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Família,amor,ciúmes e união

O Eclipse da Razão e a Marca da Russa

O sol da tarde de terça-feira incidia sobre a sala da mansão, mas o calor que Julia Bergmann sentia não vinha do clima. Vinha da perseguição implacável de Ekaterina Antropova. Kate havia chegado do treino duas horas mais cedo, com uma energia acumulada que parecia não ter sido gasta inteiramente na quadra. Desde que cruzara a porta, a russa parecia ter desenvolvido uma fixação magnética pela retaguarda da esposa.

— Kate, pelo amor de Deus, eu estou tentando dobrar os lençóis! — Julia exclamou, soltando um ganido baixo quando sentiu, pela décima vez naquela hora, um tapa firme e sonoro atingir sua nádega direita.

— Só estou conferindo se a densidade continua a mesma, Bergmann — Kate respondeu com aquela voz rouca, quase um ronronar, enquanto passava por ela em direção à cozinha. No caminho, ela não resistiu: esticou a mão e deu um aperto possessivo, cravando os dedos longos de levantadora no tecido fino do short de treino de Julia.

— Antropova! — Julia virou-se, o rosto tão ruivo quanto os cabelos. — Você está impossível hoje. O que deram para você naquele treino? Adrenalina pura?

— Deram-me a visão de você fazendo agachamentos antes de eu sair de casa — Kate piscou, encostando-se no batente da porta com um sorriso predatório. — A academia está fazendo maravilhas, Julia. A cada dia que passa, essa sua bunda fica mais... convidativa.

O momento de tensão sexual foi interrompido por um som de impacto no andar de cima, seguido pelo grito de guerra de Léo. O pequeno ruivo, em sua fase mais abusada e energética, parecia ter herdado a força de impulsão das mães, mas usava-a apenas para saltar de móveis proibidos.

— Mama! Mama! — Léo surgiu no topo da escada, segurando um troféu de miniatura que Julia tinha certeza que deveria estar em uma prateleira alta.

— Léo, desça daí agora e solte isso! — Julia comandou, esquecendo a provocação de Kate por um segundo.

— Não! Meu! — Léo gritou, sentando-se no degrau e começando a bater o troféu no corrimão de madeira.

— Ele é igualzinho a você quando perde um set — Kate comentou, passando por Julia e dando mais um tapa rápido, "plaft", antes de subir para resgatar o troféu.

— Eu vou te dar um cartão vermelho, Ekaterina! — Julia gritou para as escadas, embora o sorriso em seus lábios a traísse.

O resto da tarde foi um teste de resistência. Julia tentava manter a ordem na casa, lidar com a teimosia de Léo — que resolveu que só comeria se o cachorro da vizinha viesse jantar com eles — e, simultaneamente, fugir das investidas de Kate. A russa estava em todos os lugares. Se Julia se abaixava para pegar um brinquedo, sentia um tapa. Se passava pelo corredor, era prensada contra a parede e recebia um aperto firme.

— Você está me deixando marcada, sabia? — Julia sussurrou, quando Kate a encurralou na lavanderia.

— Essa é a ideia — Kate respondeu, beijando a curva do pescoço de Julia enquanto sua mão descia novamente para a carne macia e firme. — Quero que você sinta o peso da minha mão em cada passo que der.

A noite finalmente caiu, trazendo consigo o caos habitual. Gabriella chegou com Nicolas e Thiago, e a cozinha transformou-se em um campo de batalha de farinha e risadas. Léo, exausto de sua própria rebeldia, finalmente adormeceu no colo de Nicolas enquanto assistiam a um desenho animado qualquer.

— Certo, o monstrinho apagou — Nicolas sussurrou, colocando o sobrinho no berço. — Agora, podemos comer em paz?

— Só se a Gabi parar de tentar colocar abacaxi na pizza — Thiago reclamou, desviando de uma colherada de molho.

— É agridoce, seu bárbaro! — Gabi rebateu.

Julia tentava se concentrar na conversa, mas Kate estava sentada ao seu lado, e por baixo da mesa, a mão da russa não parava. Era um aperto constante, uma carícia ousada que subia pela coxa de Julia e encontrava o foco de sua obsessão. Julia tentava manter a expressão neutra, mas seus dedos apertavam o garfo com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

— Você está bem, Ju? Está meio... ofegante — Gabi perguntou, com um brilho malicioso nos olhos. Ela conhecia bem demais as amigas.

— É o calor da cozinha, Gabi — Julia mentiu, sentindo Kate dar um beliscão ousado em sua nádega por baixo da mesa. — Eu vou... buscar mais gelo.

Julia levantou-se apressada, mas Kate foi logo atrás.

— Eu ajudo — disse a russa, com uma calma exasperante.

Assim que entraram na despensa, longe dos olhos dos adolescentes e de Gabi, Kate não perdeu tempo. Ela girou Julia e a pressionou contra as prateleiras de mantimentos.

— Vinte e oito — Kate murmurou, contando os tapas e apertos do dia.

— Kate, a gente tem visitas... — Julia tentou protestar, mas sua voz falhou quando Kate a ergueu, sentando-a na prateleira de madeira reforçada e puxando o short de algodão para o lado.

O beijo que se seguiu foi faminto, uma colisão de línguas e desejo reprimido. Kate enterrou o rosto no pescoço de Julia, mas logo desceu. Julia soltou um suspiro alto quando sentiu as mãos de Kate separarem suas pernas, mas o suspiro transformou-se em um grito abafado de surpresa e dor aguda.

— AI! Kate! — Julia empurrou os ombros da loira. — O que foi isso?

Kate levantou o rosto, os olhos azuis escurecidos pela luxúria, mas com um brilho travesso.

— Estava muito macia. Eu não resisti.

— Você me mordeu! — Julia levou a mão à própria bunda, sentindo o lugar arder. — Bater tudo bem, Kate. Apertar, eu até gosto. Agora, morder meu bem? Você acha que eu sou o quê? Um pedaço de picanha do churrasco de ontem?

Kate soltou uma risada baixa, vibrante, e voltou a atacar o pescoço de Julia com beijos úmidos.

— Você é muito mais saborosa que qualquer churrasco, Bergmann. E eu queria deixar uma marca que você não pudesse ignorar.

— Eu já não estava ignorando! — Julia exclamou, embora estivesse puxando Kate para mais perto novamente. — Minha bunda está pulsando com os seus vinte e tantos tapas, e agora você resolve cravar os dentes? Você é um animal, Antropova.

— Sua russa, Julia. Sua animal russa — Kate corrigiu, voltando a morder, desta vez com mais suavidade, a pele sensível da coxa de Julia.

A porta da despensa foi levemente batida.

— Ei, pombinhas! — A voz de Gabi ecoou do outro lado. — O gelo está vindo do Alasca? A pizza está esfriando e o Nicolas está começando a perguntar por que a despensa está fazendo barulho de prateleira rangendo!

Julia limpou o rosto, ajeitou o short com as mãos trêmulas e tentou recuperar a compostura. Kate apenas sorriu, limpando o batom borrado de Julia com o polegar.

— Vamos — disse Kate. — A vingança é um prato que se come frio, mas a pizza a gente come quente.

O jantar seguiu entre piadas e a energia caótica de Nicolas e Thiago, que agora discutiam sobre quem seria o melhor levantador se ambos fossem para a seleção. Julia sentia o lugar da mordida arder a cada vez que se mexia na cadeira, um lembrete constante da possessividade de Kate.

Quando as visitas finalmente foram embora e a casa mergulhou no silêncio da madrugada, Julia subiu para o quarto, encontrando Kate já deitada, apenas de calcinha, lendo algo no tablet.

— Venha aqui — Kate chamou, batendo no espaço vazio ao seu lado.

Julia aproximou-se, mas antes de deitar, virou-se de costas e abaixou levemente o short, olhando por cima do ombro no espelho da penteadeira.

— Olha isso, Ekaterina! Tem a marca certinha dos seus dentes! — Julia apontou para a marca avermelhada na polpa da nádega. — Eu vou ter que treinar de calça comprida amanhã para ninguém ver isso no vestiário.

Kate largou o tablet e arrastou-se até a beirada da cama, puxando Julia para entre suas pernas. Ela beijou a marca que havia deixado, um gesto de adoração disfarçado de desculpa.

— Ficou lindo — Kate murmurou. — Combina com o resto de você.

— Você é abusada — Julia repetiu, virando-se para ficar de frente para a esposa. — O Léo é abusado, você é abusada... eu estou cercada.

— E você ama isso — Kate afirmou, derrubando Julia no colchão e cobrindo seu corpo com o dela.

— Amo — Julia admitiu, envolvendo o pescoço de Kate com os braços. — Mas se você morder de novo, eu juro que te dou um bloqueio triplo amanhã no café da manhã.

— Tente a sorte, Bergmann — Kate desafiou, antes de silenciar Julia com um beijo que prometia que a noite estava apenas começando, e que a contagem de tapas e mordidas certamente passaria dos trinta antes do amanhecer.

Naquela casa, o caos era a regra, o ciúme era o tempero e o amor de Julia e Kate era a rede que segurava tudo, firme e inquebrável, mesmo sob a pressão dos dentes de uma russa completamente apaixonada.

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