Diddy Kong e King K.rool
O Banquete do Rei e o Dilema do Prisioneiro
A sala do trono de King K. Rool era um monumento ao seu próprio ego. As paredes de pedra úmida eram adornadas com tapeçarias que retratavam suas supostas vitórias, e o brilho das tochas refletia-se na armadura dourada que cobria seu peito e sua barriga proeminente. Diddy Kong, ainda pressionado contra aquela massa quente e escamosa, sentia o ritmo constante do coração do rei. Era uma situação surreal; ele deveria estar lutando com todas as suas forças, mas havia algo no balanço da caminhada de K. Rool e na firmeza de seu aperto que, de forma estranha, drenava a vontade de Diddy de resistir.
K. Rool acomodou-se mais profundamente em seu trono, soltando um suspiro que pareceu um trovão abafado. Sua mão, grande o suficiente para cobrir quase todo o torso de Diddy, repousava sobre as costas do macaquinho, mantendo-o firmemente colado à sua barriga.
— Sabe, Diddy — começou K. Rool, sua voz ressoando através de sua caixa torácica e vibrando contra o rosto do macaco —, a maioria dos meus planos envolve muita correria, explosões e gritos. Mas há algo de... terapêutico em simplesmente capturar o prêmio sem tanto esforço.
Diddy tentou se empertigar, empurrando o peito do rei com as mãos pequenas, mas a mão de K. Rool apenas o pressionou de volta, enterrando-o levemente na maciez de seu ventre.
— Você chama isso de terapêutico? — Diddy resmungou, a voz saindo um pouco abafada. — Eu chamo de sequestro! E você sabe que o Donkey não vai ficar sentado comendo bananas enquanto eu estou aqui servindo de almofada para você.
K. Rool soltou uma gargalhada que fez sua barriga pular, levando Diddy junto no movimento.
— Oh, eu conto com isso! — exclamou o rei, os olhos brilhando com uma luz maníaca. — Mas imagine a cara dele quando chegar aqui e encontrar o seu precioso parceiro não em uma cela de ferro, mas... bem, aqui. Sob minha proteção real.
— Proteção? — Diddy arqueou uma sobrancelha, olhando para cima para encarar o queixo verde e granuloso do crocodilo. — Você quase me esmagou quando esbarrei em você!
— Detalhes, pequeno primata — K. Rool começou a acariciar o topo da cabeça de Diddy com um dedo garrafal, um gesto que era simultaneamente ameaçador e estranhamente carinhoso. — Você é muito mais macio do que parece. Deve ser toda aquela dieta de frutas e exercícios na selva. Eu, por outro lado, prefiro as finas iguarias que meus subordinados roubam para mim.
O rei então se inclinou para frente, fazendo com que Diddy sentisse todo o peso da barriga real se deslocar. Ele esticou o braço livre e tocou um sino de bronze que estava sobre uma mesa lateral. O som ecoou alto pelas galerias da caverna. Poucos momentos depois, um Kritter de aparência atrapalhada entrou na sala, batendo as botas de metal no chão e fazendo uma saudação desajeitada.
— Sim, Majestade! — guinchou o Kritter. — Em que posso servir ao nosso glorioso líder?
— Traga o banquete! — ordenou K. Rool, batendo com a palma da mão na lateral do trono, o que fez Diddy dar um pequeno salto. — E traga algo que os macacos gostem. Não quero que meu convidado desmaie de fome antes que o show comece.
O Kritter olhou para Diddy, confuso ao ver o macaquinho sendo segurado daquela forma pelo rei, mas não ousou questionar. Ele deu meia-volta e saiu apressado.
Diddy aproveitou a distração para tentar escorregar pelo lado, mas o braço de K. Rool fechou-se como uma pinça ao redor de sua cintura.
— Aonde pensa que vai? — perguntou o rei, trazendo Diddy de volta para o centro de sua barriga. — A hospitalidade Kremling é obrigatória.
— K. Rool, isso é estranho demais, até para você — disse Diddy, cruzando os braços e fazendo um biquinho. — Por que não me coloca em uma gaiola de uma vez? Seria muito mais normal.
— Uma gaiola é tão... comum — respondeu K. Rool, inclinando a cabeça para o lado. — Qualquer vilão de segunda categoria tem uma gaiola. Mas manter o braço direito de Donkey Kong bem aqui, onde posso sentir cada movimento seu, cada tentativa de fuga... isso é controle de verdade. Além disso, você é surpreendentemente confortável.
Diddy sentiu o rosto esquentar. Ele não sabia se era de raiva ou de vergonha.
— Eu não sou um brinquedo de pelúcia! — protestou ele, chutando levemente as pernas contra o metal da armadura de K. Rool.
— Silêncio, macaquinho — rosnou K. Rool, embora não houvesse raiva real em sua voz. — Ou eu posso decidir que você ficaria melhor no cardápio do que no colo.
Diddy engoliu em seco e decidiu que, por enquanto, o silêncio era a melhor estratégia. Ele se acomodou novamente, percebendo que a barriga de K. Rool, apesar de pertencer a um vilão cruel, era de fato muito macia e quente. O balanço da respiração pesada do rei começou a ter um efeito hipnótico sobre ele, e o cansaço da corrida na floresta começou a pesar em suas pálpebras.
Logo, o banquete chegou. Vários Kritters entraram carregando bandejas de prata carregadas de frutas exóticas, carnes assadas e, para a surpresa de Diddy, um enorme cacho de bananas douradas e perfeitas. Eles colocaram tudo em uma mesa baixa que foi arrastada para a frente do trono.
K. Rool pegou uma perna de frango assada com uma mão, enquanto a outra permanecia firmemente sobre Diddy.
— Coma — disse o rei, empurrando o cacho de bananas para perto do macaquinho. — Precisa estar forte. Um refém magricela não tem valor de troca.
Diddy hesitou por um segundo, mas o cheiro das bananas era irresistível. Ele pegou uma, descascou-a e começou a comer, sentindo o olhar de K. Rool sobre ele o tempo todo.
— Então — disse Diddy entre uma mordida e outra —, qual é o plano de verdade? Você me pega, o Donkey vem, vocês lutam, eu escapo e tudo volta ao normal. Por que todo esse teatro?
K. Rool mastigou a carne lentamente, limpando a gordura do queixo com as costas da mão escamosa.
— Talvez eu esteja cansado do "normal" — admitiu o rei, sua voz baixando para um tom quase confidencial. — Todos os dias é a mesma coisa. Eu tento roubar o estoque de bananas, vocês me impedem. Eu construo uma máquina gigante, vocês a quebram. Às vezes, um rei só quer um pouco de entretenimento diferente. Ver a confusão nos olhos do seu parceiro quando ele te encontrar aqui... isso vale mais do que mil bananas.
— Você é doente, K. Rool — comentou Diddy, embora houvesse menos veneno em suas palavras agora.
— Eu sou um gênio incompreendido — corrigiu o rei, soltando um arroto sonoro que fez Diddy estremecer. — E você, meu pequeno Diddy, é o convidado involuntário da minha melhor performance até agora.
Eles continuaram a comer em um silêncio tenso, mas estranhamente doméstico. K. Rool ocasionalmente oferecia pedaços de outras frutas para Diddy, que as aceitava meio a contragosto. A mão do rei nunca saía de perto do macaquinho, ora acariciando suas costas, ora simplesmente repousando pesadamente sobre ele, garantindo que ele não fosse a lugar nenhum.
Depois que a comida foi limpa, K. Rool recostou-se novamente, parecendo mais satisfeito do que nunca. A luz das tochas estava diminuindo, criando um ambiente de penumbra na sala do trono.
— Sabe — disse K. Rool, a voz agora um sussurro profundo —, eu poderia simplesmente te entregar para o Klump e deixar que ele te trancasse nas masmorras. Mas há algo em sua presença que... acalma os nervos.
Diddy olhou para o rei, surpreso pela admissão de vulnerabilidade, mesmo que mínima.
— Você está carente, K. Rool? — perguntou Diddy com um sorriso travesso. — É por isso que me pegou? Porque não tem amigos?
O olho do rei se arregalou e ele apertou Diddy um pouco mais forte contra sua barriga, fazendo o macaquinho soltar um pequeno "oof".
— Cuidado com a língua, macaco! — rosnou ele. — Eu sou o Rei dos Kremlings! Eu não preciso de amigos. Eu tenho súditos, eu tenho poder, eu tenho...
— Você tem uma barriga gigante e um macaquinho sequestrado — interrompeu Diddy, rindo baixinho.
K. Rool pareceu prestes a explodir em fúria, mas em vez disso, ele apenas bufou, uma nuvem de ar quente saindo de suas narinas.
— Você é muito atrevido para o seu próprio bem. Talvez eu devesse te ensinar uma lição sobre respeito real.
— E como você vai fazer isso? — desafiou Diddy. — Vai me abraçar até a morte?
K. Rool soltou uma risada seca.
— Não me dê ideias, Diddy Kong. Por enquanto, você vai ficar exatamente onde está.
O rei fechou os olhos, e Diddy percebeu que ele estava realmente tentando descansar. A mão massiva de K. Rool agia como um cobertor pesado sobre o corpo de Diddy, e a barriga do rei era como um colchão de água aquecido. Apesar de toda a situação ser absurda e perigosa, o macaquinho sentiu uma exaustão profunda tomar conta dele. Ele lutou contra o sono por alguns minutos, lembrando-se de que deveria estar planejando uma fuga, mas o calor e o ritmo constante da respiração de K. Rool eram sedutores demais.
Eventualmente, a cabeça de Diddy pendeu para o lado, repousando contra as escamas douradas da barriga do rei. K. Rool, percebendo que o macaquinho finalmente havia cedido, abriu um dos olhos e olhou para baixo. Um sorriso pequeno e quase imperceptível surgiu em seus lábios escamosos.
— Durma bem, pequeno inimigo — murmurou o rei, sua voz tão baixa que era apenas um murmúrio gutural. — Amanhã, a guerra recomeça. Mas hoje... hoje o rei tem companhia.
Lá fora, a selva continuava seus sons noturnos, e longe dali, Donkey Kong certamente já estava começando a notar a ausência de seu melhor amigo. Mas dentro da fortaleza dos Kremlings, em um trono de ouro, o Rei e o Macaquinho compartilhavam uma trégua silenciosa e estranha, unidos pelo calor e pela inesperada maciez de um encontro que nenhum dos dois jamais admitiria ter apreciado.
Diddy sonhou com bananas gigantes e árvores que chegavam ao céu, enquanto K. Rool, em seu sono real, mantinha seu prisioneiro seguro, sua mão nunca se afastando daquele pequeno corpo que agora subia e descia em sincronia com sua própria barriga majestosa. A noite estava apenas começando, e o resgate certamente seria barulhento, mas por aquelas poucas horas, a paz reinava no lugar mais improvável da Ilha Donkey Kong.