Voltar ao resumo

Diária de outro mundo

O Pacto de Brilho e a Magia de New Jeans

Íris olhou para Izabelle com uma intensidade que não parecia vir de uma garota tão pequena e franzina. Havia um brilho etéreo em seus olhos, algo que transcendia a realidade daquele dormitório agora decorado com tons de rosa e corações. O silêncio que se seguiu à proposta de Izabelle foi preenchido apenas pelo som suave de "OMG" que ainda tocava baixinho no celular sobre a mesa de cabeceira.

— Izabelle — começou Íris, sua voz ganhando um tom mais sério, quase ancestral —, eu não posso simplesmente fingir que sou uma aluna comum sem uma âncora. Meus poderes estão instáveis desde que fugi do meu reino. Para que eu consiga me manter nesta forma e para que a gente consiga influenciar a mente das pessoas ao redor... eu preciso de uma portadora.

Izabelle piscou, processando a informação. Suas mãos, que antes seguravam o pincel de maquiagem como uma arma, agora relaxaram.

— Uma portadora? Tipo... um contrato de menina mágica? — O coração de Izabelle disparou. — Espera, você está me dizendo que eu posso ter poderes?

Íris assentiu com a cabeça, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios.

— Sim. Você tem uma aura muito pura e uma determinação que eu raramente vi, mesmo entre os nobres do meu mundo. Se você aceitar ser minha portadora, minha magia vai fluir através de você. Isso vai me fortalecer e, em troca, você terá acesso a habilidades que nunca imaginou.

Izabelle sentiu como se estivesse vivendo o roteiro de um dos seus animes favoritos. No seu mundo antigo, ela passava horas imaginando como seria se um gato falante ou uma criatura mística aparecesse em seu quarto. Agora, ali estava ela, em um mundo de jogadores de vôlei bonitos e misteriosos como o Kageyama, recebendo uma proposta para se tornar uma heroína.

— É claro que eu quero te ajudar! — exclamou Izabelle, quase saltando de alegria. — Meu sonho sempre foi ser uma menina mágica! Mas... o que exatamente eu vou ter que fazer? Não é só brilhar e usar roupas bonitas, certo?

O semblante de Íris escureceu levemente.

— Infelizmente, não. Onde há luz e magia, as sombras tentam se infiltrar. Existem criaturas, demônios de energia negativa que se alimentam do caos e do desespero. Eles podem ser atraídos por lugares com muitas emoções fortes... como uma academia cheia de atletas competitivos. Você teria que me ajudar a purificar essas sombras.

Izabelle engoliu em seco. A imagem de Kageyama treinando esgrima com aquele olhar sério veio à sua mente. Se o mundo de Haikyuu já era intenso por causa do esporte, como seria com demônios reais espreitando nos cantos?

— Demônios? — Izabelle sussurrou, sentindo um frio na barriga. — Será que eu consigo? Eu sou só uma garota que gosta de K-pop e de deixar o quarto limpo.

— Eu vou te treinar — garantiu Íris, pegando as mãos de Izabelle. — Eu não vou deixar você lutar sozinha. Seremos uma equipe. Você aceita?

— Eu aceito! — disse Izabelle, sem hesitar mais.

No momento em que as palavras saíram de sua boca, o quarto pareceu vibrar. Íris fechou os olhos e começou a murmurar palavras em uma língua desconhecida, musical e antiga. Um brilho prateado começou a emanar do peito da pequena garota-coelho, estendendo-se como fios de seda até envolver os pulsos de Izabelle.

— Sinta a batida do seu coração — instruiu Íris. — Deixe a música da sua alma guiar a transformação.

Izabelle fechou os olhos. Estranhamente, a batida de "Hype Boy" começou a ressoar em sua mente, mas de uma forma mágica, como se cada nota fosse um pulso de energia. Ela sentiu o ar ao seu redor girar, uma sensação de leveza absoluta. Quando abriu os olhos, ela não estava mais vestindo seu pijama de algodão.

Ela correu para o espelho de corpo inteiro que tinha acabado de limpar.

— Meu Deus... eu estou incrível! — Izabelle deu uma voltinha, maravilhada.

Seu traje era uma mistura perfeita de estética *coquette* e guerreira mágica. Um vestido em tons de rosa pastel e branco, com detalhes em renda que lembravam o estilo das meninas do New Jeans, mas com placas de armadura leves e peroladas nos ombros e cinturas. Em seu cabelo, laços cintilantes prendiam mechas que pareciam brilhar com luz própria.

— Você está linda — disse Íris, que agora flutuava levemente ao lado dela. — E agora, o treinamento começa. Não temos muito tempo antes do amanhecer oficial.

Íris estendeu a mão para o vazio e, como se rasgasse o tecido da realidade, um livro antigo de capa de couro branca com detalhes em ouro apareceu. Ele flutuou no ar, as páginas virando sozinhas até pararem em um diagrama complexo.

— Para canalizar a magia, você precisa de movimento e foco — explicou Íris. — É quase como uma coreografia. Lembra do que você via nos seus desenhos e nos seus grupos favoritos? É exatamente assim.

Izabelle observou os símbolos no livro. Eles pareciam se mover, mostrando trajetórias de ataques e defesas.

— É como LoliRock! — Izabelle comentou, animada, começando a imitar os movimentos das mãos mostrados no livro. — Círculo de luz, flecha de cristal!

Íris sorriu com a referência.

— Quase isso. Tente focar a energia na ponta dos seus dedos. Diga as palavras de ativação: "Reflexo da Alma, Brilho do Amanhã!"

Izabelle respirou fundo, concentrando toda a sua vontade no desejo de proteger aquele novo mundo e sua nova amiga. Ela executou um movimento fluido, um passo de dança que terminava com os braços estendidos.

— Reflexo da Alma, Brilho do Amanhã! — gritou ela.

Uma explosão de luz rosa e prateada saiu de suas mãos, criando um escudo cintilante que iluminou todo o quarto. Os pôsteres nas paredes chegaram a balançar com a pressão do ar.

— Isso! — comemorou Íris. — Você é natural nisso!

As horas seguintes foram um borrão de movimentos, encantamentos e risadas. Íris ensinou Izabelle a invocar pequenas esferas de luz purificadora e a se mover com velocidade aumentada. Izabelle, por sua vez, tentava aplicar os passos de dança que conhecia para tornar os movimentos de combate mais naturais.

— Se eu vou lutar contra demônios, vou fazer isso com estilo — brincou Izabelle, executando um giro perfeito enquanto conjurava uma barreira.

No entanto, conforme o relógio na parede avançava e a primeira luz do sol começava a surgir no horizonte, a adrenalina começou a baixar. O peso da magia era real. Cada feitiço lançado consumia uma parte da energia física de Izabelle que ela nem sabia que existia.

— Íris... eu acho que... — Izabelle cambaleou, sentindo as pernas de gelatina.

— A transformação consome muito na primeira vez — disse Íris, desfazendo o traje de Izabelle com um estalar de dedos. — Você precisa descansar agora. O contrato está selado. Amanhã, ninguém vai questionar minha presença. Eu serei Íris, a nova aluna transferida e sua melhor amiga.

Izabelle mal conseguiu responder. Ela se arrastou até a cama, sentindo cada músculo do corpo protestar. O edredom rosado nunca pareceu tão convidativo.

— Boa... noite... ou bom dia... — murmurou ela, fechando os olhos antes mesmo de encostar a cabeça no travesseiro.

Íris, voltando à sua forma de coelhinho para economizar energia, pulou na caminha improvisada ao lado da amiga.

Izabelle dormiu um sono profundo e sem sonhos, um "apagão" total causado pelo esforço místico. Ela estava tão exausta que nem percebeu quando o sol subiu totalmente, nem o som dos pássaros lá fora.

Horas depois, um som persistente começou a invadir sua consciência. Não era música, nem magia. Era alguém batendo na porta de madeira pesada do dormitório.

— Izabelle? — A voz era baixa, mas firme e inconfundível. Era Kageyama. — Oikawa mandou avisar que o café da manhã termina em dez minutos. Você vai se atrasar para a primeira aula.

Izabelle deu um pulo na cama, o coração saindo pela boca. Ela olhou para o lado e viu o coelhinho cinza despertando também.

— Meu Deus! A aula! — ela gritou, caindo da cama pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas.

Ela olhou para Íris, que rapidamente se transformou na garota de cabelos delicados.

— Rápido, Íris! Use o truque mental! — sussurrou Izabelle, enquanto corria para o banheiro para tentar salvar seu cabelo do desastre pós-treinamento mágico.

— Deixa comigo — respondeu Íris, concentrando-se.

Izabelle se vestiu em tempo recorde, colocando o uniforme da Academia Itachiyama que estava pendurado no armário. Ao abrir a porta, ela deu de cara com Kageyama. Ele ainda segurava sua bolsa de esgrima, o rosto com a expressão séria de sempre.

— Finalmente — disse ele, mas então seus olhos se desviaram para Íris, que estava logo atrás de Izabelle.

Izabelle prendeu a respiração. Seria agora? O plano ia funcionar?

Kageyama franziu ligeiramente a testa por um milésimo de segundo, como se estivesse tentando se lembrar de algo, mas logo seus olhos voltaram ao normal.

— Ah, Íris — disse ele, com uma naturalidade assustadora. — Você também se atrasou? Achei que você fosse mais pontual que a novata.

Izabelle soltou o ar que nem sabia que estava segurando. Ela olhou para Íris, que deu um sorrisinho cúmplice.

— Pois é, Kageyama-kun — respondeu Íris, perfeitamente integrada à realidade dele. — A Izabelle me manteve acordada conversando sobre a decoração do quarto.

Kageyama olhou para dentro do quarto, vendo a explosão de rosa, pôsteres de K-pop e corações. Ele soltou um suspiro pesado, quase um lamento.

— É muita informação visual — comentou ele, voltando a caminhar pelo corredor. — Vamos logo. Oikawa não gosta de esperar, e o professor de história é rigoroso.

Izabelle seguiu os dois, sentindo uma mistura de alívio e empolgação. Ela olhou para Íris e piscou. O primeiro dia oficial de aula estava começando, e ela não era apenas uma garota perdida em outro mundo. Ela era uma portadora de magia, tinha uma amiga secreta e, aparentemente, estava prestes a frequentar a mesma escola que alguns dos melhores jogadores de vôlei do Japão.

"Seja lá o que este mundo me reservar", pensou Izabelle, ajustando a alça da mochila, "eu vou enfrentar com uma música do New Jeans na cabeça e um feitiço na ponta dos dedos."