Entre gotas de chuva e gotas de sangue
O Incêndio sob a Pele
A chuva começou como um sussurro contra o vidro da janela, transformando as luzes de Mystic Falls em borrões dourados e melancólicos. Eu estava no meu quarto, tentando me concentrar em um livro que as palavras pareciam flutuar sem sentido, quando o ar ao meu redor mudou. Não houve barulho de porta abrindo ou passos na escada. Houve apenas aquela queda súbita na pressão, um formigamento na nuca que eu já tinha aprendido a associar à presença dele.
— Sabe, Elena, para alguém que gosta de riscos, você tranca muito bem as janelas — a voz dele veio da penumbra perto da poltrona.
Eu me sobressaltei, o livro escorregando das minhas mãos. Damon estava lá, encostado na parede com a elegância de um gato de rua, as gotas de chuva brilhando em sua jaqueta de couro e o cabelo escuro levemente úmido. Ele tinha um sorriso de lado, aquele que dizia que ele sabia exatamente o efeito que causava.
— Existe uma invenção chamada porta, Damon. E outra chamada "bater" — retruquei, tentando controlar a batida errática do meu coração. — Como você entrou aqui?
— Eu sou um Salvatore. Nós temos nossos caminhos — ele deu um passo à frente, entrando no círculo de luz do meu abajur. Seus olhos azuis estavam mais escuros do que o normal, carregados de uma intensidade que fazia o oxigênio do quarto parecer escasso. — E você esqueceu a trava da varanda. Um convite silencioso, eu diria.
— Você é um invasor de domicílio convencido — eu disse, levantando-me da cama.
Damon diminuiu a distância entre nós em um movimento fluido, parando a milímetros de mim. O cheiro dele — bourbon, chuva e aquele magnetismo animal — me envolveu como uma névoa. Ele estendeu a mão, mas em vez de me tocar, apenas contornou o ar perto do meu pescoço, fazendo os pelos do meu corpo se arrepiarem.
— E você é uma mentirosa — ele murmurou, a voz vibrando baixo. — Estava sentada aqui, fingindo ler, mas seus pensamentos estavam na noite de ontem. No bar. No que quase aconteceu lá fora.
— Você não sabe o que eu estava pensando — desafiei, embora minhas pernas estivessem começando a falhar.
— Oh, eu sei — ele se inclinou, o rosto quase encostado no meu. — Eu sinto o seu pulso daqui, Elena. Ele está disparado. Como o de um passarinho preso. Ou o de alguém que está cansada de jogar conversa fora.
Damon colocou a mão na minha cintura, os dedos firmes contra o tecido fino da minha blusa. O calor do toque dele atravessou a roupa, queimando minha pele. Eu deveria recuar. Eu deveria dizer a ele para sair. Mas, em vez disso, minhas mãos encontraram o couro frio de sua jaqueta, puxando-o para mais perto.
— Você fala demais, Damon — eu sussurrei.
— Então me cale — ele respondeu, com um desafio nos olhos.
Eu não esperei. Encurtei a distância e o beijei. Foi como se uma represa tivesse rompido. O beijo de Damon não era gentil; era uma colisão de fome e possessividade. Suas mãos subiram para o meu rosto, segurando-me com uma urgência que me tirou o fôlego. Eu podia sentir o gosto do perigo, a promessa de algo sombrio e viciante que ele carregava em cada movimento.
Ele me empurrou para trás até que minhas costas batessem na parede, e o impacto arrancou um gemido baixo da minha garganta. Damon interrompeu o beijo por um segundo, descendo os lábios para a curva do meu pescoço.
— Tem certeza disso? — ele perguntou, a voz rouca, quase um rosnado. — Porque uma vez que você entrar nesse labirinto comigo, Elena, não tem volta. Eu não sou o herói da história. Eu destruo as coisas.
— Então me destrua — eu respondi, arqueando o corpo contra o dele, minhas unhas cravando-se em seus ombros.
Damon soltou uma risada curta e selvagem antes de me pegar no colo com uma facilidade sobre-humana. Minhas pernas envolveram sua cintura instintivamente enquanto ele me levava em direção à cama. Quando ele me deitou nos lençóis, o contraste entre a maciez do tecido e a dureza do corpo dele sobre o meu era quase insuportável.
Ele se livrou da jaqueta de couro com um movimento rápido, jogando-a em qualquer lugar do quarto. Por baixo, ele usava uma camisa preta que logo seguiu o mesmo caminho. Ver a pele dele, os músculos definidos e a intensidade crua em seu olhar, fez meu estômago dar voltas. Ele era magnífico e aterrorizante.
As mãos de Damon eram ágeis, desfazendo os botões da minha blusa com uma precisão que denunciava sua experiência. Cada centímetro de pele que ele revelava recebia a atenção de seus lábios ou de seus dedos quentes.
— Você é linda — ele murmurou contra a minha pele, e pela primeira vez, não havia sarcasmo em sua voz. Havia algo que parecia quase... reverência. — Quase me faz querer ser um homem melhor.
— Não seja — eu pedi, puxando-o de volta para um beijo profundo. — Eu quero o Damon que esbarrou em mim na rua. O marrento. O perigoso.
Ele sorriu, aquele sorriso safado que eu estava começando a amar, e mergulhou entre minhas pernas. O mundo lá fora desapareceu. A chuva, Mystic Falls, os segredos, os vampiros... nada disso importava. Havia apenas a sensação da boca dele, a pressão de suas mãos e o ritmo frenético que começamos a construir juntos.
Damon se movia com uma confiança predatória, mas ele estava sintonizado com cada reação minha. Cada suspiro, cada vez que eu chamava seu nome, parecia alimentá-lo. Quando ele finalmente se uniu a mim, o prazer foi tão intenso que vi flashes de luz atrás das minhas pálpebras. Era como se a energia dele estivesse se fundindo à minha, uma conexão que ia além do físico.
— Elena — ele exalou meu nome contra o meu ouvido, a voz carregada de uma emoção que ele raramente se permitia mostrar.
O movimento dele era constante, poderoso, levando-nos a um ápice que parecia inevitável e, ao mesmo tempo, assustador. Eu me agarrava a ele como se fosse minha única âncora em uma tempestade. Quando o clímax finalmente nos atingiu, foi como uma explosão de cores e sensações que me deixou trêmula e sem fôlego.
Damon desabou ao meu lado, a respiração tão pesada quanto a minha. Por um longo tempo, o único som no quarto foi o da chuva batendo no telhado e nossas batidas cardíacas tentando encontrar um ritmo comum. Ele passou o braço por baixo da minha cabeça, puxando-me para o seu peito. A pele dele ainda estava quente, e eu podia ouvir o silêncio confortável que se seguiu.
— Bem — ele disse finalmente, o tom sarcástico voltando gradualmente, embora com uma doçura nova —, acho que isso conta como um segundo encontro bem-sucedido.
Eu ri, escondendo o rosto em seu pescoço.
— Você é impossível, Damon Salvatore.
— Eu sou inesquecível, docinho. Admita — ele virou o rosto, beijando o topo da minha cabeça. — Agora, você tem duas opções. Pode me expulsar daqui e fingir que isso foi um erro movido a bourbon...
— Ou? — perguntei, levantando o olhar para encontrar aqueles olhos azuis infinitos.
— Ou você pode me deixar ficar. Eu não durmo muito, mas sou um excelente guarda-costas. E, caso você não tenha notado, eu tenho um certo talento para entretenimento noturno.
— Você não vai embora, vai? — eu sorri, sabendo a resposta.
— Nem se você me espetasse com uma estaca — ele piscou, o brilho safado voltando com força total. — Você se meteu com um Salvatore, Elena. Agora, você é o meu tipo favorito de problema. E eu não pretendo resolver esse problema tão cedo.
Aconcheguei-me a ele, sentindo o peso e o calor de seu corpo. Eu sabia que a manhã traria complicações. Eu sabia que a vida em Mystic Falls se tornaria dez vezes mais perigosa agora que eu estava ligada a ele. Mas, enquanto Damon traçava círculos preguiçosos nas minhas costas e a escuridão do quarto nos protegia do resto do mundo, eu não conseguia me arrepender.
Esbarrar nele tinha sido um acidente. Deixá-lo entrar tinha sido uma escolha. E agora, eu estava pronta para qualquer incêndio que Damon Salvatore decidisse começar.