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Família,amor,ciúmes e união

O Eclipse da Razão e a Revanche dos Sentidos

A manhã na mansão Bergmova começou com um som que Julia Bergmann já conhecia bem: o grito agudo de um pequeno ditador ruivo que parecia ter acordado com a missão de testar cada nervo de sua paciência. Léo, agora com dois anos, estava na fase que Gabriella carinhosamente chamava de "a idade do terror", agravada pelo nascimento dos últimos molares.

— Não! Não quero azul! Quero o verde! — Léo gritava, jogando o copo de treinamento no chão da cozinha.

Julia suspirou, esfregando as têmporas. Ela vestia seu conjunto de academia, pronta para sair com Gabi, Nicolas e Thiago, mas o filho parecia ter outros planos.

— Léo, o verde está sujo, meu amor. Toma o azul só por agora — Julia tentou, mantendo a voz calma, embora seus músculos ainda doessem do treino de ontem.

— NÃO! — O pequeno se jogou no chão, começando um choro dramático que envolvia soluços e mãos gordinhas batendo no azulejo.

Ekaterina Antropova entrou na cozinha com uma elegância que beirava o insulto para quem estava lidando com uma crise de birra. Ela estava de folga hoje, vestindo apenas um short de moletom cinza e uma camiseta larga, o cabelo loiro preso em um coque perfeitamente desfeito. Ela se aproximou de Julia, ignorando o escândalo de Léo por um momento, e passou os braços pela cintura da esposa.

— Ele está impossível hoje, não está? — Kate sussurrou, a voz rouca de sono vibrando contra o pescoço de Julia.

— É o dente, Kate. Ele não dormiu nada e eu também não — Julia resmungou, mas relaxou o corpo contra o da russa.

Kate, em vez de oferecer palavras de conforto, desceu a mão com firmeza e deu um tapa sonoro na bunda de Julia, apertando o músculo tonificado logo em seguida.

— Aí! — Julia deu um pulo, o rosto ficando vermelho instantaneamente. — Kate, a criança está no chão tendo um colapso!

— A criança está bem, Bergmann — Kate provocou, aproximando o rosto do ouvido de Julia. — Eu só estava notando... a academia está fazendo milagres. Você está muito mais gostosa ultimamente. Se é que isso é possível.

— Você é uma abusada, Antropova — Julia disse, embora um sorriso estivesse começando a surgir. — Eu tenho que ir. A Gabi já está buzinando lá fora com os meninos.

— Vá. Eu cuido do pequeno monstro — Kate disse, dando outro tapa rápido, dessa vez mais leve, enquanto Julia se afastava para pegar suas coisas. — Mas volte logo. Eu pretendo passar o dia lembrando você do quanto esse short fica bem em você.

O treino na academia da cidade com Gabriella, Nicolas e Thiago foi intenso. Gabi, como sempre, não deu trégua, e os meninos estavam empolgados com a nova série de pesos. No entanto, a mente de Julia voltava constantemente para a mansão. Ela sabia que Kate em dia de folga e com humor provocativo era uma combinação perigosa para sua sanidade.

Quando o grupo finalmente retornou à mansão, por volta das três da tarde, o cenário era de uma paz suspeita. Léo estava dormindo no sofá, exausto de tanto chorar, e Kate estava sentada na poltrona ao lado, lendo um livro de táticas de vôlei como se fosse a pessoa mais tranquila do mundo.

— Chegamos! — Gabi anunciou, entrando com a energia de um furacão. — E trouxemos fome!

Kate levantou os olhos do livro, focando diretamente em Julia, que estava suada e com as bochechas coradas pelo esforço físico.

— Demoraram — Kate comentou, levantando-se.

Enquanto Julia passava por ela para ir em direção à cozinha buscar água, sentiu o impacto. *Plaft!* Um tapa firme e possessivo atingiu sua nádega direita.

— Kate! — Julia exclamou, olhando para trás e vendo Nicolas e Thiago logo atrás dela.

— O quê? — Kate arqueou uma sobrancelha, com um sorriso de canto. — Só estou conferindo se o treino de glúteos foi eficiente. E, pelo que senti, foi excelente. Gostosa.

— Meu Deus, eu vou ficar cego — Nicolas reclamou, cobrindo os olhos. — Irmã, controle seus impulsos, pelo amor de Deus!

— Deixa ela, Nick — Gabi riu, abrindo a geladeira. — A Kate está apenas apreciando a vista. E que vista, hein, Bergmann?

O resto da tarde foi um caos de provocações. A cada vez que Julia se abaixava para pegar um brinquedo de Léo, que já havia acordado e voltado ao seu estado de "não para nada", Kate encontrava uma oportunidade.

— Julia, pega aquele bloco ali para o Léo? — Kate pediu, sentada na mesa da varanda enquanto tomavam café.

Julia se inclinou e, no segundo seguinte, sentiu a mão de Kate atingir sua bunda novamente.

— Antropova, eu juro que vou te dar um cartão vermelho! — Julia sibilou, o rosto queimando.

— Você está muito brava hoje, ruiva — Kate disse, pegando Léo no colo e dando um beijo na bochecha do filho. — Não é, Léo? A mamãe está muito nervosa, mas ela está tão gostosa hoje que a mama não consegue resistir.

— Gostosa! — Léo repetiu, batendo as mãozinhas, o que fez Nicolas e Thiago caírem na gargalhada na sala.

— Ótimo, agora você está ensinando vocabulário impróprio para o meu filho — Julia resmungou, embora estivesse lutando para não rir.

O sol começou a se pôr, e a mansão Bergmova preparava-se para o evento principal da noite: o churrasco no quintal. Gabi já havia assumido o comando da churrasqueira, enquanto os meninos preparavam a mesa. Julia estava ajudando a levar as travessas de salada quando Kate a cercou no corredor.

— Sabe — Kate murmurou, prendendo Julia contra a parede com o corpo —, você passou o dia todo fugindo de mim.

— Eu não fugi, eu estava cuidando da casa enquanto você passava o tempo me assediando na frente de todo mundo! — Julia respondeu, sentindo o coração acelerar quando Kate colocou as mãos em sua cintura.

— Não era assédio, era apreciação — Kate corrigiu, descendo as mãos para a curva das nádegas de Julia e apertando com força. — Você não tem ideia do que eu quero fazer com você desde que te vi saindo para a academia hoje de manhã.

— Kate... a Gabi está chamando — Julia tentou, mas sua voz saiu fraca quando Kate mordeu seu pescoço, bem em cima da clavícula.

— Deixe que chamem.

O momento foi interrompido pelo som de algo caindo na cozinha, seguido por um grito de Léo. A vida de mãe nunca permitia que o romance durasse mais do que alguns segundos.

O churrasco seguiu animado. A carne estava no ponto, a música estava alta e a cachaça artesanal que Gabi trouxera já estava circulando. Léo, entre uma mordida de pão de alho e outra, reclamava dos dentes, mas a agitação ao seu redor parecia distraí-lo.

— Certo, pessoal! — Gabi gritou, batendo uma colher no copo. — Léo está quase dormindo no colo do Nick, a comida acabou e agora é hora da verdade. O Jogo do Copo com Cachaça: Edição Mais Dezoito!

— Gabi, não — Julia tentou protestar, já sabendo que seria o alvo principal.

— Ah, sim! — Thiago apoiou. — As regras são simples: quem for apontado pelo copo responde uma pergunta picante ou vira uma dose de cachaça pura. E nada de respostas diplomáticas, Antropova!

O grupo se sentou em círculo no gramado, sob a luz dos refletores da piscina. O copo girou no centro, parando exatamente para Gabriella.

— Pergunta para... Julia! — Gabi sorriu com malícia. — Bergmann, qual foi o lugar mais inusitado onde você e a "russa de gelo" aqui já... você sabe.

Julia olhou para Kate, que apenas deu de ombros, virando sua própria bebida.

— No vestiário do ginásio, logo após uma final de campeonato — Julia respondeu, sentindo o rosto esquentar. — A gente ainda estava com as joelheiras.

— Meu Deus! — Nicolas exclamou. — Eu não precisava dessa imagem mental da minha irmã!

O copo girou novamente, parando para Kate.

— Antropova — Thiago começou, com um brilho perigoso nos olhos. — Qual é a fantasia que a Julia realizou que você mais gostou? Ou melhor... qual ela ainda *não* realizou e você está morrendo de vontade?

Kate olhou profundamente nos olhos de Julia, um sorriso predatório surgindo em seus lábios.

— Ela realizou a do uniforme de juíza, que foi inesquecível — Kate disse, a voz baixa e firme. — Mas a que eu ainda quero... envolve uma praia deserta e ela não usando nada além de protetor solar.

Julia quase engasgou com a própria bebida, enquanto Gabi soltava um grito de aprovação.

— Essa é a minha russa! — Gabi comemorou.

O jogo continuou, ficando cada vez mais indiscreto à medida que a garrafa de cachaça esvaziava. Nicolas e Thiago faziam perguntas absurdas, tentando desestabilizar as jogadoras, mas Julia e Kate, sob o efeito do álcool e da adrenalina da provocação mútua que durara o dia todo, não recuavam.

— Minha vez — Julia disse, girando o copo com força. Parou para Kate. — Antropova, verdade ou cachaça?

— Verdade — Kate respondeu prontamente.

— Quantos tapas na minha bunda você deu hoje, e por que você acha que eu não vou me vingar agora mesmo?

Kate riu, uma risada aberta e sonora que raramente mostrava a estranhos.

— Foram vinte e sete tapas. E eu dei cada um deles porque você estava absolutamente irresistível com aquele short, e porque eu sabia que a sua "vingança" seria exatamente o que eu queria para o final da noite.

— Uau — Gabi murmurou. — Acho que é a minha deixa para levar os meninos para dentro e fingir que não ouvi isso.

Léo já havia dormido profundamente no carrinho de bebê ao lado. Nicolas e Thiago, percebendo que o clima entre as tias estava ficando pesado demais para o ambiente familiar, levantaram-se rapidamente.

— Vamos, Thiago. Acho que a gente tem... sei lá, videogame para jogar — Nicolas disse, puxando o amigo.

Gabi pegou o carrinho de Léo, piscando para Julia.

— Vou colocar o pequeno no berço. Divirtam-se, juízas. Só tentem não quebrar nada no quintal.

Quando ficaram sozinhas, o silêncio do quintal foi preenchido apenas pelo som da água da piscina e pela respiração pesada de ambas. A cachaça havia deixado Julia mais corajosa, e a provocação de Kate durante o dia inteiro havia chegado ao limite.

— Vinte e sete tapas, Antropova? — Julia levantou-se, caminhando lentamente até a esposa.

— Eu perdi a conta depois do décimo, para ser sincera — Kate admitiu, levantando-se também e envolvendo Julia em seus braços. — Você está brava?

— Eu estou com vontade de te mostrar o que uma "ruiva brava" pode fazer quando é provocada o dia todo — Julia sussurrou, puxando Kate pela gola da camiseta e selando seus lábios em um beijo urgente, com gosto de cachaça e desejo reprimido.

Kate respondeu com a mesma intensidade, suas mãos descendo automaticamente para o lugar que ela havia reivindicado o dia inteiro.

— Você está tão gostosa, Julia — Kate murmurou entre os beijos, a voz carregada de uma paixão que só Julia conhecia. — A academia está fazendo maravilhas, mas o que eu sinto por você... isso nenhuma série de exercícios explica.

— Menos conversa, Antropova — Julia disse, puxando-a em direção à casa. — Temos uma vingança pendente e um quarto trancado nos esperando.

Enquanto subiam as escadas, Julia olhou para trás por um segundo, vendo a bagunça do churrasco e pensando no caos que seria a manhã seguinte com Léo acordando cedo. Mas, naquele momento, sob o efeito da cachaça e do toque de Kate, o caos era a última coisa em sua mente. O jogo da verdade havia terminado, e a única realidade que importava era a entrega absoluta entre a ruiva brava e sua russa provocadora.

No corredor, Kate ainda encontrou tempo para mais um tapa sonoro.

— Vinte e oito — Kate sussurrou, rindo, antes de Julia a empurrar para dentro do quarto e fechar a porta, deixando o resto do mundo, e a teimosia de Léo, do lado de fora.

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