Duas
O Cio da Mansidão
A atmosfera no tríplex de Emanuel estava carregada desde as primeiras horas da manhã. O ar parecia mais espesso, saturado por um magnetismo que emanava de Eduarda. Ela não acordara como a menina frágil e silenciosa de costume; havia algo de predatório em sua timidez, uma urgência que se manifestava em cada movimento deliberadamente lento.
Emanuel estava no escritório doméstico, tentando se concentrar no design de uma nova série de tatuagens neo-tradicionais para um cliente VIP de Tóquio. No entanto, o foco era impossível. Eduarda entrava e saía da sala sob os pretextos mais fúteis. Ora era para oferecer um café que ele não pedira, ora para procurar um livro que ela nunca lera.
Em cada passagem, ela garantia que seu corpo tocasse o dele. Ao deixar a xícara na mesa, ela se inclinou de modo que a lateral de seu seio, sem sutiã sob o vestido de seda fina, roçasse no braço tatuado de Emanuel.
— Está tudo bem, amor? — sussurrou ela perto do ouvido dele, o hálito quente com cheiro de hortelã arrepiando os pelos da nuca do homem. — Você parece tão tenso... queria tanto poder te ajudar a relaxar.
Emanuel segurou a borda da mesa, os nós dos dedos brancos. Ele sentia o cheiro dela — não era apenas o perfume de baunilha, era o cheiro de uma mulher no auge de seu desejo, um aroma primal que aguçava seus sentidos.
— Eduarda, eu tenho prazos — disse ele, a voz soando mais rouca do que pretendia. — Vá para a sala.
— Mas a sala está tão barulhenta — ela murmurou, deslizando as mãos pequenas pelos ombros dele, as unhas cravando-se levemente no tecido da camisa. — A Sara está assistindo TV com o volume no máximo. Eu só queria ficar aqui... onde é seguro. Onde você pode me ver.
Ela rodeou a cadeira e sentou-se na beirada da mesa de carvalho, cruzando as pernas e deixando o vestido subir até o meio das coxas. Ela não usava calcinha. Emanuel viu o vislumbre da pele alva e o brilho do pequeno coelho tatuado em seu monte de vênus, parecendo provocá-lo.
Sara entrou no escritório sem bater, como sempre fazia. Ela usava um conjunto de lycra preta, o abdômen definido à mostra e o rosto carregado de irritação.
— Mas que porra é essa? — Sara disparou, parando no meio do cômodo. — Emanuel, eu estou te chamando há meia hora para ver o roteiro daquela festa. E você, sonsa, o que está fazendo em cima da mesa dele?
Eduarda não se assustou. Ela apenas olhou para Sara com um sorriso lânguido, quase piedoso.
— O Emanuel está trabalhando, Sara. Eu só estou garantindo que ele não se sinta sozinho. Coisa que você não entenderia, já que só sabe gritar.
— Sozinho? — Sara soltou uma risada estridente, aproximando-se da mesa com passos pesados. — Ele está tentando trabalhar e você está aí, se esfregando como uma gata no cio. Sai daí agora, Eduarda, antes que eu te tire pelos cabelos.
Emanuel levantou-se abruptamente, a cadeira rolando para trás. A tensão entre as duas era um fósforo aceso em um barril de pólvora.
— Chega! — Emanuel rugiu. — Eu não vou conseguir fazer nada com vocês duas se matando.
Eduarda viu a oportunidade. Ela deslizou da mesa e segurou a mão de Emanuel, puxando-o em direção à porta do quarto principal, que ficava anexo ao escritório.
— Você tem razão, amor — disse Eduarda, a voz agora doce como mel, mas com um brilho de aço nos olhos castanhos. — Você precisa de silêncio. Vamos para o quarto. Eu vou cuidar de você.
Antes que Sara pudesse reagir, Eduarda empurrou Emanuel para dentro do quarto e, com uma agilidade que ninguém esperaria dela, girou a chave na fechadura e acionou a trava interna de segurança.
— Ei! — O grito de Sara veio do outro lado da porta, seguido por um soco violento na madeira maciça. — Abre essa porra agora, Eduarda! Emanuel, você vai deixar essa maluca te trancar aí?
Emanuel olhou para a porta e depois para Eduarda. A garota tímida havia desaparecido. Ela jogou a chave dentro de um vaso de cristal e caminhou até ele, desabotoando os botões do vestido com uma urgência febril.
— Esquece ela — sussurrou Eduarda, empurrando Emanuel em direção à cama king-size. — Hoje você é só meu. Eu não vou dividir o seu cheiro, o seu toque ou o seu corpo com aquela vulgar.
— Eduarda, você enlouqueceu? — Emanuel perguntou, embora seu corpo estivesse respondendo a cada movimento dela.
— Eu estou com fome de você — ela respondeu, jogando o vestido no chão e ficando completamente nua diante dele. — Minha bucetinha está gritando pelo seu nome desde que eu acordei. Você não sente?
Ela o empurrou nos travesseiros e subiu em cima dele, sentando-se sobre seu abdômen. Emanuel sentiu o calor úmido dela através do tecido de sua calça. Do lado de fora, os gritos de Sara se tornaram insultos histéricos.
— EU SEI O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO, SUA VADIA! — Sara berrava, esmurrando a porta. — EMANUEL, ABRE ESSA PORTA! ELA ESTÁ TE MANIPULANDO! ELA NÃO É NADA PERTO DE MIM!
— Ela está com inveja — Eduarda comentou baixinho, inclinando-se para morder o lóbulo da orelha de Emanuel. — Porque ela sabe que, por mais que ela grite, é em mim que você encontra o que realmente deseja.
Eduarda começou a abrir o cinto de Emanuel com as mãos trêmulas pela excitação. Ela o libertou e, sem aviso, guiou-o para dentro de si em um único movimento fluido. Ela soltou um suspiro agudo, a cabeça caindo para trás, os cabelos castanhos espalhando-se pelos ombros dele.
— Tão apertada... — Emanuel gemeu, as mãos subindo para apertar a cintura dela, os dedos enterrando-se na pele macia.
— Sou só sua — ela arquejou, começando a cavalgar nele com uma ganância que ele nunca vira. — Sente como eu te aperto? Sente como eu sou quente?
Lá fora, o som de algo quebrando no corredor indicava que Sara estava perdendo o controle.
— EU VOU QUEBRAR ESSA PORTA! — Sara gritava, a voz embargada de fúria e, talvez, de uma ponta de desespero. — VOCÊS NÃO PODEM ME DEIXAR AQUI FORA! EMANUEL, EU SOU MUITO MELHOR QUE ELA! ELA É UMA MORTA, ELA NÃO TEM O MEU CORPO!
Eduarda riu entre dentes, aumentando o ritmo das estocadas. Seus seios médios e macios balançavam diante dos olhos de Emanuel, e ele os capturou com as mãos, massageando-os com força.
— Ouviu isso? — Eduarda provocou, olhando para a porta e depois voltando o olhar triunfante para Emanuel. — Ela acha que o silicone dela compensa a falta de alma. Mas você está aqui dentro de mim, não está? Você sente o meu sangue pulsar, sente como eu sou real.
Emanuel não conseguia mais formular pensamentos lógicos. O contraste entre a agressividade verbal de Sara do lado de fora e a entrega visceral de Eduarda no quarto criava um cenário erótico distorcido e viciante. Ele inverteu as posições, jogando Eduarda de costas e enterrando-se nela com toda a força, as tatuagens de seus braços contrastando com a pele pálida e delicada da garota.
As horas passaram, mas o tempo parecia ter parado dentro daquele quarto. O sol mudou de posição no céu, banhando o ambiente com tons de laranja e púrpura, enquanto Emanuel e Eduarda se perdiam um no outro. Eles transaram em todas as posições possíveis: no tapete de pele, contra a janela de vidro que dava vista para a cidade, e repetidamente sobre os lençóis agora desordenados.
Eduarda estava insaciável. Cada vez que Emanuel tentava parar para recuperar o fôlego, ela o provocava, usando a língua, as mãos e aquele olhar de "menina perdida" que escondia uma luxúria sem fundo.
— Mais... — ela pedia, as pernas envolvidas no pescoço dele. — Não para. Eu quero que você me marque por dentro. Quero que o meu cheiro fique em você por dias, para que ela sinta toda vez que chegar perto.
Enquanto isso, o corredor tornara-se um campo de batalha silencioso. Sara, exausta de gritar, agora sentava-se encostada na porta, batendo a cabeça ritmicamente contra a madeira. Ocasionalmente, ela soltava um xingamento baixo ou um soluço de frustração.
— Eu odeio você, Eduarda — Sara murmurava, as unhas arranhando a pintura da porta. — Eu odeio como você faz ele de idiota. Eu sou a loira, eu sou a gostosa... era para ele estar me fodendo agora.
A noite caiu e Emanuel finalmente desabou ao lado de Eduarda. Ambos estavam suados, exaustos e cobertos por marcas de posse — mordidas, arranhões e o suor um do outro.
— Você foi incrível — Emanuel disse, a voz quase sumindo.
Eduarda aninhou-se no peito dele, desenhando círculos invisíveis sobre as tatuagens do seu coração.
— Eu te disse. Eu sou a sua paz, mas também posso ser o seu inferno. Você não precisa de mais nada além disso.
O silêncio do lado de fora foi subitamente quebrado pelo som da chave reserva girando na fechadura. Emanuel sentou-se na cama, mas era tarde demais. Sara havia conseguido a chave com uma das empregadas que chegara para o turno da noite.
A porta se abriu com violência. Sara estava com a maquiagem borrada, os olhos inchados e o cabelo loiro em total desordem. Ela parecia uma visão de fúria saída de um pesadelo.
— SEUS VAGABUNDOS! — ela berrou, avançando para o pé da cama. — VOCÊS ME DEIXARAM LÁ FORA O DIA INTEIRO! COMO VOCÊS OUSAM?
Eduarda não se cobriu. Ela permaneceu deitada, exibindo o corpo saciado e as marcas de Emanuel em sua pele. Ela olhou para Sara com um desdém tão profundo que a loira parou no lugar.
— Você ainda está aqui, Sara? — Eduarda perguntou, a voz calma e carregada de satisfação. — Pensei que já tivesse entendido o seu lugar. O Emanuel estava ocupado com uma mulher de verdade.
— Mulher de verdade? — Sara avançou para cima da cama, tentando agarrar Eduarda, mas Emanuel a segurou pelo pulso, puxando-a para baixo.
— Já chega, Sara! — Emanuel ordenou. — Eu não aguento mais os seus gritos.
— Você me trancou do lado de fora, Emanuel! — Sara chorou, a voz mudando de fúria para uma carência agressiva. — Você deixou essa... essa sonsa te prender! Olha para mim! Eu sou muito mais quente que ela! Eu sou o que você gosta!
Sara começou a tirar a própria roupa ali mesmo, de forma frenética e vulgar, expondo os seios siliconados e a barriga chapada.
— Me fode agora! — ela exigiu, jogando-se sobre as pernas de Emanuel. — Tira o cheiro dela de você! Eu quero que você me use até eu esquecer que esse dia existiu!
Eduarda sentou-se, encostando as costas na cabeceira da cama e observando a cena com um sorriso de lado. Ela sabia que tinha vencido o round principal. Emanuel estava exausto, mas a visão de Sara se humilhando por atenção era o complemento perfeito para o seu dia de domínio.
— Ela é tão desesperada, não é, amor? — provocou Eduarda, estendendo a mão para acariciar o ombro de Emanuel enquanto Sara tentava beijá-lo à força. — Ela acha que o barulho substitui a conexão.
Emanuel olhou para as duas. Eduarda, a calmaria perigosa que o sequestrara por horas; e Sara, a tempestade barulhenta que exigia sua cota de carne. Ele sentiu um surto de poder. Ele era o eixo em torno do qual aquelas duas vidas desequilibradas giravam.
— Sara, cale a boca e fique de quatro — Emanuel comandou, a voz fria e autoritária.
Sara obedeceu instantaneamente, um brilho de triunfo doentio em seus olhos, mesmo que fosse apenas para receber as "sobras" do dia de Eduarda.
— E você, Eduarda — Emanuel voltou-se para a morena —, continue olhando. Quero que você veja o que acontece quando alguém me desafia a escolher.
Eduarda manteve o sorriso, embora seus olhos castanhos brilhassem com uma ponta de ciúme renovado. Ela se acomodou nos travesseiros, observando Emanuel possuir Sara com uma brutalidade que era puramente punitiva. Sara gritava, não apenas de prazer, mas de uma necessidade quase patológica de ser notada, de provar que seu corpo era mais impactante que a essência de Eduarda.
— Eu sou... melhor... não sou? — Sara arquejava, a cabeça batendo no colchão enquanto Emanuel a usava. — Diz... diz que a minha buceta é mais quente...
Emanuel não respondeu. Ele apenas olhou para Eduarda por cima do ombro de Sara. Eduarda piscou para ele, levando a mão à própria intimidade, participando do ato como uma espectadora privilegiada de sua própria vitória.
Naquela noite, o tríplex de Emanuel não conheceu o sono. Entre o cio de Eduarda e a fúria de Sara, ele navegava por um mar de excessos. Ele sabia que Eduarda o tinha nas mãos de um jeito que Sara jamais conseguiria, mas o desespero da loira era um tempero que ele ainda não estava pronto para descartar.
Quando a madrugada finalmente trouxe um silêncio exausto, as duas mulheres estavam caídas de cada lado dele. Eduarda segurava sua mão direita, e Sara, a esquerda. Emanuel olhou para o teto, sentindo o peso daquela dinâmica tóxica e inebriante. Ele era um homem rico, poderoso e bem-sucedido, mas ali, entre a mansidão manipuladora e a vulgaridade carente, ele era apenas um prisioneiro de seus próprios desejos. E, enquanto Eduarda tivesse a chave do quarto e Sara tivesse a força para esmurrar a porta, ele sabia que nunca quereria ser libertado.