banhada em um brilho espesso de excitação. A fenda pálida e delicada de Younjung contrastava com os pelos pubianos finos e aparados no monte de Vênus, e seu clitóris avermelhado implorava por fricção contínua.

— Caralho... que buceta mais maravilhosa — elogiou Vitória, a voz falhando em puro delírio. — Você é perfeita demais. Tão apertadinha, tão gostosa. Enfia os dedos, Younjung. Enfia dois dedos agora e me diz se você está pensando na minha boca.

A coreana arqueou a coluna contra os travesseiros caros, cravando os calcanhares no colchão. Deslizou o dedo médio e o anelar para dentro de si com uma facilidade indecente, acolhida pela quantidade de secreção que seu corpo produzira ao ver Vitória se masturbar.

— Ahhh!... — Younjung soltou um grito rouco, os olhos revirando de prazer enquanto começava a se foder com os próprios dedos, num ritmo firme e profundo. — Está tão quente... Vitória, está pulsando tanto!

— Fode você mesma como eu te fodi em Paris — comandou a garota do Rio, os olhos cravados na imagem da tela, assistindo à penetração dos dedos pálidos da mulher mais velha. — Pensa que é a minha mão grande esticando você por dentro. Pensa no meu peso em cima de você, suando junto com você, te chamando de safada no seu ouvido.

— É você... só pode ser você! — soluçava Younjung, perdendo qualquer restrição. Sua outra mão agarrava o seio esquerdo, beliscando o mamilo intumescido com força, gerando uma dor doce que disparava descargas elétricas direto para o seu útero. — Eu não consigo mais com ninguém, Vitória. Homem nenhum consegue me tocar depois daquela noite. Eu só quero você. Eu só quero a sua pele, a sua buceta na minha boca, a sua mão me rasgando ao meio...

Na tela, Vitória atingira um ritmo brutal. O quadril da brasileira subia e descia no ar, acompanhando o movimento frenético de sua mão ensopada, enquanto com a outra mão ela apertava os próprios seios marcados pelo sol.

— Eu sou sua, porra! — gritou Vitória em português, as palavras saindo rasgadas pelo clímax iminente. — Eu sou todinha sua, Younjung! Olha pra mim, olha como eu fico por sua causa! Eu vou gozar... eu vou me derreter todinha pensando em você me chupando!

— Goza, Vitória... goza para mim, meu amor! — implorou Younjung em um delírio febril, movendo os dedos dentro do próprio canal com violência desesperada, enquanto o polegar esmagava seu clitóris com força implacável. — Me deixa ver você gozar!

As duas mulheres perderam o controle no exato mesmo segundo.

Vitória soltou um grito alto, arqueando o tronco para fora da cama enquanto jatos espessos de prazer escorriam de sua carne contraída, ensopando seus dedos e os lençóis de linho do quarto em Ipanema. Seus músculos pélvicos travaram em uma série de espasmos violentos que a fizeram estremecer dos pés à cabeça, os olhos revirados, a boca aberta buscando o ar quente da tarde.

Ver a garota explodir naquele orgasmo cru e sem barreiras empurrou Younjung para além do abismo.

As paredes internas de Younjung apertaram seus dedos como uma prensa em chamas. A atriz coreana gritou alto contra a frieza do quarto em Seul, jogando a cabeça para trás com tanta intensidade que os cabelos negros cobriram o travesseiro em uma cascata desordenada. Ondas avassaladoras de prazer líquido percorreram sua espinha, arrancando dela soluços convulsivos, espasmos rítmicos que a fizeram arquear a pelve repetidamente no ar, gozando em jorros quentes sobre a própria mão e sobre a colcha de seda cinzenta.

O som da respiração pesada e entrecortada de ambas preenchia os alto-falantes em dois continentes diferentes.

Nenhum ruído além do fôlego recuperado com dificuldade quebrou a ligação pelos minutos seguintes. Younjung permaneceu imóvel, deitada com as pernas ainda bambas e abertas, o peito alvo coberto por uma fina camada de suor frio, o coração martelando nos ouvidos. Na tela, Vitória havia tombado de lado, o peito bronzeado reluzindo, um sorriso exausto e perdidamente apaixonado curvando seus lábios inchados.

Devagar, Younjung levou a mão trêmula ao rosto, afastando uma mecha de cabelo molhado dos olhos. Seus dedos ainda brilhavam com os fluidos de seu próprio clímax.

— Você está bem? — perguntou Vitória com uma doçura desarmante, a voz ainda rouca do orgasmo.

Younjung olhou para a imagem da brasileira na tela, sentindo um nó doloroso apertar-se no fundo de sua garganta.

— Não — sussurrou a atriz coreana com franqueza cortante, os olhos amendoados enchendo-se de lágrimas que ela não se preocupou em conter. — Eu não estou bem.

Vitória franziu a testa, ajeitando-se com cuidado para ficar mais próxima da câmera.

— O que foi, amor? Eu passei dos limites? Você se arrependeu?

— Não seja idiota — rebateu Younjung com suavidade, limpando uma lágrima que escorria por sua têmpora. — Eu não estou bem porque essa tela é um pedaço de vidro maldito. Eu não estou bem porque você está aí, a um oceano de distância, e eu tenho que fingir todos os dias que a minha vida perfeita em Seul é o suficiente.

Vitória fitou-a em silêncio por um momento longo, a postura despojada dando lugar a uma maturidade que ia muito além de seus vinte anos.

— Não precisa ser apenas isso para sempre, Younjung — disse Vitória com firmeza, a voz calma trazendo uma certeza que abalou as estruturas do apartamento em Seul. — Você sabe que não precisa.

— Minha carreira... — começou Younjung, a voz vacilando sob o peso da culpa cultural.

— Foda-se a sua carreira por um minuto — cortou Vitória com ternura inflexível. — Eu não estou dizendo para você jogar tudo para o alto amanhã. Eu sei o preço que você paga. Mas não minta para si mesma dizendo que o que temos é só um fetiche de hotel em Paris ou um sexo por vídeo no fim da noite. Eu amo você, Go Younjung. E você sabe o que sente por mim toda vez que me olha desse jeito.

O peito de Younjung doeu com tanta força que ela mal conseguiu respirar. Ela era uma mulher de trinta anos, admirada por milhões de pessoas que não sabiam absolutamente nada sobre quem ela era no escuro. E ali estava uma garota brasileira, livre, ensolarada e destemida, oferecendo-lhe um amor que desafiava todas as leis silenciosas de seu país.

— O que nós vamos fazer? — perguntou Younjung, a voz quase inaudível, o medo e a esperança guerreando em seu íntimo.

Vitória sorriu, passando os dedos pelo visor do celular, como se pudesse tocar a face pálida de Younjung através dos milhares de quilômetros de fibra óptica.

— Eu tenho um convite para o Festival de Cinema em Tóquio no próximo mês — revelou a garota, os olhos castanhos brilhando com um plano traçado. — É perto de Seul, não é? Apenas um voo curto. Sem paparazzi brasileiros, sem a sua imprensa colada na sua porta todas as manhãs.

Younjung sentiu um arrepio correr por sua nuca. Tóquio. Apenas duas horas e meia de voo do aeroporto de Incheon.

— Vitória... se alguém nos vir...

— Ninguém vai nos ver em uma suíte particular — garantiu Vitória com um tom possessivo e doce ao mesmo tempo. — Três dias, Younjung. Só você e eu. Sem telas entre nós. Eu quero ver se você tem essa coragem toda de me chupar na cama de verdade como acabou de me prometer agora.

O rubor voltou com força total ao rosto de Younjung, misturado a um desejo tão avassalador que qualquer prudência restante ruiu por terra. Ela olhou para a imagem de Vitória — nua, deslumbrante, viva — e soube que não havia mais volta. O inverno de Seul jamais seria suficiente para apagar o fogo que aquela mulher acendera em seu sangue.

— Esteja naquele hotel no dia quinze — respondeu Younjung com a voz firme, limpando os resquícios das lágrimas e encarando a tela com uma determinação que nunca mostrara diante de nenhuma câmera. — E não se atreva a vestir nada por baixo daquele vestido quando eu chegar.

Vitória riu, aquele riso alto, solar e descarado que Younjung passara a amar mais do que a própria segurança.

— Eu vou estar te esperando molhada, meu amor. Exatamente como você gosta.

Quando a chamada finalmente se encerrou, deixando o apartamento em Seul em um silêncio absoluto, Younjung não sentiu a habitual onda de pânico ou remorso que costumava segui-la. Deitada na cama desfeita, com a respiração finalmente estabilizada e o calor do próprio sexo ainda queimando entre suas coxas, ela olhou para o horizonte iluminado da Coreia através da janela.

Pela primeira vez em trinta anos de existência regrada, Go Younjung estava disposta a queimar o próprio império apenas pelo privilégio de arder nos braços da mulher que amava.

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