Ex-inimigo
Lições de Anatomia e Outros Pecados
O som da chuva martelando contra as janelas altas da sala de figurinos era o único ruído que competia com a respiração pesada de Han Jisung. Ele estava preso entre a mesa de costura e o corpo sólido de Lee Minho, uma posição que, em qualquer outro dia, ele juraria ser um castigo, mas que agora parecia o único lugar no mundo onde queria estar.
Minho não era gentil. Suas mãos, grandes e calejadas de carregar equipamentos de palco, apertavam a cintura de Jisung com uma possessividade que deixava marcas. Ele afastou a calcinha de renda branca para o lado, expondo a intimidade úmida de Jisung à luz fraca das lâmpadas de emergência.
— Olha só para você — Minho murmurou, a voz vibrando contra o pescoço do loiro. — Tão bonitinho, tão delicado... e tão necessitado. Você está encharcado, Jisung. É assim que você fica quando eu te xingo?
Jisung soltou um gemido baixo, a cabeça pendendo para trás. O contraste entre a agressividade de Minho e a sua própria natureza submissa criava um curto-circuito em seu cérebro.
— O hyung é tão malvado... — Jisung sussurrou, as unhas cravando-se nos ombros do mais velho. — Mas eu não consigo evitar. Você fala de um jeito... que me deixa sem forças.
Minho soltou uma risada sombria, seus dedos longos começando a traçar círculos lentos e torturantes na entrada de Jisung.
— Sem forças? Engraçado, porque eu acho que você tem força o suficiente para abrir mais essas pernas para mim. — Ele pressionou um dedo, sentindo a resistência inicial seguida pela recepção calorosa e úmida. — Você é uma bagunça deliciosa, Han. Um erro biológico que eu adoraria estudar a noite toda.
— Então estude — desafiou Jisung, arqueando as costas, o que fez seus seios pequenos e firmes pressionarem o peito de Minho através das camadas de roupa. — Me mostre o que você aprendeu nas aulas de anatomia, Minho-hyung. Ou será que você só sabe latir e não sabe morder?
O olhar de Minho escureceu instantaneamente. Ele adorava quando Jisung tentava morder de volta, apenas para ser colocado em seu lugar logo em seguida. Sem aviso, ele deslizou dois dedos para dentro de uma vez, arrancando um grito agudo de Jisung que foi rapidamente abafado pelo beijo voraz de Minho.
A língua de Minho invadiu a boca de Jisung com a mesma autoridade que seus dedos exploravam o corpo do menor. Era um beijo que sabia a café, menta e uma urgência desesperada. Minho se afastou apenas o suficiente para ver o rosto de Jisung: os lábios inchados, os olhos nublados de luxúria e as bochechas coradas.
— Você quer que eu morda? — Minho perguntou, a voz agora um rosnado baixo. — Eu vou fazer muito mais do que morder, sua coisinha atrevida. Eu vou te marcar de um jeito que, amanhã, quando você colocar uma dessas suas saias ridículas para ir à aula, cada passo que você der vai te lembrar de quem você é.
— E de quem eu sou, hyung? — Jisung provocou, a voz falha, enquanto seus quadris buscavam involuntariamente mais contato com a mão de Minho.
— Você é meu brinquedo favorito — Minho respondeu, retirando os dedos e começando a desabotoar a própria calça com uma agilidade impaciente. — E brinquedos precisam ser usados até quebrarem.
Quando Minho se libertou, Jisung não pôde evitar o arquejo de surpresa. Ele já tinha visto Minho no vestiário, de relance, mas a proximidade agora tornava tudo muito mais real e intimidador. O membro de Minho era pulsante e imponente, exatamente como a personalidade do dono.
— O que foi? — Minho sorriu de lado, notando o olhar fixo de Jisung. — O gato comeu a sua língua, ou você está ocupado demais imaginando como isso vai caber dentro de você?
— É... é grande — Jisung admitiu, a inocência voltando por um segundo antes de ser substituída por um brilho de desafio. — Mas eu sou muito flexível, hyung. Você sabe que eu faço ballet desde os seis anos.
— Ótimo. Então vamos testar essa sua flexibilidade. — Minho segurou as coxas de Jisung e as puxou para cima, apoiando-as em seus ombros. A posição deixava Jisung completamente vulnerável, sua saia agora amontoada em volta da cintura como um adereço esquecido. — Se você chorar, eu não vou parar. Se você pedir por mais, eu vou te dar menos só para te ver implorar. Entendido?
— Sim, senhor — Jisung respondeu, a voz trêmula de antecipação.
Minho posicionou-se, a ponta de sua masculinidade roçando na abertura de Jisung, que já transbordava de desejo. Ele não entrou de uma vez; ele preferia torturar. Ele deslizou lentamente, sentindo as paredes internas de Jisung se contraírem em choque e prazer.
— Porra, Jisung... você é tão apertado — Minho sibilou, fechando os olhos por um momento enquanto lutava para manter o controle. — O que você faz? Fica treinando para me enlouquecer?
— Eu... eu só estava esperando por você — Jisung mentiu descaradamente, mas a mentira soou como música para os ouvidos de Minho. — Por favor, Minho... entra logo. Eu não aguento mais essa provocação.
— Eu já disse que não aceito ordens, Han. — Minho deu uma estocada profunda, preenchendo Jisung completamente. O loiro soltou um som que foi uma mistura de soluço e gemido, suas mãos agarrando-se à borda da mesa com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. — Você vai aguentar o que eu decidir te dar.
Minho começou a se mover. No início, eram movimentos lentos e deliberados, cada estocada desenhada para atingir o ponto exato que fazia Jisung revirar os olhos. O som da carne batendo contra a carne ecoava na sala silenciosa, misturando-se ao barulho da chuva.
— Você gosta disso, não gosta? — Minho provocou, inclinando-se para morder o lóbulo da orelha de Jisung. — Gosta de ser usado por alguém que você diz que odeia.
— Eu odeio você — Jisung arfou, o ritmo de Minho aumentando, tornando-se mais errático e selvagem. — Eu odeio o jeito que você manda em mim... e odeio ainda mais o quanto eu amo obedecer.
— Bom garoto — Minho rosnou, aumentando a velocidade. Suas mãos desceram das coxas de Jisung para seus seios, apertando-os com firmeza. — Olhe para mim, Jisung. Quero ver seus olhos quando eu te fizer gozar.
Jisung obedeceu, focando a visão embaçada no rosto de Minho. O moreno parecia um deus grego esculpido em sombras e suor, a expressão de concentração pura e domínio absoluto. Cada estocada de Minho era como um choque elétrico que percorria a espinha de Jisung, acumulando uma tensão insuportável em seu baixo ventre.
— Eu vou... eu vou... — Jisung não conseguia terminar a frase.
— Não sem a minha permissão — Minho ordenou, parando abruptamente o movimento, embora continuasse enterrado profundamente dentro dele.
Jisung soltou um gemido de pura frustração, seus quadris tremendo enquanto ele tentava buscar o ritmo de volta.
— Hyung, por favor! Não faz isso, dói... dói de um jeito ruim!
— Peça direito — Minho disse, a voz fria, embora sua própria respiração estivesse descompassada. — Diga o que você quer que seu hyung faça com essa sua vagina suja e esse seu corpinho de boneca.
— Por favor, Minho-hyung... me foda — Jisung implorou, as lágrimas de prazer começando a escapar. — Me foda até eu esquecer meu próprio nome. Me deixe gozar para você. Por favor!
Minho sorriu, satisfeito com a quebra total da resistência de Jisung.
— Assim está melhor.
Ele recomeçou, mas desta vez não houve hesitação. Minho usou toda a sua força, transformando o ato em algo beirando a violência, uma batalha de vontades onde Jisung era o território conquistado. A mesa de costura rangia sob o peso dos dois, e alguns carretéis de linha caíram no chão, desenrolando-se como os sentimentos confusos que ambos nutriam.
Jisung sentiu o ápice chegando como uma onda gigante. Ele apertou as pernas ao redor das costas de Minho, puxando-o para o mais fundo possível.
— Minho! — ele gritou, o som ecoando pelas paredes repletas de figurinos.
O corpo de Jisung teve um espasmo violento quando ele atingiu o orgasmo, o fluido quente manchando seu próprio abdômen e a camisa de Minho. Segundos depois, Minho soltou um rosnado baixo, sua própria liberação inundando Jisung com um calor reconfortante e exaustivo.
Minho desabou sobre o peito de Jisung por alguns instantes, ambos tentando recuperar o fôlego. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era carregado de uma nova compreensão.
Lentamente, Minho se afastou, limpando-se com um pedaço de tecido descartado que estava sobre a mesa. Ele ajeitou a roupa de Jisung com uma delicadeza inesperada, embora seu rosto tivesse voltado à máscara de indiferença arrogante.
— Você é um desastre, Han — disse Minho, enquanto fechava o zíper da calça. — Olha o estado dessa sala.
Jisung, ainda trêmulo e com as pernas bambas, tentou se sentar com dignidade, ajeitando sua saia amassada.
— Você quem me colocou em cima da mesa, hyung. A culpa é sua.
Minho deu um passo à frente, segurando o queixo de Jisung entre os dedos e forçando-o a olhar para cima.
— Não se engane. Isso não muda o fato de que eu ainda não suporto a sua voz irritante e o seu gosto para roupas.
— E isso não muda o fato de que você adorou cada segundo dentro de mim — Jisung rebateu com um sorriso atrevido, apesar do cansaço.
Minho soltou o queixo dele e caminhou até a porta. Ele deu um chute forte na base da madeira, exatamente onde o trinco estava preso. Com um estalo seco, a porta se abriu. O zelador devia ter destrancado pelo lado de fora e saído para buscar ferramentas, ou a sorte finalmente havia mudado.
— Vá se limpar — Minho ordenou, sem olhar para trás. — E Han?
— Sim, hyung?
— Amanhã, na aula de história da arte... use uma saia ainda mais curta. Eu quero ter certeza de que todos saibam o quanto você é fácil de distrair.
Jisung riu baixo, observando Minho desaparecer pelo corredor escuro. Ele sentia o latejar entre suas pernas, um lembrete vívido do "castigo" que havia recebido.
— Pode deixar, hyung — sussurrou Jisung para a sala vazia. — Eu sempre fui um aluno muito dedicado.
Ele saltou da mesa, sentindo uma leve fisgada nas coxas. O ódio entre eles ainda estava lá, intacto e afiado, mas agora havia um segredo compartilhado, uma tensão resolvida que prometia se repetir muitas outras vezes entre as sombras e as luzes da faculdade. Afinal, para dois inimigos tão dedicados, não havia campo de batalha melhor do que o corpo um do outro.