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entre galpaos e amores

Segredos sob o Dossel de Eucaliptos

O calor do verão australiano aos quatorze anos parecia diferente. Não era apenas a temperatura subindo nos termômetros da varanda da mansão Piastri, mas algo que fervilhava no sangue de Oscar toda vez que ele avistava a silhueta de Lily cruzando o pátio central. Aos quatorze, o corpo de Oscar estava mudando rápido; a voz falhava ocasionalmente antes de se assentar em um tom mais grave, e a consciência de cada centímetro de pele parecia amplificada, especialmente quando ela estava por perto.

Naquela terça-feira, a sorte estava a favor deles. Chris e Nicole Piastri haviam viajado para Sydney para um leilão de gado de elite, levando consigo os principais gerentes da fazenda. A propriedade, embora vasta e cheia de funcionários, parecia estranhamente vazia sob o sol do meio-dia. Os pais de Lily estavam ocupados na estufa, longe da vista dos estábulos e das trilhas que levavam à parte mais selvagem da reserva florestal da família.

Oscar encontrou Lily perto do reservatório de água. Ela usava um short jeans curto e uma regata branca, o cabelo loiro preso em um coque apressado que deixava sua nuca exposta — uma visão que fez a garganta de Oscar secar instantaneamente.

— Eles já foram? — perguntou Lily, a voz carregada de uma expectativa ansiosa.

— O avião decolou há uma hora — respondeu Oscar, aproximando-se e envolvendo a cintura dela com naturalidade. — Temos a tarde toda. E a noite, se quisermos.

— A noite é arriscada, Oscar. Minha mãe sempre me chama para o chá às sete — ela lembrou, mas seus braços já rodeavam o pescoço dele, os dedos brincando com os fios castanhos na nuca do rapaz.

— Então não vamos perder tempo aqui — murmurou ele, selando seus lábios nos dela.

O beijo começou como um cumprimento, mas rapidamente se aprofundou. A urgência dos quatorze anos era algo faminto, uma descoberta constante de novos arrepios e desejos. Eles não eram mais as crianças de onze anos que davam selinhos escondidos; agora, havia um peso no baixo ventre de Oscar e um calor úmido que Lily sentia sempre que ele a pressionava contra si.

Eles montaram em Thunder, o cavalo de confiança de Oscar, e cavalgaram para longe das áreas cultivadas. O destino era um vale escondido, onde um riacho formava uma pequena piscina natural cercada por eucaliptos gigantes e samambaias altas. Era o lugar mais privado da fazenda, um santuário onde nem mesmo os cães pastores costumavam ir.

Ao chegarem, o som da água correndo sobre as pedras era a única música. Oscar ajudou Lily a descer do cavalo, suas mãos demorando-se em seus quadris.

— Aqui ninguém nos acha — disse ele, a voz um pouco mais rouca que o normal.

— Eu adoro esse lugar — Lily suspirou, sentando-se sobre a grama macia e alta. — Parece que o resto do mundo deixa de existir.

Oscar sentou-se ao lado dela, observando como a luz do sol filtrava pelas folhas e criava padrões dourados na pele clara de Lily. Ele a amava com uma intensidade que às vezes o assustava. Não era apenas o fato de ela ser linda ou doce; era o fato de que ela o conhecia sem as camadas de "herdeiro rico" e "futuro dono das terras".

— Lily... — Ele começou, mas as palavras foram substituídas por ação quando ele a puxou para um beijo longo e exploratório.

Eles deitaram na grama, os corpos se encaixando com a familiaridade de quem cresceu junto. As explorações físicas entre eles haviam se tornado uma parte natural de sua evolução. Eles descobriam o prazer um no outro com uma curiosidade respeitosa, mas carregada de uma paixão juvenil avassaladora.

Lily deslizou a mão por baixo da camisa de Oscar, sentindo os músculos firmes de seu abdômen. Ele estremeceu sob o toque dela, soltando um suspiro pesado contra o pescoço da garota.

— Você me deixa louco — confessou Oscar, a voz abafada na pele dela.

— Você também, Oscar. O tempo todo.

Com movimentos lentos e carregados de significado, eles se despiram daquelas camadas que os protegiam do mundo exterior. Ali, sob o céu aberto e protegidos pela floresta, a hierarquia social era inexistente. Oscar não era o patrão, Lily não era a filha dos funcionários. Eles eram apenas dois jovens descobrindo a linguagem do prazer.

A intimidade entre eles já havia ultrapassado os limites dos beijos e carícias superficiais. Eles tinham um acordo silencioso de cuidado e proteção, sempre esperando pelos momentos de solidão absoluta para se entregarem àquelas explorações mais profundas. Oscar se entregou ao toque de Lily, fechando os olhos enquanto ela o explorava com uma devoção que fazia seu coração martelar contra as costelas. O prazer que ela lhe proporcionava era algo que ele nunca conseguiria descrever em planilhas ou negócios; era algo visceral, ligado à terra e ao amor que sentiam.

Quando foi a vez dele, Oscar foi meticuloso. Ele queria que Lily sentisse cada grama do amor que ele sentia por ela. Ele a conhecia, sabia onde ela era mais sensível, e usava esse conhecimento para fazê-la suspirar seu nome repetidamente, um mantra que ecoava entre as árvores.

— Oscar, por favor... — ela murmurou, os dedos cravados nos ombros dele.

— Eu estou aqui, Lily. Sempre aqui.

A conexão entre eles era tão física quanto emocional. Quando finalmente chegaram ao ápice, abraçados e ofegantes, o silêncio da floresta pareceu acolhê-los. Oscar a puxou para seu peito, cobrindo-os com sua camisa descartada para protegê-la da brisa leve.

— Às vezes eu tenho medo — disse Lily, depois de um longo tempo, a voz pequena contra o peito dele.

— Medo de quê? — perguntou Oscar, beijando o topo da cabeça dela.

— De que quando você for oficialmente o dono disso tudo, as coisas mudem. Que seus pais encontrem uma garota de uma família rica de Melbourne para você se casar.

Oscar se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos claros dela, a expressão séria e determinada que ele herdara do pai, mas suavizada pelo amor.

— Escuta o que eu vou te dizer, Lily Zneimer. Eu posso assinar mil papéis, comprar dez mil cabeças de gado e viajar o mundo todo. Mas meu coração nunca vai sair daqui. Ele nunca vai sair de perto de você.

— Você promete? — As lágrimas brilhavam nos olhos dela, um misto de felicidade e insegurança adolescente.

— Eu não preciso prometer, Lily. É um fato. Você é minha casa. Eu não me importo com o que eles esperam de mim. Eu vou cuidar de você, e nós vamos ficar juntos. Eu vou registrar cada hectare dessa fazenda, mas você é a única coisa que eu realmente quero possuir... e a única pessoa a quem eu pertenço.

Lily sorriu, a segurança voltando ao seu rosto. Ela sabia que Oscar não era de falar muito, e quando ele dizia algo com aquela convicção, era a verdade absoluta.

— Eu te amo, Oscar Piastri. Mesmo você sendo um riquinho teimoso.

— E eu te amo, Lily. Mesmo você sendo a garota que rouba meu coração todos os dias.

Eles ficaram ali por mais uma hora, conversando sobre o futuro, sobre os cavalos que queriam treinar e sobre como seria quando finalmente não precisassem mais se esconder. Aos quatorze anos, o futuro parecia uma eternidade de distância, mas, ao mesmo tempo, parecia perfeitamente possível desde que estivessem de mãos dadas.

Quando o sol começou a baixar, tingindo o céu com tons de rosa e violeta, eles se vestiram e montaram em Thunder novamente. O caminho de volta foi feito em silêncio, uma calmaria pós-tempestade de emoções.

Ao se aproximarem da área residencial, Oscar parou o cavalo em uma depressão do terreno que escondia a visão da casa principal. Lily desceu primeiro, e ele se inclinou da sela para lhe dar um último beijo.

— Vá primeiro — disse ele. — Eu vou dar a volta pelo pomar para parecer que estava conferindo a irrigação.

— Vejo você amanhã? — perguntou ela, já começando a se afastar.

— Todos os amanhãs, Lily.

Ele a observou correr levemente em direção à casa dos fundos, a trança loira balançando nas costas. Oscar respirou fundo, sentindo o cheiro de eucalipto e o perfume dela ainda impregnado em sua pele. Ele ajustou o chapéu, assumindo novamente a postura do herdeiro sério, mas por dentro, ele sorria.

A fortuna dos Piastri era vasta, mas Oscar sabia, com a clareza de quem acabara de viver um pedaço do paraíso, que sua maior riqueza não estava na terra, mas na garota que acabara de desaparecer entre as sombras das árvores. E ele faria qualquer coisa para proteger aquele segredo, aquele amor e aquele futuro que só pertencia a eles dois.

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