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Duas

Sombras e Dedos Sedentos

O loft estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho azulado e intermitente da enorme tela de LED. O som do home theater preenchia o ambiente com uma trilha sonora tensa, repleta de violinos estridentes e batidas cardíacas abafadas. Emanuel estava sentado no centro do sofá de couro italiano, uma presença sólida e autoritária. De um lado, Sara, que já tinha se recuperado da ressaca da noite anterior e agora exibia um pijama de seda minúsculo que mal cobria sua bunda siliconada; do outro, Eduarda, encolhida, abraçando uma almofada de veludo como se sua vida dependesse disso.

— Ai, que tédio! Esse filme é lento demais — reclamou Sara, bocejando e jogando as pernas por cima das coxas de Emanuel. — Quando é que o assassino vai estripar essa loira burra logo?

— Cala a boca, Sara! — Eduarda sibilou, a voz trêmula. — É suspense psicológico. Eu estou com medo de verdade... Manu, não deixa ela mudar.

Emanuel não disse nada, mas sua mão direita pousou no ombro de Eduarda, apertando-o de leve. Ele sentia o tremor dela, a fragilidade que tanto o instigava. Eduarda era como uma boneca de porcelana que ele tinha vontade de quebrar e consertar ao mesmo tempo. Já Sara era o ruído constante, a vulgaridade que ele consumia com voracidade, mas que às vezes o esgotava.

— Medo? — Sara soltou uma risada debochada, esticando-se para pegar uma taça de vinho na mesa de centro. — Você tem medo até da própria sombra, Duda. Emanuel, me dá um pouco de atenção aqui, essa sonsa está ocupando o espaço todo.

Emanuel olhou para Sara com aquele seu olhar frio de quem controla impérios de tatuagem e milhões em conta.

— Deixa a garota em paz, Sara. Ela quer ver o filme. Se está entediada, vai retocar esse botox ou dormir.

Sara bufou, mas se calou, sabendo que quando Emanuel usava aquele tom, era melhor não esticar a corda. Ela se acomodou melhor, focando no celular enquanto o filme avançava para uma cena de perseguição numa floresta escura.

Foi então que a mão de Emanuel, que antes estava no ombro de Eduarda, começou a descer. Lentamente. Ele deslizou os dedos pelo braço dela, sentindo os arrepios na pele alva. Eduarda suspirou baixo, achando que era apenas um carinho protetor para acalmá-la do susto na tela.

Mas a mão não parou. Emanuel a levou até a coxa de Eduarda, que estava coberta apenas por um shortinho de dormir de algodão fino, uma peça que Sara a obrigara a usar dizendo que ela "precisava parar de se vestir como uma freira".

Eduarda arregalou os olhos quando sentiu a palma quente de Emanuel apertar a parte interna de sua coxa. Ela olhou de soslaio para Sara, que estava a centímetros de distância, distraída com o brilho da tela do celular.

— Manu... — Eduarda sussurrou, a voz falhando.

— Shhh — ele murmurou, sem tirar os olhos da TV, embora não estivesse prestando a mínima atenção no filme. — Só relaxa, pequena. Eu estou aqui.

Os dedos longos e calejados de Emanuel, acostumados à precisão das agulhas de tatuagem, deslizaram para baixo do tecido do short. Eduarda deu um sobressalto, o coração disparando tanto pelo filme quanto pela audácia dele. Ela tentou fechar as pernas, mas a mão dele era firme, uma âncora de desejo que a impedia de fugir.

— Caramba, que gritaria! — Sara comentou, apontando para a TV onde a protagonista fugia de um vulto. — Se eu fosse ela, já tinha dado uma voadora nesse monstro. Né, Emanuel?

— Com certeza — Emanuel respondeu com a voz perfeitamente estável, enquanto seu dedo médio encontrava a lateral da calcinha de renda de Eduarda.

Eduarda sentiu o mundo girar. O contraste entre a conversa banal de Sara e a invasão possessiva de Emanuel a deixava em um estado de choque erótico. O dedo dele enganchou no elástico fino e o puxou para o lado, expondo a intimidade úmida e quente da estudante de arte.

— Manu... não... a Sara... — Eduarda tentou protestar num fio de voz, mas o que saiu foi quase um gemido que ela teve que abafar mordendo o lábio inferior.

Emanuel ignorou o apelo. Ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele queria ver até onde a timidez de Eduarda aguentava antes de ruir. Ele mergulhou o dedo na fenda dela, encontrando-a já lubrificada, o que o fez dar um sorriso de canto, quase imperceptível.

— Nossa, o clima desse filme é pesado, né? — Sara disse, ajeitando o decote e se encostando mais no braço de Emanuel. — Dá até um calor.

— É — Emanuel disse, começando a esfregar o dedo com força e ritmo no clitóris de Eduarda. — Um calor insuportável.

Eduarda arqueou as costas, a almofada sendo esmagada contra seu peito. A sensação do dedo de Emanuel — firme, experiente, impiedoso — contra seu ponto mais sensível era avassaladora. Ele não estava sendo delicado; era uma carícia vulgar, direta, feita para desarmá-la.

— Uhm... — Eduarda soltou um som gutural quando ele afundou o dedo nela, sentindo o aperto da bucetinha apertada e quente.

— O que foi, Duda? — Sara perguntou, virando o rosto para a amiga. — O bicho apareceu?

Eduarda sentiu o pânico subir pela espinha. Emanuel não parou. Pelo contrário, ele começou a enfiar o dedo e retirá-lo com rapidez, fazendo um som úmido que, felizmente, era camuflado pelos gritos da trilha sonora do filme.

— É... é que... a cena... — Eduarda gaguejou, o rosto queimando de vergonha e prazer. — É muito... chocante.

— Você é muito sensível, credo — Sara revirou os olhos e voltou para o celular. — Emanuel, me serve mais vinho?

— Pega você, Sara. Não vê que estou confortável? — ele respondeu, a voz carregada de um autoritarismo sombrio.

Por baixo da almofada e do short, a mão de Emanuel trabalhava com uma agilidade pecaminosa. Ele agora usava dois dedos, abrindo Eduarda, explorando cada dobra, enquanto o polegar esmagava o clitóris dela com uma pressão que a fazia ver estrelas.

Eduarda estava em agonia. O prazer subia em ondas, mas o medo de ser descoberta por Sara a deixava em um estado de tensão absurdo. Ela sentia o líquido quente escorrendo pelos dedos de Emanuel, sujando a mão dele, mas ele parecia não se importar. Ele queria mais.

— Você está tremendo, pequena — Emanuel sussurrou no ouvido de Eduarda, aproveitando que Sara tinha se levantado para buscar a garrafa de vinho na cozinha americana logo atrás deles.

— Para... por favor... ela vai ver... — Eduarda implorou, as lágrimas de excitação começando a brotar nos olhos.

— Ela não vai ver nada se você ficar quietinha — Emanuel retrucou, aumentando a velocidade. — Gosta assim, não gosta? De ser usada enquanto ela está logo ali?

Ele enfiou os dedos com tudo, sentindo Eduarda dar um pulo no sofá. Ela enterrou o rosto no ombro dele, abafando um grito que teria acordado os vizinhos. A vulgaridade das palavras dele a atingia como um tapa, excitando-a de uma forma que ela nunca admitiria.

— Voltei! — Sara anunciou, sentando-se novamente e cruzando as pernas de forma que sua calcinha ficava à mostra para quem quisesse ver. — Perdi alguma coisa?

— Perdeu o melhor da cena — Emanuel disse, olhando para Sara com um brilho predatório, enquanto sua mão continuava a foder Eduarda por baixo do pano.

Eduarda estava no limite. O prazer estava concentrado naquele ponto onde os dedos de Emanuel não davam trégua. Ela sentia que ia explodir a qualquer segundo. O cheiro de sexo já começava a subir, misturando-se ao perfume caro de Sara e ao aroma de uísque de Emanuel.

— Manu... eu... eu preciso ir ao banheiro — Eduarda conseguiu dizer, a voz rouca, quase um sussurro de luxúria.

— Agora não, a cena principal está começando — Emanuel decretou, prendendo-a com o braço enquanto a mão trabalhava ainda mais rápido, enfiando os dedos até o talo e girando-os lá dentro.

Eduarda não aguentou. Ela sentiu o orgasmo vindo como uma avalanche. Suas pernas tremeram violentamente, e ela teve que morder o próprio braço para não berrar o nome dele. Ela se contraiu inteira em torno dos dedos de Emanuel, sentindo-o se deliciar com as pulsações de sua carne.

— Nossa, Duda, você está pálida! — Sara exclamou, finalmente notando o estado da outra. — O filme te deixou assim? Caramba, Emanuel, olha a sua preferida, parece que viu um fantasma.

Emanuel retirou a mão lentamente, sentindo a viscosidade do prazer de Eduarda cobrindo seus dedos. Ele não se limpou imediatamente. Ele levou a mão até o rosto, fingindo coçar o nariz, apenas para sentir o cheiro dela.

— Ela só precisa de um pouco de ar — Emanuel disse, a voz mais rouca que o normal. — Não é, Eduarda?

Eduarda apenas assentiu, incapaz de falar. Ela sentia sua calcinha ensopada, o short grudando na pele, e o latejar entre suas pernas era uma lembrança constante do que acabara de acontecer sob o nariz da rival.

— Eu vou... eu vou lavar o rosto — Eduarda se levantou com dificuldade, as pernas bambas.

Sara a observou sair com um olhar de desconfiança, mas logo deu de ombros.

— Sonsa demais. Emanuel, agora que a chata saiu... — Sara se jogou por cima dele, as mãos buscando o cinto dele. — Vamos ver um filme de verdade?

Emanuel olhou para a porta por onde Eduarda tinha saído e depois para a vulgaridade escancarada de Sara em seu colo. Ele deu um sorriso frio, o controle voltando plenamente para suas mãos.

— O filme acabou, Sara. Agora, eu quero que você limpe a bagunça que a Eduarda deixou.

Sara franziu a testa, confusa, mas Emanuel apenas a puxou para um beijo bruto, enquanto sua mente ainda estava na imagem de Eduarda tremendo, úmida e silenciosa, sob o seu domínio. A noite estava apenas começando, e ele tinha o melhor dos dois mundos em suas mãos: a pureza corrompida e a depravação assumida.