Ex-inimigo
Entre o Palco e o Pecado
O ensaio de teatro havia se tornado um campo de minas. Cada fala do roteiro parecia carregar um peso extra, uma camada de subtexto que só Lee Minho e Han Jisung eram capazes de decifrar. O ar no auditório estava pesado, saturado pelo cheiro de poeira dos cenários antigos e pelo magnetismo inegável que emanava dos dois.
Minho estava parado no centro do palco, os braços cruzados sobre o peito largo, observando Jisung com olhos de falcão. O loiro estava ensaiando um monólogo, mas sua concentração parecia falhar toda vez que o olhar de Minho descia para suas pernas. Naquela tarde, Jisung havia levado o desafio a sério: usava uma saia de pregas preta, tão curta que qualquer movimento mais brusco revelava a renda delicada de sua calcinha de seda.
— Pare — ordenou Minho, sua voz cortando o silêncio do auditório como uma lâmina. — Você está sem vida, Jisung. Onde está a emoção? Você deveria estar implorando pelo perdão do seu mestre, não lendo uma lista de compras.
Jisung parou, limpando uma gota de suor que escorria por sua têmpora. Ele arqueou as costas, fazendo com que o tecido fino de sua blusa de chiffon se esticasse sobre seus seios pequenos e firmes, um movimento que ele sabia que faria o maxilar de Minho travar.
— Talvez eu precise de uma motivação melhor, hyung — Jisung rebateu, a voz carregada de uma doçura ácida. — É difícil interpretar alguém submisso quando o diretor é tão... pouco inspirador.
Minho soltou uma risada seca e saltou do palco com uma agilidade que fez o coração de Jisung saltar. Ele caminhou em direção ao menor, parando a uma distância mínima, o suficiente para que Jisung sentisse o calor que emanava de seu corpo.
— Pouco inspirador? — Minho inclinou-se, sussurrando perto do ouvido de Jisung. — Engraçado. Ontem à noite, no depósito, você parecia achar que eu era a coisa mais inspiradora do mundo. Especialmente quando eu estava te fazendo esquecer como se respira.
Jisung sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não desviou o olhar.
— Aquilo foi apenas... uma necessidade biológica, hyung. Não confunda tesão com talento.
Minho sorriu, um sorriso perigoso que prometia retribuição. Ele estendeu a mão e agarrou um punhado da saia de Jisung, puxando-o para mais perto.
— Você quer talento, Han? Eu vou te mostrar o que é direção de verdade. — Ele se virou para o restante da trupe que observava de longe. — Dez minutos de intervalo! Saiam todos. Quero passar essa cena a sós com o nosso "protagonista".
Os outros alunos, acostumados com as brigas constantes e a agressividade de Minho, saíram rapidamente, deixando o auditório mergulhado em um silêncio tenso. Assim que a última porta se fechou, Minho empurrou Jisung contra a cortina de veludo pesado do palco.
— Você acha que pode me provocar na frente de todo mundo e sair ileso? — Minho rosnou, suas mãos subindo pelas coxas de Jisung, sentindo a pele macia sob a seda da saia. — Você está pedindo por isso o dia todo. Essa saia... esse jeito de andar... você é uma vadiazinha carente, não é?
— Eu sou o que você me faz ser, hyung — Jisung ofegou, suas mãos encontrando os ombros de Minho, apertando o tecido da camisa preta dele. — Você adora me chamar de nomes feios, mas é você quem não consegue manter as mãos longe de mim.
— Porque você é um brinquedo irritante que precisa ser colocado no lugar — Minho rebateu. — E o seu lugar é exatamente onde eu mandar.
Sem aviso, Minho levantou Jisung, forçando-o a envolver as pernas em sua cintura. Ele caminhou com o loiro até a mesa do diretor, que ficava na frente do palco, e o sentou ali com força, espalhando roteiros e canetas pelo chão.
— Abra para mim — Minho ordenou, a voz rouca de comando.
Jisung obedeceu, abrindo as pernas e revelando a calcinha de renda branca que contrastava com a pele bronzeada de suas coxas. Ele estava visivelmente excitado, sua feminilidade pulsando sob o tecido fino, clamando pelo toque de Minho.
— Olha só para você — Minho zombou, embora seus olhos estivessem em chamas. — Tão pronto. Tão sujo. Você se tocou pensando em mim hoje, não foi?
— E se eu tiver feito isso? — Jisung desafiou, arqueando o quadril para frente, provocando o contato. — Você faria o mesmo se não fosse tão ocupado fingindo que me odeia.
Minho soltou um rosnado e atacou os lábios de Jisung. Não foi um beijo; foi uma batalha. Suas línguas se encontraram com fúria, um duelo de vontades que só terminou quando ambos estavam sem fôlego. Minho desceu os beijos para o pescoço de Jisung, mordendo a pele sensível logo acima da clavícula.
— Eu odeio você — Minho murmurou contra a pele dele. — Odeio o jeito que você me desconcentra. Odeio o jeito que esse seu corpo me faz querer quebrar todas as regras.
— Então quebre — Jisung implorou, as mãos descendo para o cinto de Minho, desfazendo-o com uma pressa desesperada. — Me quebre, Minho. Me mostre o quanto você me odeia.
Minho se afastou apenas o suficiente para se libertar da calça. Ele olhou para Jisung, que estava deitado sobre a mesa, a saia amontoada na cintura, os seios subindo e descendo freneticamente. A visão da beleza intersexo de Jisung sempre o desarmava, por mais que ele tentasse manter sua fachada de indiferença.
— Você quer que eu mostre? — Minho pegou um frasco de lubrificante que ele mantinha escondido na gaveta da mesa — uma precaução que ele sabia que seria necessária desde que Jisung entrou para a companhia. — Eu vou te mostrar o que acontece com garotos que desafiam a autoridade.
Minho preparou Jisung com dedos rápidos e impiedosos, ignorando os gemidos de prazer do menor. Ele queria que Jisung sentisse cada centímetro de sua dominância. Quando sentiu que o loiro estava pronto, Minho posicionou-se e entrou de uma vez só, arrancando um grito agudo de Jisung que ecoou pelo auditório vazio.
— Porra, Jisung... você é tão apertado — Minho sibilou, fechando os olhos enquanto tentava não gozar no primeiro segundo. — O que você faz? Fica treinando para me prender aqui dentro?
— Eu... eu só quero... você — Jisung arfou, suas unhas cravando-se nos braços de Minho. — Mais forte, hyung. Por favor.
Minho não precisou que lhe pedissem duas vezes. Ele começou a se mover com um ritmo selvagem, cada estocada batendo contra a mesa de madeira, criando um ruído rítmico que preenchia o espaço. Ele segurou as mãos de Jisung acima da cabeça do loiro, prendendo-as com uma só mão, enquanto a outra apertava um de seus seios com firmeza.
— Você gosta disso, não gosta? — Minho provocou, inclinando-se para morder o mamilo de Jisung através do tecido da blusa. — Gosta de ser usado como o objeto que você é. Uma bonequinha de palco feita para o meu prazer.
— Sim! — Jisung gritou, a cabeça jogada para trás, os olhos revirando. — Eu sou seu... Minho... sou todo seu!
A intensidade do momento era avassaladora. O ódio que sentiam um pelo outro servia apenas como combustível para o fogo que os consumia. Minho aumentou a velocidade, suas estocadas tornando-se curtas e profundas, focando no ponto que ele sabia que levaria Jisung à loucura.
— Olhe para mim — Minho ordenou. — Quero ver o exato momento em que eu te quebrar.
Jisung abriu os olhos, focando no rosto de Minho. O moreno parecia possuído, uma mistura de luxúria e uma possessividade assustadora. Naquele momento, não havia teatro, não havia rivalidade, não havia faculdade. Havia apenas a carne, o suor e a necessidade mútua de se perderem um no outro.
— Eu vou... eu vou... — Jisung começou a soluçar, seu corpo tremendo violentamente.
— Vá — Minho rosnou, dando uma última estocada poderosa.
Jisung atingiu o ápice com um grito que morreu em sua garganta, seu corpo tendo espasmos sob o de Minho. Segundos depois, Minho seguiu-o, seu próprio orgasmo sendo tão intenso que ele teve que se apoiar na mesa para não cair, inundando Jisung com seu calor.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som de suas respirações pesadas. Minho enterrou o rosto no pescoço de Jisung, deixando o peso de seu corpo descansar sobre o do menor por um momento raro de vulnerabilidade.
— Você é um desgraçado, Han — Minho sussurrou, a voz ainda rouca.
— E você é um ditador — Jisung respondeu, um sorriso fraco surgindo em seus lábios enquanto ele acariciava os cabelos pretos de Minho.
Minho se afastou, recompondo-se com a rapidez habitual. Ele ajeitou a roupa, voltando a ser o diretor frio e arrogante em questão de segundos. Ele olhou para Jisung, que ainda estava deitado na mesa, desgrenhado e com a saia amassada.
— Limpe-se — disse Minho, jogando um lenço de papel para ele. — O intervalo acaba em dois minutos. E se você errar aquela fala de novo, eu vou te dar um castigo que vai fazer você desejar nunca ter nascido.
Jisung sentou-se, ajeitando a saia e limpando as coxas com um brilho de desafio nos olhos.
— E que castigo seria esse, hyung? Vai me fazer ajoelhar no milho?
Minho parou na beira do palco, olhando para trás com um sorriso predatório.
— Não. Vou te fazer assistir enquanto eu fodo outra pessoa nesta mesma mesa.
O sangue de Jisung ferveu de ciúmes, exatamente como Minho pretendia.
— Você não ousaria.
— Tente me desafiar e descubra — Minho piscou e saiu em direção à porta lateral.
Jisung ficou sozinho no palco, o coração ainda martelando contra as costelas. Ele sentia o latejar entre as pernas e o calor de Minho ainda presente dentro dele. Ele sabia que Minho estava apenas jogando, que aquele moreno possessivo nunca deixaria ninguém mais tocá-lo, mas a provocação funcionava sempre.
Ele se levantou, ajeitou a blusa e respirou fundo. O ódio entre eles era a coisa mais viva que ele já sentira. E enquanto aquela chama queimasse, ele estaria ali, pronto para a próxima batalha, pronto para ser o brinquedo favorito de seu maior inimigo.
— Idiota — sussurrou Jisung para o auditório vazio. — Eu vou te fazer implorar por mim amanhã.
Ele caminhou para fora do palco, sua saia rodando levemente a cada passo, já planejando como seria a próxima vez que ele levaria Lee Minho à beira do abismo. Afinal, em uma peça onde o amor era proibido, o ódio era a única cena que valia a pena ser encenada.