eu com voce
Deliberada Perdição
As passadas firmes de Oscar ecoavam no piso de madeira nobre do corredor superior com a cadência de quem marcha para a vitória mais esperada de sua vida. Ele não hesitava, não tropeçava e tampouco afrouxava o aperto vigoroso sob as coxas macias e as costas delicadas de Lily. A respiração dela, quente e descompassada contra a pele sensível de seu pescoço, funcionava como combustível puro para o fogo que já queimava impiedoso sob o linho azul de sua camisa.
Com um empurrão decidido do ombro largo, Oscar abriu a pesada folha de carvalho da suíte máster. Na pressa avassaladora que lhe nublava os sentidos sempre tão cirúrgicos, a madeira apenas encostou no batente sem que o trinco de latão descesse até o fim, deixando uma fresta milimétrica, quase imperceptível para quem não prestasse atenção minuciosa.
Mas Oscar Piastri, pela primeira vez em muitos meses, não estava prestando atenção em trincos, câmeras de segurança ou protocolos. Sua única jurisdição, naquele instante, resumia-se aos gemidos sussurrados da mulher em seus braços.
Ele a levou direto para a colossal cama entalhada, depositando-a com uma suavidade enganosa sobre a imensidão de travesseiros e lençóis de algodão acetinado. Antes que Lily pudesse apoiar os cotovelos ou ajeitar a barra do tecido claro, o corpo maciço do magistrado já cobria o dela, apoiando os joelhos entre suas pernas entreabertas e encurralando-a contra o colchão com o peso imponente de sua presença.
— Oscar... — O nome dele escapou dos lábios de Lily como uma súplica entrecortada quando ela sentiu a rigidez do quadril dele pressionar exatamente o centro de seu ventre.
— Olhe para mim, Lily — ordenou ele, em um murmúrio rouco, tão denso que vibrou direto na boca dela.
Lily obedeceu, abrindo os olhos claros para encontrar as pupilas de Oscar completamente dilatadas. O anel azul-esverdeado de suas íris brilhava com uma combustão perigosa, desprovida de qualquer vestígio da compostura impassível que silenciava tribunas inteiras em Nova York. Ali não havia o bilionário intocável ou o homem das leis; havia apenas o macho voraz, faminto e irremediavelmente acorrentado ao corpo dela.
— As unhas — lembrou ela em um fio de voz, tentando encontrar um resquício de sensatez, mantendo as mãos erguidas no ar para não tocar o tecido grosso da calça dele com as pontas ainda frescas do esmalte.
Oscar soltou uma risada baixa, rouca e visceral contra a mandíbula dela.
— Eu já disse que cuido de cada detalhe, meu anjo.
Com movimentos ágeis e decididos, os dedos fortes de Oscar seguraram a gola do robe de seda de Lily, abrindo-o por completo com um movimento contínuo que expôs o conjunto delicado de renda translúcida cor de lavanda. O contraste da renda fina contra a pele alva e os bicos rosados dos seios de Lily fez a mandíbula do magistrado travar por uma fração de segundo.
Ele não perdeu tempo admirando à distância: inclinou a cabeça e capturou um dos mamilos túrgidos através do tecido transparente, sugando-o com uma firmeza lasciva que arrancou um arquejo agudo do fundo da garganta de Lily.
— Ah, Deus... Oscar!
A língua dele era áspera, quente e incansável, alternando lambidas lentas e círculos impiedosos que transformavam o tecido fino em uma segunda pele úmida e transparente. Enquanto uma das mãos dele amassava com possessividade o outro seio farto, a mão livre descia com autoridade indiscutível pela curva da cintura de Lily, deslizando por baixo da calcinha rendada até encontrar a umidade fervente que já escorria entre suas coxas.
Quando o polegar de Oscar pressionou a carne intumescida e encharcada, Lily fechou os olhos com força, cravando os calcanhares no colchão enquanto seus quadris subiam involuntariamente ao encontro daquele toque.
— Veja como você está molhada para mim — sussurrou ele, a boca colada na orelha dela, a voz escorrendo como veneno doce e sujo. — Nem sequer tirei a minha calça e você já está pingando, pronta para me engolir inteiro. Diga, Lily... você estava pensando nisso enquanto aquela mulher cuidava das suas mãos?
— Oscar, por favor... — murmurou ela, o pudor duelando com o calor devorador que se espalhava em ondas por seu baixo-ventre. — Você sabe que eu...
— Sei o quê? — provocou ele, deslizando dois dedos para dentro dela com uma precisão lenta e implacável, fazendo-a abrir os lábios em um grito mudo de prazer puro. — Sei que você é a minha esposa meiga e recatada diante de todo mundo, mas que aqui nesta cama você gosta quando eu perco a paciência e tomo o que é meu sem pedir licença?
— Sim! — confessou ela em um sussurro ofegante, as lágrimas de excitação pinicando seus olhos enquanto ela mantinha as mãos espalmadas nos ombros dele, tomando o cuidado quase impossível de manter os dedos esticados para proteger as unhas. — Eu sou sua, Oscar... Faça o que quiser.
Aquela rendição explícita destruiu a última barreira de autocontrole que o juiz mantinha.
Num movimento brusco e viril, Oscar levantou-se apenas o suficiente para arrancar a própria camisa de linho, atirando-a em algum canto escuro do quarto. Os botões da calça foram abertos com urgência, e em questão de segundos ele livrou-se dos sapatos e das roupas íntimas, revelando o corpo esculpido em músculos definidos, ombros largos e o membro espesso e pulsante, já inteiramente ereto e brilhando na ponta com uma gota límpida de desejo.
Lily engoliu em seco ao vê-lo assim, magnífico e primitivo sob a penumbra alaranjada que entrava pelas venezianas.
Antes que ela pudesse respirar novamente, Oscar puxou a calcinha de renda dela para baixo com os dentes, arrancando-a pelas pernas e jogando-a para longe. Ele não subiu de imediato; em vez disso, segurou as coxas de Lily com as duas mãos, afastando-as amplamente até que a intimidade dela estivesse completamente vulnerável ao seu olhar faminto.
Ajoelhando-se entre as pernas da esposa, Oscar inclinou o tronco e enterrou o rosto entre as coxas dela.
Lily soltou um grito rouco e agudo que ecoou pelas paredes altas da suíte. A boca de Oscar não teve qualquer hesitação: sua língua quente e experiente varreu a fenda úmida de baixo para cima, lambendo o néctar doce de sua mulher com uma devoção suja e quase insaciável. Ele mordiscou levemente o clitóris intumescido, sugando-o com força enquanto usava os polegares para manter a carne aberta, permitindo que o ar frio do quarto contrastasse com a fornalha viva de sua boca.
— Oscar! Céus... Oscar, eu não vou aguentar! — Lily torcia os lençóis de linho com os nós dos dedos, arqueando a coluna de tal forma que seus seios tremiam a cada arfada, completamente à mercê daquele tormento sublime.
Ele não respondeu com palavras. Apenas intensificou os movimentos, enfiando um dos dedos bem fundo dentro dela enquanto a língua continuava a torturá-la no ritmo exato de sua respiração febril. Quando o primeiro orgasmo de Lily a atingiu em cheio — violento, estilhaçador e inundando sua boca —, Oscar bebeu cada gota com um prazer animalesco, segurando as nádegas dela contra o próprio rosto para não perder nada daquele espasmo delicioso.
Enquanto o corpo de Lily ainda tremia com as contrações posteriores, ele subiu pelo corpo dela como uma pantera esguia. Seus olhos encontraram os dela, que estavam turvos de luxúria e entrega, e sem qualquer aviso prévio, alinhou a glande úmida à entrada encharcada de sua esposa.
— Olhe bem para o seu marido agora — ordenou ele, com a voz embargada e perigosamente baixa. — Olhe para quem está prestes a entrar em você.
Oscar empurrou os quadris para a frente em uma estocada única, lenta e impiedosamente profunda.
Lily soltou um lamento que era metade dor voluptuosa e metade êxtase desmedido. Ela sentiu cada centímetro daquela invasão que a preenchia de maneira avassaladora, alargando suas paredes internas que pulsavam ao redor da haste rija. A sensação de estar completamente cheia por ele era o ápice de tudo o que conhecia como paraíso.
Ele parou no fundo, os dentes cravados no lábio inferior enquanto segurava o próprio gemido de alívio. O calor interno de Lily era tão apertado e abrasador que exigia dele uma concentração de ferro para não despejar tudo ali mesmo, nos primeiros segundos.
— Você é tão apertada... — sibilou ele contra o pescoço dela, começando a recuar lentamente para em seguida afundar de novo, mais forte, fazendo a estrutura pesada da cama de madeira estalar suavemente sob o impacto. — Parece a primeira vez em todas as malditas noites.
— Mais... — implorou Lily, jogando a cabeça para trás nos travesseiros, esquecendo completamente as unhas, o decoro ou qualquer resquício de modéstia. Suas pernas se cruzaram nas costas de Oscar, prendendo-o contra si enquanto seus quadris começavam a acompanhar as estocadas ritmadas. — Não para, Oscar. Mais forte... por favor.
O pedido dela foi como a concessão de uma autorização sem limites.
Oscar perdeu a contenção. As investidas tornaram-se rápidas, profundas e violentas, em um ritmo primitivo que fazia a pele dos dois colidir com um som molhado e lascivo que preenchia todo o quarto. Ele agarrou os pulsos de Lily com uma das mãos, prendendo-os acima da cabeça dela com firmeza viril, enquanto a outra mão espalmava-se contra a garganta delicada da esposa em uma pressão possessiva e excitante, mantendo-a imóvel sob seu domínio.
Lily gemia sem qualquer pudor, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos em puro deleite sensorial, os bicos dos seios balançando a cada golpe poderoso que Oscar desferia contra seu íntimo.
***
Enquanto o quarto ardia naquela sinfonia profana de amor e volúpia, o corredor silencioso do segundo andar acolhia os passos discretos de George, o mordomo-chefe.
O homem de sessenta anos, com seus cabelos grisalhos milimetricamente aparados e postura militar, subia a galeria carregando uma bandeja de prata com o decantador de cristal que continha o vinho tinto Grand Cru que o patrão havia solicitado para o jantar das oito horas. Como o chefe havia pedido que a bebida respirasse por pelo menos duas horas antes de ser servida, George pretendia apenas deixar o decantador sobre o aparador da antecâmara privativa da suíte, como costumava fazer em noites de gala.
Ao se aproximar das portas da suíte máster, contudo, um ruído estranho fez o experiente criado estancar no tapete persa.
Não era o silêncio austero que habitualmente reinava onde o juiz Piastri descansava.
— ...Oscar... ahn... mais fundo... isso! Meu Deus, você me enlouquece...
A voz límpida e doce da senhora Piastri, habitualmente tão recatada, educada e suave, soava agora com uma rouquidão crua, entrecortada por gemidos que não deixavam margem para qualquer dúvida.
George sentiu o sangue sumir de suas têmporas em um milissegundo de choque absoluto.
Antes que pudesse dar meia-volta, seus olhos caíram involuntariamente sobre a folha da porta. A fresta de quase cinco centímetros, decorrente do trinco que Oscar não fechara por completo, oferecia uma visão em ângulo direto para o colossal espelho de corpo inteiro posicionado na lateral da cama.
Pelo reflexo nítido do cristal, George viu o impensável.
O juiz Oscar Piastri — o homem cuja simples presença fazia réus perigosos tremerem e ministros medirem cada palavra — estava de joelhos na cama, completamente despido, as costas musculosas brilhando de suor sob a luz dourada do entardecer. Suas mãos fortes seguravam as coxas alvas da esposa erguidas no ar enquanto ele a possuía com uma ferocidade possessiva e impiedosa, os quadris colidindo contra ela com uma força quase animalesca. E, pelo espelho, o mordomo pôde ver o rosto do magistrado: a mandíbula cerrada em um êxtase doloroso, os olhos fixos na mulher com uma paixão tão obscena, desesperada e pura que parecia que o mundo inteiro poderia queimar lá fora sem que ele desviasse a atenção por um único segundo.
— Você é minha, Lily... — ecoou a voz grave do juiz, um rosnado gutural e rouco que George jamais imaginou que pudesse sair da garganta daquele homem. — Toda minha. Ninguém mais toca nesta porra de corpo, você ouviu? Diga que você é minha!
— Sua! Sempre sua, meu amor... me fode, Oscar... ah!
O rosto de George ardeu instantaneamente em um tom escarlate de proporções bíblicas. Os olhos do velho criado se arregalaram em pânico absoluto, e suas mãos quase desestabilizaram a bandeja de prata, fazendo a garrafa de cristal oscilar de forma perigosa.
Engolindo o próprio arame farpado que parecia ter se formado em sua garganta, George recolheu os passos com uma agilidade que desafiava sua idade. Ele não respirou, não piscou e não fez o menor rangido no assoalho nobre ao dar meia-volta em direção às escadas, descendo os degraus de dois em dois como se estivesse fugindo de uma cena de crime federal.
Na mente do mordomo, ficou gravada a certeza irrevogável de que ele preferia enfrentar um pelotão de fuzilamento a permitir que o jovem patrão sonhasse que alguém vira um único milésimo daquela intimidade desenfreada.
***
Dentro da suíte, alheios a qualquer presença viva no planeta, Oscar e Lily caminhavam para o ápice definitivo.
O ritmo das investidas tornou-se quase ensurdecedor. Oscar soltou os pulsos de Lily e passou os braços por baixo de suas costas, erguendo o tronco dela para que seus peitos suados colidissem com violência. Ele a beijou na boca — um beijo molhado, voraz e sôfrego, misturando o gosto de suas próprias respirações enquanto seus quadris trabalhavam com uma fúria implacável que fazia a cama bater ritmicamente contra a parede acolchoada.
— Agora, Lily... vem comigo... — ordenou ele em um sussurro ofegante, as unhas curtas dele cravando-se na carne macia das nádegas dela, puxando-a para que cada golpe atingisse o ponto mais profundo de seu ventre.
Lily não conseguiu segurar. Uma onda avassaladora de calor líquido explodiu em suas entranhas, contraindo suas paredes internas ao redor do membro dele com uma força tão violenta que parecia ordenhá-lo vivo. Ela gritou o nome do marido contra a boca dele, o corpo inteiro arqueando-se em espasmos incontroláveis enquanto o mundo ao redor se desfazia em luz dourada e calor escaldante.
Sentir a esposa desmoronar em seus braços foi o gatilho final para o magistrado. Oscar soltou um rugido rouco e abafado contra o pescoço de Lily e desferiu mais três estocadas profundas, brutais e finais, derramando-se dentro dela em jatos grossos e ardentes que pareciam intermináveis.
Ele tombou o peso do corpo sobre o dela, enterrando o rosto no vão entre seu ombro e o pescoço enquanto os dois continuavam a tremer juntos, os corações martelando com tanta violência nas caixas torácicas que pareciam prestes a romper as costelas.
Por longos minutos, o único som no vasto quarto foi a respiração arfante dos dois e o farfalhar suave dos lençóis úmidos.
Oscar não se moveu para sair de dentro dela. Ele permaneceu ali, pesado, seguro e reconfortante, os braços fortes envolvendo o corpo miúdo de Lily com a proteção possessiva que era sua marca indelével. Lentamente, seus lábios depositaram beijos suaves e agradecidos na têmpora suada da esposa, descendo pelas maçãs do rosto até encontrar sua boca em um selinho calmo e carinhoso.
Lily abriu os olhos devagar, um sorriso sonolento, exausto e radiante iluminando seus traços delicados.
— Meu Deus... — sussurrou ela, com a voz completamente rouca.
Oscar soltou um riso preguiçoso contra a bochecha dela, acariciando os cabelos castanhos grudados em sua testa.
— Eu avisei que seria melhor do que esperar pelo jantar.
Lily deu uma cotovelada fraca nas costelas dele, rindo baixinho enquanto descansava as mãos sobre o peito arfante do marido — e suspirou de alívio ao notar que o esmalte permanecera impecável.
— Você é um perigo público, Oscar Jack Piastri. Tenho quase certeza de que a estrutura desta casa vai precisar de reforma se continuarmos nesse ritmo.
— Tenho dinheiro suficiente para comprar outra casa a cada fim de semana, se for necessário para amar a minha esposa como ela merece — rebateu ele com aquela solenidade meio arrogante e totalmente apaixonada que fazia o coração dela derreter todas as vezes.
Ele rolou para o lado com relutância, puxando Lily para os seus braços e cobrindo os corpos entrelaçados com o edredom pesado. O relógio de mármore sobre a lareira marcava seis e quarenta e cinco. Ainda tinham tempo para descansar na penumbra antes de descerem para a sala de jantar.
Completamente ignorantes de que o respeitável e discreto George acabara de passar pela cozinha do andar inferior pálido como um fantasma, recusando-se a olhar para qualquer um e pedindo uma xícara de água com açúcar para controlar a pressão arterial, Oscar e Lily permaneceram aninhados em seu próprio mundo de silêncio e devoção.
Lá fora, a noite descia sobre Manhattan com seu jogo eterno de interesses e ambições. Mas sob o teto daquela suíte, o juiz mais temido do país fechava os olhos em paz profunda, sabendo que todas as sentenças do universo não valiam um único segundo da doçura que descansava, intocável e eterna, sobre o calor do seu peito.