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eu com voce

Pecados Antes do Jantar

A luz dourada das cinco da tarde filtrava-se com suavidade pelas amplas paredes envidraçadas do jardim de inverno, criando arabescos luminosos sobre o piso de mármore travertino aquecido. O ambiente, decorado com orquídeas raras, poltronas estofadas em linho cru e mesinhas de apoio em latão polido, cheirava delicadamente a lavanda, óleos essenciais e ao aroma inconfundível de café fresco servido em louça de porcelana Limoges.

Lily estava confortavelmente acomodada em uma chaise longue reclinável, vestindo um robe leve de seda marfim sobre um conjunto confortável de algodão. Seus pés descalços repousavam sobre uma almofada de veludo, e suas mãos delicadas estavam estendidas sobre uma toalha macia, entregues ao cuidado atento de Chloe Harris.

Chloe não era apenas uma das profissionais mais disputadas pela elite de Manhattan por sua precisão e discrição absoluta; ela era, acima de tudo, uma amiga íntima e leal. Casada com Mark Harris — um advogado brilhante e um dos poucos amigos em quem Oscar confiava desde os tempos em que ambos frequentavam os mesmos círculos acadêmicos em Cambridge —, Chloe compartilhava com Lily uma cumplicidade genuína, daquelas que não precisavam de formalidades para existir.

Com movimentos ágeis e meticulosos, Chloe aplicava uma camada finíssima de esmalte em tom rosa-chá translúcido sobre as unhas bem cuidadas de Lily.

— Se você continuar mexendo os dedos para pegar esses macarons de pistache, eu vou ter que lixar tudo de novo, Lily — avisou Chloe, erguendo os olhos castanhos expressivos e exibindo um meio sorriso travesso.

— Desculpe, Chloe — respondeu Lily com sua doçura habitual, recolhendo a mão culpada enquanto dava uma risadinha baixa. — É que Teresa assou esses macarons especialmente para nós duas há menos de uma hora, e a ganache ainda está morna. É uma tentação quase impossível de ignorar.

— Essa mansão inteira é uma tentação — rebateu a amiga, mergulhando o pincel de volta no frasco de cristal com precisão cirúrgica. — Aliás, Mark me contou que o baile de gala de ontem foi um evento à parte. Parece que o juiz Piastri praticamente parou a orquestra quando entrou com você no salão. Ele disse que o pobre Thomas Hayes parecia ter sido sentenciado à forca só por ter ousado estender a mão para cumprimentá-la.

O rubor que subiu às bochechas de Lily foi imediato, colorindo sua pele clara de um tom suavemente rosado.

— Oscar é protetor demais às vezes — murmurou Lily, baixando os olhos claros para as próprias mãos. — Ele passa a semana inteira cercado de pessoas falsas e processos hediondos. Quando está fora do tribunal, parece que os sentidos dele ficam duas vezes mais alertas. Eu tento fazê-lo relaxar, mas é como tentar convencer uma muralha de granito a mudar de lugar.

Chloe soltou uma risada abafada enquanto posicionava a pequena lâmpada de secagem rápida sobre a mão esquerda de Lily.

— Querida, Mark conhece Oscar há quase uma década, e garanto a você: granito é pouco para descrever o seu marido. Diante de qualquer outro ser humano, ele é quase uma força da natureza, impassível e impenetrável. Mas o jeito como ele olha para você... — Chloe balançou a cabeça devagar, os olhos brilhando em admiração sincera. — Mark sempre me diz que, se o Oscar tivesse que queimar metade de Nova York para garantir que você não pisasse em uma pedra, ele acenderia o primeiro fósforo sem piscar os olhos.

Lily sentiu o coração apertar com aquela mistura reconfortante de amor e constrangimento.

— Ele não queimaria nada — disse ela com um sorriso brando nos lábios. — Oscar é um homem justo. Rigoroso, sim, mas justo. Ele só... sente tudo com muita intensidade.

— E coloca intensidade nisso — murmurou Chloe, aplicando o óleo nutritivo de amêndoas ao redor das cutículas perfeitas da amiga. — O casamento de vocês é lindo, Lily. Ver um homem tão poderoso ser tão completamente rendido à esposa renova a fé de qualquer mulher no amor verdadeiro.

Enquanto Lily preparava uma resposta bem-humorada, o eco característico de passos firmes e ritmados sobre o piso nobre anunciou a aproximação de alguém pelo corredor privativo.

Não eram os passos discretos dos empregados da casa. Eram passadas longas, pesadas e seguras, carregando uma presença que parecia ocupar o espaço antes mesmo de se fazer visível.

A porta de vidro jateado deslizou sem ruído, e Oscar entrou no solário.

Ele havia finalmente encerrado suas obrigações por videoconferência. O terno preto e a beca judiciária haviam sido abandonados; vestia agora uma calça de sarja escura de corte impecável e uma camisa de linho azul-marinho, cujas mangas estavam dobradas até a metade dos antebraços fortes, revelando a pele clara, os músculos definidos e o relógio de pulso suíço. Seus cabelos castanhos claros estavam ligeiramente despenteados pelo hábito inconsciente de passar a mão pelos fios durante as leituras jurídicas, e o semblante, outrora tenso pelo peso dos processos, abrandou-se de forma quase imperceptível ao pousar os olhos em Lily.

— Boa tarde, senhoras — cumprimentou Oscar, sua voz grave e aveludada preenchendo a sala com uma autoridade natural que jamais precisava de esforço.

— Meritíssimo — respondeu Chloe com um sorriso respeitoso e caloroso, ajeitando a postura enquanto guardava os vidros de esmalte em seu estojo de couro. — Não precisa me olhar com essa cara de quem vai decretar a minha prisão. Já estou terminando de mimar a sua esposa.

Oscar esboçou aquele sorriso de canto raro e contido, caminhando devagar até parar atrás da chaise longue onde Lily estava sentada. Naturalmente, com uma intimidade que não pedia licença, ele pousou uma de suas mãos grandes e quentes sobre o ombro descoberto de Lily, acariciando a pele macia com a ponta dos dedos.

O toque do marido provocou em Lily aquele mesmo calafrio doce que jamais a abandonava, não importava quantos anos compartilhassem sob o mesmo teto. Ela ergueu a mão recém-feita, exibindo as unhas perfeitas com um brilho infantil nos olhos claros.

— Veja, meu amor. Chloe fez exatamente o tom que você disse que achava bonito da última vez.

Oscar baixou os olhos azuis-esverdeados para as unhas delicadas de Lily, mantendo a carícia suave em sua clavícula.

— Ficou perfeito — disse ele, a voz descendo meio tom, carregada de uma apreciação que ia muito além da cor do esmalte. Seus olhos subiram devagar, encontrando os de Lily por breves segundos antes de se voltarem com polidez para Chloe. — Obrigado por cuidar dela, Chloe. Mark me mandou uma mensagem mais cedo dizendo que o julgamento do tribunal arbitral dele foi transferido para Chicago na próxima semana.

Chloe ergueu a cabeça, fechando o zíper da maleta profissional.

— Sim, ele me avisou ao meio-dia. Disse que vai precisar de alguns dias para organizar as testemunhas e reclamou que a sua jurisprudência no caso bancário tornou a vida de todos os advogados de defesa três vezes mais difícil.

Oscar soltou um sopro irônico pelo nariz, sem perder a elegância.

— Mark deveria saber que regras foram feitas para serem cumpridas com rigor, não para servirem de atalhos para sonegadores. Mas diga a ele para me ligar no domingo. Quero combinar aquele jantar em nosso clube antes que ele viaje para o Meio-Oeste.

— Pode deixar, Oscar. Eu transmito o recado — respondeu Chloe, levantando-se e ajeitando a alça da bolsa sobre o ombro. Ela olhou para Lily e piscou com afeto. — Amiga, suas mãos estão divinas, mas não vá estragar o acabamento nos próximos vinte minutos. Deixe secar completamente ao ar livre antes de inventar de amassar farinha ou mexer em panelas quentes.

— Prometo que vou me comportar — riu Lily, erguendo-se devagar para abraçar a amiga com cuidado, evitando encostar as pontas dos dedos no tecido da jaqueta de Chloe. — Obrigada por ter vindo até aqui, Chloe. Mande um beijo para as crianças.

— Mando sim. Tenham uma boa noite, vocês dois.

Oscar caminhou educadamente ao lado de Chloe até a porta principal do solário, acenando para que um dos seguranças do saguão a acompanhasse até a entrada da propriedade, garantindo sua saída com o conforto habitual.

— Até domingo, Chloe. Vá com cuidado.

— Obrigada, Oscar.

As pesadas portas de carvalho do hall ressoaram ao longe, fechando-se com um clique definitivo.

O silêncio desceu sobre o jardim de inverno como um manto espesso, quebrado apenas pelo gotejar suave da fonte ornamental e pelo sussurro da brisa do entardecer através das frestas do teto retrátil de vidro.

A atmosfera no ambiente mudou instantaneamente.

A compostura formal, a cortesia controlada e a distância calculada que Oscar mantinha diante de qualquer pessoa de fora evaporaram como orvalho sob o sol. O magistrado deu meia-volta, seus sapatos não emitindo som algum sobre o mármore polido, e fixou os olhos afiados em Lily.

Lily ainda estava de pé perto da mesinha, examinando o reflexo das unhas contra a luz que declinava no horizonte. O robe de seda marfim caía frouxo sobre os ombros, deixando entrever o colo suave e a curva graciosa do pescoço, onde a pele ainda guardava vestígios daquele calor do meio-dia na piscina.

Oscar aproximou-se sem pressa, com a passada predadora e segura de quem conhecia cada recanto daquele território e reivindicava a posse absoluta de cada centímetro dele.

Quando parou diante dela, Lily ergueu o rosto com um sorriso meigo, pronta para perguntar se ele desejava um chá antes do banho. As palavras, no entanto, morreram em sua garganta assim que ela absorveu a expressão no rosto do marido.

O azul-esverdeado de seus olhos havia escurecido, tornando-se límpido, intenso e profundamente faminto. Havia um brilho perigoso e deliberado ali, desprovido de qualquer resquício de vergonha.

Antes que ela pudesse recuar um único passo, Oscar estendeu a mão e segurou seu pulso com uma firmeza delicada, erguendo a mão direita de Lily na altura de seu peito. Ele não apertou; apenas a manteve suspensa entre os dois, examinando os dedos finos e a pele macia antes de levar os nós dos dedos dela aos próprios lábios, depositando ali um beijo quente, demorado e ardente.

— Oscar... — sussurrou ela, sentindo o ar rarear nos pulmões enquanto um arrepio vivo descia por sua espinha. — A Chloe acabou de sair.

— Eu sei — murmurou ele contra a pele perfumada do pulso dela, sentindo a pulsação acelerada sob os lábios. Seus olhos subiram devagar, cravando-se nos dela com uma audácia que fez as pernas de Lily tremerem ligeiramente. — E George acabou de me avisar que o jantar só será servido às oito em ponto.

Lily piscou, desarmada pela proximidade do corpo dele. A camisa de linho azul-marinho de Oscar exalava o perfume cítrico e amadeirado de sândalo que era a assinatura dele, misturado àquele cheiro limpo e masculino que a desorientava completamente.

— Oito horas? — repetiu ela, a voz saindo um pouco mais trêmula do que pretendia. — Mas ainda são cinco e meia... Temos duas horas e meia até lá.

Oscar soltou um meio sorriso devastador, aquele sorriso arrogante e sensual que nenhum tribunal do planeta jamais tivera o vislumbre de testemunhar. Ele deu mais meio passo à frente, prensando suavemente o corpo miúdo de Lily contra a borda acolchoada da chaise longue, encurralando-a sem que ela tivesse para onde fugir — e sem que ela realmente desejasse escapar.

A mão livre do magistrado deslizou para a cintura de Lily, puxando-a contra seu quadril até que não restasse nenhum espaço vazio entre eles. Lily pôde sentir com clareza o contorno rígido e determinado do desejo que já o dominava por completo.

— Exatamente — disse ele, a voz descendo para um sussurro rouco, profundo e terrivelmente direto. — Duas horas e meia. O que significa que temos tempo de sobra para fazer algo infinitamente mais proveitoso do que ficar sentados nesta sala fingindo que somos um casal comportado.

Lily arregalou os olhos claros, o rubor tomando conta de seu rosto de forma avassaladora, tingindo suas orelhas e o colo descoberto de vermelho vivo. Ela tentou colocar a mão livre sobre o peito dele para impor uma barreira simbólica, mas Oscar apenas segurou o outro pulso dela, mantendo as duas mãos delicadas da esposa estendidas ao lado de seu próprio pescoço, tomando o cuidado meticuloso de não encostar as unhas recém-pintadas em nada áspero.

— Oscar Jack Piastri! — repreendeu ela em um suspiro abafado, o coração batendo descompassado contra as costelas. — O que é isso? Você não tem vergonha nenhuma nessa sua cara de juiz?

Oscar inclinou o rosto para a frente, roçando a ponta do nariz na bochecha quente dela, aspirando profundamente o cheiro de flor de laranjeira que parecia emanar de seus poros. Seus lábios desceram milimetricamente até a curva sensível abaixo de sua orelha, e sua respiração quente fez Lily arquear o pescoço involuntariamente.

— Nenhuma — confessou ele contra a pele dela, com uma franqueza deliciosa e quase indecente. — Nenhuma vergonha quando se trata de você, Lily. Eu passei as últimas duas horas olhando para documentos fiscais tediosos enquanto imaginava exatamente como você estaria depois de passar a tarde se cuidando. Um sexo bem demorado antes do jantar... Acho que seria a maneira mais eficiente e saborosa de abrir o meu apetite.

Lily soltou um pequeno gemido que se perdeu entre uma risada envergonhada e um suspiro de pura rendição. O descaramento dele era tão inesperado quanto magnético. Oscar podia ser o homem mais severo e formal do estado de Nova York da porta para fora, mas entre aquelas quatro paredes, ele pertencia unicamente aos impulsos que ela despertava.

— Você fala como se estivesse escolhendo um prato de entrada em um restaurante de luxo — murmurou ela, tentando sustentar uma expressão severa que se desfazia a cada segundo sob o calor dos olhares dele. — E as minhas unhas? A Chloe disse explicitamente que eu não posso encostar em nada pelos próximos vinte minutos para não estragar o verniz!

Oscar ergueu a cabeça lentamente, os olhos azuis-esverdeados brilhando com uma malícia calculada e irresistivelmente dominante. Um sorriso lento e provocador curvou seus lábios enquanto suas mãos desciam dos pulsos dela para a faixa de seda que mantinha o robe fechado sobre sua cintura.

— As suas unhas não precisam encostar em absolutamente nada, meu anjo — sussurrou ele, puxando a ponta da fita com um único puxão preciso e fazendo o laço de seda se desfazer com um ruído sussurrado. — Você pode mantê-las bem abertas sobre os meus ombros ou simplesmente entrelaçar os dedos no ar enquanto eu faço todo o trabalho pesado.

— Oscar... — ela protestou fracamente, sentindo a seda afrouxar-se em seu corpo e a brisa do entardecer tocar a pele nua de seu decote.

— Não tente argumentar contra mim em um caso perdido, Sra. Piastri — rebateu o juiz com aquela voz firme, aveludada e irrevogável que não admitia apelação. Seus dedos deslizaram para a curva do quadril dela, erguendo a barra do tecido leve com uma lentidão que fez o estômago de Lily dar uma volta inteira de antecipação febril. — O tribunal já deliberou. A sentença foi emitida. E a sua única opção agora é aceitar a punição antes que o primeiro prato seja servido.

Lily mordiscou o lábio inferior, os olhos claros brilhando com um desejo que rivalizava com o dele. Ela não possuía a couraça de ferro do magistrado, mas conhecia cada fraqueza daquele homem poderoso, sabia exatamente o quanto ele ansiava por sua entrega e o quanto sua doçura o mantinha irremediavelmente acorrentado aos seus pés.

Com um movimento suave e deliberadamente gracioso, Lily inclinou o corpo ligeiramente para a frente, deixando o robe de seda escorregar pelos ombros até repousar na curva dos cotovelos, expondo a brancura de sua pele e a renda sutil da lingerie que usava por baixo. Ela ergueu os braços com delicadeza, pousando as palmas das mãos — com os dedos cuidadosamente esticados para proteger as pontas das unhas — contra o peito largo e firme de Oscar, sentindo os músculos dele tensos sob a camisa de linho.

— Se o Meritíssimo tem tanta certeza de que o apetite dele exige essa entrada antecipada... — murmurou ela em um tom doce, mas carregado de uma provocação sussurrada que fez as pupilas de Oscar se dilatarem na mesma hora — ...eu sugiro que você me leve para o quarto agora mesmo, antes que eu decida revogar a sua decisão.

Oscar soltou um rosnado baixo e gutural contra a boca dela, esquecendo qualquer resquício de paciência. Sem perder mais um único segundo com palavras, passou um dos braços por baixo dos joelhos de Lily e o outro por sua cintura fina, erguendo-a do chão em um movimento vigoroso e certeiro que fez a respiração dela saltar pela garganta.

Lily soltou uma risada abafada e enterrou o rosto na curva do pescoço quente do marido, sentindo a firmeza implacável com que ele a sustentava contra o próprio peito.

Oscar não olhou para trás. Com passadas largas, decididas e carregadas de uma urgência silenciosa, cruzou a galeria envidraçada em direção à suíte principal, deixando as taças de café esfriarem na mesa e as regras do mundo lá fora se perderem no crepúsculo. Naquela mansão de vidro e pedra, onde bilhões e sentenças ditavam a ordem de tudo, a única lei irrevogável que permanecia de pé era a paixão avassaladora que consumia o homem mais temido do judiciário diante de sua doce e intocável Lily.

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