E se
O Sangue e a Seda: O Ritual das Sombras
A caverna era um refúgio de pedra e sombras, encravada nas entranhas da montanha como uma ferida aberta. O vento lá fora rugia, um monstro ferido que não conseguia alcançar o calor que começava a emanar do centro do abrigo. Shan Yu, com a eficiência brutal de um homem que fizera da guerra sua única amante, havia providenciado uma fogueira. As chamas dançavam em tons de laranja e carmesim, projetando sombras grotescas e magníficas contra as paredes de granito.
No centro desse círculo de luz vacilante, Mulan estava deitada sobre um amontoado de peles de lobo. A dor em seu abdômen era uma pulsação constante, mas sua mente estava em outro lugar. Ela observava o líder huno. Ele havia retirado a parte superior de sua armadura pesada, revelando um tronco que parecia esculpido em carvalho antigo e cicatrizes. Cada marca em sua pele contava a história de uma conquista, de uma vida tirada, de uma sobrevivência impossível.
Shan Yu se aproximou dela com o silêncio de um predador. Ele trazia um cantil de couro e um pedaço de tecido limpo. Seus olhos amarelos, que nunca pareciam piscar, estavam fixos no peito de Mulan.
As bandagens que ela usara para esconder sua feminilidade durante meses — os panos apertados que sufocavam sua respiração e sua identidade — estavam agora frouxas, desfeitas pelo esforço da batalha e pelo manejo bruto de Shan Yu ao carregá-la. O tecido de linho sujo de sangue e suor escorregara, revelando a curva suave de seus seios, a pele pálida contrastando com o bronzeado de seu rosto e mãos. O calor da fogueira fazia sua pele brilhar, e o frio da caverna tinha causado uma reação inevitável: seus mamilos estavam rígidos, despontando por entre as dobras do pano que mal a cobria.
Shan Yu parou, ajoelhando-se entre as pernas dela. O peso de sua presença era quase físico, uma pressão que fazia o ar parecer mais denso. Ele não desviou o olhar. Não havia vergonha em sua expressão, apenas uma apreciação selvagem e uma luxúria que ele não fazia questão de esconder.
— O exército imperial escondeu um tesouro sob trapos de camponês — rosnou ele, a voz vibrando no peito de Mulan. — Eles tentaram apagar o que você é, mas a montanha decidiu revelar a verdade.
Mulan sentiu um calor úmido entre as pernas, uma resposta imediata àquela voz ríspida e ao olhar possessivo do homem. Ela não tentou se cobrir. Pelo contrário, ela arqueou levemente as costas, sentindo o atrito das peles de lobo contra sua pele nua.
— O que eles queriam não importa mais — disse ela, a voz rouca, carregada de um desafio que era também um convite. — Eu não sou mais um soldado de Li Shang. Eu não sou mais a filha de Fa Zhou. Eu sou apenas o que você vê, Shan Yu.
Ele estendeu a mão grande. Seus dedos eram grossos, as unhas levemente rombas, a pele áspera como lixa. Quando ele tocou a pele macia acima da bandagem, Mulan soltou um arquejo curto. Ele deslizou os dedos para baixo, enganchando o tecido frouxo e puxando-o definitivamente para o lado.
Agora, ela estava exposta. A luz do fogo lambia seu corpo, destacando a vulnerabilidade de sua carne e a força de seus músculos. Shan Yu soltou um som baixo, um rosnado de aprovação que fez o estômago de Mulan se contrair de desejo. Ele tocou um de seus mamilos com o polegar, pressionando com uma força que beirava a dor, mas que disparou uma descarga elétrica diretamente para o ventre dela.
— Você está dura como uma ponta de flecha — murmurou ele, um sorriso malicioso curvando seus lábios. — E está queimando. Não é apenas a febre do ferimento, é?
Mulan levou a mão à nuca dele, enterrando os dedos nos cabelos negros e grossos do huno, puxando-o para mais perto.
— Eu sou uma ninfomaníaca que passou meses cercada por homens medíocres que não sabiam como olhar para mim — sibilou ela, os olhos brilhando com uma fome insana. — Você acha que o gelo pode apagar esse fogo? Tente, Shan Yu. Tente me apagar.
A resposta dele foi um beijo brutal. Não houve ternura, apenas a colisão de dentes e línguas, o gosto de ferro e fumaça. Shan Yu a dominava com seu peso, suas mãos explorando o corpo dela com uma curiosidade voraz. Ele apertava seus seios, moldando a carne com uma possessividade que declarava que ela agora era sua propriedade, seu prêmio de guerra mais valioso.
Mulan retribuiu com a mesma intensidade. Suas unhas cravaram-se nos ombros largos dele, buscando ancoragem enquanto a onda de prazer começava a nublar seus sentidos. Ela esqueceu a dor no abdômen, esqueceu a neve lá fora, esqueceu a traição de Shang. Naquele momento, só existia a pele ardente de Shan Yu e a promessa de uma destruição mútua.
— Você é uma assassina — disse ele contra os lábios dela, a respiração pesada. — Eu vi como você olhou para mim na encosta. Você não queria apenas me derrotar. Você queria me consumir.
— E eu vou — respondeu ela, descendo as mãos para o cinto dele, sentindo o volume impressionante que pressionava as calças de couro. — Eu vou tirar de você tudo o que você tem, e você vai me agradecer por isso.
Shan Yu soltou uma risada rca, mas seus olhos estavam focados, quase devocionais em sua luxúria. Ele se afastou apenas o suficiente para desamarrar as próprias vestes. Quando ele se libertou, Mulan sentiu um tremor de antecipação. Ele era enorme, uma força da natureza em todos os sentidos.
— Os homens do Sul falam de honra e de linhagem — disse Shan Yu, posicionando-se sobre ela, os joelhos forçando as coxas dela a se abrirem. — Nós, os hunos, falamos de força. E de posse.
Ele deslizou a mão para baixo, encontrando a feminilidade de Mulan já encharcada, implorando por contato. Ele inseriu dois dedos de uma vez, um movimento brusco que arrancou um grito de prazer das profundezas da garganta dela.
— Sim! — exclamou ela, jogando a cabeça para trás, o pescoço exposto como um sacrifício. — Mais, Shan Yu... Não pare!
— Eu não vou parar até que você esqueça seu próprio nome — prometeu ele, a voz como um trovão antes da tempestade.
Ele começou a se mover dentro dela com os dedos, ritmicamente, enquanto sua outra mão voltava a torturar seus mamilos. Mulan estava em transe. O contraste entre a frieza da caverna e o calor vulcânico do corpo de Shan Yu a levava ao limite. Ela era inteligente o suficiente para saber que essa aliança era perigosa, que ele era um monstro que destruíra vilas inteiras, mas sua própria natureza, agora liberta das amarras da sociedade chinesa, clamava por aquela escuridão.
— Eles me deixaram para morrer... — murmurou ela entre suspiros, as pernas envolvendo a cintura dele, puxando-o para o encaixe perfeito. — Eles achavam que eu era nada.
— Eles são cegos — disse Shan Yu, parando os dedos e substituindo-os pela sua própria virilidade, pressionando a entrada dela. — Eles olharam para o sol e viram apenas uma sombra. Eu olho para você e vejo o fim do mundo.
Com um impulso poderoso, ele a possuiu por completo. Mulan soltou um grito que ecoou pelas galerias de pedra, um som que misturava dor, surpresa e um êxtase avassalador. Ele era grande demais, rude demais, mas era exatamente o que ela precisava para preencher o vazio deixado pela traição.
Shan Yu começou a se mover com uma cadência selvagem. Cada estocada era como um golpe de martelo em uma forja, moldando algo novo a partir dos destroços de quem Mulan costumava ser. Ela cravou os dentes no ombro dele, sentindo o gosto de seu suor salgado, enquanto suas ancas subiam para encontrar as dele em um ritmo frenético.
— Você é minha — rosnou ele, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça, forçando-a a encarar sua dominação. — Diga. Diga que você pertence ao Khan.
Mulan sorriu, um sorriso que continha todo o veneno e a beleza de uma serpente.
— Eu não pertenço a ninguém, Shan Yu... — disse ela, ofegante, enquanto o clímax começava a subir por sua espinha como um incêndio florestal. — Mas eu escolho você para queimar comigo.
Shan Yu rugiu, aumentando a velocidade, sua força bruta quase esmagando-a contra o chão de pedra coberto de peles. O prazer era tão intenso que se tornava uma forma de agonia. Mulan sentiu suas entranhas se contraírem, o mundo explodindo em cores que não existiam na neve branca. Ela se entregou ao espasmo, o corpo tremendo violentamente sob o dele, enquanto Shan Yu soltava seu próprio grito de triunfo, derramando-se dentro dela com uma força que parecia querer reivindicar sua alma.
Eles ficaram ali por um longo tempo, os corpos suados e entrelaçados, a respiração pesada sendo o único som além do estalar da madeira na fogueira. O ferimento de Mulan havia voltado a sangrar levemente, mas ela não se importava. O sangue era apenas mais uma marca de sua união.
Shan Yu se afastou ligeiramente, apoiando-se nos cotovelos para olhar para ela. Havia algo diferente em seus olhos agora. Ainda eram cruéis, ainda eram predatórios, mas havia um respeito profundo, uma faísca de reconhecimento de que ele encontrara sua igual.
— O que faremos agora, minha guerreira? — perguntou ele, limpando um traço de suor da testa dela.
Mulan sentou-se lentamente, ignorando a pontada de dor em seu abdômen. Ela olhou para a entrada da caverna, onde o dia começava a dar seus primeiros sinais de luz cinzenta através da tempestade.
— Pequim ainda está de pé — disse ela, a voz fria e decidida. — O Imperador ainda se senta em um trono de mentiras. E Shang... Shang ainda acredita que a honra é mais importante que a lealdade.
Ela se virou para Shan Yu, e ele viu nela não uma mulher resgatada, mas uma deusa da guerra despertada.
— Nós vamos descer esta montanha — continuou Mulan, pegando a espada de seu pai que estava caída ao lado das peles. — E vamos mostrar a eles o que acontece quando se abandona um dragão no gelo.
Shan Yu sorriu, um gesto que teria aterrorizado exércitos inteiros, mas que para Mulan era o mais doce dos encantos.
— O Império vai queimar — concordou ele.
— E nós — acrescentou Mulan, aproximando-se para um último beijo, carregado de promessas de sangue e conquista — reinaremos sobre as cinzas.
Naquela manhã, o destino da China mudou. Não no palácio imperial, nem nos campos de treinamento, mas em uma caverna esquecida, onde o ódio e o desejo forjaram uma aliança que nem o tempo, nem a morte, seriam capazes de quebrar. Mulan não era mais a salvadora de seu povo; ela era sua ruína mais bela e implacável. E ao seu lado, o lobo das estepes finalmente encontrara uma razão para não apenas destruir, mas para construir um legado de terror e paixão.