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Eddsworld outher space

Cupcakes, Coreanos e Conflitos Coloridos

A manhã seguinte em Durdam Lane começou com o som nada sutil de Matt gritando porque havia encontrado uma gota de fuligem em seu pijama de seda favorito. Edd, já acostumado com o drama matinal, arrastou-se até a cozinha para preparar um café forte o suficiente para ressuscitar um morto. Tom e Tord já estavam lá, sentados em extremidades opostas da mesa, emanando uma aura de hostilidade silenciosa que era quase palpável.

— Bom dia, raios de sol — ironizou Edd, servindo-se de uma caneca de café. — Vocês não vão acreditar em quem eu conheci ontem à noite enquanto vocês dormiam o sono dos justos.

Tom levantou uma sobrancelha, ou o que passava por uma no lugar onde suas sobrancelhas deveriam estar.

— Deixe-me adivinhar: o monstro do pântano que mora na frente?

— Quase isso — Edd deu um gole no café. — O nome dele é PK. Ele é o novo vizinho. E o "monstro" é na verdade uma gambá gigante chamada Ofélia. Ele é do Canadá e parece ser um cara bem legal. Meio... elétrico, eu diria.

Tord, que até então fingia estar profundamente interessado em um catálogo de peças de tanques, travou por um microssegundo. O nome "PK" ecoou em sua mente como um disparo de advertência. Ele sentiu um frio desconfortável subir pela espinha, mas manteve a expressão de tédio.

— PK? Que nome ridículo — resmungou Tord, sem desviar os olhos do catálogo. — Soa como nome de cereal matinal ou de um robô de limpeza barato.

— Ele tem heterocromia — continuou Edd, ignorando o mau humor de Tord. — Um olho azul e outro castanho. E o estilo dele é bem... anos 2000? Muitas cores, cabelo espetado.

Matt, que acabara de entrar na cozinha após resolver sua crise de pijama, iluminou-se.

— Cores? Estilo? Finalmente alguém com bom gosto nesta vizinhança! Precisamos ir ao mercado agora para comprar ingredientes para um café da manhã de boas-vindas. Ou apenas para eu comprar mais hidratante, minha pele sofreu com aquela chaminé ontem.

Os quatro se arrumaram — ou o equivalente a isso para Tom, que apenas trocou a garrafa de Smirnoff por uma de água (temporariamente) — e saíram em direção ao carro. Assim que pisaram na calçada, o som de um cortador de grama ruidoso preencheu o ar.

Lá estava ele. PK estava empurrando um cortador de grama pelo jardim da frente, usando fones de ouvido neon e uma regata preta que deixava à mostra algumas tatuagens pequenas e desconexas nos braços. Ele parecia estar dançando enquanto trabalhava.

— Ei, PK! — Edd acenou com entusiasmo.

O rapaz desligou o cortador e tirou os fones, exibindo um sorriso largo.

— E aí, Edd! Indo caçar o café da manhã?

— Algo assim! — Edd apontou para o grupo. — Esses são meus amigos: Matt, Tom e...

PK seguiu o dedo de Edd. Seus olhos passaram por Matt, que fez uma pose dramática, e por Tom, que apenas deu um aceno seco. Mas, quando seu olhar pousou em Tord, o sorriso de PK não apenas desapareceu; ele evaporou.

A energia animada e caótica de PK foi substituída por uma frieza instantânea. Tord, por sua vez, sentiu o peso daquele olhar bicolor. Era ele. Não havia mais dúvida. O garoto das festas, o DJ que ele havia deixado para trás sem olhar para trás.

— ...e Tord — finalizou Edd, notando o clima estranho de repente.

PK não disse uma palavra. Ele simplesmente deu meia-volta, largou o cortador de grama onde estava e caminhou para dentro de casa, batendo a porta com uma força que fez as janelas vibrarem.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor.

— Nossa — disse Matt, quebrando o gelo. — Acho que ele não gostou do seu corte de cabelo, Tord. Eu avisei que o "estilo chifre" era arriscado.

— O que foi aquilo? — Tom estreitou os olhos, encarando Tord. — Você conhece o cara das cores?

— Nunca vi na vida — mentiu Tord, embora sua voz estivesse um pouco mais aguda que o normal. — Deve ser apenas mais um maluco canadense. Vamos logo para esse mercado.

— Ah, não mesmo — Edd cruzou os braços. — Aquilo foi pessoal. Tord, você deve algo a ele? Dinheiro? Um rim?

— Eu disse que não o conheço! — Tord rosnou, entrando no banco do passageiro e batendo a porta. — Andem logo!

O caminho até o mercado foi preenchido por Edd e Matt teorizando sobre o passado secreto de Tord, enquanto Tom apenas observava o norueguês pelo retrovisor, percebendo o quão tenso ele estava. Mas a curiosidade teria que esperar, porque a vida de Edd e seus amigos nunca era simples.

Tord, em uma tentativa desesperada de mudar de assunto e extravasar sua irritação, decidiu que eles não iriam ao mercado comum. Ele insistiu em um "atalho" que, segundo ele, levava a um empório secreto com as melhores carnes do mundo.

Duas horas depois, eles se encontravam em um galpão abandonado no subúrbio, cercados por palhaços de tules rosa que dançavam um balé macabro enquanto seguravam metralhadoras banhadas a ouro.

— Tord... — sussurrou Edd, escondido atrás de uma pilha de caixas de peixe podre. — Por que estamos no meio de um acerto de contas da máfia coreana com... palhaços bailarinos?

— Eu queria o molho de pimenta especial deles! — Tord gritou por cima do som de uma música clássica que tocava nos alto-falantes do galpão. — Como eu ia saber que hoje era o dia do ensaio geral para a invasão do cassino?

— Isso não faz o menor sentido! — Tom gritou, desviando de um sapato de ponta que foi arremessado em sua direção e explodiu ao atingir a parede.

A aventura que se seguiu foi um borrão de caos. Eles tiveram que lutar contra palhaços que faziam piruetas enquanto disparavam projéteis de confete explosivo e desviar de facas de cozinha arremessadas por mafiosos em ternos impecáveis que gritavam receitas de Kimchi. Em algum momento, Matt foi confundido com um modelo de passarela e quase foi sequestrado para ser a face de uma nova marca de cosméticos clandestina, enquanto Edd tentava salvar uma lata de cola que havia caído no meio do fogo cruzado.

No final, Tord conseguiu o que queria — um frasco de molho de pimenta que cheirava a enxofre — mas a um custo alto.

Quando finalmente voltaram para Durdam Lane, o sol já estava se pondo. O grupo parecia ter passado por um moedor de carne. A camisa verde de Edd estava rasgada no ombro, o cabelo de Matt estava um desastre completo (o que o fazia soltar soluços baixos de angústia), Tom tinha fuligem no rosto e Tord tinha várias queimaduras leves de confete explosivo.

Ao estacionarem na frente de casa, viram que a casa de PK estava tudo, menos silenciosa. Luzes estroboscópicas brilhavam pelas janelas e uma batida de música eletrônica pesada fazia o chão tremer.

— Uma festa? — Tom limpou o rosto com a manga. — Sério? Depois do dia que tivemos?

— Eu só quero dormir por um século — resmungou Edd, mancando até a porta.

Eles entraram em casa e desabaram no sofá da sala. Não se passaram cinco minutos antes de ouvirem batidas insistentes na porta da frente. Edd, sendo o dono da casa e o único com um pingo de energia sobrando, levantou-se para atender.

PK estava parado ali. Ele parecia levemente alterado, com as bochechas coradas e o hálito cheirando a ponche de frutas e algo mais forte. Ele segurava uma caixa de papelão decorada com adesivos de caveiras e estrelas.

— Ei... Edd — PK disse, sua voz oscilando entre a animação e a sonolência. — Eu vim... pedir desculpas. Pela grosseria de hoje cedo. E pela música alta. E por... sei lá, qualquer coisa.

Ele estendeu a caixa.

— Eu fiz cupcakes. São veganos, eu acho. Ou talvez não. Eu perdi a receita no meio da segunda garrafa de vodka.

— Ah, obrigado, PK — Edd sorriu, pegando a caixa. — Você quer entrar?

PK balançou a cabeça negativamente, mas seus olhos bicolores vagaram para dentro da sala, pousando no sofá. Ele viu Matt choramingando sobre seu espelho e Tord, que estava sentado de braços cruzados, encarando a parede com uma expressão assassina.

Por fim, o olhar de PK parou em Tom. Tom, que estava apenas sentado ali, exausto, com os olhos negros fixos no nada.

— Uau — PK soltou um riso baixo, apontando para Tom. — Quem é o cara dos "olhos de abismo"? Eles são... sexy. Tipo, muito sexy. Me lembram o espaço sideral, mas com mais depressão. Eu curto isso.

Tom piscou, pego de surpresa. Ele sentiu um calor estranho subir pelo pescoço.

— É... valeu? — Tom respondeu, incerto sobre como reagir a um elogio vindo de um vizinho bêbado vestido como um personagem de 2007.

PK deu um tchauzinho trôpego e saiu saltitando de volta para sua festa antes que Edd pudesse dizer mais nada. Edd fechou a porta e levou a caixa para a mesa de centro.

— Bom, pelo menos ele é generoso — disse Edd, abrindo a caixa.

Dentro, havia exatamente três cupcakes. Um decorado com granulado verde, um com azul e um com roxo e glitter (claramente para Matt).

— Três? — Tord se levantou, aproximando-se da mesa. — Somos quatro nesta casa.

— Parece que ele esqueceu de você, Tord — Tom comentou com um sorriso de canto, pegando o cupcake azul. — Que pena. Talvez ele não goste de pessoas que começam guerras com palhaços coreanos.

Tord sentiu uma veia saltar em sua testa. Ele olhou para os três amigos comendo os doces — Matt já estava maravilhado com o glitter comestível — enquanto ele permanecia ali, ignorado. Não era apenas o cupcake. Era o fato de PK ter elogiado Tom. E o fato de PK ter agido como se Tord fosse um fantasma irrelevante.

— Eu não queria essa porcaria de doce mesmo — Tord rosnou, subindo as escadas para o seu quarto. — Tem muito açúcar. Faz mal para os dentes.

Ele entrou no quarto e bateu a porta, trancando-a. Ele se jogou na cama e pegou seu celular. O brilho da tela iluminou seu rosto irritado.

"Imaturo", pensou Tord. "Ele sempre foi um pirralho imaturo".

Ele abriu o aplicativo de redes sociais e começou a digitar furiosamente na barra de pesquisa. Ele sabia que PK não conseguiria ficar longe da internet por muito tempo. Depois de alguns minutos de busca por "PK_Vibes", "Liam_P" e "TheRealPK", ele finalmente encontrou um perfil com a foto de Ofélia usando um chapéu de festa.

Tord clicou no botão de mensagem privada. Seus dedos voaram pelo teclado.

*Você acha que é muito esperto, não é? Deixar um cupcake a menos de propósito? Que tipo de comportamento infantil é esse? E "olhos sexy"? Sério, Liam? Você não mudou nada. Continua o mesmo idiota carente de atenção que precisa flertar com qualquer um para se sentir especial.*

Ele hesitou por um segundo, o polegar pairando sobre o botão de enviar. Sua mente viajou por um breve instante para os anos de escola, para as festas onde eles eram inseparáveis, antes de tudo dar errado.

Mas a raiva e o orgulho falaram mais alto. Ele apertou "Enviar".

Lá embaixo, na sala, Tom deu a última mordida no cupcake, que por sinal era delicioso.

— Sabe, Edd — disse Tom, limpando o canto da boca. — Acho que vou gostar desse vizinho novo.

Tord, no andar de cima, encarava a tela do celular, esperando uma resposta que ele sabia que provavelmente o deixaria ainda mais furioso. A trégua silenciosa de Durdam Lane havia sido oficialmente quebrada, e o culpado tinha olhos coloridos e um gosto duvidoso para sobremesas.