E se
O Banquete das Feras: O Pacto de Sangue e Carne
A luz cinzenta da manhã filtrava-se pela entrada da caverna, mas o calor ali dentro era opressivo, denso com o cheiro de sexo, suor e o ferro do sangue seco. Mulan estava sentada sobre as peles, observando Shan Yu terminar de amarrar suas botas de couro. A ferida em seu abdômen, embora ainda dolorida, parecia uma preocupação distante. O que pulsava nela agora era uma fome diferente, uma necessidade física que a traição de seu exército havia transformado em algo insaciável e sombrio.
Shan Yu se levantou, sua figura colossal obscurecendo a luz. Ele emitiu um assobio agudo e baixo. Momentos depois, o som de passos pesados ecoou do lado de fora. Três figuras imensas emergiram da névoa gélida: o Arqueiro, o Punho de Ferro e o Assassino das Sombras. Eram os sobreviventes de elite de seu exército, homens que haviam rastejado para fora da neve, movidos pelo mesmo instinto assassino de seu líder.
Os guerreiros pararam bruscamente ao ver a mulher. Seus olhos se arregalaram, as mãos voando para os cabos das espadas. Eles reconheceram o rosto — o soldado que os enterrara vivos sob a avalanche. Mas a visão diante deles era desconcertante. Aquela não era uma figura vestida de aço imperial, mas uma mulher seminua, coberta apenas por peles de lobo e pela aura de possessão de Shan Yu.
— Meu Khan — disse o Arqueiro, a voz rouca pela geada —, esta é a criatura que nos destruiu. Por que ela ainda respira?
Shan Yu soltou um risado baixo, um som que vibrou nas paredes de pedra. Ele caminhou até Mulan e colocou uma mão pesada em seu ombro, os dedos calejados reivindicando-a diante de seus homens.
— Ela nos destruiu porque é mais forte que todos vocês — declarou Shan Yu, sua voz carregada de uma malícia digna. — Mas ela não pertence mais aos covardes do Sul. Ela descobriu que sua verdadeira natureza é a de uma loba, não a de um cão de guarda do Imperador.
Mulan sustentou o olhar dos guerreiros hunos. Não havia medo em seus olhos castanhos, apenas um brilho febril e desafiador. Ela deixou a pele de lobo escorregar propositalmente, revelando a curva de seus ombros e o início de seus seios, observando a reação imediata nos rostos daqueles homens brutais.
— Ela é voraz — continuou Shan Yu, inclinando-se para sussurrar no ouvido de Mulan, embora suas palavras fossem destinadas a todos. — E um rei sabe que, para manter seus lobos leais, ele deve compartilhar as presas mais ricas.
O ar na caverna mudou instantaneamente. A tensão assassina dos soldados transformou-se em uma luxúria crua e palpável. Mulan sentiu um arrepio de antecipação percorrer sua espinha. Ela era uma ninfomaníaca, uma mulher cuja fome por prazer e dominação havia sido reprimida por anos de disciplina militar e expectativas familiares. Agora, livre de todas as amarras, a ideia de ser o centro daquela violência carnal a excitava de uma forma que ela mal conseguia controlar.
— Você está nos dando ela, Khan? — perguntou o Punho de Ferro, dando um passo à frente, seus olhos devorando o corpo de Mulan.
— Eu estou dando a vocês a oportunidade de provar o que o aço chinês escondeu — respondeu Shan Yu, soltando o ombro dela e recuando para observar. — Mas cuidado. Ela morde. E ela não aceita nada menos que a força total.
Mulan sorriu, um gesto lento e carregado de promessas pecaminosas. Ela se ajoelhou sobre as peles, arqueando as costas e oferecendo-se à visão dos homens.
— Quem será o primeiro a descobrir se sou tão perigosa na cama quanto sou no campo de batalha? — perguntou ela, sua voz um sussurro sedutor que cortou o silêncio da caverna.
O Arqueiro foi o primeiro a se aproximar. Ele era alto e magro, com mãos longas que agora tremiam de desejo. Ele se ajoelhou diante dela, agarrando seu rosto com uma brutalidade que Mulan retribuiu cravando as unhas em seus braços.
— Eu vi você disparar aquele canhão — sibilou ele, aproximando o rosto do dela. — Eu queria arrancar seu coração.
— Então tente — respondeu Mulan, puxando-o para um beijo que era mais uma luta do que um carinho.
Enquanto o Arqueiro a possuía com uma urgência desesperada, os outros dois homens se aproximaram, incapazes de esperar sua vez. O Punho de Ferro agarrou as coxas de Mulan, forçando-as a se abrirem ainda mais, enquanto o Assassino das Sombras se posicionava atrás dela, suas mãos explorando cada curva de seu corpo com uma malícia voraz.
Shan Yu observava tudo de sua posição elevada, um sorriso sombrio nos lábios. Ele não sentia ciúmes; ele sentia o poder. Mulan era sua arma mais letal, e ao permitir que seus homens a possuíssem, ele estava forjando um vínculo de sangue e carne que tornaria seu novo exército indestrutível. Ela era o prêmio, a deusa e a prostituta de sua guerra pessoal.
— Mais... — gemia Mulan, sua voz ecoando pela caverna enquanto era cercada pelos corpos imensos e suados dos hunos. — Me mostrem a força de que tanto se orgulham!
A caverna tornou-se um cenário de depravação absoluta. Mulan entregava-se a cada toque, a cada estocada bruta, com uma intensidade que assustava até mesmo aqueles guerreiros veteranos. Ela não era uma vítima; ela era a maestrina daquele caos. Suas mãos buscavam, seus lábios provocavam, e seu corpo respondia a cada estímulo com uma vitalidade que parecia alimentada pelo próprio fogo da fogueira.
O Punho de Ferro a levantou, forçando-a contra a parede fria da caverna enquanto a penetrava com uma força que fazia os pulmões de Mulan arderem. A dor do ferimento em seu abdômen misturava-se ao prazer avassalador, criando uma sinfonia de sensações que a levava ao limite da sanidade.
— Você é um demônio — rosnou o homem em seu ouvido.
— E você é apenas o combustível para o meu inferno — respondeu ela, rindo entre dentes, as pernas envolvendo a cintura dele para trazê-lo ainda mais fundo.
Horas se passaram enquanto o ritual de posse continuava. A neve lá fora continuava a cair, isolando aquele pequeno universo de luxúria e violência do resto do mundo. Quando o clímax finalmente atingiu a todos, deixando os homens exaustos e Mulan ofegante sobre as peles ensanguentadas, o silêncio que se seguiu foi preenchido por um novo tipo de respeito.
Eles não a viam mais apenas como o soldado que os traíra. Ela era agora parte deles. O sangue dos hunos, de certa forma, agora corria nela, e o desejo dela havia se tornado o motor daquela pequena irmandade de sobreviventes.
Shan Yu caminhou até o centro do grupo, passando por seus homens que se afastavam com reverência. Ele se ajoelhou ao lado de Mulan, que estava deitada de costas, o peito subindo e descendo rapidamente, a pele brilhando com o suor de quatro homens diferentes.
— Satisfeita, pequena guerreira? — perguntou ele, passando a mão pelo ventre dela, onde o sangue da ferida havia se misturado aos fluidos daquela manhã.
Mulan abriu os olhos, e Shan Yu viu neles uma escuridão completa, uma ausência total da inocência que um dia pertencera a uma jovem de uma vila tranquila.
— Isso foi apenas o começo — disse ela, a voz firme apesar da exaustão. — Seus homens são fortes, Shan Yu. Mas eles precisam de um propósito. Eles precisam ver o que eu vi.
— E o que você viu? — perguntou o Arqueiro, limpando o rosto e olhando para ela com uma lealdade que não existia antes.
Mulan sentou-se, sem se preocupar em se cobrir. Ela olhou para cada um deles, seus olhos parando finalmente em Shan Yu.
— Eu vi um Império construído sobre a hipocrisia — declarou ela. — Eu vi homens que se dizem honrados abandonarem aquela que os salvou simplesmente porque ela não se encaixava em seus moldes. Eu vi um Imperador que governa através do medo mascarado de tradição.
Ela estendeu a mão e pegou a espada de seu pai, que estava encostada na rocha. Ela beijou a lâmina fria.
— Nós vamos queimar tudo isso — continuou Mulan. — Nós vamos levar a Pequim uma tempestade que eles nunca imaginaram. E quando as muralhas caírem, eu quero que cada um de vocês se lembre deste momento. Eu quero que vocês se lembrem de que a mulher que eles descartaram foi a mesma que lhes deu a força para conquistar o trono.
Os homens soltaram um grito de guerra abafado, um som gutural que ecoou pela montanha. Eles estavam prontos.
Shan Yu levantou Mulan, segurando-a pela cintura.
— Você ouviu a sua rainha — disse ele aos seus homens. — Preparem os cavalos. Temos uma trilha de sangue para seguir.
Enquanto os soldados saíam para a neve para cumprir as ordens, Shan Yu puxou Mulan para um último abraço privado.
— Você os tem na palma da mão — murmurou ele. — Eles matariam o próprio Khan por você agora.
— E você, Shan Yu? — perguntou ela, provocando-o com o olhar. — Você me mataria ou morreria por mim?
O líder huno apertou o pescoço dela com uma mão, não para sufocar, mas para demonstrar sua posse absoluta.
— Eu faria ambos — respondeu ele com uma sinceridade brutal. — Mas primeiro, eu quero ver o mundo se ajoelhar diante de nós.
Mulan sorriu, encostando a testa na dele. O frio da manhã não a atingia. Ela estava cercada por lobos, sendo ela mesma a loba alfa, pronta para rasgar a garganta da civilização que ousara desprezá-la. A ninfomaníaca e o assassino, unidos pelo ódio e pela carne, começaram sua descida da montanha, deixando para trás os restos de quem um dia foram, prontos para se tornarem os novos deuses de uma China em chamas.