Família,ciúmes e tentação
O Eco do Prazer e a Doce Invasão
A mansão das Bergmann-Antropova, que já era um reduto de emoções intensas, parecia ter se transformado definitivamente em uma extensão do ginásio nacional. Gabi, cumprindo sua promessa de ser a "tia exemplar" — embora seu conceito de exemplaridade fosse altamente questionável —, havia se mudado com Davi para um dos quartos de hóspedes. A casa agora pulsava com o dobro de energia, o triplo de barulho e uma ausência quase absoluta de privacidade, algo que Kate e Julia tentavam manejar com uma mistura de humor e desespero.
A manhã começou com o sol filtrando-se pelas janelas da cozinha, onde o cheiro de café fresco e pão na chapa lutava contra o caos matinal. Kate, já vestida com seu uniforme de treino — uma legging preta que acentuava suas pernas longas e uma camisa de compressão —, terminava de amarrar o cabelo loiro em um rabo de cavalo alto. Ela estava voltando ao ritmo pesado de treinos, e a disciplina russa parecia ter retornado com força total.
— Julia, onde está minha joelheira de proteção? — perguntou Kate, revirando uma bolsa de equipamentos.
Julia, que tentava convencer Léo a comer uma papinha de frutas enquanto Nicolas e Davi disputavam o último pedaço de bolo, nem levantou os olhos.
— Deve estar onde você a deixou ontem, amor. Ou seja, espalhada em algum lugar entre a sala de TV e o hall.
Gabi entrou na cozinha, bocejando, usando um pijama de seda que parecia custar mais que o carro de muita gente.
— Bom dia, atletas. Kate, você está com uma cara de quem vai matar a bola hoje. Adoro essa energia.
Davi, que observava atentamente a interação entre as duas mães da casa, de repente soltou uma pergunta que fez o silêncio se instalar instantaneamente.
— Julia, por que você senta no colo da Kate daquele jeito que o Nicolas viu? — O menino inclinou a cabeça, a curiosidade infantil brilhando nos olhos. — É porque você está cansada ou é o jeito de vocês fazerem a ginástica de alongamento?
Julia sentiu o rosto esquentar em um tom que rivalizava com seus cabelos. Nicolas, ao lado, deu um sorrisinho cúmplice, lembrando-se da cena que causara tanta confusão dias atrás.
— É... — Julia começou, buscando oxigênio — é porque a Kate é muito forte, Davi. Às vezes, o melhor jeito de conversar é ficando bem pertinho. E, sim, ajuda no... equilíbrio.
— Entendi — respondeu Davi, parecendo satisfeito por um segundo, antes de atacar novamente: — E você vai dar outro irmão para o Nicolas? A minha mãe disse que vocês praticam muito para isso.
Kate soltou uma risada curta, quase engasgando com o café, enquanto lançava um olhar mortal para Gabi, que apenas deu de ombros e sorriu.
— Davi, querido, por que você não vai terminar de arrumar sua mochila? — sugeriu Julia, a voz uma oitava mais alta. — Hoje é o primeiro dia de volta às aulas de vocês dois!
A menção à escola serviu como o gatilho perfeito para dissipar o interrogatório. Nicolas e Davi correram para pegar suas coisas, animados com a ideia de rever os amigos e, no caso de Davi, mostrar a todos que agora morava em uma mansão com duas estrelas do vôlei.
Após o turbilhão da saída dos meninos, o silêncio finalmente reinou por alguns minutos. Kate aproximou-se de Julia, que ainda estava encostada na bancada, processando as perguntas.
— Eles estão ficando espertos demais — comentou Kate, envolvendo a cintura de Julia com seus braços fortes.
— Eles estão sendo influenciados por uma má companhia — rebateu Julia, olhando para Gabi, que já estava distraída com o celular.
Kate não respondeu com palavras. Em vez disso, inclinou-se e capturou os lábios de Julia em um beijo profundo. Foi um beijo de língua lento, exploratório, onde os sabores de café e desejo se misturavam. Kate deu uma mordida leve no lábio inferior de Julia antes de se afastar, os olhos loiros faiscando.
— Eu preciso ir para o treino. Mas quando eu voltar, quero continuar essa conversa de "equilíbrio" no colo.
— Vá logo, Antropova. Antes que eu te prenda aqui — sorriu Julia, dando um tapa leve na bunda da esposa enquanto ela saía.
O dia seguiu produtivo. Kate brilhou no treino, sentindo a potência de seus ataques voltando ao nível de elite. No ginásio, uma surpresa: Alice, a novata que fora motivo de tantos ciúmes, apareceu de mãos dadas com uma levantadora da liga juvenil. Elas pareciam apaixonadas e, para alívio de Julia (que passara para buscar Kate), Alice apenas acenou com um sorriso amigável, provando que as inseguranças do passado podiam finalmente ser enterradas.
À noite, a mansão celebrou a volta às aulas e o bom desempenho de Kate com um churrasco à beira da piscina. O clima era de festa. Gabi assumira a trilha sonora, Kisy cuidava das carnes com uma perícia impressionante, e os meninos corriam em volta da água, desafiando o frio da noite com a energia da infância.
— Todo mundo na água! — gritou Nicolas, pulando de bomba e espirrando água em todos.
A noite de piscina foi um sucesso. Julia e Kate, abraçadas em um canto da piscina aquecida, trocavam beijos e carícias discretas sob a luz da lua. O contato da pele molhada, o calor da água e a proximidade física faziam a tensão sexual, que vinha sendo construída desde a manhã, subir a níveis insuportáveis.
— Acho que o Léo está começando a reclamar — murmurou Julia, ouvindo o choro característico vindo do monitor de bebê que estava na mesa.
— A Gabi disse que cuidava dele se ele acordasse — lembrou Kate, a voz rouca, sua mão subindo pela coxa de Julia debaixo da água.
— A Gabi está ocupada tentando convencer a Kisy de que ela é uma ótima dançarina. Vamos nós.
Elas saíram da piscina, secando-se rapidamente enquanto os outros ainda se divertiam. No berçário, Léo chorava, mas bastou o colo de Julia para que ele se acalmasse. No entanto, o choro do bebê parecia ter despertado algo mais primal em Kate. Ela observou Julia amamentando, a luz suave do abajur contornando as curvas da esposa, e sentiu uma onda de posse e desejo que quase a fez perder o fôlego.
Assim que Léo adormeceu profundamente, Kate pegou Julia pela mão e a conduziu para a suíte principal. Ela não queria preliminares suaves. Ela queria a agressividade que só a paixão absoluta permite.
Kate empurrou Julia contra a porta assim que entraram, trancando-a com um clique seco. Suas mãos subiram para o pescoço de Julia, não para machucar, mas para exercer aquela pressão firme e dominadora que fazia Julia perder os sentidos.
— Você é tão linda quando está sob o meu controle — sussurrou Kate, a voz vibrando de luxúria.
— Então me controla, Kate. Me mostra que eu sou sua.
Kate não esperou. Ela jogou Julia na cama e, com uma agilidade técnica, despiu-a. A loira posicionou-se entre as pernas da ruiva, suas mãos grandes acariciando a intimidade de Julia com uma precisão que arrancava gemidos altos. A língua de Kate entrou e saiu de Julia em um ritmo frenético, imitando o ato carnal, enquanto seus dedos trabalhavam em conjunto para levá-la ao limite.
— Kate... ah, meu Deus! — Julia arqueou as costas, as mãos agarrando os lençóis.
Incapaz de apenas receber, Julia puxou Kate para cima. Em um movimento fluido, a ruiva sentou-se sobre o rosto de Kate. Ela queria sentir a língua da esposa em cada centímetro dela, queria dominar aquele momento. Julia começou a se mover com uma voracidade selvagem, gemendo alto, entregando-se completamente ao prazer.
— AAAAI! — O grito de Julia ecoou pelo quarto quando o orgasmo a atingiu, uma explosão de cores e sensações que a deixou trêmula e sem forças sobre o peito de Kate.
Elas ficaram ali, ofegantes, os corpos suados e entrelaçados, enquanto o som distante da música de Gabi ainda chegava aos seus ouvidos.
Os meses seguintes passaram como um borrão de felicidade e rotina. Nicolas e Davi adaptaram-se perfeitamente à escola, tornando-se melhores amigos. Léo, o pequeno milagre da casa, estava prestes a completar um ano, e os preparativos para a festa já ocupavam a mente de Julia.
Em uma tarde de sol, enquanto observava Léo tentando dar seus primeiros passos no jardim, Julia sentiu Kate se aproximar e abraçá-la.
— Sabe — disse Kate, olhando para o filho —, o Davi tinha razão em uma coisa.
— No quê?
— A gente pratica muito. Talvez, depois da festa de um ano do Léo, a gente possa realmente pensar em dar aquele irmão para o Nicolas.
Julia sorriu, virando-se nos braços da loira e dando-lhe um beijo terno.
— Quem sabe, Antropova. Quem sabe. Mas, por enquanto, vamos apenas aproveitar o caos.
E, como se para confirmar, o som de algo quebrando na cozinha, seguido pelo grito de Gabi chamando pelos meninos, ecoou pela mansão. Era o som da vida delas: imperfeita, barulhenta, mas absolutamente completa.