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Entre Chamas e Geadas

Ebulição Gélida

O ar dentro da sala de reuniões, antes estagnado e frio, agora parecia crepitar. O som dos beijos era a única coisa que preenchia o silêncio pesado, um som úmido e urgente que ecoava nas paredes de pedra. Lyra Frostveil sentia que seus fundamentos estavam ruindo. Toda a sua vida foi construída sobre o controle, sobre a preservação de uma fachada de cristal que ninguém ousava tocar. Mas as mãos de Kael Ignis não eram apenas mãos; eram brasas que derretiam suas defesas, centímetro por centímetro.

— Você... você é um desgraçado... — arfou Lyra entre os beijos, a voz falhando enquanto Kael descia os lábios pelo seu pescoço, encontrando o ponto sensível logo abaixo da orelha.

Kael soltou um grunhido baixo, uma vibração que Lyra sentiu ressoar dentro do próprio peito. Ele a pressionou com mais força contra a madeira da porta, o corpo musculoso agindo como uma prensa de carne e calor.

— E você continua falando — murmurou Kael, sua voz mais rouca do que nunca. — Por que não usa essa boca para algo melhor do que insultos, Lyra?

Ele mordeu levemente o lóbulo da orelha dela, e a rainha de gelo soltou um som que nunca admitiria em público: um gemido agudo e necessitado. Suas unhas, antes perfeitamente cuidadas, cravaram-se nos ombros largos de Kael, rasgando levemente o veludo de suas vestes elegantes. Ela queria empurrá-lo por audácia e, ao mesmo tempo, puxá-lo para dentro de si para apagar o incêndio que ele mesmo havia começado.

— Eu deveria congelar sua língua por isso — ela sibilou, mas seus quadris traíram suas palavras ao se pressionarem involuntariamente contra a rigidez óbvia sob as calças dele.

Kael parou por um segundo, afastando o rosto apenas o suficiente para encostar a testa na dela. Seus olhos vermelhos queimavam com uma luxúria que não aceitava mais negações.

— Então faça — desafiou ele, com um sorriso predatório. — Use sua magia. Me pare. Me transforme em uma estátua. Mas nós dois sabemos que, se você fizer isso, vai passar o resto da eternidade olhando para o homem que te fez perder a compostura.

— Você se gaba demais — rebateu ela, a respiração vindo em golfadas curtas. — Eu só estou... curiosa. Para ver até onde vai essa sua arrogância.

— Curiosa? — Kael soltou uma risada curta e sem fôlego. — Vamos ver o quanto sua curiosidade aguenta.

Com um movimento rápido e possessivo, Kael deslizou as mãos pelas coxas de Lyra, levantando a saia pesada do vestido azul escuro. O contato da pele quente dele contra a pele fria das pernas dela causou um choque térmico que fez Lyra estremecer violentamente. Ele a ergueu, e ela, num instinto de preservação e desejo, entrelaçou as pernas na cintura dele.

Agora, eles estavam no mesmo nível. O calor emanando de Kael era quase insuportável para alguém que nasceu nas neves eternas, mas Lyra sentia que estava viciada naquela sensação. Era como se, pela primeira vez em décadas, o sangue em suas veias estivesse realmente circulando, fervendo em vez de apenas fluir.

Kael a carregou até a grande mesa de carvalho onde, horas antes, eles discutiam sobre rotas comerciais e fronteiras. Com um movimento brusco do braço, ele varreu os pergaminhos e mapas para o chão. O som do papel caindo e dos tinteiros rolando foi abafado pelo som da respiração deles.

Ele a sentou na borda da mesa, posicionando-se entre suas pernas abertas. A frieza da madeira contra a pele de Lyra contrastava com o fogo que era Kael.

— Olhe para você — provocou ele, as mãos agora subindo pelo corpete apertado do vestido dela, sentindo o coração da rainha martelar contra as costelas. — A Rainha de Gelo, desfeita na mesa de reuniões pelo "bárbaro foguento". O que seu conselho diria se visse sua soberana agora?

— Eles diriam... — Lyra inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto as mãos grandes de Kael apertavam seus seios por cima do tecido — ...que o Rei de Pyros é um animal que precisa ser domado.

Kael inclinou-se, beijando o vale entre os seios dela, o calor de sua boca atravessando a seda.

— Então me dome, Lyra. Tente me controlar. Mostre-me que seu gelo é forte o suficiente para apagar o que eu sinto por você.

Lyra abriu os olhos, o azul agora transformado em um oceano profundo e tempestuoso. Ela agarrou o rosto dele com as duas mãos, forçando-o a olhar para ela.

— Você não faz ideia do que está pedindo — disse ela, a voz subitamente baixa e perigosa. — Se eu me deixar levar, Kael, eu vou te consumir. O frio absoluto não apenas congela; ele quebra o que toca.

— Então me quebre — respondeu ele, sem hesitar. — Prefiro ser destruído por você do que passar mais um dia fingindo que não quero te arrancar essas roupas desde o momento em que entra naquela sala.

O desafio foi o estopim. Lyra não esperou por mais provocações. Ela puxou a gola da túnica dele, rasgando um dos botões de ouro que saltou e quicou no chão de pedra. Ela queria sentir a pele dele, o calor bruto e musculoso. Quando suas mãos finalmente encontraram o peito nu de Kael, ela soltou um suspiro de satisfação. Ele era como um forno vivo.

Kael, por sua vez, estava ocupado com os intrincados laços nas costas do vestido de Lyra. Seus dedos, acostumados a empunhar espadas, eram surpreendentemente ágeis, embora a impaciência o fizesse rosnar. Quando o vestido finalmente cedeu, revelando a pele alva e os ombros delicados da rainha, ele parou por um breve segundo, apenas para admirar a beleza gélida diante dele.

— Você é uma obra de arte — murmurou ele, a voz carregada de uma reverência que ele nunca demonstraria em palavras comuns.

— Menos conversa, Ignis — ela ordenou, embora suas bochechas estivessem em brasas. — Ou eu vou mudar de ideia e te deixar trancado aqui sozinho com seus mapas.

— Você não vai a lugar nenhum.

Kael atacou seus lábios novamente, desta vez com uma fome que beirava o desespero. Suas mãos exploravam cada curva, cada centímetro de pele que Lyra sempre manteve escondido sob camadas de protocolo e gelo. Ela, por sua vez, explorava os músculos definidos das costas dele, sentindo a força bruta que ele continha apenas para não machucá-la.

A tensão sensual na sala era tão espessa que parecia que o ar poderia entrar em combustão a qualquer momento. O contraste entre eles criava uma névoa de vapor que envolvia seus corpos. Onde ele tocava, deixava uma marca vermelha de calor; onde ela tocava, deixava um rastro de arrepios gélidos. Era uma dança de destruição e criação.

Lyra sentiu a mão dele deslizar mais para baixo, buscando a intimidade que ela nunca havia concedido a ninguém. Ela travou por um milésimo de segundo, sua natureza tsundere lutando para retomar o controle, para dizer algo ácido e se afastar.

— Kael... — o nome dele saiu como um apelo, não um aviso.

— Shh — ele sussurrou contra a pele do ombro dela. — Deixe queimar, Lyra. Só desta vez, deixe o gelo derreter.

Ele a tocou, e Lyra sentiu como se um raio tivesse atravessado sua espinha. Ela arqueou as costas, a cabeça caindo para trás, um grito de prazer puro sendo sufocado pelo beijo que Kael lhe deu em seguida. Ela não era mais a rainha distante; ela era uma mulher em chamas, ironicamente consumida pelo elemento que mais odiava.

O ritmo deles acelerou, uma batalha de vontades onde ninguém queria vencer, pois a derrota significava o prazer supremo. Kael estava possuído por uma urgência que nunca sentira em nenhuma batalha. Lyra era seu território mais difícil de conquistar, e a cada suspiro que ele arrancava dela, ele se sentia mais vitorioso do que se tivesse conquistado dez reinos.

— Diga... — Kael arquejou, a testa suada enquanto ele se preparava para a união final. — Diga que você me quer tanto quanto eu quero você.

Lyra olhou para ele, os olhos lacrimejando pelo excesso de sensação. Ela ainda queria insultá-lo, ainda queria chamá-lo de arrogante e impulsivo. Mas a verdade estava escrita em cada centímetro de seu corpo trêmulo.

— Eu te odeio... — ela começou, mas sua voz quebrou. — Eu te odeio por me fazer sentir isso. Eu te odeio por ser o único que consegue me tocar assim. Sim... eu quero você, seu idiota. Agora!

Kael sorriu, um sorriso de pura satisfação triunfante, e se entregou ao abismo junto com ela.

O impacto da união foi como o encontro de dois oceanos de naturezas opostas. O vapor subiu em colunas invisíveis enquanto eles se moviam em um ritmo frenético e desesperado. Lyra sentia que estava se desintegrando, que sua identidade como a Rainha de Gelo estava sendo forjada em algo novo nas mãos daquele homem de fogo. Kael, por outro lado, sentia que o frio dela não o apagava, mas sim dava foco às suas chamas, tornando-as mais intensas, mais puras.

Eles não eram mais soberanos de civilizações inimigas. Naquele momento, sobre a mesa de carvalho, entre mapas espalhados e o silêncio da punição, eles eram apenas dois polos que finalmente se encontraram.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão silenciosa. Lyra gritou o nome dele, as unhas cravando-se profundamente nas costas de Kael, enquanto ele se enterrava nela, buscando cada grama de calor e frio que podiam trocar. Por alguns instantes, o tempo parou. O Rei de Pyros e a Rainha de Glaciarum estavam imóveis, unidos não por um tratado, mas pela exaustão e pelo prazer avassalador.

Minutos depois, a respiração de ambos começou a desacelerar. Kael ainda a mantinha em seus braços, o rosto escondido na curvatura do pescoço dela. O suor esfriava na pele, mas o calor interno permanecia.

Lyra foi a primeira a se mover, tentando recuperar um pouco de sua dignidade perdida. Ela empurrou o ombro de Kael levemente, embora sem a força de antes.

— Saia... você é pesado — ela murmurou, mas não havia veneno em sua voz, apenas uma irritação cansada e quase carinhosa.

Kael se levantou lentamente, olhando para ela com um brilho divertido nos olhos. Ele começou a ajeitar as próprias vestes, embora o botão perdido e o tecido amarrotado denunciassem tudo o que havia acontecido.

— Já voltamos para a Rainha de Gelo? — provocou ele, estendendo a mão para ajudá-la a descer da mesa.

Lyra ignorou a mão dele e desceu sozinha, tentando arrumar o vestido azul com as mãos trêmulas. Ela evitou olhar para ele enquanto tentava amarrar o que podia das fitas do corpete.

— Isso foi... um erro tático — disse ela, embora suas bochechas ainda estivessem rosadas. — O isolamento e a adrenalina da discussão afetaram meu julgamento. Não pense que isso muda alguma coisa nas negociações de amanhã.

Kael deu um passo à frente, fechando a distância novamente. Ele pegou o queixo dela com os dedos e a obrigou a olhar para ele.

— Minta para o seu conselho, Lyra. Minta para o seu povo. Mas não minta para mim — disse ele, a voz suave mas firme. — Você sabe que isso mudou tudo.

Lyra desviou o olhar, sua fachada tsundere lutando bravamente para se manter de pé.

— Eu ainda te odeio, Kael Ignis.

Kael soltou uma risada baixa e deu um beijo rápido e casto na ponta do nariz dela, um gesto que a deixou completamente desarmada.

— E eu ainda adoro quando você tenta me convencer disso.

O som de chaves girando na fechadura ecoou pelo corredor. O tempo de punição havia acabado. Em um movimento rápido e sincronizado, ambos se afastaram, recompondo-se o melhor que podiam. Lyra assumiu sua postura ereta e seu olhar gélido, enquanto Kael cruzou os braços com sua habitual arrogância descontraída.

Quando a porta se abriu, o Grande Mediador entrou, olhando para os dois com desconfiança. A sala estava ligeiramente bagunçada, e havia uma névoa estranha no ar que ele não conseguia explicar.

— E então? — perguntou o mediador. — Os soberanos aprenderam a importância da cooperação e do respeito mútuo?

Kael olhou de relance para Lyra, que mantinha o rosto impassível, embora um pequeno fio de cabelo prateado estivesse fora do lugar.

— Oh, sim — disse Kael, com um sorriso enigmático que fez o coração de Lyra saltar uma batida. — Eu diria que chegamos a um entendimento muito profundo sobre... a fusão de nossos interesses.

Lyra soltou um suspiro curto, quase um bufo, e passou pelo mediador sem olhar para trás.

— Só não espere que eu concorde com o imposto sobre o carvão, Ignis! — ela exclamou enquanto caminhava pelo corredor, sua voz fria e autoritária voltando ao normal.

Mas, por baixo do vestido azul escuro, sua pele ainda queimava onde Kael a havia tocado. E, enquanto caminhava, ela sabia que o inverno em Glaciarum nunca mais seria o mesmo. O fogo havia entrado em seu reino, e ela, secretamente, não tinha a menor intenção de apagá-lo.