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Ex-inimigo

Entre Marcas de Batom e Manchas de Café

A manhã seguinte na Universidade de Artes de Seul não trazia o frescor típico de um dia ensolarado. Para Han Jisung, o ar parecia carregado, denso com a eletricidade estática que ainda formigava em sua pele. Cada passo que dava pelo corredor de mármore polido era um exercício de resistência; suas coxas internas protestavam com um latejar persistente, e o roçar do tecido da saia plissada branca contra sua pele sensível era um lembrete constante de que Lee Minho não tinha sido nem um pouco gentil.

Jisung parou em frente ao armário, ajeitando a blusa de gola alta que, por sorte, escondia as marcas arroxeadas que Minho havia deixado em seu pescoço. Ele se olhou no pequeno espelho colado na porta de metal. Seus olhos brilhavam com uma satisfação que ele tentava, a todo custo, rotular como "vitória estratégica".

— Olha só, se não é a bonequinha de porcelana — uma voz grave e carregada de escárnio ecoou logo atrás dele.

Jisung nem precisou se virar para saber quem era. O cheiro de perfume caro misturado com um toque sutil de tabaco era a assinatura de Minho. Ele sentiu uma mão firme espalmar-se na porta do armário ao lado de sua cabeça, encurralando-o.

— Bom dia para você também, hyung — Jisung respondeu, a voz saindo mais doce do que o necessário. Ele se virou lentamente, ficando a centímetros do peito de Minho. — Dormiu bem? Ou ficou pensando em como a sua camisa ficou arruinada ontem à noite?

Minho inclinou o rosto, um sorriso predatório brincando nos lábios. Ele usava uma jaqueta de couro preta que o deixava ainda mais intimidador, os cabelos escuros ligeiramente bagunçados.

— A camisa foi para o lixo, Han. Assim como a sua dignidade, eu presumo — Minho desceu o olhar deliberadamente para a saia de Jisung. — Eu mandei você vir com uma saia curta, mas acho que você interpretou "curta" como "quase inexistente". Dá para ver o começo da sua meia-calça daqui.

— Eu achei que o hyung gostasse de eficiência — Jisung rebateu, inclinando a cabeça para o lado, os fios loiros caindo sobre os olhos. — Economiza tempo na hora de levantar, não acha?

Minho soltou uma risada ríspida, aproximando-se ainda mais. O calor que emanava dele era opressor, mas Jisung não recuou. Pelo contrário, ele se empinou, deixando que o volume sutil de seus seios sob o tricot fino roçasse no peito do mais velho.

— Você é muito atrevido para alguém que estava implorando por misericórdia há doze horas — Minho sussurrou no ouvido dele, a mão descendo para apertar a cintura de Jisung com força, bem em cima de onde ele sabia que haveria uma marca. — Mas não se acostume. O fato de eu ter te comido naquela mesa não significa que eu parei de te odiar. Na verdade, só me deu mais motivos para querer te calar.

— Então me cale, hyung — Jisung desafiou, a respiração falhando por um segundo. — A aula de História da Arte começa em cinco minutos. O auditório é escuro lá no fundo.

Minho soltou um estalo com a língua, afastando-se bruscamente, o que deixou Jisung sentindo um frio repentino.

— Vá para a aula, Jisung. E tente não se distrair com a minha presença. Eu sei que é difícil para alguém tão... limitado quanto você.

***

O auditório de História da Arte era um dos maiores do campus, com poltronas estofadas em veludo vermelho e uma iluminação que favorecia o sono — ou coisas muito piores. Jisung sentou-se nas últimas fileiras, longe da luz do projetor. Ele abriu seu caderno, mas sua mente estava em qualquer lugar, menos no Renascimento Italiano.

Ele sentiu o assento ao seu lado afundar. Não precisou olhar para saber quem era. Minho sentou-se com as pernas abertas, ocupando mais espaço do que o necessário, um braço apoiado no encosto da cadeira de Jisung.

— O professor está falando sobre a proporção áurea — Minho comentou em voz baixa, enquanto os slides passavam na tela gigante. — Algo que você claramente não possui, Han. Suas proporções são... desequilibradas.

— É mesmo? — Jisung sussurrou de volta, sem desviar os olhos da frente, embora sua mão estivesse brincando perigosamente com a barra da própria saia. — Ontem à noite você parecia achar que tudo se encaixava perfeitamente. Especialmente quando você estava tentando descobrir o quão fundo conseguia chegar.

Minho travou o maxilar. Ele odiava como aquele garoto loiro, com cara de anjo e roupas de boneca, conseguia ser tão sujo.

— Aquilo foi apenas uma lição prática sobre como lidar com pragas — Minho retrucou, sua mão deslizando do encosto da cadeira para o ombro de Jisung, os dedos descendo lentamente pelas costas do menor. — E eu sou um professor muito rigoroso, você sabe disso.

— Então me dê uma nota, hyung — Jisung provocou, virando o rosto para ele no escuro. — Como eu me sai?

Minho inclinou-se, o rosto iluminado apenas pelo reflexo azulado do projetor.

— Você passou raspando. Mas sua técnica de "ficar quieto" ainda precisa de muito trabalho. Você grita demais, Han. É irritante.

— Talvez se você fosse menos... exagerado, eu não precisasse gritar — Jisung mordeu o lábio inferior, um gesto puramente provocativo. — Mas acho que você gosta de ouvir o estrago que faz.

A mão de Minho, que antes estava nas costas de Jisung, mergulhou sem aviso para baixo da mesa compartilhada, pousando firme na coxa exposta do loiro. Jisung deu um sobressalto, a caneta caindo de sua mão e rolando pelo chão do auditório.

— O que foi? — Minho perguntou, a voz carregada de uma falsa inocência. — Perdeu alguma coisa?

— Minho... aqui não... — Jisung arfou, sentindo os dedos longos subirem pela sua coxa, perigosamente perto da borda da calcinha.

— Shhh. O professor está explicando algo importante sobre sombras — Minho moveu a mão para o centro, seus dedos pressionando com força através do tecido fino. — E eu estou interessado em ver como você reage quando não pode gritar.

Jisung apertou as mãos nas laterais da poltrona, os nós dos dedos ficando brancos. A sensação dos dedos de Minho brincando com sua intimidade em um lugar público, cercado por outros alunos, era uma tortura deliciosa. Ele sentia o calor subir pelo seu rosto, o corpo começando a tremer.

— Você é tão fácil — Minho zombou, aproximando o rosto do de Jisung. — Basta um toque e você já está se desfazendo. É por isso que eu te odeio, Han. Você é uma distração barata.

— Se eu sou... barata... por que você não consegue... tirar as mãos de mim? — Jisung conseguiu articular, apesar de seu corpo estar clamando por mais.

Minho não respondeu com palavras. Em vez disso, ele deslizou um dedo sob o elástico da renda, encontrando o clitóris sensível de Jisung e pressionando-o com um movimento circular e firme. Jisung enterrou o rosto no próprio ombro para abafar um gemido, seu corpo arqueando-se instintivamente contra a mão de Minho.

— Fique parado — Minho ordenou, o tom de comando fazendo o estômago de Jisung dar voltas. — Se você fizer um barulho sequer, eu paro e deixo você nesse estado pelo resto do dia.

Jisung balançou a cabeça freneticamente, as lágrimas de frustração e prazer começando a se formar. Ele odiava o controle que Minho tinha sobre ele, mas a submissão era um vício do qual ele não queria se curar.

Minho continuou o movimento, impiedoso. Ele observava de soslaio o perfil de Jisung: a boca entreaberta, o peito subindo e descendo freneticamente sob o tricot, o jeito que ele tentava se manter composto enquanto era destruído por baixo da mesa. Era a visão mais bonita e irritante que Minho já tinha visto.

— Você está tão molhado, Jisung — Minho sussurrou, a voz rouca de desejo contido. — Está sujando meus dedos com a sua carência. Você quer gozar aqui, não quer? No meio de todo mundo.

— Por favor... — Jisung implorou, a voz quase inaudível.

— Peça com dignidade, bonequinha.

— Por favor, hyung... me deixa terminar... eu não aguento...

Minho deu um sorriso cruel e, com uma última pressão forte e rápida, levou Jisung ao limite. O loiro teve um espasmo silencioso, os olhos revirando enquanto o orgasmo percorria seu corpo em ondas avassaladoras. Ele desabou contra o encosto da cadeira, a respiração vindo em curtos suspiros erráticos.

Minho retirou a mão, limpando os dedos discretamente em um lenço que tirou do bolso, sem demonstrar um pingo de emoção.

— Nota D — Minho disse, levantando-se assim que as luzes do auditório começaram a se acender, sinalizando o fim da aula. — Você ainda faz muito barulho com a respiração.

Jisung ficou ali, sentado, tentando processar o que acabara de acontecer enquanto os outros alunos se levantavam e saíam. Ele olhou para Minho, que já estava a alguns metros de distância, caminhando com aquela pose arrogante de quem era o dono do mundo.

— Eu ainda te odeio, Lee Minho! — Jisung gritou, embora sua voz não tivesse força nenhuma.

Minho parou na porta do auditório, olhou para trás por cima do ombro e piscou.

— O sentimento é mútuo, Han. Nos vemos no ensaio de teatro. E não se atrase... eu tenho novos "exercícios" para você.

***

O ensaio de teatro naquela tarde foi uma sucessão de provocações veladas. O roteiro pedia que os personagens de Minho e Jisung fossem rivais — o que não exigia muito esforço de atuação. No entanto, a tensão física entre eles era palpável, como uma corda esticada ao máximo, prestes a arrebentar.

— Você está errando a marcação, Jisung — Minho disse, cruzando os braços enquanto observava o menor no palco. — Você deveria estar mais perto de mim quando diz essa fala.

— Eu estou na marcação certa, hyung — Jisung rebateu, limpando o suor da testa. Ele estava usando uma saia de ensaio preta, rodada, que se movia graciosamente a cada passo. — Talvez você é quem esteja ocupado demais me olhando para perceber onde eu estou.

— Eu olho para você porque é meu trabalho garantir que essa peça não seja um fracasso total por causa da sua incompetência — Minho caminhou até o palco, subindo os degraus com uma elegância predatória. — Agora, de novo. Do topo. E desta vez, tente colocar um pouco mais de... paixão. Ou você só sabe ser passional quando está de quatro em cima de uma mesa?

Os outros alunos que estavam no fundo do palco riram, achando que era apenas mais uma das ofensas pesadas de Minho. Só Jisung sabia o peso daquelas palavras.

— Eu posso te mostrar o que é paixão, Minho-hyung — Jisung disse, aproximando-se até que suas pontas dos pés quase tocassem as botas de Minho. — Mas tem certeza de que aguentaria?

Minho segurou o rosto de Jisung com uma mão, os dedos apertando as bochechas macias do loiro.

— Eu aguento qualquer coisa que uma coisinha como você tente fazer. Você é apenas um passatempo para quando eu estou entediado.

— Um passatempo que te faz tremer as mãos — Jisung sussurrou, notando o leve tremor nos dedos de Minho que o seguravam.

Minho soltou o rosto dele como se tivesse se queimado.

— Dez minutos de intervalo! — Minho gritou para a sala, sua voz ecoando com uma autoridade que não admitia questionamentos.

Ele se virou e caminhou em direção aos bastidores, para a mesma sala de figurinos da noite anterior. Jisung, como um imã atraído pelo metal, seguiu-o sem hesitar.

Assim que a porta se fechou, não houve insultos. Não houve piadas de duplo sentido. Houve apenas o choque dos corpos. Minho prensou Jisung contra a arara de roupas, o som dos cabides de metal batendo uns nos outros criando uma sinfonia caótica.

— Você não sabe quando calar a boca, não é? — Minho rosnou, suas mãos já subindo pela saia de Jisung com uma urgência que ele não conseguia mais esconder.

— E você não sabe como ficar longe de mim — Jisung rebateu, puxando Minho pela nuca para um beijo que era puro fogo e ódio.

Era uma guerra constante. Um ciclo de insultos durante o dia e rendição durante a noite. Eles se odiavam. Odiavam o jeito que o outro pensava, o jeito que o outro agia, o jeito que o outro os fazia sentir. Mas, acima de tudo, odiavam o fato de que nenhum outro toque no mundo parecia tão certo quanto aquele.

— Eu vou acabar com você, Han — Minho prometeu contra os lábios de Jisung, enquanto o levantava para que o loiro envolvesse as pernas em sua cintura.

— Tente a sorte, hyung — Jisung sorriu entre os beijos, o coração disparado. — Eu ainda tenho muita energia para gastar.

E ali, entre sedas e veludos, a rivalidade de Minho e Jisung encontrava seu único ponto de trégua: o desejo insaciável de destruir um ao outro, um gemido de cada vez. No jogo de poder entre o mestre do comando e o prodígio da submissão, a única regra clara era que ninguém sairia ileso. E, para eles, era exatamente assim que deveria ser.