Duas
O Aroma da Rendição
O loft de Emanuel estava impregnado com o cheiro pesado de chuva que batia contra as enormes vidraças de vidro duplo, mas lá dentro, o ar era denso por um motivo muito mais biológico. Eduarda caminhava pelo corredor de mármore com uma consciência quase dolorosa de cada centímetro do seu próprio corpo. Ela estava no ápice do seu período fértil, e a natureza parecia estar pregando uma peça cruel em sua timidez habitual. Seus seios, médios e macios, pareciam mais pesados sob o tecido fino de sua camisola de seda, e cada vez que suas coxas se roçavam, um choque elétrico percorria sua espinha.
Ela sabia que Emanuel sentia. Ele era como um predador quando o assunto era ela. Seus instintos eram aguçados, e o cheiro doce e almiscarado que o corpo de Eduarda exalava naqueles dias era como um sinalizador para o homem que a controlava.
Eduarda entrou na cozinha para pegar um copo de água, tentando ignorar o latejar constante entre suas pernas. Ela parou diante da bancada, apoiando as mãos no mármore frio, buscando algum alívio para o calor que subia por seu pescoço.
— Você está exalando desejo, pequena. Dá para sentir do outro lado do cômodo.
A voz grave de Emanuel surgiu das sombras da sala de jantar. Ele estava encostado no portal da porta, vestindo apenas uma calça de moletom cinza que ficava baixa em seus quadris, revelando o início das tatuagens que desciam por seu abdômen definido. Seus olhos observadores estavam fixos nela, escuros de uma forma que fazia Eduarda querer se esconder e se entregar ao mesmo tempo.
— Manu... eu só vim buscar água — ela murmurou, a voz saindo mais manhosa e afetada do que pretendia.
Emanuel caminhou lentamente em sua direção. Cada passo dele parecia calculado para aumentar a tensão. Ele parou logo atrás dela, não a tocando de imediato, mas sua proximidade era como um forno. Eduarda sentiu o hálito quente dele em sua nuca, misturado ao cheiro de tabaco caro e uísque.
— Água não vai apagar esse fogo que está te queimando por dentro — ele sussurrou, as mãos grandes finalmente pousando na cintura dela.
Eduarda soltou um suspiro trêmulo. As mãos dele eram firmes, os dedos calejados apertando a carne macia de seus quadris com uma possessividade que a fazia derreter.
— Eu estou... eu estou sensível hoje — ela confessou, inclinando a cabeça para trás, oferecendo o pescoço a ele.
— Eu sei. Seu corpo está gritando por mim — Emanuel disse, deslizando uma das mãos para o ventre dela, sentindo a leve ondulação e o calor que emanava dali. — Você está pronta, não está? Pronta para ser preenchida, para ser marcada.
Ele puxou o corpo dela contra o seu, e Eduarda sentiu a ereção rígida dele pressionando contra suas nádegas. O contraste entre a doçura dela e a força bruta dele era o que sempre os mantinha naquele ciclo de dependência.
— A Sara... onde ela está? — Eduarda perguntou, num último esforço de consciência.
— Dormindo. O vinho que ela tomou foi o suficiente para apagá-la por horas — Emanuel respondeu, começando a distribuir beijos úmidos e mordidas leves pelo ombro de Eduarda. — Hoje é só você e eu. Sem as provocações dela. Sem o barulho. Só a sua entrega.
Ele a virou de frente para ele, levantando-a e sentando-a na bancada de mármore. O frio da pedra contra sua pele nua sob a camisola fez Eduarda soltar um arquejo. Emanuel abriu as pernas dela, posicionando-se entre elas, e olhou fundo em seus olhos.
— Você quer que eu seja gentil, Eduarda? — ele perguntou, o tom de voz carregado de uma autoridade erótica. — Ou quer que eu te trate como o animal que esse seu cheiro está despertando em mim?
Eduarda sentiu o rosto queimar. Ela era a estudante de arte, a menina delicada, mas naquele momento, com seus hormônios à flor da pele, a vulgaridade latente de Emanuel era a única coisa que ela desejava.
— Eu quero você, Manu — ela disse, as mãos pequenas agarrando os ombros largos dele, as unhas cravando levemente na pele tatuada. — Do jeito que você quiser. Só não para.
Emanuel soltou um rosnado baixo e atacou os lábios dela. O beijo não tinha nada de romântico no início; era faminto, possessivo, uma disputa de línguas que deixava Eduarda sem fôlego. Ele desceu as mãos para a barra da camisola dela, puxando o tecido para cima até que seus seios estivessem expostos.
— Tão linda — ele murmurou, observando os mamilos dela, rígidos e escuros pelo desejo. Ele levou uma das mãos até um deles, apertando-o entre o polegar e o indicador com força suficiente para arrancar um gemido de dor e prazer dela. — Você é minha obra de arte favorita, pequena.
Emanuel baixou a cabeça, abocanhando um dos mamilos e sugando-o com avidez. Eduarda arqueou as costas, suas mãos se perdendo nos cabelos curtos dele. O prazer era tão intenso que ela sentia que poderia desmaiar.
— Manu, por favor... está doendo... — ela choramingou, mas suas pernas se envolveram com mais força na cintura dele, pedindo por mais.
— Eu sei que dói. E eu sei que você ama essa dor — ele disse, levantando o rosto, os olhos brilhando com uma intensidade cruel.
Ele deslizou a mão para baixo, encontrando a calcinha de renda de Eduarda completamente ensopada. O cheiro de sua fertilidade era agora inebriante. Emanuel não perdeu tempo com preliminares gentis. Ele rasgou a renda fina com um movimento brusco, expondo a intimidade rosada e pulsante de Eduarda.
— Olha como você está — ele disse, forçando-a a olhar para baixo. — Está escorrendo para mim. Você quer que eu te foda aqui mesmo, na cozinha, como uma cadelinha no cio?
Eduarda soltou um soluço, a vergonha lutando contra a necessidade avassaladora de ser possuída.
— Sim... por favor, Manu... me usa...
Emanuel soltou o nó do seu moletom, libertando seu membro latejante. Ele o posicionou na entrada de Eduarda, esfregando a cabeça de sua virilidade contra o clitóris dela, fazendo-a gemer alto, esquecendo-se completamente de Sara no andar de cima.
— Você é tão apertada — ele rosnou, a voz falhando pela primeira vez. — Parece que nunca foi tocada, mesmo depois de todas as vezes que eu te abri.
Ele entrou nela com um único impulso forte, preenchendo-a completamente. Eduarda soltou um grito abafado contra o ombro dele, suas unhas rasgando a pele das costas de Emanuel. A sensação de plenitude era quase insuportável. Por estar no período fértil, seu colo do útero estava mais baixo, mais sensível, e cada estocada de Emanuel parecia atingir o centro de sua alma.
— Isso... Manu... bem assim... — ela balbuciava, a cabeça jogada para trás, os olhos revirando.
Emanuel começou um ritmo frenético, suas mãos segurando as coxas de Eduarda bem abertas enquanto ele a estocava com uma brutalidade rítmica. O som da carne batendo contra a carne ecoava pela cozinha silenciosa, um ritmo primitivo e vulgar que contrastava com a sofisticação do loft.
— Você é minha, Eduarda — ele dizia entre dentes, a cada investida. — Só minha. Nem a Sara, nem ninguém tem o que eu tenho de você.
Eduarda não conseguia responder com palavras. Ela estava perdida em um mar de sensações. O prazer era uma chama que consumia sua timidez, transformando-a em algo selvagem. Ela começou a rebolar contra ele, buscando mais profundidade, mais contato.
— Isso, pequena... se move para mim — Emanuel incentivou, sua mão subindo para apertar o pescoço dela levemente, uma restrição que a fazia se sentir segura e dominada ao mesmo tempo.
Ele a puxou para a ponta da bancada, fazendo-a inclinar-se para trás até que suas costas tocassem o mármore frio, enquanto ele continuava a possuí-la com uma força que fazia os copos de cristal no armário vibrarem.
— Eu vou... eu vou gozar, Manu! — ela gritou, a voz aguda e desesperada.
— Goza para mim, Eduarda! Deixa tudo sair! Eu quero sentir você se contraindo em volta de mim!
O orgasmo de Eduarda veio como uma explosão de cores e calor. Ela sentiu cada músculo de seu corpo se retesar, suas pernas tremendo incontrolavelmente enquanto sua bucetinha sugava o membro de Emanuel em espasmos violentos. Ela chorava e ria ao mesmo tempo, entregue a um êxtase que só ele conseguia proporcionar.
Emanuel não parou. Ele continuou a estocá-la através do clímax dela, aproveitando o aperto extra das contrações. Ele sentia que estava prestes a chegar ao seu limite também. A visão de Eduarda, com os cabelos espalhados pelo mármore, o rosto banhado em suor e lágrimas, e os seios balançando ao ritmo de seus movimentos, era a coisa mais erótica que ele já vira.
— Eu não vou conseguir segurar... — ele avisou, a voz rouca de puro instinto.
Ele a puxou para cima, abraçando-a com força, e enterrou-se nela uma última vez, o mais fundo que podia. Emanuel rugiu enquanto despejava sua semente dentro dela, sentindo a quentura de seu próprio prazer inundar o interior de Eduarda. Ele a segurou por um longo tempo, ambos ofegantes, os corações batendo em uníssono.
O silêncio voltou ao loft, quebrado apenas pelo som da chuva e pela respiração pesada dos dois. Emanuel beijou a testa de Eduarda com uma ternura inesperada, limpando uma lágrima que escorria por sua bochecha.
— Você está bem? — ele perguntou, a voz agora suave, o mestre protetor voltando ao lugar do predador.
— Sim... — ela sussurrou, escondendo o rosto no peito dele. — Eu me sinto... completa.
Emanuel a pegou no colo, como se ela não pesasse nada, e começou a caminhar em direção ao quarto, longe da cozinha onde a vulgaridade do desejo os tinha consumido.
— Vamos dormir. Você precisa descansar — ele disse.
Mas, ao passarem pela porta do quarto de hóspedes, a porta se abriu levemente. Sara estava encostada no batente, usando uma camisola transparente, observando-os com um sorriso irônico e os olhos brilhando de uma mistura de inveja e diversão.
— Pelo barulho, achei que estivessem matando um porco na cozinha — Sara disse, cruzando os braços e deixando um seio escapar pelo decote. — Mas pelo cheiro... parece que a santinha finalmente resolveu abrir as pernas de verdade.
Eduarda enterrou o rosto no pescoço de Emanuel, a timidez voltando instantaneamente.
— Cala a boca, Sara — Emanuel disse, mas não havia raiva em sua voz, apenas o cansaço satisfeito de quem tinha acabado de domar suas feras.
— Amanhã é minha vez, Emanuel — Sara provocou, lambendo os lábios. — E eu não vou ser tão silenciosa quanto a Duda.
Emanuel ignorou a provocação e continuou caminhando até seu quarto, fechando a porta com o pé. Ele deitou Eduarda na cama enorme e se deitou ao lado dela, puxando o edredom sobre os dois.
Naquela noite, enquanto a chuva lavava as ruas de São Paulo, Eduarda dormiu o sono mais profundo de sua vida, sentindo o sêmen de Emanuel escorrer lentamente por suas coxas, uma marca invisível de que, naquele ciclo da natureza, ela pertencia inteiramente a ele. E Emanuel, observando-a dormir, sabia que não importava o quanto Sara gritasse ou provocasse, a alma de Eduarda era o único lugar onde ele realmente encontrava paz, mesmo que para isso tivesse que atravessar o caos de sua própria luxúria.