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entre galpaos e amores

Onde o Desejo Cria Raízes

O sol de dezoito anos de Oscar Piastri não era mais o mesmo da infância. Aos dezoito, a luz da Austrália parecia mais crua, realçando a poeira que subia dos cascos dos cavalos e o suor que grudava na pele após uma manhã inteira vistoriando as cercas do setor norte. Oscar havia mudado. O corpo magro e atlético de adolescente dera lugar a uma estrutura mais robusta, com ombros largos e mãos calejadas que agora assinavam documentos de posse e geriam centenas de cabeças de gado com a mesma firmeza com que seguravam as rédeas de um garanhão.

Ele era o herdeiro. O rosto jovem e os olhos claros ainda guardavam a serenidade de sempre, mas havia uma intensidade nova ali, uma autoridade silenciosa que fazia os funcionários mais velhos baixarem a cabeça em respeito. No entanto, para Lily Zneimer, ele continuava sendo o mesmo Oscar que a beijara aos onze anos atrás das macieiras.

Lily, agora com dezessete, florescera de uma forma que tirava o fôlego de Oscar a cada vez que ele a via. Ela ainda era a doçura em pessoa, com seus cabelos loiros que pareciam reter a luz do entardecer e um jeito de andar que parecia flutuar sobre a terra batida da fazenda. Mas ela também mudara; havia uma confiança em seu olhar e uma consciência da eletricidade que corria entre eles toda vez que se cruzavam nos corredores da mansão ou nos pátios das cocheiras.

Naquela tarde de sábado, a tensão entre os dois estava insuportável. Oscar passara a manhã inteira observando Lily ajudar a mãe na horta, o vestido de verão colando ao corpo dela devido ao calor, e cada risada que ela soltava era como um teste para o autocontrole dele. Ele a queria. E não era apenas a vontade de um beijo ou de um abraço; era uma necessidade visceral, um desejo de dezoito anos que queimava com a força de um incêndio florestal.

Oscar não tinha mais a timidez da infância. O privilégio de sua posição e a certeza do que sentia o haviam tornado direto. Ele não queria mais apenas fugir para se esconder; ele queria levá-la para onde pudesse possuí-la sem pressa, sem medo e com toda a paixão que vinha acumulando.

Ele a encontrou perto do antigo celeiro de ferramentas, onde as sombras eram longas e o cheiro de óleo de motor e feno seco dominava o ar. Lily estava guardando algumas cestas quando sentiu a presença dele. Antes que pudesse se virar, sentiu as mãos grandes e firmes de Oscar envolverem sua cintura, puxando-a para trás contra o peito dele.

— Você está me torturando desde as sete da manhã — sussurrou Oscar no ouvido dela, a voz grave e carregada de uma urgência que fez as pernas de Lily tremerem.

Lily soltou um suspiro trêmulo, inclinando a cabeça para trás no ombro dele.

— Eu não fiz nada, Oscar... Eu estava apenas trabalhando.

— Exatamente — ele disse, virando-a de frente para si. Seus olhos claros estavam escurecidos pelo desejo. — O jeito que você se abaixa, o jeito que olha para mim... Eu não consigo pensar em mais nada, Lily. Em absolutamente nada que não seja tirar esse vestido de você.

Lily corou, mas não desviou o olhar. Ela também sentia aquilo. O desejo por Oscar era uma constante em sua vida, uma chama que ele alimentava com cada gesto de proteção e cada olhar possessivo.

— Meus pais estão logo ali na frente, Oscar — ela advertiu, embora suas mãos já estivessem subindo pelo peito dele, sentindo a batida acelerada do coração do herdeiro sob a camisa de linho. — E o seu pai marcou aquela reunião com os exportadores...

— Que se danem os exportadores — Oscar interrompeu, a voz determinada. — Eu sou o dono de metade dessa terra agora, Lily. E a única coisa que eu quero administrar hoje é você.

Ele a pegou pela mão, não com a hesitação de um menino, mas com a autoridade de um homem que sabia exatamente para onde estava indo. Eles não foram para o moinho, nem para o riacho. Oscar a levou para a cabana de caça desativada que ficava no limite da propriedade, um lugar que ele mesmo havia reformado secretamente nos últimos meses, transformando-o em seu refúgio particular.

— Oscar, isso é longe... — ela disse, tentando acompanhar os passos largos dele enquanto cruzavam a trilha de mata fechada.

— É longe o suficiente para que ninguém nos ouça — respondeu ele, parando por um segundo para puxá-la para um beijo devastador.

Não era um beijo de saudade, era um beijo de reivindicação. A língua de Oscar explorava a dela com uma fome que Lily retribuía com a mesma intensidade. Quando chegaram à cabana, Oscar abriu a porta de madeira pesada e a carregou para dentro, chutando a porta para fechá-la logo em seguida.

O interior era rústico, mas confortável, com o cheiro de madeira de cedro e o som dos pássaros do lado de fora. A luz do sol entrava em frestas pelas cortinas pesadas, criando um ambiente de penumbra dourada.

— Você planejou isso — acusou Lily, com um sorriso travesso, enquanto Oscar a pressionava contra a porta fechada.

— Eu planejo isso todos os dias desde que fiz dezoito anos — admitiu ele, as mãos descendo pelas curvas dela com uma familiaridade possessiva. — Eu amo você, Lily. Mas hoje, eu preciso de você de um jeito que dói.

— Então para de falar, Oscar — ela murmurou, puxando a camisa dele para fora da calça. — Mostra para mim.

O que se seguiu foi uma dança de descobertas que eles já conheciam, mas que agora parecia amplificada pela maturidade. Oscar era cuidadoso, mas havia uma força em seus movimentos que falava de sua masculinidade recém-descoberta. Ele despiu Lily com uma reverência, parando para admirar cada detalhe do corpo que ele vira crescer e se tornar a perfeição que estava diante dele.

— Você é a coisa mais linda de toda essa fazenda — ele disse, a voz rouca, enquanto a guiava para a cama coberta com peles e mantas de lã.

— E você é o meu único dono — Lily respondeu, puxando-o para cima de si.

O encontro de seus corpos foi como o encontro da terra com a chuva após uma longa seca. Havia uma necessidade mútua, um encaixe perfeito que transcendia o físico. Oscar a possuía com uma entrega total, seus olhos fixos nos dela, querendo ver cada reação, cada centelha de prazer que ele causava. Ele não tinha vergonha de sua fome; ele a amava com a lealdade de um Piastri e a paixão de um homem que encontrara sua metade.

— Oscar... — ela gemeu, o nome dele soando como uma prece no silêncio da cabana.

— Sou eu, Lily. Só eu. Sempre eu — ele respondeu, aumentando o ritmo, sentindo o mundo lá fora desaparecer.

Naquele momento, as cercas, o gado, o ouro e o prestígio da família Piastri não significavam nada. A única riqueza que importava era o calor da pele de Lily contra a sua, o som de sua respiração acelerada e a certeza de que, não importava o quanto ele crescesse ou o quanto sua conta bancária aumentasse, ele sempre seria o escravo daquele amor.

Depois, enquanto o suor secava em seus corpos e o silêncio da tarde caía sobre a cabana, Oscar a manteve aninhada em seus braços. Ele acariciava o cabelo loiro dela, sentindo uma paz que só Lily conseguia lhe proporcionar.

— O que você está pensando? — perguntou ela, desenhando círculos no peito dele com a ponta do dedo.

— Que eu vou construir uma casa nova — disse Oscar, com a voz decidida. — Longe da sede. No alto da colina leste. Um lugar onde a gente possa ficar assim sempre que quiser, sem precisar fugir.

Lily levantou o olhar, surpresa.

— Oscar, seus pais...

— Meus pais sabem que eu não sou de voltar atrás, Lily. Eles viram como eu cuido das terras. Eles vão ter que aceitar que eu cuido de você da mesma forma. Você não é a filha dos funcionários para mim. Você é a futura Sra. Piastri.

Lily sentiu o coração transbordar. Ela sabia que a estrada não seria fácil, que a sociedade e talvez até a família dele tentariam impor barreiras, mas olhando para o rosto determinado de Oscar, ela não tinha dúvidas.

— Você tem certeza disso? — ela perguntou, a voz baixa.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida — afirmou ele, beijando a testa dela. — Eu tenho as terras, tenho o nome e tenho o dinheiro. Mas sem você, Lily, eu seria o homem mais pobre dessa Austrália.

Ele a apertou mais forte, e ali, naquela cabana escondida, eles fizeram promessas que não precisavam de testemunhas. Aos dezoito anos, Oscar Jack Piastri não era apenas o herdeiro de um império rural; ele era um homem que compreendera que a verdadeira herança é o amor que se cultiva com o tempo, e ele estava pronto para colher os frutos daquela paixão pelo resto de seus dias.

O sol começou a se pôr, pintando o horizonte de um vermelho profundo, a mesma cor do desejo que ainda queimava entre eles, prometendo que aquela era apenas a primeira de muitas tardes em que a fazenda testemunharia a união inquebrável do ouro com o trigo, do patrão com o seu verdadeiro e único amor.

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