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Distorção

O Eco da Carne e o Silêncio das Máscaras

— Você consegue ouvir isso? — Mizi sussurrou, a voz carregada de um divertimento sombrio que faria qualquer outra pessoa tremer, mas que em Sua apenas despertava um calor familiar.

As duas estavam deitadas na cama imensa do quarto de Mizi. O lençol de seda branca estava bagunçado, e o ar condicionado trabalhava no máximo para combater o calor úmido daquela noite de sábado. Meses haviam se passado desde que o caos no refeitório da escola mudara tudo. Agora, a casa de Mizi se tornara o quartel-general oficial do grupo — um refúgio onde as máscaras podiam ser deixadas na porta, ou ao menos trocadas por outras mais íntimas.

Sua fechou os olhos, concentrando-se nos sons que atravessavam as paredes largas da mansão suburbana.

— É difícil ignorar — respondeu Sua, a voz pequena.

Vindo do quarto de hóspedes à esquerda, o som de algo batendo contra a cabeceira da cama era acompanhado pelos gemidos roucos e desesperados de Till. Ivan, fiel à sua natureza possessiva, parecia estar finalmente extraindo de Till cada grama de resistência que o garoto de cabelos cinzas tentara manter durante anos. Era uma sinfonia de agressividade e entrega que fazia a espinha de Sua gelar; ela conhecia a crueldade de seu irmão, mas ver Till — o rebelde inalcançável — reduzido àquilo sob o toque de Ivan era um lembrete constante do poder de manipulação do irmão.

Do outro lado do corredor, no quarto à direita, o som era diferente. Hyuna e Luka eram mais rítmicos, intercalados com risadas baixas e os gritos agudos de Hyuna que não faziam esforço nenhum para serem discretos. Era a celebração de um amor que demorara a florescer, mas que agora transbordava.

— Parece que somos as únicas em silêncio — provocou Mizi, apoiando-se no cotovelo para observar o rosto pálido de Sua.

Mizi estava deslumbrante. O cabelo rosa caía sobre os ombros nus, e seus olhos dourados brilhavam com uma malícia predatória. Ela passou a ponta dos dedos pelo pescoço de Sua, onde as marcas de mordidas anteriores ainda estavam desaparecendo.

— Deixe eles — murmurou Sua, tentando manter a compostura. — Eu só quero descansar um pouco.

— Descansar? — Mizi soltou uma risada curta, inclinando-se para morder levemente o lóbulo da orelha de Sua. — Com todo esse barulho lá fora? Você está mentindo, Sua. Eu consigo sentir seu coração batendo como um tambor. E eu consigo sentir... outras coisas também.

Mizi deslizou a mão por baixo do cobertor, encontrando a coxa de Sua. Ela subiu lentamente, os dedos roçando a renda da calcinha da namorada. Sua estava úmida, uma reação instintiva ao ambiente carregado de hormônios e à provocação constante de Mizi.

— Pare, Mizi... — Sua tentou, mas o protesto soou mais como um convite.

— Por que eu pararia? — Mizi continuou, seus dedos agora pressionando levemente através do tecido. — Você está tão excitada, Sua. Ouvir o seu irmão dominar o Till te deixa assim? Ou é o pensamento de que eu sou a única que realmente sabe como te quebrar?

Sua mordeu o lábio inferior, tentando não soltar o gemido que subia por sua garganta. Ela queria se fazer de difícil, queria manter o controle por ao menos uma noite, mas Mizi conhecia cada um de seus pontos fracos. Mizi começou a beijar o pescoço de Sua, alternando entre lambidas úmidas e sucções que deixariam marcas arroxeadas.

— Você é tão teimosa — sussurrou Mizi contra a pele dela. — Mas eu adoro quando você tenta resistir. Isso torna a sua rendição muito mais doce.

Mizi intensificou o toque, seus dedos agora deslizando por dentro da lingerie de Sua, encontrando a umidade abundante que denunciava o desejo da garota. Sua arqueou as costas, abafando um grito no travesseiro. Do lado de fora, Till soltou um gemido mais alto, um som de pura agonia e prazer que pareceu ser o gatilho final para Sua.

Ela não aguentava mais. A provocação de Mizi, o som dos amigos nos outros quartos, a tensão acumulada de meses sendo a "protegida" de uma manipuladora... tudo explodiu dentro dela.

Sua levantou-se subitamente, afastando as mãos de Mizi. Ela estava ofegante, o rosto corado de vergonha e desejo. Mizi a observou com um sorriso satisfeito, esperando o próximo passo.

Sua caminhou até a gaveta da cômoda de Mizi, onde sabia que a namorada guardava certas "distrações" que haviam comprado juntas em um momento de curiosidade, mas que nunca tinham tido a coragem — ou a necessidade — de usar. Ela pegou uma caixa pequena e, com as mãos trêmulas, retirou o objeto de silicone. Era um pênis falso, negro, grosso e consideravelmente grande.

Ela voltou para a cama, evitando olhar diretamente nos olhos dourados de Mizi. O silêncio no quarto agora era absoluto, contrastando com o caos nos quartos vizinhos.

— Use... use isso em mim — sussurrou Sua, estendendo o objeto para Mizi. A vergonha era palpável em sua voz, mas o brilho de determinação em seus olhos roxos era inegável.

Mizi arqueou as sobrancelhas, uma surpresa genuína atravessando sua expressão antes de ser substituída por um brilho de luxúria pura. Ela pegou o objeto, sentindo o peso do silicone.

— Primeira vez para tudo, não é? — Mizi disse, a voz rouca. — Eu não sabia que você tinha desejos tão... profundos, Sua.

Mizi não perdeu tempo. Com uma eficiência que beirava o profissionalismo, ela prendeu o acessório na própria cintura, ajustando as tiras sobre seus quadris. Sua já estava deitada novamente, as pernas abertas de forma vulnerável, o peito subindo e descendo com a respiração curta.

Mizi posicionou-se entre as pernas de Sua. Ela não foi gentil. A máscara de doçura tinha ficado no andar de baixo. Ali, naquele quarto, Mizi era a dona, a mestre, a única autoridade que Sua reconhecia.

— Olhe para mim, Sua — ordenou Mizi.

Sua obedeceu, os olhos nublados. Mizi segurou as coxas de Sua com força, abrindo-as ainda mais, e então, com um movimento único e implacável, ela empurrou tudo para dentro.

O grito que escapou dos lábios de Sua foi o mais alto de toda a casa. Foi um som que rasgou o silêncio do quarto e pareceu abafar até mesmo os gemidos de Hyuna e Till. A sensação de ser preenchida de forma tão bruta e completa fez Sua revirar os olhos instantaneamente. Suas mãos agarraram-se aos lençóis com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.

— Mizi! Ah, meu Deus, Mizi! — Sua soluçava, o corpo inteiro entrando em choque com a nova sensação.

Mizi não deu tempo para ela se acostumar. Ela começou a se mover com uma velocidade e uma força que Sua nunca imaginou que a namorada possuísse. Mizi usava o peso do próprio corpo para impulsionar cada estocada, atingindo o fundo de Sua com uma precisão que a fazia perder o juízo.

— Você queria isso, não queria? — Mizi perguntou, o rosto a centímetros do de Sua, o suor começando a brilhar em sua testa. — Queria sentir algo que o seu irmão nunca pudesse te dar. Queria ser preenchida por mim.

Sua não conseguia responder com palavras. Ela apenas balançava a cabeça freneticamente, as unhas agora cravadas nos braços de Mizi, puxando-a para mais perto. O som do silicone contra a pele era rítmico e alto, uma percussão carnal que acompanhava os gemidos desesperados de Sua.

Mizi era implacável. Ela aumentou o ritmo, as estocadas tornando-se curtas e rápidas, focando no ponto que fazia Sua delirar. Sua sentia que sua consciência estava sendo arrancada de seu corpo. Ela não era mais a garota fria da escola, não era a vítima de Ivan, não era a leitora silenciosa. Ela era apenas um feixe de nervos expostos sob o comando de Mizi.

— Eu vou... eu vou... — Sua balbuciou, as pernas tremendo incontrolavelmente.

— Vá, Sua! — Mizi ordenou, a voz carregada de uma autoridade feroz. — Goze para mim! Esqueça que existe mais alguém neste mundo além de nós duas!

O clímax atingiu Sua como uma onda de choque. Ela sentiu os músculos internos se contraírem violentamente ao redor do objeto, o prazer sendo tão intenso que beirava a dor. Seus olhos reviraram, e ela soltou um grito rouco, a garganta já seca de tanto gemer. O corpo de Sua entrou em convulsão, os espasmos durando longos segundos enquanto ela se desmanchava sob o toque de Mizi.

Mizi não parou imediatamente. Ela continuou a se mover por mais alguns segundos, aproveitando a forma como Sua a apertava, antes de finalmente desabar sobre o peito da namorada, ofegante.

O silêncio voltou ao quarto, interrompido apenas pelas respirações pesadas das duas. Nos outros quartos, os sons também haviam diminuído para sussurros e respirações cansadas.

Mizi levantou a cabeça, observando Sua. A garota de cabelos pretos estava em um estado de transe, os olhos ainda desfocados, um fio de saliva escorrendo pelo canto da boca. Ela parecia completamente destruída e, ao mesmo tempo, finalmente inteira.

— Você está bem? — perguntou Mizi, o tom de voz voltando a uma suavidade quase carinhosa, embora seus olhos ainda brilhassem com o triunfo.

Sua demorou a responder. Ela piscou algumas vezes, focando o rosto de Mizi acima dela. Ela estendeu a mão e acariciou a bochecha da namorada, um sorriso fraco e genuíno surgindo em seus lábios.

— Foi... foi perfeito — sussurrou Sua.

Mizi sorriu, retirando o acessório e jogando-o de lado antes de se aninhar ao lado de Sua, puxando o cobertor sobre as duas.

— Eu te disse, Sua. O Ivan e os outros... eles brincam de ser adultos. Eles acham que entendem o que é posse. Mas o que nós temos... isso é real.

Sua encostou a cabeça no ombro de Mizi. Ela ouviu o som de uma porta se abrindo no corredor — provavelmente Hyuna indo buscar água — e o som de uma risada baixa de Ivan vindo do outro quarto. Mas nada daquilo importava mais.

Pela primeira vez em sua vida, Sua não sentia medo do que aconteceria quando o sol nascesse. Ela não sentia medo de Ivan, nem da escola, nem do futuro. Ela estava segura no labirinto de Mizi, protegida pela obsessão da única pessoa que a via de verdade.

— Mizi? — chamou Sua, já quase pegando no sono.

— Hum?

— Obrigada.

Mizi não respondeu com palavras. Ela apenas apertou o abraço, beijando o topo da cabeça de Sua. No escuro do quarto, as máscaras não eram mais necessárias. Elas eram apenas duas garotas quebradas que haviam encontrado, na crueldade e no prazer uma da outra, a única forma de cura que o mundo lhes permitira ter.

E enquanto o sono as envolvia, o eco dos gemidos e da carne nos quartos vizinhos servia apenas como um lembrete: todos ali eram prisioneiros de seus próprios desejos, mas Sua era a única que havia aprendido a amar a sua carcereira.