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O Labirinto de Emoções e a Tensão do Gelo

A manhã na casa da Briar U começou com o aroma inconfundível de café forte e bacon, um contraste gritante com o silêncio sagrado da noite anterior. Kellen acordou sentindo-se como se estivesse envolta em um casulo de calor humano. De um lado, o braço pesado de Garrett repousava sobre sua cintura; do outro, Logan respirava de forma rítmica, o rosto enterrado na curvatura do seu pescoço. Aos seus pés, Dean ainda ressonava baixinho, uma visão rara de vulnerabilidade para o homem que geralmente exalava uma confiança inabalável.

Ela tentou se mexer, mas o movimento fez com que Logan apertasse o abraço, mesmo dormindo.

— Nem pense nisso — murmurou uma voz vinda da porta.

Kellen levantou a cabeça e viu Tucker. Ele já estava vestido com seu equipamento de treino, segurando duas canecas de cerâmica. Ele se aproximou da cama com passos de gato, entregando uma das canecas para ela.

— Café. Preto, como você gosta para acordar o cérebro — ele sussurrou, sentando-se na beirada da cama que ainda sobrava. — Como se sente?

— Como se tivesse sido atropelada por um caminhão de ternura — Kellen respondeu em um sussurro, dando o primeiro gole e sentindo a cafeína despertar seus sentidos. — Obrigada, Tuck. Por ontem. Por tudo.

Tucker sorriu, aquele sorriso calmo que sempre parecia dizer que ele tinha o controle de tudo.

— Você merecia. Mas agora, o mundo real chama. Garrett e Dean têm treino extra hoje, e Logan... bem, Logan tem aquela aula de filosofia que ele odeia.

Como se o som de seu nome fosse um gatilho, Logan abriu um dos olhos.

— Eu não odeio a aula. Eu odeio o professor. É diferente — ele resmungou, a voz rouca de sono enviando arrepios pela espinha de Kellen. Ele se inclinou e beijou a bochecha dela antes de se sentar. — Bom dia, Kel.

— Bom dia, rabugento — ela brincou.

Em poucos minutos, a cama era um caos de lençóis revirados e homens se espreguiçando. Dean finalmente acordou, jogando o cabelo loiro para trás e lançando um olhar predador para Kellen.

— Se a gente não tivesse gelo em vinte minutos, eu proporia um tipo muito diferente de exercício matinal — ele disse, a voz carregada de segundas intenções.

— Dean, foco — Garrett repreendeu, embora estivesse sorrindo enquanto roubava um beijo rápido de Kellen. — Temos o jogo contra a Michigan no sábado. Se perdermos o foco agora, o treinador vai nos patinar até a morte.

— O treinador não tem uma Kel para motivar ele — Dean rebateu, piscando para ela enquanto se levantava e exibia o físico invejável sem a menor timidez.

A manhã seguiu em um turbilhão. Kellen observou-os partirem, cada um deixando uma marca diferente nela antes de cruzar a porta: o beijo protetor de Tucker, o abraço firme de Garrett, o olhar intenso e silencioso de Logan e o tapa atrevido (e devidamente retribuído) de Dean.

Sozinha na casa, o silêncio voltou, mas não era mais opressor. Ela se sentou à mesa da cozinha com seus livros de anatomia, mas sua mente teimava em vagar. Ela pensava na complexidade daquela relação. Para o mundo exterior, eles eram apenas quatro jogadores de hóquei e uma estudante de medicina. Ninguém entenderia a teia de suporte, desejo e respeito que os unia.

Por volta do meio-dia, o celular de Kellen vibrou. Era uma mensagem no grupo que os cinco compartilhavam, apropriadamente nomeado de "Zona de Perigo".

*Dean: Kel, se você não trouxer comida pro vestiário, eu vou comer o protetor bucal do Garrett. Ele tá insuportável hoje.*

*Garrett: Ignora ele. Mas se trouxer aqueles sanduíches do café da esquina, eu te dou meu troféu de MVP.*

*Logan: Eu só quero ver você.*

*Tucker: Ignora todos eles. Eu já preparei um lanche pra você na geladeira, Kel. Pega antes de sair. Te vejo na arena.*

Kellen riu, fechando o livro. A anatomia podia esperar uma hora. Ela pegou a bolsa térmica que Tucker havia deixado preparada — ele sempre pensava em tudo — e dirigiu-se para a arena de hóquei da Briar.

O frio do ringue de patinação sempre a atingia como um choque térmico, mas o som dos patins cortando o gelo era hipnótico. Ela se sentou nas arquibancadas vazias, observando-os. Eles eram uma máquina perfeita. Garrett liderava com precisão, Dean era a força bruta e a velocidade, Logan era o estrategista que via jogadas antes mesmo delas acontecerem, e Tucker era a muralha defensiva.

Quando o treino terminou, eles a avistaram. Dean foi o primeiro a pular a mureta, deslizando até onde ela estava, o rosto suado e o sorriso largo.

— Minha salvadora! — ele exclamou, tentando abraçá-la enquanto ainda estava com o equipamento molhado.

— Sai, Dean! Você está nojento! — Kellen riu, empurrando-o, mas ele conseguiu roubar um beijo rápido que deixou o gosto de sal em seus lábios.

— Deixa ela em paz, Di Laurentis — Logan disse, aproximando-se com mais calma, tirando as luvas. Ele subiu os degraus e sentou-se ao lado dela, exausto. — Como foi o estudo?

— Produtivo, até vocês começarem a me inundar de mensagens — ela respondeu, entregando a ele uma garrafa de água.

Garrett e Tucker chegaram logo atrás. Havia uma energia elétrica entre eles após o treino, uma mistura de adrenalina e a familiaridade de estarem todos juntos. Eles se acomodaram ali mesmo, nas arquibancadas, dividindo os lanches que Tucker tinha feito.

— O clima está ficando tenso para sábado — Garrett comentou, sua expressão ficando séria. — Os olheiros da NHL vão estar lá. Logan, você precisa estar afiado naquele flanco esquerdo.

— Eu sei, G. Eu estou nele — Logan respondeu, o tom de voz indicando que ele já estava processando a pressão.

Kellen sentiu a mudança no ar. A pressão sobre eles era imensa. O hóquei não era apenas um esporte; era o futuro deles. E Logan, em particular, lidava com as expectativas de uma forma mais pesada, guardando tudo para si até que estivesse prestes a explodir.

Ela colocou a mão sobre a de Logan. Ele olhou para ela, e por um segundo, a barreira caiu.

— Você vai ser incrível — ela disse suavemente. — Todos vocês vão.

— Com você na primeira fila? — Dean interveio, tentando aliviar a tensão. — Eu sou capaz de marcar um hat-trick só para ver você comemorar.

— Só um? — Tucker provocou. — Eu pretendo não deixar passar nem pensamento pelo meu gol.

A conversa fluiu para estratégias e piadas internas, mas Kellen notou que Logan permanecia quieto demais. Quando eles voltaram para o vestiário para se trocar, ela esperou no corredor. Tucker saiu primeiro e, ao ver a expressão dela, entendeu imediatamente.

— Ele está na cabeça dele de novo, não está? — Tucker perguntou, ajeitando a mochila no ombro.

— Está. Ele fica assim quando a pressão aumenta.

— Dê um tempo a ele — aconselhou Tucker, beijando a têmpora dela. — Nós vamos para casa preparar o jantar. Traga ele quando ele estiver pronto para falar.

Kellen acenou e esperou. Dean e Garrett saíram logo depois, discutindo uma jogada, e ambos deram um aperto carinhoso no ombro dela antes de seguirem Tucker. Por fim, Logan apareceu. Ele parecia exausto, o cabelo moreno ainda úmido do banho, a bolsa de equipamentos pendurada no ombro como se pesasse uma tonelada.

— Achei que você tivesse ido com os outros — ele disse, surpreso ao vê-la.

— E perder a chance de caminhar com o meu jogador favorito? — ela sorriu, aproximando-se e pegando a mão livre dele.

Eles caminharam em silêncio pelo campus. O ar da noite estava esfriando, e Logan parecia relaxar a cada passo longe da arena.

— Às vezes — começou Logan, a voz quase sumindo no vento —, eu sinto que se eu falhar no sábado, tudo o que eu construí desmorona. Meu pai, a bolsa, o futuro... parece que eu estou andando em gelo fino.

Kellen parou de caminhar e o forçou a encará-la.

— Logan, olhe para mim. O gelo não é fino. Você tem o Garrett, o Dean e o Tucker patinando logo atrás de você. E você tem a mim na borda, pronta para te puxar se você cair. Mas você não vai cair. Você é Logan Sanders. Você é a pessoa mais resiliente que eu conheço.

Logan suspirou, puxando-a para um abraço apertado. Ele escondeu o rosto no pescoço dela, inspirando o perfume que o acalmava.

— Eu não sei o que fiz para merecer você. Para merecer todos nós.

— Você não "fez" nada, Logan. Você apenas é quem é. E nós te amamos por isso.

Eles ficaram assim por um longo tempo, até que o estômago de Logan roncou, quebrando o momento solene. Kellen riu.

— Vamos. Tucker prometeu lasanha, e se demorarmos, o Dean vai comer a sua parte.

Quando chegaram em casa, a cena era o puro caos doméstico que Kellen aprendera a amar. Dean e Garrett estavam em uma disputa acirrada de videogame na sala, gritando um com o outro, enquanto Tucker comandava a cozinha com a autoridade de um chef de cinco estrelas.

— Finalmente! — Dean gritou sem tirar os olhos da tela. — Logan, vem aqui me ajudar, o Garrett está trapaceando!

— Eu não estou trapaceando, eu estou ganhando! É uma diferença sutil que você não entende! — Garrett rebateu, rindo.

Logan soltou um riso curto, o primeiro da noite, e jogou sua mochila no sofá.

— Sai da frente, Dean. Deixa um profissional resolver isso.

Kellen foi para a cozinha, onde Tucker estava tirando a lasanha do forno. O calor do ambiente e o cheiro da comida eram o abraço final de que ela precisava naquele dia.

— Ele está melhor? — Tucker perguntou em voz baixa.

— Está. Só precisava lembrar que não está sozinho.

Tucker sorriu e entregou a ela os pratos.

— Ele nunca está. Nenhum de nós está.

O jantar foi uma celebração antecipada. Eles riram das histórias de Dean sobre as festas da fraternidade, discutiram seriamente sobre as matérias de Kellen e, por um momento, a pressão do jogo de sábado parecia a quilômetros de distância.

Mais tarde, enquanto se acomodavam na sala para assistir a um filme qualquer, a dinâmica natural deles se manifestou novamente. Kellen estava sentada no chão, entre as pernas de Tucker, que trançava seus cabelos distraidamente. Garrett e Logan ocupavam o sofá atrás dela, com as pernas entrelaçadas, e Dean estava deitado no tapete, com a cabeça apoiada no colo de Kellen.

— Sabe — disse Dean, quebrando o silêncio enquanto os créditos iniciais do filme rolavam —, as pessoas acham que a gente é louco.

— E elas estão erradas? — Logan perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Talvez um pouco — admitiu Garrett, passando a mão pelo ombro de Logan. — Mas eu não trocaria isso por nada. Ter a Kel... ter vocês. É a única coisa que faz sentido nessa universidade maluca.

Kellen olhou para cada um deles. O brilho da TV refletia nos olhos azuis de Dean, na expressão serena de Garrett, no olhar agora tranquilo de Logan e no sorriso protetor de Tucker. Ela percebeu que, embora o futuro fosse incerto e o mundo lá fora pudesse ser cruel, ali, naquela sala bagunçada com cheiro de lasanha e equipamentos de hóquei, ela tinha tudo.

— Eu também não trocaria — ela sussurrou, sentindo a mão de Tucker apertar levemente seu ombro e Dean beijar sua mão.

A noite avançou e, um a um, eles foram vencidos pelo cansaço. Mas antes de subirem para o quarto, Dean se levantou e estendeu a mão para Kellen.

— Amanhã o treino é cedo — ele disse, com uma suavidade incomum. — Mas hoje... hoje eu só quero dormir sabendo que você está ali.

Eles subiram as escadas como uma unidade. Naquela noite, o quarto de Logan foi o escolhido. O espaço era um pouco menor, o que os forçava a ficar ainda mais próximos. Kellen ficou no centro, um ponto de gravidade para os quatro homens que dariam a vida por ela.

Enquanto a respiração de cada um se tornava pesada com o sono, Kellen sentiu uma paz profunda. A anatomia humana, que ela tanto estudava nos livros, era fascinante, mas nada se comparava à anatomia daquele amor. Era um sistema complexo, cheio de veias de lealdade, músculos de proteção e um coração que batia em cinco ritmos diferentes, mas em perfeita sincronia.

O jogo de sábado viria. Os olheiros estariam lá. A pressão voltaria. Mas enquanto as luzes da Briar U brilhavam fracas lá fora sob a névoa da noite, dentro daquele quarto, o gelo era sólido, o calor era eterno e Kellen sabia que, independentemente do placar, eles já tinham vencido o jogo mais importante de suas vidas.

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