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ERICK+JORGE

Sob a Marca do Teu Nome

A noite já havia engolido o horizonte quando o esportivo blindado cruzou os portões de ferro forjado da mansão encravada no topo das falésias de Búzios. O som ritmado das ondas quebrando contra as pedras lá embaixo misturava-se ao sopro constante da brisa marítima, carregada de maresia e de uma sensação quase irreal de isolamento. Depois de duas horas e meia de estrada cortando a escuridão da serra, aquele refúgio à beira do abismo parecia uma fortaleza de vidro, madeira nobre e luzes douradas suspensa entre o céu e o oceano Atlântico.

Erick desligou o motor possante. No silêncio que se instalou de imediato na cabine de couro, o chileno manteve as duas mãos espalmadas sobre o volante por alguns segundos. Respirou fundo, deixando que o peso brutal da semana inteira — as cobranças da máfia, os relatórios de cargas marítimas e o susto gélido de quase ter arruinado a data mais sagrada de sua existência — se esvaísse por completo.

Ao seu lado no banco do carona, Jorge permanecia de braços cruzados, o semblante virado para a janela escura. O topete loiro estava levemente desgrenhado pela viagem, e o biquinho teimoso ainda desenhava seus lábios cheios, embora uma centelha de pura expectativa brilhasse no fundo de seus olhos castanhos.

Erick soltou um riso baixo, virando o corpo largo na direção do marido. Estendeu a mão esquerda, os nós dos dedos densamente cobertos por símbolos em tinta preta, e tocou suavemente a ponta do queixo bronzeado de Carrascal, puxando o rosto dele para si.

— Vai continuar emburrado comigo, mi vida? — perguntou o chileno, a voz descendo para aquele tom rouco e manso que só existia na intimidade dos dois. — Nós chegamos. A casa é toda nossa até segunda-feira.

Jorge encarou as feições duras e marcadas do homem de quarenta anos. Sob a meia-luz do painel, Erick parecia esculpido em pedra: o maxilar quadrado, a barba rala bem delineada e aquele olhar escuro e penetrante que fazia os chefes mais temidos da América do Sul baixarem a cabeça.

— Eu não tô emburrado, Pulgar — rebateu Jorge, sustentando a pose marrenta, embora o canto da boca tenha traído sua seriedade por uma fração de segundo. — Só tô avaliando se você merece mesmo o trabalho que eu tive pra escolher esse lugar.

— Eu vou te mostrar se mereço — respondeu Erick, inclinando-se para a frente e depositando um beijo demorado e quente na têmpora de Jorge, descendo os lábios até a curva da mandíbula. — Vamos entrar.

A mansão era uma obra-prima de arquitetura moderna. Uma sala monumental em conceito aberto recebia os dois com pisos de pedra clara e paredes de vidro que emolduravam o mar infinito sob o luar. A equipe privativa que Jorge contratara havia cumprido o serviço com discrição cirúrgica: haviam deixado tudo pronto antes de se retirarem para as dependências externas. Sobre a bancada da cozinha gourmet, travessas térmicas mantinham o aroma inconfundível de frutos do mar salteados com especiarias caribenhas, enquanto uma balde de prata exibia pedras de gelo abraçando garrafas de vinho chileno e a lendária tequila artesanal que Jorge mandara buscar por rotas exclusivas.

Jorge largou a jaqueta sobre o encosto de uma das poltronas e caminhou descalço até o deque externo de madeira. A piscina de borda infinita parecia derramar-se diretamente no penhasco, espelhando as estrelas e a lua cheia.

Erick apareceu logo atrás. Havia tirado a camisa escura, restando apenas com uma calça leve de algodão cinza. Noventa por cento de seu corpo colossal estava à mostra: as tatuagens contavam a linhagem dos Pulgar, as guerras travadas no Chile, homenagens aos pais, aos irmãos, aos sobrinhos e, no centro exato do peitoral largo, o nome de Jorge entrelaçado ao de Santino em traços góticos impenetráveis.

O chileno trazia duas doses da tequila dourada em copos curtos de cristal. Aproximou-se por trás de Jorge, encostando a frente do seu peito musculoso e quente contra as costas do colombiano, circulando a cintura estreita do marido com um braço e oferecendo o copo com o outro.

Jorge aceitou o cristal, inclinando a cabeça para trás até apoiar a nuca no ombro maciço de Erick. Fechou os olhos, absorvendo o calor reconfortante daquele abraço que fora seu porto seguro nos últimos treze anos.

— Treze anos, Erick... — sussurrou Jorge, a voz mansa, perdendo finalmente qualquer resquício de fingimento. — Às vezes eu paro pra pensar naquele moleque que fugiu da miséria de Cartagena, que lavava prato até a mão sangrar pra comprar leite pro Santino... Eu nunca imaginei que ia ter isso aqui. Que ia ter você cuidando de mim desse jeito.

Erick beijou o lóbulo da orelha de Jorge com uma reverência quase sagrada, apertando o aperto na cintura do menor.

— Você construiu o seu império com a própria honra, meu amor. O seu passado só me faz ter mais orgulho do homem extraordinário com quem eu me casei. Se alguém teve sorte nessa porra toda, fui eu. Eu era só uma fera guiada pelo sangue da máfia até você e aquele pirralho entrarem na minha vida e me ensinarem o que é família de verdade.

Os dois ergueram os copos em direção ao horizonte negro salpicado de espumas brancas.

— Aos nossos treze anos — brindou Jorge.

— Até o meu último suspiro — completou Erick.

O fogo líquido da tequila desceu queimando as gargantas, acendendo de imediato o sangue latino que corria nas veias de ambos. Jorge devolveu os copos vazios para uma mesa lateral e virou-se nos braços do chileno, pousando as mãos tatuadas no peito rígido do marido.

Aquele sorriso travesso, arteiro e devastadoramente sedutor voltou a iluminar o rosto bronzeado do colombiano.

— Agora... — começou Jorge, mordiscando a ponta da língua com pura malícia —, você lembra do que eu te falei antes de sair de casa? Que mandei fazer uma coisa no meu corpo hoje de manhã?

Erick franziu as sobrancelhas escuras, sentindo a respiração encurtar.

— Eu não esqueci um segundo sequer. Onde é que você se marcou, Jorge?

Jorge soltou uma risadinha gostosa, cheia de mistério, e deu dois passos para trás, afastando-se do alcance do gigante.

— Vem descobrir, papi. Mas lá dentro. Na cama.

O colombiano deu as costas e caminhou em passos lentos e sinuosos em direção à suíte master no pavimento superior. Erick o seguiu como um predador hipnotizado, os passos pesados e firmes ecoando pela madeira nobre.

O quarto principal era imenso, dominado por uma cama king-size voltada para as portas de correr de vidro que se abriam para uma varanda suspensa sobre o mar. A brisa agitava as cortinas de linho branco sob a penumbra acolhedora proporcionada por duas luminárias baixas de tom âmbar.

Jorge parou no meio do cômodo, de costas para a entrada. Sem pressa alguma, levou as mãos à barra da regata preta que vestia e puxou-a para cima pela cabeça, atirando o tecido no chão. As costas bronzeadas de Carrascal eram uma obra de arte: músculos definidos e flexíveis cobertos por desenhos de asas, leões e motivos colombianos.

Em seguida, os dedos de Jorge foram até o botão da bermuda jeans. Ele abriu o zíper com lentidão provocadora e empurrou o tecido pelas coxas torneadas, chutando a peça para o lado.

Ele não usava cueca.

A nudez completa de Jorge à meia-luz era de tirar o fôlego, mas o que fez o ar desaparecer por completo dos pulmões de Erick foi o que repousava no ponto mais baixo e íntimo da coluna do marido.

Bem ali, na curva suave do finalzinho do cóccix, logo acima do início da fenda das nádegas redondas e empinadas, destacava-se uma tatuagem recém-feita. O traço era fino, perfeito e impecável, com a pele ao redor ainda levemente rosada pelo processo de cicatrização.

Estava escrito em letras cursivas e elegantes: *Pulgar*.

O silêncio no quarto tornou-se denso, elétrico, quase insuportável.

Erick paralisou a dois passos de Jorge. Seus olhos escuros e penetrantes dilataram-se de uma forma selvagem, fixando-se naquela marca como se estivesse diante da maior declaração de guerra e de amor que já testemunhara em toda a sua vida. O sangue correu em brasa para as suas têmporas, fazendo as veias do pescoço saltarem.

— Jorge... — a voz de Erick saiu como um rosnado áspero, irreconhecível pela onda devastadora de tesão e choque que o arrebatou por inteiro. — Que porra é essa?

Jorge virou o rosto por cima do ombro, apoiando o peso em uma das pernas e empinando a bunda com um descaramento absoluto. Seus olhos amendoados brilhavam com uma safadeza refinada.

— É a sua marca, mi amor — sussurrou o colombiano, a voz pingando manha e provocação. — Você não disse a semana inteira que eu era a sua propriedade? Que eu era o seu marido? Pois agora tá gravado na carne. Pro resto da vida. Quem me olhar por trás vai saber exatamente de quem é esse corpo.

A menção à exposição arrancou uma fagulha imediata do ciúme visceral do chileno.

— Quem foi que tatuou isso em você? — rosnou Erick, dando um passo pesado à frente, os punhos cerrados. — Quem foi o desgraçado que encostou a mão nessa pele aí hoje de manhã?

Jorge soltou uma risada rouca, deliciando-se com a fúria possessiva do marido:

— O mesmo tatuador da família, amor. O velho Ramirez. Ele é praticamente um avô pra nós dois, para com essa crise ridícula!

— Não me interessa se é avô, caralho! — retrucou Erick, a voz vibrando nas paredes de vidro. — Ninguém bota a mão na sua bunda além de mim. Ninguém!

— Então vem tomar o que é seu, Pulgar — desafiou Jorge, dando um passo em direção à cama e deitando-se de bruços sobre o edredom escuro, apoiando o queixo nas mãos cruzadas e olhando para o chileno com o olhar mais devasso do mundo. — Você prometeu que eu não ia conseguir andar direito até segunda-feira. Vai ficar latindo aí feito um cachorro bravo ou vai me foder logo?

O chileno perdeu o restante do controle que mantinha sobre a própria sanidade.

Em um movimento brusco, Erick arrancou a calça de moletom, libertando o membro colossal, grosso e rígido que latejava em pura urgência. Subiu na cama como uma fera indomável, ajoelhando-se sobre as coxas de Jorge e prensando o corpo esguio do colombiano contra o colchão macio.

Com uma mão calejada e firme, Erick segurou a nuca de Jorge, enquanto a outra mão grande e pesada pousou diretamente sobre a tatuagem recém-feita, cobrindo o próprio sobrenome gravado na pele quente do marido.

— Você é um filho da puta perigoso, sabia? — sussurrou Erick ao pé do ouvido de Jorge, a boca colada na pele sensível, mordiscando com força suficiente para deixar a marca de seus dentes na nuca bronzeada. — Você me enlouquece, Jorge. Você faz de mim o que você bem entende.

— Eu te amo, porra... — gemeu Jorge, a respiração falhando quando os dedos de Erick desceram com pressão implacável pelas suas nádegas, abrindo a fenda com possessividade. — Eu sou seu, Erick. Inteirinho seu.

— É meu — confirmou o chileno, espalhando uma quantidade generosa de saliva na entrada apertada e quente do marido, usando o polegar para preparar a carne com uma lentidão deliberadamente torturante. — E hoje eu vou te arrombar com tanta calma, meu colombiano marrento... que você vai sonhar com o meu pau a semana inteira.

Jorge arqueou as costas, enterrando o rosto no edredom e soltando um gemido abafado quando sentiu a ponta espessa do membro de Erick pressionar sua entrada.

— Sem pressa, papi... — implorou Jorge, a voz manhosa, quase infantil na entrega. — Bem fundo... até a alma.

Erick não teve piedade, mas agiu com a maestria de quem conhecia cada milímetro daquele corpo há mais de uma década. Ele empurrou os quadris para a frente com firmeza inabalável, deslizando centímetro por centímetro para dentro da fenda quente e apertada de Carrascal. A invasão foi profunda, preenchendo o colombiano de forma avassaladora até que a pelve de Erick colidisse contra a pele tatuada com o nome *Pulgar*.

— Puta que pariu... — gritou Jorge, as mãos cravando-se nos lençóis com força enquanto os olhos marejavam de puro êxtase. — Erick! Meu Deus... como você é grande, caralho...

Erick paralisou por alguns segundos, enterrado até o limite, fechando os olhos enquanto sentia as paredes internas de Jorge pulsarem ao redor de si como uma luva em chamas. Ele inclinou o tronco para a frente, cobrindo as costas de Jorge com o seu peito largo, espalhando beijos quentes pelas escápulas e sussurrando barbaridades em espanhol diretamente no ouvido do marido.

— Aperta, amor... aperta essa porra pra mim — rosnava o mafioso, a voz gutural vibrando contra os ossos de Jorge. — Gostoso pra caralho... Esse cu é meu. Essa vida inteira é minha.

Erick começou a se mover. Não eram estocadas rápidas e desesperadas; era um ritmo lento, pesado, implacável. Ele recuava quase até a ponta para depois empurrar com força bruta até o fundo, atingindo o ponto exato da próstata de Jorge a cada investida calculada. O som úmido do atrito entre os corpos batendo em cadência perfeita preenchia a suíte, misturando-se aos gemidos sem pudor do colombiano e ao barulho constante das ondas lá fora.

Jorge gemia sem qualquer freio. Suas pernas tremiam sobre o colchão, e ele rebolava os quadris para trás no mesmo ritmo das estocadas, buscando ser preenchido ainda mais fundo. Levou uma das mãos trêmulas para baixo, tocando o próprio membro que vazava intensamente contra os lençóis sem sequer ter sido tocado diretamente.

— Olha pra trás, Jorge — ordenou Erick, segurando os cabelos loiros do marido e puxando sua cabeça delicadamente para o lado. — Olha pra mim enquanto eu te fodo.

Jorge virou o rosto, encontrando o olhar escuro e em chamas do chileno. Suas bocas se chocaram em um beijo desesperado, faminto, trocando saliva e suspiros entrecortados enquanto Erick acelerava a cadência das estocadas. A cada impacto mais forte, o corpo de Jorge estremecia, arrancando choramingos manhosos e súplicas de puro prazer:

— Mais... por favor, Erick... não para, caralho! Papi... me fode mais forte!

— Fala o meu nome, porra — rosnou o chileno, desferindo uma estocada profunda que fez Jorge arquear as costas até o limite. — Fala quem tá te quebrando no meio!

— O meu marido... o Erick! O meu Pulgar! — gritou Jorge, perdendo completamente o controle sobre os próprios sentidos.

A sensação avassaladora atingiu o ápice com a violência de uma tempestade tropical. As paredes internas de Jorge contraíram-se com uma força brutal ao redor do membro de Erick, e o colombiano desabou em espasmos incontroláveis, derramando-se espesso e abundante sobre o edredom com um grito rouco que ecoou pela escuridão de Búzios.

O aperto esmagador daquele clímax arrastou Erick para o mesmo abismo. Com três investidas brutais, descompassadas e cegas, o gigante chileno rugiu contra a curva do ombro de Jorge, enterrando-se até a raiz e esvaziando-se por inteiro dentro dele em jatos quentes, profundos e intermináveis.

Os dois desabaram sobre o colchão. Erick permaneceu deitado sobre as costas de Jorge por longos minutos, sentindo as batidas descompassadas do coração do colombiano martelarem contra o peito suado de ambos. O silêncio voltou a reinar no quarto, quebrado apenas pela respiração pesada e pelo vento constante que entrava pela varanda aberta.

Com infinita delicadeza, Erick retirou-se devagar, beijando com devoção a pele recém-tatuada que acabara de possuir. Puxou Jorge para os seus braços, virando o corpo bronzeado de frente para si e cobrindo os dois com o edredom macio.

Jorge aconchegou a cabeça na curva do pescoço de Erick, respirando o cheiro amadeirado do marido. Seus olhos castanhos estavam pesados, brilhando de puro contentamento e exaustão.

— É... — murmurou Jorge com um sorriso fraco e preguiçoso nos lábios inchados pelos beijos. — Acho que o senhor cumpriu a promessa, Don Pulgar. Minhas pernas tão dormentes. Não levanto daqui nem se a polícia invadir essa mansão.

Erick soltou uma risada baixa, rouca e profundamente apaixonada, passando a mão grande pelos cabelos loiros e suados do marido, puxando-o para mais perto até não restar espaço algum entre eles.

— Descansa, mi vida — sussurrou o chileno, beijando a testa de Jorge com ternura infinita. — Nós temos o fim de semana inteiro pela frente. E eu ainda vou te mimar muito antes da gente voltar pro Rio.

Jorge fechou os olhos, sentindo o calor seguro do peito do homem que escolhera para a vida toda. Sob o luar prateado que banhava as falésias, não havia armas, cartéis ou guerras; havia apenas a paz inabalável de um amor selado na carne, na alma e na eternidade.

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