ERC×JOR
Maré de Afeto e Tinta
O sol de Búzios não pedia licença; ele se derramava sobre a areia branca e o azul profundo do mar da Ferradura como se soubesse que aquele final de semana pertencia à elite da máfia sul-americana. Mas, ali, a única lei que imperava não era a das armas ou do dinheiro, e sim a da celebração. A mansão alugada por Erick Pulgar era uma fortaleza de luxo, cercada por palmeiras e protegida por uma segurança invisível, porém letal, que garantia a privacidade de que precisavam.
Santino, agora oficialmente um homem de dezoito anos, corria pelo gramado vasto, mas não da forma séria que sua postura de "herdeiro Pulgar" sugeria. Ele estava fugindo de uma mangueira de jardim empunhada por Milano, filho de Arrascaeta e Varela.
— Eu vou te matar, Milano! — gritou Santino, rindo enquanto tentava desviar da água. — Minha camisa é nova, cara!
— Deixa de ser fresco, Santi! — rebateu Milano, rindo com a mesma intensidade. — Dezoito anos na cara e ainda corre da água?
Ao fundo, um enorme toboágua inflável e um pula-pula gigante ocupavam parte do jardim. Fora um pedido inusitado de Santino, que Erick fizera questão de atender sem questionar. "Eles ainda são crianças grandes", Erick dissera a Jorge quando o colombiano arqueou a sobrancelha ao ver os brinquedos chegarem.
Jorge Carrascal estava em seu elemento. Vestindo uma camisa de linho aberta, revelando as tatuagens do abdômen, e um short curto que exibia as pernas bronzeadas, ele circulava entre os convidados com uma taça de drink na mão e a ginga que era sua marca registrada.
— Olha só esse churrasco, Varela! — Jorge exclamou, aproximando-se do amigo uruguaio. — Se o Arrascaeta continuar comendo desse jeito, não vai conseguir voltar para o Uruguai sem pagar excesso de bagagem no próprio corpo!
— Cala a boca, Jorge! — Arrascaeta riu, pegando mais um pedaço de picanha. — A comida do seu pai é a melhor coisa desse final de semana, depois da minha presença, claro.
A festa era uma mistura vibrante de culturas. De um lado, dona Karina e seu Pablo conversavam com seu Jorge e dona Olga. A mãe de Erick, sempre elegante e firme, ria das histórias contadas pelo pai de Jorge sobre os tempos de obra no Rio. A união daquelas duas famílias, uma nascida no ouro e a outra no barro, era o maior orgulho de Erick e Jorge.
— Puta que pariu, essa música é boa demais! — exclamou Léo Pereira, puxando Léo Ortiz para um passo desajeitado de pagode enquanto os filhos, Helena e Matteo, olhavam com um misto de vergonha e diversão.
Luiz Araújo e Pedro observavam as filhas, Cecília e Valentina, conversando animadamente com Ada, filha de Jorginho. O clima era de absoluta paz. Bruno Henrique e Gisele acompanhavam os filhos Lorenzo e Pietro em uma competição improvisada de quem mergulhava melhor na piscina infinita.
Erick Pulgar, no entanto, era o ponto de ancoragem daquela agitação. Ele estava encostado em uma coluna de mármore, vestindo preto como de costume, observando tudo com seu olhar penetrante e silencioso. Ele via Santino rindo com os amigos, via Jorge brilhando no centro da roda, e sentia uma satisfação que raramente se permitia demonstrar.
— Você parece um segurança de boate parado aí, amor — Jorge disse, surgindo ao lado dele e passando o braço pela cintura de Erick. — Relaxa esse rosto, papacito. É o aniversário do nosso menino.
— Eu estou relaxado, Jorge — Erick respondeu, a voz grave suavizada pelo toque do marido. — Só estou olhando o que construímos.
Jorge encostou a cabeça no ombro de Erick, o cheiro de perfume caro e maresia misturando-se.
— Construímos uma bagunça linda, não foi? — Jorge murmurou, olhando para a família reunida.
A noite caiu sobre Búzios, e com ela, o pagode subiu de tom. Wallace Yan e Samuel Lino puxaram um coro que fez até os mais tímidos, como Gonzalo Plata, arriscarem uns passos. Santino estava no centro de tudo, celebrando a transição para a vida adulta cercado por aqueles que o viram crescer.
Horas depois, quando a música já estava mais baixa e a maioria dos convidados começava a se recolher para a casa principal ou para a mansão vizinha alugada para os sobrinhos e amigos, Erick se afastou para a varanda do segundo andar. O silêncio do mar era o contraste perfeito para o barulho da festa.
Ele sentiu uma presença atrás de si.
— Pai? — A voz de Santino era suave.
Erick se virou. O filho estava ali, com o cabelo bagunçado e os olhos brilhando de felicidade.
— O que foi, Santi? Cansou da bagunça? — perguntou Erick.
Santino aproximou-se e, sem dizer nada, envolveu Erick em um abraço apertado. O chileno, pego de surpresa, demorou um segundo para retribuir, mas logo suas mãos grandes e tatuadas envolveram as costas do rapaz.
— Obrigado, pai — Santino sussurrou contra o ombro de Erick. — Por essa festa, por Búzios... mas, principalmente, por tudo. Por ter me escolhido. Por ser meu pai de verdade. Você é o melhor homem que eu conheço.
Erick sentiu um nó na garganta, algo que sua postura de mafioso raramente permitia. Ele fechou os olhos com força, sentindo o peito arder de emoção.
— Eu não te escolhi, Santino — Erick disse, a voz levemente embargada. — Você é meu filho. Sangue é apenas um detalhe. Eu te amo, garoto.
— Eu também te amo, papai Erick — Santino se afastou, limpando discretamente uma lágrima, e deu um sorriso que era a cópia fiel do de Jorge.
Jorge, escondido atrás da cortina da porta-balcão, assistia a tudo com o coração transbordando. Ele viu o momento em que Erick, o homem de ferro, limpou o canto do olho após o filho sair.
Quando Santino desceu, Jorge entrou na varanda silenciosamente. Ele não disse nada, apenas abraçou Erick por trás, prendendo-o em seu calor. Ficaram assim por longos minutos, ouvindo apenas o som das ondas.
— Vamos subir? — Jorge perguntou baixinho. — O pessoal já está se acomodando.
No quarto principal, o luxo era absoluto, mas a atmosfera era de intimidade pura. Erick sentou-se na beirada da cama king-size, retirando o relógio de ouro e a corrente com o crucifixo. Jorge estava parado perto da janela, observando o reflexo da lua no espelho.
— Jorge — chamou Erick.
O colombiano se virou.
— Obrigado — disse o chileno, o olhar fixo no marido.
— Pelo quê, mô?
— Por ter me deixado entrar na sua vida. Por ter me deixado ser o pai do Santino. Eu não sabia que precisava disso até ter vocês. Você me deu uma família que eu não sabia que podia ter fora do clã Pulgar.
Jorge sentiu os olhos marejarem instantaneamente. Ele caminhou até Erick, ajoelhando-se entre as pernas do marido e apoiando as mãos nas coxas tatuadas dele.
— Você é o melhor pai que o Santino poderia ter, Erick — Jorge disse, a voz trêmula. — E o melhor marido que eu poderia sonhar. O Santi te idolatra. Ele tem o meu rosto, mas ele quer ser você. E eu não poderia estar mais orgulhoso disso.
Erick puxou Jorge para cima, selando seus lábios em um beijo que carregava dez anos de história, superação e paixão. As mãos de Erick desceram, apertando a bunda firme de Jorge por cima do linho fino, arrancando um suspiro baixo do colombiano.
Jorge interrompeu o beijo por um segundo, os olhos escuros e dilatados de desejo, brilhando sob a luz fraca do abajur.
— Erick... — sussurrou Jorge, a voz carregada de uma urgência familiar. — Faz amor comigo. Mas não qualquer amor.
Erick arqueou a sobrancelha, um sorriso ladino surgindo em seu rosto sério.
— O que você quer, Carrascal?
— Lembra da nossa lua de mel? — Jorge perguntou, as mãos subindo para o pescoço de Erick, traçando a palavra *perseverance*. — Aquele hotel em Paris... a Torre Eiffel lá fora e você me possuindo como se o mundo fosse acabar. Eu quero exatamente aquilo. Quero sentir que eu sou seu, todo seu.
Erick sentiu o sangue pulsar mais forte. Ele adorava quando Jorge evocava memórias intensas para atiçar o fogo entre eles.
— Você sabe que não precisa pedir — Erick rosnou, a voz descendo oitavas. — Você é meu desde o México, Jorge. E eu vou te lembrar disso agora mesmo.
Erick levantou-se, levando Jorge consigo, e o prensou contra a parede próxima ao closet. As mãos de Erick foram rápidas em desabotoar o restante da camisa de Jorge, jogando-a no chão. Ele desceu os lábios pelo pescoço do colombiano, mordiscando a tatuagem de beijo que Jorge ostentava ali.
— Você está tão gostoso hoje, porra — Erick sussurrou no ouvido dele, a voz suja, carregada de um desejo cru. — Passou o dia todo rebolando na frente daqueles caras, achando que eu não estava vendo.
— Eu só estava dançando, papacito — provocou Jorge, arqueando as costas e sentindo a ereção de Erick pressionar contra sua coxa. — Mas eu sabia que você estava olhando. Eu sempre danço para você.
— Pois agora você vai dançar aqui — Erick disse, descendo a mão para o fecho do short de Jorge. — Abre as pernas para mim, maricon.
O uso de palavras mais baixas e o tom possessivo de Erick eram o combustível de Jorge. O colombiano soltou um gemido sôfrego quando Erick o livrou das roupas, deixando-o completamente nu sob o olhar devorador do chileno. Erick não demorou a se despir também, revelando o corpo que era um mapa de guerra e amor, cada tatuagem contando uma parte do que eles eram.
Erick ajoelhou-se, venerando o corpo de Jorge com a boca, traçando o caminho das tatuagens no abdômen até a virilha, enquanto Jorge enterrava os dedos nos cabelos escuros do marido, arfando alto.
— Erick... por favor... agora — suplicou Jorge.
Erick o ergueu, as pernas de Jorge envolvendo a cintura larga do chileno. Ele o levou de volta para a cama, deitando-o e posicionando-se entre suas pernas. O sexo foi lento no início, um encaixe perfeito de dois corpos que se conheciam em cada detalhe, cada cicatriz.
— Você é minha vida, ouviu? — Erick sussurrava entre estocadas profundas e firmes. — Minha puta, meu marido, meu tudo.
— Sou seu... todo seu, Erick... — Jorge respondia, a voz falhando, os olhos revirando de prazer. — Me fode, Pulgar... me marca de novo.
O quarto foi preenchido pelo som da respiração ofegante, pelos sussurros de baixo calão ditos em espanhol e português, e pelo ritmo ininterrupto da paixão deles. Erick dominava cada movimento, seus punhos de ferro agora transformados em carícias firmes que mantinham Jorge preso ao colchão.
Quando o ápice chegou, foi como uma explosão que reverberou por todo o corpo. Eles desabaram um sobre o outro, o suor colando suas peles tatuadas, os corações batendo na mesma frequência.
Jorge se aninhou no peito de Erick, sentindo a mão do marido afagar seus cabelos loiros. O silêncio voltou a reinar, mas agora era um silêncio preenchido, completo.
— Feliz aniversário para o nosso menino — murmurou Jorge, quase pegando no sono.
— Feliz aniversário para a gente — Erick respondeu, beijando o topo da cabeça de Jorge. — Por mais dez, vinte, cinquenta anos dessa loucura.
Ali, em Búzios, longe da máfia e perto de tudo o que importava, o império dos Pulgar-Carrascal estava mais sólido do que nunca. Gravado na pele, selado no sangue e mantido pelo amor mais intenso que o Rio de Janeiro já havia testemunhado.