Distorção
O Veneno mais Doce é a Verdade
O silêncio na sala de Mizi era diferente do silêncio na casa de Sua. Na casa de Sua, o silêncio era um predador à espreita, o prelúdio de um golpe ou de um grito. Ali, o silêncio era denso, carregado de uma eletricidade que fazia os pelos dos braços de Sua se arrepiarem. Mizi ainda estava por cima dela, o roupão de seda rosa entreaberto, revelando a pele alva que parecia brilhar sob a luz filtrada pelas cortinas.
Sua olhou para Mizi, os olhos roxos marejados não apenas de desejo, mas de uma angústia profunda. Ela precisava saber. Precisava ouvir a verdade, mesmo que a verdade fosse uma lâmina.
— Você disse que eu sou um vício, Mizi — sussurrou Sua, a voz falhando. — Mas para você... eu sou só um jogo? Eu sou só uma forma de você provar que é melhor que o Ivan?
Mizi parou. Seus dedos, que antes traçavam padrões distraídos no pescoço de Sua, pararam de se mover. A máscara de "garota boba" não estava apenas rachada; ela simplesmente evaporou. O rosto de Mizi assumiu uma seriedade gélida, uma profundidade que ela raramente permitia que alguém visse. Ela segurou o rosto de Sua com as duas mãos, forçando-a a encarar a imensidão dourada de seus olhos.
— Escuta aqui, Sua — disse Mizi, a voz baixa e vibrante, desprovida de qualquer traço de ironia. — Eu nunca faço nada que não queira. Eu observo as pessoas, eu as manipulo porque elas são previsíveis e entediantes. Mas você... você não é um experimento.
Mizi aproximou o rosto, encostando a testa na de Sua.
— No começo, eu admito, eu fiquei intrigada. Eu queria ver como você funcionava sob pressão. Mas agora? — Mizi soltou um suspiro pesado, quase irritado. — Eu sinceramente não estou só brincando com você. Eu comecei a amar você, Sua. Do meu jeito torto, doentio e possessivo, mas é amor. Eu não vou te abandonar. Eu não vou deixar você nas mãos do Ivan, e eu nunca, jamais, vou te machucar daquele jeito covarde que ele faz.
Sua sentiu o coração parar. Ouvir a palavra "amor" vinda de Mizi era como beber um veneno que tinha gosto de mel. Era perigoso, era errado, mas era a única coisa que ela queria.
— Você me ama? — Sua perguntou, incrédula.
— Amo — afirmou Mizi, e então um sorriso pequeno e travesso voltou a surgir no canto de sua boca. — Mas deixe bem claro: eu ainda vou brincar com você às vezes. É o meu jeito, Sua. Eu gosto de ver suas reações, gosto de ver como você fica quando eu te provoco. Se você quer ficar comigo, tem que aceitar que eu sou assim. Eu sou a sua dona, mas eu sou uma dona que te adora.
Mizi não deu tempo para Sua responder. Ela selou os lábios das duas em um beijo que não tinha nada de inocente. Era uma promessa e um pacto. Mizi empurrou Sua contra as almofadas do sofá, descartando o roupão de seda com um movimento fluido.
— Agora — murmurou Mizi contra a pele do pescoço de Sua —, eu vou te mostrar o quanto eu te quero.
Mizi desceu pelo corpo de Sua com uma agilidade predatória. Ela não tinha pressa, mas cada movimento era carregado de uma intenção clara. Quando chegou entre as pernas de Sua, Mizi não hesitou. Ela afastou a lingerie de Sua e usou a boca diretamente em sua intimidade.
O contato inicial fez Sua dar um solavanco, as costas arqueando-se violentamente. O calor da língua de Mizi era um contraste gritante com o frio da sala. Mizi era experiente, técnica, mas havia uma fome nova em seus movimentos, uma urgência que ela não demonstrara na escola.
— Mizi... ah, meu Deus... — Sua gemeu, as mãos subindo freneticamente para agarrar os cabelos rosa de Mizi.
Sua apertava a cabeça de Mizi contra si, enterrando os dedos nos fios macios, enquanto Mizi a usava com uma precisão cirúrgica. Mizi alternava entre lambidas longas e sucções firmes, focando no ponto que fazia Sua delirar. O som dos gemidos de Sua preenchia a sala, misturando-se ao som da chuva que começava a cair lá fora.
— Mais... por favor, Mizi — implorou Sua, os quadris movendo-se sozinhos, buscando mais daquele contato.
Mizi subiu novamente, o rosto brilhando, os olhos dourados fixos nos de Sua, que estavam nublados de prazer puro.
— Você quer mais? — perguntou Mizi, a voz rouca. — Então receba tudo.
Sem aviso, Mizi introduziu três dedos de uma vez. O preenchimento repentino fez Sua soltar um grito abafado contra o ombro de Mizi. Era intenso, quase demais, mas a dor era imediatamente engolida por uma onda de prazer avassalador. Mizi começou um movimento rítmico e forte, esticando Sua, forçando-a a enfrentar a plenitude daquela invasão.
— Isso... geme para mim, Sua — ordenou Mizi, aumentando a velocidade. — Esqueça o nome do seu irmão. Esqueça aquela casa. Sente só o que eu estou fazendo com você.
Sua estava em transe. Ela via cores, sentia o mundo girar. Cada estocada dos dedos de Mizi parecia atingir o centro de sua alma. Ela pedia por mais, pedia para que fosse mais forte, mais fundo. Ela queria ser marcada por dentro, queria que Mizi reivindicasse cada nervo de seu corpo.
— Mais forte! — Sua gritou, as unhas cravando-se nos ombros de Mizi, deixando marcas vermelhas na pele pálida. — Mizi, agora!
Mizi obedeceu, usando toda a força de sua mão, os dedos movendo-se em um ritmo frenético que não dava espaço para respirar. O ápice veio como uma explosão. Sua sentiu o corpo inteiro entrar em convulsão, os músculos das coxas tremendo incontrolavelmente enquanto ela gozava de forma devastadora. Ela apertava Mizi contra si como se sua vida dependesse daquele contato, os soluços de prazer escapando por entre seus lábios entreabertos.
Mizi não se afastou. Ela continuou ali, mantendo a pressão, deixando que as ondas do orgasmo de Sua diminuíssem lentamente, aproveitando cada espasmo das paredes internas de Sua ao redor de seus dedos.
— Viu? — Mizi sussurrou no ouvido de Sua, a respiração ainda ofegante. — Você é minha. De corpo, alma e cada pequeno gemido que você solta.
Lentamente, Mizi retirou a mão e deitou-se ao lado de Sua, puxando-a para um abraço apertado. Sua estava exausta, a mente finalmente em paz, o peso do mundo parecendo mais leve agora que ela tinha um porto seguro, por mais caótico e perigoso que ele fosse.
Mizi acariciava o rosto de Sua, limpando uma lágrima que escorria pelo canto do olho roxo da garota.
— O Ivan nunca vai saber o que é isso — disse Mizi, com um tom de triunfo. — Ele acha que possui as pessoas através do medo. Mas ele nunca vai ter o que eu tenho de você. Ele nunca vai ter a sua entrega.
Sua olhou para Mizi e, pela primeira vez, sentiu que podia realmente confiar, não na bondade de Mizi, mas na sua obsessão. No mundo distorcido em que viviam, a obsessão de Mizi era a coisa mais próxima de proteção que ela já tivera.
— Eu te amo, Mizi — disse Sua, a voz firme.
Mizi sorriu, um sorriso que desta vez chegou aos olhos.
— Eu sei, Sua. Eu sei. E é por isso que este jogo está apenas começando.
Elas ficaram ali, abraçadas no sofá, enquanto a tarde caía. O perigo ainda estava lá fora, o Ivan ainda era uma ameaça e a escola ainda era um campo de batalha. Mas naquele momento, dentro daquela casa que cheirava a baunilha e segredos, Sua não era mais a vítima. Ela era a protegida da pessoa mais perigosa que já conhecera. E isso era tudo o que importava.