Família,ciúmes e tentação
O Eco do Prazer e a Inocência Interrompida
O silêncio da noite na mansão era uma mercadoria rara, mas, finalmente, o relógio marcava duas da manhã e a casa parecia ter se rendido. Nicolas e Davi haviam desmaiado no quarto de hóspedes após horas de guerra de travesseiros, e Léo, graças aos deuses do vôlei, dormia um sono profundo e pesado no berço. No quarto principal, a atmosfera estava carregada. O que fora interrompido pela tarde não seria apenas retomado; seria finalizado com a intensidade de um tie-break decisivo.
Ekaterina não estava para brincadeiras. Assim que a porta foi trancada — desta vez com a trava de segurança reforçada e a poltrona devidamente posicionada —, ela não deu espaço para Julia respirar. A loira prensou a esposa contra o colchão, suas mãos grandes e firmes prendendo os pulsos ruivos acima da cabeça.
— Você me deixou no limite o dia inteiro, Julia — sussurrou Kate, a voz vibrando como um trovão baixo contra o pescoço da ruiva. — Agora, eu não quero ouvir nada além do seu prazer.
Julia arqueou o corpo, sentindo o peso e o calor de Kate sobre si. A frustração da tarde havia se transformado em um combustível inflamável.
— Então para de falar e faz, Antropova — desafiou Julia, a respiração já errática. — Eu quero ver se você é tão boa na prática quanto é nas promessas.
Kate sorriu, um sorriso predatório que fez Julia estremecer. A loira desceu pelo corpo da esposa com uma agilidade surpreendente, ignorando qualquer delicadeza. Ela queria possessão. Quando Kate se posicionou entre as pernas de Julia, o mundo exterior deixou de existir. A língua da russa trabalhava com uma agressividade técnica, buscando cada ponto que sabia que levaria Julia à loucura.
— Vai, Kate... — Julia gemeu, a cabeça jogada para trás, os dedos enterrados nos lençóis de seda. — Aí... por favor, não para!
Os gemidos de Julia, antes contidos pelo medo de serem ouvidos, agora ecoavam pelo quarto, livres e potentes. Ela não se importava se a casa inteira ouvisse. O prazer era uma onda avassaladora. Em um movimento brusco, Julia puxou Kate para cima, querendo sentir o contato pele a pele, a fricção que queimava.
— Você é minha, Julia — rosnou Kate, os olhos azuis escurecidos pelo desejo. — Só minha.
— Eu sou... — Julia arfou, sentindo o ápice se aproximar. — Vai, Kate! Agora!
Julia gozou com força, o corpo tremendo em espasmos enquanto gritava o nome da esposa contra o seu ombro. Ela sentiu Kate se entregar logo em seguida, em uma sincronia perfeita de exaustão e satisfação. Por longos minutos, o único som no quarto era o das respirações pesadas tentando voltar ao normal.
A manhã, no entanto, não perdoou a noite de excessos.
O sol mal havia cruzado a linha do horizonte quando a porta do quarto foi alvo de batidas frenéticas. Julia acordou sobressaltada, sentindo cada músculo do corpo reclamar. Kate apenas cobriu o rosto com o travesseiro, soltando um resmungo ininteligível.
— Kate! Julia! O Davi quer saber se a gente vai tomar café ou se vocês ainda estão fazendo ginástica! — A voz de Nicolas era estridente.
Gabi, que parecia ter passado a noite acampada no corredor, logo se juntou ao coro.
— Bom dia, pombinhas! — gritou Gabi, rindo. — O Davi tem umas perguntas técnicas para vocês. E eu também!
Julia sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos ruivos bagunçados. Ela olhou para Kate, que finalmente emergiu debaixo do travesseiro com uma expressão de quem poderia cometer um crime.
— Eu vou matar a Gabi — declarou Kate, categoricamente.
— Primeiro a gente precisa encarar as crianças — suspirou Julia, vestindo um robe.
Ao descerem para a cozinha grande da mansão, encontraram o cenário típico de um acampamento de férias. Gabi estava sentada na bancada, Davi e Nicolas estavam com os rostos sujos de chocolate e Kisy tentava, sem sucesso, organizar as torradas.
— Então — começou Gabi, assim que viu as duas entrarem —, a noite foi produtiva? Porque, olha, eu ouvi uns barulhos que pareciam um ataque de asma ou uma final de Mundial.
— Gabi, cala a boca na frente dos meninos — avisou Julia, sentindo o rosto esquentar enquanto pegava Léo, que já estava no colo de Kisy.
Davi, o sobrinho de Gabi, olhou para Julia com uma curiosidade genuína, segurando uma colher cheia de cereal.
— Tia Julia, o que é a ginástica que a Kate faz com você? — perguntou o menino de oito anos. — O Nicolas disse que vocês ficam cansadas e fazem barulho, mas eu nunca vi vocês de tênis ou roupa de treino no quarto.
O silêncio caiu sobre a cozinha. Kisy desviou o olhar para o teto, tentando não rir. Kate engasgou com o primeiro gole de café. Julia, por sua vez, respirou fundo, buscando toda a sua paciência pedagógica.
— É... — Julia começou, buscando palavras — é uma ginástica de alongamento, Davi. Às vezes os músculos doem e a gente precisa... gritar para aliviar a tensão. É coisa de atleta profissional, você entende, né?
— Ah! — Davi pareceu satisfeito. — Tipo quando o fisioterapeuta aperta a panturrilha?
— Exatamente isso — confirmou Kate, lançando um olhar de "eu te mato" para Gabi.
— Falando em atletas profissionais e tensões — Gabi interveio, mudando de assunto para alívio das duas —, eu estava pensando... essa mansão é enorme. Vocês têm quartos sobrando, uma piscina olímpica e a melhor cozinheira da região. Por que eu e o Davi não nos mudamos para cá de vez?
Julia e Kate trocaram um olhar rápido.
— Gabi, você já passa 80% do seu tempo aqui — pontuou Kate. — Morar aqui seria o fim da nossa privacidade.
— Que privacidade? O Nicolas já é o porteiro oficial do quarto de vocês! — Gabi riu, mas logo ficou séria. — Mas falando sério, o Davi adorou o Nicolas. Eles estão se dando bem. E eu posso ajudar com o Léo.
— A gente vai pensar, Gabi — disse Julia, embora no fundo soubesse que a presença da amiga, apesar de irritante, trazia uma leveza necessária.
Após o café, as crianças foram para o quintal imenso. Nicolas e Davi corriam com o cachorro, enquanto as quatro mulheres se acomodavam nas espreguiçadeiras perto da piscina, com Léo tirando um cochilo no carrinho sob a sombra de um ombrelone.
A conversa, naturalmente, migrou para o vôlei.
— A Alice mandou mensagem de novo — comentou Kate, olhando para o celular, mas logo percebendo o endurecimento na postura de Julia. — Calma, ruiva. Era sobre o treino de recepção. Ela está sentindo o peso da pressão da torcida.
— Ela que se acostume — retrucou Julia, cruzando os braços. — O time não é lugar para quem tem coração mole. E eu continuo achando que ela tem segundas intenções com você, Ekaterina.
— Insegurança não combina com você, Julia — provocou Gabi. — Mas, falando em Alice, vocês viram o vídeo que vazou dela na festa de sexta? A menina não é tão santinha quanto parece. Estava bem próxima daquela ponteira da seleção juvenil.
— Eu não quero saber da vida amorosa da novata — cortou Julia. — Eu quero saber se ela vai entregar o passe na mão da levantadora.
Kate esticou o braço, segurando a mão de Julia.
— Ela vai. E se não entregar, eu mesma cobro. Mas vamos mudar de assunto. Gabi, se você realmente quer passar esse tempo aqui, precisa entender que existem regras. Especialmente sobre o que você fala perto dos meninos.
Gabi revirou os olhos, mas assentiu.
— Tá, tá. Prometo ser uma tia exemplar. Mas vocês precisam admitir que a pergunta do Davi sobre a ginástica foi o ponto alto da manhã.
— Foi o ponto alto da minha vergonha — corrigiu Julia.
A tarde caiu suavemente. Enquanto os meninos brincavam de "vôlei de grama" sob a supervisão de Kisy, Julia e Kate se afastaram um pouco, caminhando até o limite do jardim.
— Você está bem? — perguntou Kate, abraçando Julia por trás e descansando o queixo em seu ombro.
— Estou. Só... processando que a nossa vida é esse caos maravilhoso. Entre fraldas, treinos, crianças curiosas e a Gabi sendo a Gabi.
Kate virou Julia para si, beijando-lhe a ponta do nariz.
— Eu não trocaria esse caos por nenhuma paz no mundo, desde que eu tenha você no fim do dia. E sobre a "ginástica"... talvez hoje à noite a gente possa tentar uma série nova. Sem interrupções.
Julia riu, puxando a loira para um beijo calmo, que carregava a promessa de que, apesar de todas as perguntas inocentes e das brincadeiras dos amigos, o que acontecia entre elas quatro paredes era sagrado, intenso e, acima de tudo, delas.
— Só se você prometer que não vai deixar a Gabi ouvir nada — sussurrou Julia contra os lábios de Kate.
— Eu prometo — respondeu Kate, embora ambas soubessem que, naquela casa, o silêncio era apenas um intervalo curto entre uma explosão de vida e outra.