Encontro
O Feitiço da Luxúria e o Veneno do Ciúme
O salão de festas do Castelo de Sangue transbordava opulência e decadência. Lustres de cristal negro sustentavam velas de chama azulada, lançando sombras longas sobre os convidados que deslizavam pelo mármore como espectros elegantes. Para quem olhasse de longe, Ana era apenas mais uma nobre da corte: uma vampira alta, de postura impecável, vestindo um traje de seda grafite que ocultava as cicatrizes de batalha. O feitiço de Lana fora perfeito; as orelhas pontuadas e a cauda peluda estavam ocultas por uma ilusão de palidez cadavérica e caninos alongados.
Mas, por dentro, a loba estava em chamas. O olfato de Ana, mesmo sob o disfarce mágico, captava o cheiro de testosterona e arrogância vindo do centro do salão.
— Você precisa se acalmar — sussurrou Lana, aproximando-se com uma taça de sangue vintage. — Suas unhas estão cravando no parapeito da sacada. Se você quebrar o mármore, vão notar que não é uma lady de Paris.
— Aquele verme está tocando em você — rosnou Ana, a voz saindo mais grave do que o normal, vibrando no peito. — Ele não para de olhar para o seu pescoço como se fosse o dono da propriedade.
Lana soltou um riso baixo e melodioso, ajeitando o colar de rubis que adornava sua pele retinta.
— É o Príncipe Viktor, Ana. O herdeiro do Reino do Norte. É um jogo político. Ele precisa acreditar que tem uma chance para que o tratado de paz seja assinado.
— Eu não ligo para tratados — rebateu Ana, os olhos brilhando em um âmbar perigoso por trás da ilusão. — Eu sinto o cheiro das intenções dele. Ele não quer um tratado, ele quer você na cama dele.
Antes que Lana pudesse responder, o som das harpas mudou para uma valsa lenta e predatória. Viktor, um vampiro de cabelos platinados e sorriso cínico, aproximou-se com a elegância de uma serpente. Ele ignorou Ana completamente, focando seus olhos gélidos na princesa.
— Vossa Alteza — disse Viktor, curvando-se levemente enquanto estendia a mão enluvada. — Concederia a este humilde servo a honra de uma dança? Ouvi dizer que a princesa caçadora é tão letal na pista quanto na floresta.
Lana lançou um olhar rápido para Ana — um aviso silencioso para que ela permanecesse nas sombras — e aceitou a mão do príncipe.
— Será um prazer, Viktor.
Ana assistiu, encostada na coluna, enquanto os dois giravam pelo salão. O príncipe mantinha a mão possessivamente baixa na cintura de Lana, aproximando o rosto do ouvido dela para sussurrar algo que a fez rir. O sangue de lobo nas veias de Ana ferveu. O feitiço de Lana começou a oscilar; por um breve segundo, a ponta de uma orelha lupina lampejou através da ilusão, mas Ana a forçou a voltar com pura força de vontade.
Ela viu quando Viktor deslizou o nariz pelo pescoço de Lana, inalando o perfume dela. Foi o limite.
Ana não esperou a música acabar. Ela atravessou o salão com passos predadores, ignorando os olhares curiosos dos outros nobres. Ela parou ao lado do casal, sua altura superando a de Viktor por quase dez centímetros.
— A princesa tem assuntos urgentes com o conselho — mentiu Ana, a voz carregada de uma autoridade que fez Viktor franzir a testa. — Sinto muito, Alteza.
Lana percebeu o perigo. O ar ao redor de Ana estava carregado de eletricidade estática e o cheiro de floresta úmida começava a vazar pelo feitiço.
— É verdade — Lana disse rapidamente, soltando-se de Viktor. — Obrigada pela dança, príncipe. Minha... guarda de honra me levará agora.
Viktor estreitou os olhos, analisando a "vampira" alta à sua frente.
— Sua guarda tem modos de um animal selvagem, Lana. Deveria ensiná-la a não interromper seus superiores.
Ana deu um passo à frente, o peito batendo contra o de Viktor.
— Tente me ensinar — ela desafiou, os dentes rangendo.
Lana agarrou o braço de Ana e a puxou com força em direção às escadas. Elas não pararam até cruzarem o umbral do quarto real e Lana trancar a porta com um estalo de magia.
Assim que o silêncio do quarto as envolveu, o feitiço de Lana se desfez completamente. As orelhas de Ana saltaram para fora, o rabo chicoteou o ar com fúria e o calor animal da loba inundou o ambiente frio.
— Você quase arruinou tudo! — gritou Lana, virando-se para enfrentar a guerreira. — Você tem ideia do que aconteceria se ele percebesse que você é uma...
Ana não a deixou terminar. Ela avançou como um raio, prensando Lana contra a porta de madeira maciça. Suas mãos grandes seguraram os pulsos da vampira acima da cabeça, e o corpo de Ana, rijo e quente, esmagou o vestido de seda de Lana.
— Ele tocou em você — rugiu Ana, o rosto a centímetros do de Lana. — Ele cheirava a luxúria. Ele tocou na minha marca!
— Era apenas uma dança, sua idiota ciumenta! — Lana tentou se soltar, mas a força de Ana, potencializada pela raiva, era absoluta. — Eu sou uma princesa, eu tenho deveres!
— Pois agora você tem um dever comigo — Ana sibilou, os olhos completamente âmbar, as pupilas verticais de predadora. — Eu vou tirar o cheiro daquele verme de cada centímetro da sua pele. Eu vou fazer você esquecer que qualquer outro homem já ousou respirar o mesmo ar que você.
Sem dar chance para Lana protestar, Ana atacou os lábios da vampira. Não foi um beijo de amor; foi uma reivindicação. Foi violento, desesperado e carregado de uma possessividade crua. Ana mordeu o lábio inferior de Lana até sentir o gosto metálico do sangue real, e Lana soltou um gemido que foi metade protesto e metade rendição.
Ana soltou os pulsos de Lana apenas para rasgar o corpete do vestido de festa. Os rubis caíram no chão, espalhando-se como gotas de sangue cristalizado.
— Ana, espere... — Lana tentou dizer, mas sua voz falhou quando a loba enterrou o rosto em seu pescoço, lambendo e mordendo exatamente onde Viktor havia olhado.
— Não — rosnou Ana. — Hoje você não é uma princesa. Hoje você é minha presa.
Ana ergueu Lana sem esforço, as pernas da vampira envolvendo automaticamente a cintura da loba. Ela a carregou para a cama, jogando-a sobre os lençóis de cetim. Antes que Lana pudesse se recuperar, Ana já estava sobre ela, despindo-se com uma urgência febril. Suas roupas de guerreira caíram no chão, revelando o corpo musculoso, as cicatrizes e a pele que parecia irradiar um calor insuportável para qualquer outro vampiro, mas que para Lana era o vício mais profundo.
— Você está fora de controle — murmurou Lana, as mãos subindo pelo peito de Ana, sentindo o coração da loba batendo como um tambor de guerra.
— Você ainda não viu nada — respondeu Ana.
Ela desceu os beijos pelo corpo de Lana com uma agressividade nova. Suas mãos não eram gentis; elas apertavam as coxas de Lana, deixando marcas vermelhas que contrastavam lindamente com a pele escura da princesa. Ana usava a língua e os dentes para marcar cada curva, cada centímetro, como se estivesse mapeando um território conquistado.
Lana sentiu o poder da loba. O ciúme de Ana havia transformado o desejo em algo primitivo, algo que não aceitava "não" como resposta. Quando as mãos de Ana a exploraram com uma crueza que a fez arquear as costas e clamar por mais, Lana percebeu que não queria estar no controle. Ela queria ser dominada por aquela fera.
— Use as garras — provocou Lana, a voz arrastada pela luxúria, os olhos vermelhos brilhando intensamente. — Quero sentir o quanto você me odeia por ter dançado com ele.
Ana soltou um rosnado gutural. Ela cravou as unhas levemente nos quadris de Lana e penetrou a vampira com uma força que arrancou um grito agudo de prazer da princesa. O ritmo era frenético, sem pausas para fôlego ou ternura. Era uma batalha de corpos, um choque de espécies que não deveriam se misturar.
— Ele... nunca... vai ter você — ofegava Ana, cada estocada acompanhada por um movimento possessivo de seus quadris. — Diga! Diga que você é minha!
Lana cravou as presas no próprio lábio para não gritar mais alto e alertar os guardas no corredor. Ela puxou o rosto de Ana para baixo, unindo suas testas.
— Eu sou sua, sua vira-lata maldita! — sibilou Lana entre dentes. — Só sua. Agora cala a boca e me faz esquecer o resto do mundo!
O quarto tornou-se um borrão de movimento e som. O cheiro de sexo e do sangue que escorria dos arranhões nas costas de Ana preenchia o ar. Ana não deu trégua; ela a usou com uma fome que parecia insaciável, mudando as posições com uma agilidade bruta, forçando Lana a sentir cada grama de sua força e de seu ciúme.
Quando o ápice finalmente as atingiu, foi como se o castelo estivesse desmoronando. Lana sentiu uma onda de êxtase tão forte que sua visão escureceu, e ela se agarrou a Ana como se a loba fosse a única coisa sólida em um universo de caos. Ana rugiu contra o ombro de Lana, sua marca de posse se aprofundando enquanto ela se derramava dentro da princesa, o corpo tremendo em espasmos violentos.
O silêncio que se seguiu foi pesado, interrompido apenas pelas respirações descompassadas. Ana colapsou sobre Lana, o peso de seu corpo musculoso pressionando a vampira contra o colchão.
— Você está... melhor agora? — perguntou Lana, a voz fraca, enquanto acariciava as orelhas caídas de Ana.
Ana levantou a cabeça, o olhar âmbar agora mais calmo, embora ainda carregado de uma chama residual. Ela lambeu o pescoço de Lana, limpando o rastro de suor e sangue.
— O cheiro dele sumiu — disse Ana, a voz rouca de satisfação. — Agora você cheira apenas a mim.
Lana soltou um riso exausto, fechando os olhos.
— Você é um animal, Ana. Literalmente.
— E você ama isso — rebateu a loba, aninhando-se na curva do pescoço de Lana, sua cauda balançando preguiçosamente sobre as pernas da vampira.
— Amo — admitiu Lana em um sussurro, deixando-se levar pelo calor que só aquela inimiga mortal era capaz de proporcionar.
Lá fora, a festa continuava, príncipes e reis discutiam o futuro de nações. Mas ali dentro, entre lençóis rasgados e marcas de garras, a única política que importava era a soberania absoluta que uma exercia sobre o corpo da outra. E naquela noite, a loba havia vencido a batalha.