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Encontro

Êxtase Carmesim: O Segredo entre Presas e Garras

A lua, embora não estivesse mais em sua plenitude total, ainda exercia um magnetismo cruel sobre a Floresta das Almas. Para Ana, no entanto, o perigo não vinha dos astros, mas dos olhos dourados e julgadores de seu próprio povo. O Rei dos Lobos, um alfa cuja crueldade só era superada por seu olfato apurado, começara a farejar a traição. O cheiro de Lana — aquele perfume inebriante de rosas antigas e sangue nobre — estava impregnado na alma de Ana, e as desculpas sobre "patrulhas prolongadas" estavam perdendo a validade.

Ela correu. Suas patas humanas batiam contra o solo úmido com uma urgência desesperada. Ana não foi para a alcateia; ela cruzou a fronteira proibida, saltando sobre os muros baixos que delimitavam as terras dos mortos-vivos. O Castelo Real de Sangue erguia-se como uma lança de obsidiana contra o céu. Naquela noite, o reino celebrava o Festival da Colheita de Inverno nas vilas baixas, mas o castelo estava envolto em um silêncio sepulcral.

Ana escalou as pedras frias da torre leste, guiada pelo batido rítmico que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo. Ela saltou para dentro da sacada de mármore negro, as orelhas de lobo em alerta, o rabo agitado pela adrenalina.

Lana estava lá. Mas não era a princesa altiva de sempre. Ela estava trancada em seus próprios aposentos, uma punição imposta pelo Rei Vampiro após descobrir as escapadas noturnas da filha. Ela usava apenas uma camisola de seda vermelha que deslizava por sua pele escura como sangue fresco.

— Você é louca? — sibilou Lana, virando-se bruscamente. Ao ver o estado de Ana — ofegante, com os olhos selvagens e as vestes de guerreira rasgadas pelos espinhos —, sua expressão de raiva suavizou-se para uma preocupação que ela tentou, em vão, esconder. — Se meu pai te encontrar aqui, ele não vai apenas te matar. Ele vai pendurar sua cabeça no portão principal.

— O meu Rei já sabe, Lana — disse Ana, aproximando-se com passos pesados, a voz rouca pela exaustão. — Ele sentiu o seu cheiro em mim. Ele disse que eu cheiro a "morte e traição". Eu não tive para onde ir.

Lana deu um passo à frente, diminuindo a distância entre os 1,60m de sua estrutura delicada e os 1,78m de puro músculo da loba. Ela levou as mãos ao rosto de Ana, sentindo o calor febril que emanava da guerreira.

— Então você veio para a toca do lobo... ou melhor, para o caixão da vampira — Lana sorriu, um brilho perigoso surgindo em seus olhos vermelhos. — Meus pais estão na celebração oficial. Estamos sozinhas, Ana. E eu estou farta de ser uma princesa obediente.

Ana não respondeu com palavras. Ela agarrou a cintura de Lana e a prensou contra a porta de carvalho maciço do quarto. O impacto fez um som surdo, mas Lana apenas riu, cravando as unhas nos ombros largos de Ana.

— Você está tremendo, cachorrinha — provocou a vampira, subindo o joelho entre as pernas de Ana. — É medo ou fome?

— É sede — rosnou Ana, atacando o pescoço de Lana com uma ferocidade que fez a princesa arfar. — Eu passei a semana inteira tentando tirar o gosto de você da minha boca e só consegui desejar mais.

O beijo que se seguiu foi uma colisão de dentes e línguas, uma disputa por território. Ana carregou Lana para a cama imensa, coberta por lençóis de veludo negro. A diferença de tamanho era uma dança de poder; Lana era pequena, mas sua força sobrenatural permitia que ela dominasse Ana, girando o corpo da loba e ficando por cima, montada em seus quadris.

— Você quer ver o que acontece quando uma vampira perde o controle? — sussurrou Lana. Sua voz não era mais humana; era um eco ancestral.

Lana começou a se transformar. Não em um morcego ou em uma névoa, mas na sua forma de ápice. Seus cabelos negros começaram a brilhar em um tom de avermelhado escuro, como brasas moribundas. Suas unhas se tornaram garras de ébano e sua pele parecia pulsar com uma luz interna sombria. O ar ao redor delas esfriou drasticamente, enquanto o calor de Ana subia como vapor.

— Mostre-me — desafiou Ana, as orelhas coladas à cabeça, o rabo batendo contra o colchão em um ritmo frenético. — Mostre-me tudo, sua sanguessuga real.

Lana desceu como um falcão sobre a presa. Ela não beijou; ela devorou. Suas presas, agora mais longas e afiadas, cravaram-se no ombro de Ana. O grito da loba foi uma mistura de dor excruciante e prazer absoluto. O sangue de lobisomem era como fogo líquido para um vampiro, e Lana bebeu com uma avidez pecaminosa.

— Mais... — implorou Ana, arqueando o corpo, as mãos apertando os lençóis até rasgá-los. — Não para, Lana!

A vampira estava em transe. O instinto tomara o lugar da razão. Ela deixou o ombro de Ana e começou a trilhar um caminho de mordidas por todo o corpo da guerreira. No pescoço, na clavícula, na curva da cintura. Cada mordida era um selo de posse, pequenas feridas que se fechariam lentamente devido à cura acelerada de Ana, mas que queimariam por horas.

Ana, movida pelo desejo animal, inverteu as posições novamente. Ela rasgou a seda da camisola de Lana, expondo o corpo esculpido da princesa à luz da lua que filtrava pela janela. A pele escura de Lana brilhava sob o toque das mãos calejadas de Ana. A loba desceu o rosto entre os seios de Lana, sua língua quente e áspera contrastando com a pele fria da vampira.

— Você é minha — rosnou Ana contra a barriga de Lana. — Nem rei, nem clã, nem Deus pode te tirar de mim agora.

— Então prove — disse Lana, a voz carregada de uma luxúria sombria. — Me destrua, Ana. Me faça sentir que meu coração ainda bate.

O encontro tornou-se uma tempestade de sentidos. Ana usava sua força bruta para subjugar Lana, enquanto a vampira usava sua velocidade e seus dentes para manter a loba em um estado de agonia prazerosa. O quarto estava impregnado com o cheiro de suor, sexo e o aroma metálico do sangue que escorria das mordidas de Lana.

Em um movimento desesperado, Ana penetrou Lana com uma urgência que as fez perder o fôlego. Lana soltou um grito agudo, suas garras arranhando as costas de Ana, deixando sulcos profundos que sangravam instantaneamente. O cabelo avermelhado de Lana chicoteava enquanto ela jogava a cabeça para trás, os olhos agora completamente vermelhos, sem pupilas, mergulhados no êxtase da forma de ápice.

— Ana... Ana! — o nome da loba era um mantra pecaminoso nos lábios da princesa.

— Eu estou aqui — respondeu a guerreira, a voz vibrando como um trovão, aumentando o ritmo, sentindo as paredes internas de Lana apertarem-se ao redor dela em espasmos de puro prazer. — Eu não vou a lugar nenhum.

O clímax as atingiu como uma explosão. Lana mordeu o pescoço de Ana uma última vez, sugando não apenas o sangue, mas a própria essência da loba, enquanto Ana descarregava toda a sua tensão dentro da princesa, um urro lupino escapando de sua garganta e ecoando pelas paredes de pedra do castelo.

Por vários minutos, o único som no quarto era a respiração pesada e o som dos corações tentando encontrar um ritmo comum. Lana voltou lentamente à sua forma normal, seus cabelos retornando ao negro profundo, embora seus olhos ainda mantivessem um brilho residual. Ela estava deitada sobre o peito de Ana, que estava coberto de marcas de dentes e arranhões.

— Você me marcou — murmurou Ana, passando a mão pelo pescoço dolorido, onde a mordida principal de Lana ainda pulsava. — Se eu voltar para a floresta assim, eles vão saber exatamente o que aconteceu.

— Você não vai voltar para a floresta — disse Lana, levantando a cabeça e olhando nos olhos de Ana com uma seriedade inabalável. — Pelo menos não hoje. E se eles quiserem você, terão que passar por mim e por todo o exército de sombras do meu pai.

Ana soltou uma risada curta, acariciando as orelhas de lobo que ainda estavam tensas.

— Uma princesa protegendo uma vira-lata? Que escândalo para o seu reino, Lana.

Lana inclinou-se e deu um beijo suave nos lábios de Ana, um contraste gritante com a violência de antes.

— Eu nunca me importei com o reino, Ana. Eu só me importo com a caça. E parece que eu finalmente capturei algo que não quero soltar.

Ana envolveu Lana em seus braços fortes, puxando o cobertor sobre as duas. O ódio que as unira no início ainda existia, mas agora era apenas uma camada fina sobre algo muito mais profundo e perigoso. Elas eram inimigas por nascimento, mas ali, no silêncio do castelo real, eram apenas duas criaturas famintas que encontraram uma na outra a única coisa que realmente as fazia sentir vivas.

— Durma, princesa — sussurrou Ana, fechando os olhos enquanto sentia o cheiro de rosas de Lana uma última vez antes do sono. — Amanhã, a guerra continua.

— Amanhã — concordou Lana, aninhando-se no calor da loba. — Mas hoje, a noite é nossa.