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O Batismo de Grama e o Vestiário dos Gigantes

O sol de Manchester, geralmente tímido, brilhava com uma intensidade incomum sobre o Etihad Stadium. Para as trigêmeas Haaland, aquele não era apenas mais um dia de jogo. Era o dia em que o "Protocolo Viking" de Erling alcançaria seu ápice: a integração oficial dos namorados ao santuário sagrado do futebol profissional.

Erling estava no centro do gramado, uma hora antes do aquecimento, observando o trio de pretendentes caminhar em sua direção. Liam, Oliver e Thomas pareciam estar entrando em uma arena de gladiadores, e não em um campo de futebol. Atrás deles, Ingrid, Astrid e Freya vinham rindo, embora houvesse uma pitada de nervosismo em seus olhares. Elas sabiam que o pai tinha algo planejado.

— Bem-vindos ao meu escritório — disse Erling, abrindo os braços e indicando a imensidão das arquibancadas vazias. — Hoje, vocês não são apenas espectadores. Vocês vão entender o que significa a pressão de ser um Haaland.

— Pai, por favor, não comece com o discurso do "peso da camisa" — pediu Astrid, revirando os olhos enquanto se aproximava para dar um beijo no rosto do gigante. — Eles já estão pálidos o suficiente.

— É apenas um teste de resistência, Astrid — Erling piscou para ela, mas logo voltou sua atenção para os rapazes. — Antes de subirem para o camarote, vocês vão conhecer os meus companheiros. E aviso logo: eles são menos pacientes do que eu.

O grupo seguiu Erling pelo túnel dos jogadores. O som dos passos ecoava nas paredes de concreto, criando uma atmosfera de solenidade. Para os namorados, cada centímetro percorrido parecia uma eternidade. Eles passaram pelas fotos históricas, pelos troféus brilhantes e, finalmente, pararam diante da porta do vestiário principal.

— Regra número um — Erling virou-se para eles, o rosto subitamente sério. — O que acontece aqui dentro, fica aqui dentro. Se eu vir algum "vazamento" nas redes sociais sobre as táticas de hoje, eu mesmo garanto que o sinal de Wi-Fi de vocês seja cortado permanentemente.

— Entendido, senhor — murmurou Thomas, que parecia estar tentando memorizar a saída de emergência mais próxima.

Quando a porta se abriu, o cheiro de linimento e café fresco invadiu os pulmões de todos. O vestiário era um formigueiro de atividade. Jogadores de classe mundial estavam em diversos estados de preparação: alguns ouvindo música, outros fazendo massagens, e outros apenas rindo alto.

— Ei, olhem só! — gritou Kevin De Bruyne, levantando-se de seu lugar com um sorriso travesso. — O gigante trouxe os guarda-costas das meninas ou os novos recrutas para a base?

— São os... "amigos" das minhas filhas, Kevin — respondeu Erling, enfatizando a palavra com uma careta que não passou despercebida.

Imediatamente, o vestiário parou. Jack Grealish, que estava ajustando suas meias, levantou-se com um brilho malicioso nos olhos e caminhou em direção ao grupo.

— Ah, então esses são os corajosos? — Jack perguntou, circulando os rapazes como um tubarão. — Eu ouvi dizer que o Erling fez vocês passarem por um treinamento de sobrevivência no jardim. Vocês sobreviveram ao teste dos irrigadores?

— Nós... nós passamos por algumas simulações, sim — respondeu Liam, tentando manter a postura diante de um de seus ídolos, apesar de sua secreta lealdade ao lado vermelho da cidade.

— Ele é torcedor do United, Jack — Erling soltou a bomba, cruzando os braços.

O vestiário inteiro soltou um "oh" coletivo. Bernardo Silva, que passava com uma bola nos pés, parou e olhou para Liam com uma expressão de falsa decepção.

— Um infiltrado? — brincou Bernardo. — Erling, como você permitiu isso na sua defesa?

— Eu estou trabalhando na reabilitação dele — Erling respondeu, embora houvesse um sorriso escondido no canto da boca.

Enquanto os jogadores cercavam os rapazes com perguntas e piadas, as trigêmeas se sentiram transportadas para o passado. Ingrid olhou para o banco onde o pai costumava sentar e sentiu um aperto de nostalgia.

— Vocês se lembram da primeira vez que viemos aqui? — perguntou Ingrid às irmãs, a voz suave em meio ao barulho dos jogadores.

— Como esquecer? — Freya sorriu. — Nós tínhamos quatro anos e achávamos que o vestiário era um castelo gigante.

— E eu tentei esconder as chuteiras do Phil Foden dentro da caixa de gelo — lembrou Astrid, rindo. — O papai quase teve um ataque cardíaco achando que eu tinha estragado o equipamento de alguém.

Erling, ouvindo a conversa, aproximou-se das filhas. O olhar de "pai protetor" suavizou-se para o de um homem que guardava aquelas memórias como seu tesouro mais precioso.

— Vocês eram um pesadelo tático naquela época — disse Erling, colocando as mãos nos ombros de Ingrid e Freya. — Eu tinha que marcar o centroavante adversário e, ao mesmo tempo, garantir que nenhuma de vocês invadisse o campo para perseguir o mascote.

— Você nos trouxe aqui depois de um hat-trick, lembra? — perguntou Freya. — Nós sentamos exatamente onde o Oliver está sentado agora, e você nos deu as suas medalhas para brincarmos.

— Eu lembro — Erling suspirou. — Naquele dia, eu percebi que não importava quantos gols eu fizesse, o vestiário só parecia completo quando vocês estavam nele.

A nostalgia foi interrompida por Jack Grealish, que agora estava tentando ensinar a Thomas como fazer um "coque" perfeito no cabelo, enquanto Thomas olhava desesperadamente para Freya em busca de ajuda.

— Deixe o garoto em paz, Jack — ordenou Erling, embora estivesse se divertindo. — Ele é jogador de críquete, não modelo de capa de revista.

— Críquete? — Phil Foden aproximou-se, curioso. — Isso explica a postura. Ele parece que está pronto para rebater uma bola a qualquer momento.

— Ele é bom sob pressão — defendeu Freya, aproximando-se de Thomas e pegando sua mão.

Erling observou o gesto. Antigamente, ele teria feito um comentário sarcástico, mas ver a filha defender o namorado diante de seus companheiros de equipe deu a ele uma nova perspectiva. Elas não eram mais as criancinhas que se escondiam atrás de suas pernas; eram mulheres que sabiam o que queriam.

— Certo, chega de conversa fiada — Erling bateu palmas, recuperando seu tom de capitão. — Vamos para o gramado. Quero ver se esses rapazes conseguem pelo menos acertar um passe antes de subirem para o camarote.

O grupo saiu para o campo, que agora fervilhava com a equipe de apoio preparando o aquecimento. O cheiro da grama recém-cortada era inebriante. Erling jogou uma bola para Oliver.

— Mostre-me o que você aprendeu no jardim, Oliver — desafiou Erling. — Um passe de trinta metros. Se errar, você paga o jantar de todo o time hoje.

Oliver olhou para a bola, depois para a imensidão do campo e, finalmente, para Ingrid, que lhe deu um joinha de incentivo. Ele respirou fundo e chutou. A bola viajou pelo ar, descrevendo uma parábola limpa, e caiu exatamente nos pés de Rodri, que estava do outro lado do campo.

— Nada mal! — gritou Rodri, devolvendo a bola com um chute de efeito.

— Ele tem técnica — admitiu Erling, relutante. — Mas falta a explosão física. Vamos trabalhar nisso no próximo verão.

Enquanto os rapazes brincavam com a bola sob a supervisão (e as críticas) de Erling e seus companheiros, as meninas sentaram-se no banco de reservas, observando a cena.

— É estranho ver o papai assim, não é? — comentou Astrid. — Ele está integrando eles. Do jeito dele, mas está.

— Ele está testando o caráter deles — disse Ingrid. — Ele sabe que, se eles conseguirem aguentar as piadas do Jack e a pressão do Rodri, eles conseguem aguentar qualquer coisa.

— É a forma dele de dizer que confia neles — completou Freya. — Ele não daria acesso ao vestiário se não achasse que eles valem a pena.

O treino improvisado terminou quando o treinador apareceu no túnel, sinalizando que o aquecimento oficial iria começar. Erling reuniu o grupo no centro do campo.

— Tudo bem, rapazes. Vocês passaram pela primeira fase — disse Erling, com um tom de voz que misturava respeito e autoridade. — Conheceram o time, sentiram o gramado e não desmaiaram diante do De Bruyne. Agora, subam para o camarote e aproveitem o jogo. Mas lembrem-se: se eu ver vocês olhando para o celular em vez de analisarem a minha movimentação na área, o "Protocolo Viking" volta com força total amanhã.

— Nós estaremos observando cada detalhe, Sr. Haaland — prometeu Liam, agora muito mais relaxado.

As meninas se despediram do pai com abraços rápidos. Erling segurou Astrid por um segundo a mais.

— Ele se saiu bem — sussurrou Erling no ouvido da filha, referindo-se a Liam. — Para um torcedor do United, ele tem coragem.

— Eu disse que você ia gostar dele, pai — Astrid sorriu, dando um beijo na bochecha dele.

Enquanto o grupo subia para as tribunas, Erling ficou parado no gramado por um momento, observando-os partir. Maria aproximou-se dele, vindo da área técnica.

— Você foi ótimo hoje, Erling — disse ela, entrelaçando seu braço no dele. — Eu vi como você olhou para elas no vestiário.

— Elas cresceram rápido demais, Maria — confessou o gigante, a voz carregada de uma emoção rara. — Parece que foi ontem que eu estava limpando o rosto da Ingrid com a minha camisa de jogo. E agora elas estão trazendo namorados para o meu local de trabalho.

— É o ciclo do jogo, querido — Maria descansou a cabeça no ombro dele. — Você ensinou a elas como serem fortes. Agora, você precisa ensinar a si mesmo como deixá-las voar.

— Eu vou deixá-las voar — Erling sorriu, olhando para o camarote onde as três já estavam acomodadas. — Mas eu vou sempre manter o radar ligado. Só por precaução tática.

O jogo começou e, do camarote, as trigêmeas assistiam ao pai fazer o que fazia de melhor. Mas, desta vez, havia algo diferente. Não era apenas o orgulho de ver o ídolo mundial; era a sensação de que a família tinha se expandido.

— Olhem! — gritou Freya, apontando para o campo.

Erling tinha acabado de marcar o primeiro gol. Ele correu em direção à linha de fundo, mas, em vez de sua comemoração habitual de "meditação", ele parou diante do camarote da família. Ele levantou três dedos em direção às filhas e, em seguida, fez um gesto rápido com a mão, como se estivesse passando uma bola, apontando para os namorados.

— Ele acabou de dedicar o gol para a gente... e para eles? — perguntou Oliver, boquiaberto.

— É o jeito dele de dizer "bem-vindos ao time" — explicou Ingrid, com lágrimas nos olhos.

No intervalo, o camarote estava em festa. Os rapazes não conseguiam parar de falar sobre a experiência no vestiário. Liam estava maravilhado com a organização, Oliver com a tecnologia e Thomas com a intensidade de tudo.

— Eu nunca imaginei que o seu pai fosse tão... técnico sobre tudo — comentou Thomas para Freya. — Ele realmente vive o esporte em cada detalhe.

— Ele vive para proteger o que é dele, Thomas — respondeu Freya. — E hoje, ele incluiu vocês nisso.

A segunda metade do jogo foi um passeio. Erling marcou mais um, e o Etihad Stadium vibrava com o seu nome. Quando o apito final soou, as trigêmeas e os namorados desceram novamente para a área VIP, onde Erling os encontrou, ainda suado e exalando a adrenalina da vitória.

— E então? — perguntou Erling, pegando uma toalha das mãos de um assistente. — O que acharam da análise de hoje?

— Foi impecável, Sr. Haaland — disse Liam. — Especialmente a infiltração no segundo gol.

— Bom — Erling assentiu, satisfeito. — Agora, vamos para casa. Maria preparou um jantar de comemoração. E antes que vocês perguntem: sim, haverá uma análise de vídeo dos melhores momentos. Mas desta vez, eu prometo que não vou cobrar flexões se vocês errarem o comentário técnico.

Enquanto caminhavam para o estacionamento, as trigêmeas iam na frente, conversando animadamente, enquanto os namorados vinham logo atrás, ainda processando o dia surreal que tinham vivido. Erling e Maria vinham por último, observando a cena com a satisfação de quem tinha vencido mais um clássico.

— Você sabe que eles nunca vão esquecer este dia, não sabe? — perguntou Maria.

— Eu também não vou — respondeu Erling. — Ver minhas filhas felizes e respeitadas... esse é o único hat-trick que realmente importa agora.

A noite em Manchester caiu suavemente. O gigante norueguês podia ter o mundo aos seus pés, mas seu império mais valioso estava ali, caminhando à sua frente, entre risadas, segredos e o início de novas histórias. A adolescência das trigêmeas Haaland era, sem dúvida, o jogo mais difícil que Erling já havia disputado, mas ele estava descobrindo que, com a tática certa e o coração aberto, a vitória era inevitável.

E, no fundo, ele já estava ansioso para o próximo "treino de integração", mesmo que envolvesse mais algumas piadas do Jack Grealish e, talvez, um pouco menos de ciúme viking. Afinal, no time dos Haaland, a lealdade era a única regra que nunca mudava.