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Destiny

O Retorno do Falcão e o Galope do Desejo

A brisa da manhã nas estepes trazia um frescor que Mulan aprendera a apreciar, mas naquela aurora, havia algo diferente no ar. Shan Yu a observava em silêncio enquanto ela terminava de ajustar os arreios de seu cavalo. O líder huno, geralmente uma figura de pura agressividade e cálculo, exibia uma expressão que beirava a contemplação.

— Você olha para o sul com muita frequência ultimamente — disse ele, aproximando-se com passos pesados que faziam a grama seca estalar. — A loba sente falta da toca onde nasceu?

Mulan suspirou, sem desviar o olhar do horizonte.

— Sinto falta do meu pai, Shan Yu. Sinto falta do cheiro do chá de jasmim e do som do vento nas cerejeiras. Não sinto falta das leis deles, nem da vergonha que me impuseram... mas o sangue fala mais alto que o aço, às vezes.

Shan Yu parou atrás dela, envolvendo-a com seus braços massivos. O contraste entre a pele bronzeada dele e a túnica de Mulan era gritante. Ele inclinou a cabeça, aspirando o perfume de sua nuca.

— Prepare suas coisas — ordenou ele, a voz vibrando contra as costas dela. — Partiremos ao meio-dia.

Mulan virou-se rapidamente nos braços dele, os olhos arregalados de surpresa.

— Partiremos? Para onde?

— Para a vila de sua família — respondeu ele, com um sorriso de canto que raramente mostrava. — Você derrotou meus homens, sobreviveu à montanha e conquistou o Khagan. Não quero que sua mente esteja em outro lugar quando finalmente selarmos nosso vínculo diante do meu povo. Vá ver o velho guerreiro. Mostre a ele que sua filha não está morta, mas que renasceu como algo muito maior.

A alegria que inundou Mulan foi avassaladora. Ela soltou um riso curto, algo que Shan Yu nunca tinha visto de forma tão genuína, e lançou-se ao pescoço dele, cobrindo seu rosto de beijos.

— Obrigada! — exclamou ela entre os beijos. — Eu não achei que você entenderia... eu não achei que você me deixaria voltar.

— Eu não estou deixando você voltar para ficar — rosnou ele, apertando-a contra si com uma possessividade feroz. — Estou apenas permitindo que você se despeça do passado.

A gratidão de Mulan transformou-se rapidamente em algo mais quente. O gesto de Shan Yu, vindo de um homem que o mundo considerava um monstro sem coração, tocou-a de uma forma que o aço nunca conseguiria. Ela o puxou para dentro da tenda real, a respiração já curta e errática.

— A viagem pode esperar algumas horas — sussurrou ela, empurrando-o em direção ao grande leito de peles de urso.

Shan Yu arqueou uma sobrancelha, surpreso com a iniciativa súbita. Geralmente, era ele quem ditava o ritmo, quem a dominava com sua força bruta. Mas hoje, Mulan tinha um brilho diferente nos olhos. Ela se lembrava das conversas sussurradas entre as mulheres da tribo, sobre como elas "cavalgavam" seus guerreiros para mostrar sua própria força e prazer.

— O que você está tramando, pequena loba? — perguntou ele, sentando-se na borda da cama, os braços cruzados sobre o peito nu e cicatrizado.

Mulan não respondeu com palavras. Ela desamarrou o cinto de couro e deixou sua túnica cair, revelando o corpo que Shan Yu aprendera a venerar. Ela caminhou até ele e, em vez de se deitar, empurrou-o gentilmente pelos ombros até que ele estivesse deitado de costas, ocupando quase toda a extensão das peles.

— Eu ouvi as mulheres falarem — disse ela, montando em suas coxas, sentindo o calor da pele dele contra a sua. — Elas dizem que uma guerreira deve saber comandar, não apenas no campo de batalha, mas aqui também.

Shan Yu soltou uma risada rouca, as mãos grandes encontrando os quadris dela.

— Então você quer assumir as rédeas? — ele desafiou, os olhos amarelos brilhando de antecipação. — Pois bem. Mostre-me como você cavalga, Mulan.

Mulan inclinou-se para frente, deixando que seus cabelos roçassem no peito dele. Ela começou a beijá-lo, não com a hesitação de antes, mas com uma fome voraz. Suas mãos exploravam os músculos poderosos de Shan Yu, descendo pelo seu abdômen definido até encontrar o que buscava. Quando ele já estava rígido e pulsante sob seu toque, ela se posicionou, guiando-o para dentro de si com um gemido de satisfação plena.

— Ah... — ela arqueou as costas, sentindo a plenitude da invasão dele.

Shan Yu gemeu profundamente, as veias de seu pescoço saltando. Ele tentou impulsionar o quadril para cima, mas Mulan colocou as mãos sobre o peito dele, mantendo-o no lugar.

— Não — comandou ela, a voz carregada de uma autoridade sensual. — Hoje, o ritmo é meu.

Ela começou a se mover, elevando-se e descendo lentamente, saboreando cada centímetro de Shan Yu que a preenchia. O contato era elétrico. Ela descobriu que ficar por cima lhe dava uma visão privilegiada do prazer dele — a forma como ele cerrava os dentes, como suas mãos se fechavam em punhos nas peles, como ele a devorava com o olhar.

Mulan acelerou o passo. O movimento de cavalgar era instintivo, uma dança de poder e entrega. Ela sentia o atrito delicioso crescendo, o calor se espalhando por seu ventre. Shan Yu não aguentou ficar parado por muito tempo; suas mãos subiram dos quadris dela para seus seios, apertando-os com uma firmeza que a fazia soltar gritos curtos de prazer.

— Você é... magnífica — rosnou Shan Yu, a voz quase irreconhecível. — Mais rápido, Mulan!

Ela obedeceu, jogando a cabeça para trás, os cabelos negros balançando enquanto ela galopava em direção ao abismo. O som da carne se encontrando ritmicamente preenchia a tenda, misturado ao som da respiração pesada de ambos. Mulan sentia-se poderosa, sentia que estava domando a própria tempestade que Shan Yu representava.

— Olhe para mim — pediu ela, a voz entrecortada.

Shan Yu abriu os olhos, e o que viu foi uma visão que o marcaria para sempre: Mulan, sob a luz filtrada da tenda, suada, selvagem e absolutamente livre. Ela não era mais a soldada que ele poupara; ela era a sua igual, sua rainha, a mulher que o fazia querer queimar o mundo apenas para vê-la brilhar.

O prazer atingiu Mulan como uma avalanche. Ela sentiu as paredes internas de seu corpo se contraírem violentamente ao redor dele, e o grito que soltou foi de puro êxtase. Shan Yu, atingido pela intensidade da reação dela, não conseguiu mais se conter. Ele segurou a cintura dela com força brutal e impulsionou-se uma última vez, derramando-se dentro dela com um rugido que pareceu estremecer a terra sob a tenda.

Mulan desabou sobre o peito dele, o coração batendo tão rápido quanto o de um pássaro. Shan Yu a envolveu em seus braços, beijando o topo de sua cabeça úmida de suor. Eles ficaram ali, em silêncio, enquanto a respiração voltava ao normal, o vínculo entre eles agora selado não apenas pelo sangue e pela guerra, mas por uma entrega que nenhum deles imaginara ser possível.

— Se você cavalgar assim até a China — murmurou Shan Yu, com um humor sombrio e satisfeito —, chegaremos lá antes do pôr do sol.

Mulan soltou uma risada fraca, mordendo levemente o ombro dele.

— Eu disse que queria tentar algo novo. Gostou da sua guerreira no comando?

Shan Yu virou-a, ficando por cima dela novamente, mas desta vez com uma ternura incomum, seus olhos fixos nos dela.

— Eu gosto de qualquer versão sua que escolha ficar ao meu lado — disse ele seriamente. — Agora, descanse um pouco. Temos um longo caminho. Seu pai precisa ver o que o Lobo fez com a pequena flor de cerejeira.

***

A viagem foi rápida. O pequeno destacamento huno que acompanhava Shan Yu e Mulan mantinha-se a uma distância respeitosa, ciente de que o humor de seu Khagan estava particularmente intenso. Mulan sentia o estômago dar voltas à medida que as paisagens familiares começavam a surgir.

Quando finalmente avistaram a pequena vila de sua família, o sol já estava baixo. Os camponeses que trabalhavam nos campos paralisaram de terror ao verem o garanhão negro de Shan Yu e os guerreiros bárbaros se aproximando. Gritos de alerta ecoaram, e as portas começaram a ser trancadas.

— Fique atrás de mim — disse Mulan, puxando as rédeas de seu cavalo. — Eles não entendem. Se virem você primeiro, haverá um massacre desnecessário.

Shan Yu assentiu, embora sua mão nunca se afastasse do punho de sua espada curva. Ele observava a vila com desprezo; era um lugar pequeno, frágil, um reflexo da fraqueza que ele desprezava no Império. Mas era o lugar dela.

Mulan cavalgou até o portão da casa dos Fa. O silêncio era absoluto, exceto pelo som dos cascos no chão batido. Ela desmontou, as pernas ainda um pouco trêmulas pela atividade da manhã, e caminhou até a porta.

— Pai? — chamou ela, a voz embargada. — Pai, sou eu. Mulan.

A porta rangeu e abriu-se lentamente. Fa Zhou apareceu, apoiado em sua bengala, o rosto mais envelhecido do que Mulan se lembrava. Atrás dele, sua mãe e a avó observavam com olhos arregalados.

— Mulan? — o velho guerreiro sussurrou, a voz falhando. — Disseram que você tinha sido expulsa... que tinha morrido nas montanhas.

Mulan correu para os braços dele, chorando abertamente.

— Eu estou viva, pai. Eu estou viva.

— Mas... quem são esses homens? — Fa Zhou perguntou, olhando por cima do ombro da filha para a figura imponente de Shan Yu, que permanecia montado, observando a cena como um deus da guerra.

Mulan afastou-se, limpando as lágrimas. Ela olhou para Shan Yu e fez um sinal para que ele se aproximasse. O líder huno desmontou com uma graça letal e caminhou até o portão. A presença dele era tão esmagadora que Fa Zhou instintivamente colocou a mão no punho de sua própria espada, embora soubesse que não teria chance.

— Este é Shan Yu — disse Mulan, sua voz agora firme e cheia de orgulho. — Ele é o Khagan das estepes. E ele é o homem que me salvou quando o Império me abandonou para morrer na neve.

O choque no rosto de Fa Zhou foi indescritível. Ele olhou para o inimigo mortal da China e depois para a filha, vendo as roupas hunas, a adaga no cinto e a marca no pescoço dela que Shan Yu deixara naquela manhã.

— Você se aliou ao monstro? — Fa Zhou perguntou, a voz carregada de dor.

Shan Yu deu um passo à frente, sua sombra cobrindo o velho homem.

— Eu não me alio a ninguém, velho — disse Shan Yu, a voz profunda e fria. — Mas sua filha não é uma soldada comum. Ela derrotou meu exército. Ela conquistou o direito de estar ao meu lado. Eu vim aqui porque ela desejava vê-lo antes de partirmos para o norte, para onde a influência do seu Imperador não alcança.

Mulan aproximou-se do pai, pegando suas mãos calejadas.

— Pai, eles me chamaram de traidora. Eles me deixaram para morrer ferida e sozinha. Shan Yu me deu um lugar onde eu posso ser quem eu sou. Eu não sou mais a boneca que vocês queriam que eu fosse. Eu sou uma guerreira. E eu sou a mulher dele.

Fa Zhou olhou longamente para Mulan. Ele viu a força em seus olhos, uma determinação que ela nunca tivera em casa. Ele viu que, embora ela tivesse se tornado algo "bárbaro" aos olhos da sociedade, ela estava mais viva do que nunca.

— A honra é um conceito estranho, Mulan — disse Fa Zhou finalmente, as lágrimas escorrendo por suas rugas. — Eu rezei para que você voltasse, mas nunca imaginei que voltaria assim. Se este homem a valoriza quando seu próprio povo a cuspiu... então quem sou eu para julgá-la?

Shan Yu observava a interação com um misto de impaciência e um estranho respeito. Ele percebeu que a força de Mulan vinha daquele velho, daquela linhagem que se recusava a quebrar.

— Temos pouco tempo — interrompeu Shan Yu. — A patrulha imperial não tardará a notar nossa presença aqui.

Mulan abraçou a mãe e a avó, que permaneciam em choque, e depois voltou-se para o pai uma última vez.

— Eu voltarei, pai. Um dia. Quando o mundo for diferente.

— Cuide dela — disse Fa Zhou, olhando diretamente nos olhos amarelos de Shan Yu. — Se você a machucar, não haverá montanha ou exército que me impeça de buscar sua cabeça.

Shan Yu soltou um riso curto, quase um sinal de aprovação.

— Ela é a única coisa neste mundo que eu temo, velho. Ela está segura comigo.

Mulan montou em seu cavalo, olhando para sua antiga casa pela última vez. Ela sentia um peso saindo de seus ombros. A despedida estava feita. O passado estava enterrado.

Enquanto cavalgavam para fora da vila, em direção às estepes infinitas, Shan Yu emparelhou seu cavalo com o de Mulan.

— Você está pronta? — perguntou ele.

Mulan olhou para ele, o homem que a destruíra e a reconstruíra, o homem que ela agora amava com uma ferocidade que a assustava. Ela pensou na manhã que passaram juntos, no poder que sentira ao comandar o prazer dele, e na liberdade que a esperava no norte.

— Eu nunca estive tão pronta — respondeu ela.

Shan Yu estendeu a mão, e Mulan a segurou. Juntos, eles galoparam em direção ao horizonte, deixando para trás as cinzas do Império e abraçando o fogo de um novo destino. Mulan não era mais a salvadora da China; ela era a loba que caminharia ao lado do monstro, e o mundo logo aprenderia a temer o nome dos dois.